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Four main hypotheses

In document In a State of Fragmentation (sider 37-42)

Núcleo de Nutrição, Universidade Federal de Sergipe, Cidade Universitária Profº José Aloísio de Campos, Jardim Rosa Elze, CEP: 49100-000, São Cristóvão, Sergipe-SE. Email do autor principal: [email protected]

Kiriaque Barra Ferreira Barbosa

Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, Sergipe Oscar Felipe Falcão Raposo

Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, Sergipe RESUMO

O presente estudo teve como objetivo avaliar o consumo alimentar e qualidade da dieta de estudantes universitários recém-ingressos e formandos do curso de nutrição de uma Universidade do Nordeste. A amostra foi composta por 56 estudantes. Foram avaliadas variáveis dietéticas, antropométricas e estilo de vida. O consumo alimentar foi avaliado por meio do método Registro Alimentar de 72 horas. Para avaliação da qualidade da dieta, foi utilizado o Índice de Alimentação Saudável adaptado a partir do Health Eating Index (HEI). Observou-se, em relação ao Índice de Alimentação Saudável, que os formandos apresentaram melhor pontuação comparados aos recém-ingressos (70,99±7,60 versus 65,57±7,70; p<0,05). A maioria dos entrevistados (94,6%) apresentou dieta inadequada ou que necessita de modificação. A análise do coeficiente de correlação dos escores do Índice de Alimentação Saudável correlacionou-se negativamente com a ingestão de gordura total e sódio e associação positiva com a ingestão de carboidrato, cálcio, potássio, fibra, vitamina A e vitamina C. Verificou-se que os recém-ingressos consomem dietas hipercalóricas, com alta ingestão de vitamina A e baixo consumo de fibras e potássio. Verificou-se alta prevalência de inatividade física (64,3% e 60,7% para recém-ingressos e formandos, respectivamente) e predominância de eutrofia. Em aproximadamente 15% dos entrevistados evidenciou-se risco para desenvolvimento de doenças cardíacas. Embora outros fatores devam ser estudados, o conhecimento obtido ao longo do curso parece ter contribuído para a prática de hábitos alimentares saudáveis. PALAVRAS CHAVE

Estudantes universitários; consumo alimentar; qualidade da dieta. INTRODUÇÃO

O ingresso na universidade é um momento importante que pode influenciar e até mesmo definir certos hábitos alimentares (Petribú, 2009). Os estudantes ao entrar nesse novo ambiente adquirem novos relacionamentos, maturidade, entendimento crítico, busca pela identidade pessoal e profissional e, em algumas situações têm que conciliar estudo e trabalho. Esses aspectos podem interferir no consumo alimentar de maneira que, por exemplo, os estudantes não tenham tempo para as refeições, tenham mais liberdade de escolha em relação ao que comer, quando, onde e com quem (Borges, 2004).

A nutrição é o alicerce sobre a qual se desenvolvem todos os processos fisiológicos e patológicos. Nenhum acontecimento orgânico normal ou anormal acontece sem que haja um nutriente específico e, além disso, tem papel fundamental na promoção, manutenção e recuperação da saúde. Pressupõe-se então a necessidade de que os profissionais da área de saúde estejam devidamente preparados em relação ao assunto (Boog, 1999). Cogita-se que o conhecimento é de fundamental relevância na modificação de hábitos, não gerando a modificação propriamente dita, porém servindo como ferramenta quando há o anseio do acontecimento desta (Matias, 2010).

Nesse contexto, o objetivo do presente estudo foi avaliar o consumo alimentar e qualidade da dieta de estudantes universitários recém-ingressos e formandos do curso de Nutrição de uma universidade do Nordeste.

METODOLOGIA

A população desse estudo foi composta por 56 estudantes, sendo 28 estudantes recém-ingressos e 28 estudantes formandos, do gênero feminino, com idades entre 18 e 30 anos, regularmente matriculados no curso de Nutrição de uma universidade do Nordeste. Foi realizado prévio contato com os estudantes para um breve esclarecimento sobre as etapas, objetivos e implicações do estudo.

A avaliação do consumo alimentar, foi realizada por meio do registro alimentar de 72 horas. Com base nos dados obtidos, foi calculado o Índice de Alimentação Saudável (HEI), de Kennedy et al. (1995) adaptado por Fisberg et al. (2004). Foi questionado aos alunos no momento da avaliação antropométrica se os mesmos praticavam atividade física e qual a modalidade, frequência e duração da mesma.

