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1. Description of the Sary-Chelek reference monitoring area

2.3 Discussion

3.2.2 Main ground vegetation gradients

Para Heidegger (2006, pέ 84), “A „essência‟ da presença está em sua existência [έέέ] As características constitutivas da presença são sempre modos possíveis de ser”έ Nesse sentido, a essência do Dasein é existir, em que Dasein é aquilo que ele pode ser, e ser,

para ele, é no sentido de poder ser este ente concreto, ou seja, empenhado