O peso foi aferido, utilizando-se balança mecânica, a estatura foi aferida por meio de estadiômetro, com extensão de 2,20 m, dividida em centímetros e subdividida em milímetros. As medidas de peso e estatura forma realizadas conforme as técnicas preconizadas pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan, 2004). Foram aferidas as circunferências da cintura (CC) e quadril (CQ), utilizando-se uma fita métrica, com extensão de 2 metros, flexível e inelástica, dividida em centímetros e subdivida em milímetros. O Índice de Massa Corpórea (IMC) foi obtido procedendo-se a divisão do peso em quilogramas pela estatura em metros quadrados. A classificação do estado nutricional foi realizada de acordo com os pontos de corte propostos pela Organização Mundial da Saúde (WHO, 1998).

A análise estatística descritiva compreendeu o cálculo da média (X), desvio padrão (DP), frequência absoluta e relativa (%). Em razão do tamanho amostral e distribuição das variáveis, foram adotados testes não paramétricos. Foi utilizado o teste de U Mann Whitney, para a comparação entre os grupos estudados (recém-ingressos versus formandos). Para as variáveis categóricas utilizou-se o teste de qui-quadrado- 2

.

Foi considerado o nível de significância estatística de 5% de probabilidade (p<0,05). As análises estatísticas foram realizadas utilizando o Statistical Package for the Social Science, SPSS versão 17.0 para Windows.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No presente estudo, foi possível avaliar o consumo alimentar dos estudantes universitários, levando em consideração a ingestão de energia, macro e micronutrientes e sua adequação em relação às recomendações nutricionais, evidenciando as diferenças entre recém-ingressos e formandos do curso de nutrição. Diversos autores têm demonstrado a utilidade desta abordagem para conhecer o padrão alimentar dos estudantes universitários,

avaliando suas dietas em relação ao conhecimento adquirido com a inserção no meio acadêmico, e dando ênfase para a promoção, prevenção e intervenção sobre a saúde (Borges, 2004; Franca, 2008; Marcondelli, 2008; Matias, 2010).

Foram entrevistados 56 estudantes universitários do gênero feminino, sendo metade e a outra metade de recém-ingressos. Os formandos apresentaram maior média de idade. Os recém- ingressos do curso de Nutrição quando comparados aos formandos, consumiam dieta com maior valor energética e maior nível de vitamina A, mas com menor teor de fibras e potássio.

Foi observado que os formandos apresentaram melhor qualidade da dieta quando comparados aos recém-ingressos (70,99±7,60 versus 65,57±7,70; p<0,05). Tal achado se reflete na maior ingestão de hortaliças e menor ingestão de gordura total, colesterol e sódio para os formandos (p<0,05).

Ao analisar o escore do IAS, segundo pontuação proposta por Kennedy et al. (1995), a média de pontuação do índice foi de 68,28±8,05, classificação referente à dieta inadequada ou necessitando de modificação. Apenas 5,4% dos indivíduos estudados apresentaram dieta adequada (>80 pontos). Vale destacar que todos os recém-ingressos apresentaram dieta inadequada ou necessitando de modificação (entre 51 e 80 pontos). Entre os formandos, um pequeno contingente apresentou dieta adequada.

A predominância do consumo de dieta classificadas como inadequadas ou necessitando de modificações pelos estudantes universitários do presente estudo encontra respaldo na literatura. Em relação ao IAS, no estudo de Morimoto et al. (2008), que avaliou adultos residentes na Região Metropolitana de São Paulo, foi observado que 4% dos entrevistados tinham dieta saudável, 75% dieta que necessitava de modificações e 21% dieta inadequada. Na pesquisa de Fisberg et al. (2004) a qual envolveu 50 indivíduos moradores de Botucatu, São Paulo, foi verificado que 12% dos pesquisados apresentaram dieta saudável, 74% necessitavam de modificação na dieta e 14% apresentaram dieta inadequada. Já no estudo de Prass (2006), realizado com estudantes do curso de Nutrição, foi observado que 82% das acadêmicas apresentaram dieta saudável, 18% com dieta que necessitava de modificação e nenhuma entrevistada apresentou dieta inadequada diferentemente dos resultados apresentados no presente estudo. No entanto, vale destacar que no estudo em questão a participação dos estudantes recém-ingressos (1º ano de curso) foi pouco expressiva, perfazendo 8,4% da amostra, o que possivelmente explicaria a contradição dos dados apresentados por este último autor.

Vale ressaltar que o IAS mostrou-se associado à ingestão de nutrientes. A pontuação do IAS correlacionou-se significativamente de forma negativa com a ingestão de gordura total (r=-0,40) e sódio (r=-0,37), e positivamente com a ingestão de carboidrato (r=0,33), cálcio (r=0,31), fibra (r=0,29), potássio (r=0,31), vitamina A (r=0,37) e vitamina C (r=0,37) (dados não apresentados na tabela). De acordo com a correlação existente entre os escores do IAS e a ingestão de nutrientes, o estudo de Fisberg et al. (2004), avaliando indivíduos moradores de Botucatu, São Paulo, demonstrou, tal como obtido no presente estudo, que a pontuação do IAS esteve negativamente correlacionada com a ingestão de gordura total e sódio, e positivamente com a ingestão de vitamina A e fibra.

As prevalências da prática de atividade física e risco antropométrico entre estudantes universitários. Vale destacar que, apesar de não significativo, a prevalência de inatividade física foi superior nos recém-ingressos quando comparado aos formandos (64,3% versus 60,7%; p>0,05). Quanto ao estado nutricional dos estudantes do presente estudo, verificou-se predominância de eutrofia, seguido de baixo peso, tanto nos calouros como nos formandos. Entre os recém- ingressos houve um maior contingente de indivíduos

com baixo peso (28,6% versus 10,7%; p>0,05). Em relação à CC, 17,9% da população estudada demonstrou risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, achado de significância biológica, visto que os indivíduos estudados eram jovens, com 20,21±1,58 anos de idade.

CONCLUSÃO

Os resultados desse estudo sugerem que o conhecimento adquirido ao longo do curso parece contribuir na formação de hábitos alimentares saudáveis, apesar dos achados demonstrarem que a dieta da maioria dos participantes estava inadequada ou precisando de modificações.

AGRADECIMENTOS

A todos os alunos que participaram desta pesquisa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Petribú, MMV, Cabral, PC, Arruda, IKG. Estado nutricional, consumo alimentar e risco cardiovascular: um estudo em universitários. Rev. Nutr. 2009; 22(6):837-46.

Borges, CM. Hábitos alimentares dos estudantes universitários: Um estudo qualitativo. Seminários em Administração. VII SEMEAD, 10 e 11 de agosto. São Paulo. Disponível em <http://www.ead.fea.usp.br>.

Boog, MCF. Educação nutricional em serviços públicos de saúde. Cad. Saúde Pública, 1999, 15(2):139-47.

Matias, CT, Fiore, EG. Mudanças no comportamento alimentar de estudantes do curso de nutrição em uma instituição particular de ensino superior. Nutrire: Rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr, 2010; 35(2):53-74.

Kennedy, ET, Ohls, J, Carlson, S, et al. The Healthy Eating Index: design and applications. J. Am. Diet. Assoc., 1995; 95:1103-09.

Fisberg, RM, Slater, B, Barros, RR et al. Índice de Qualidade da Dieta: avaliação da adaptação e aplicabilidade. Rev. Nutr., 2004; 17(3):301-308.

Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional. Antropometria: como pesar e medir. 2004. Disponível em <http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/álbum_antropometria.pdf>. Acesso em 18 de maio de 2011.

Organização Mundial da Saúde. Obesity: preventing and managing the global epidemic [report of a WHO Consultation on Obesity]. Geneve: WHO; 1998.

Franca, C, Colares, V. Estudo comparativo de condutas de saúde entre universitários no início e no final do curso. Rev. Saúde Pública, 2008; 42(3):420-27.

Marcondelli, P, Costa, THM, Schmitz, BAS. Nível de atividade física e hábitos alimentares de universitários do 3º ao 5º semestres da área da saúde. Rev. Nutr., 2008; 21(1):39-47. Morimoto, JM, Latorre, MRDO, César, CLG, et al. Fatores associados à qualidade da dieta de adultos residentes na Região Metropolitana de São Paulo, Brasil, 2002. Cad. Saúde Pública, 2008; 24(1):169-78.

Prass, J. Avaliação do Índice de Qualidade da Dieta das acadêmicas do curso de nutrição do Centro Universitário Feevale. 2006. Trabalho acadêmico (trabalho de conclusão de curso- nutrição). Centro Universitário Feevale, Instituto de Ciência da Saúde, Nova Hamburgo: julho de 2006.

In document In a State of Fragmentation (sider 37-42)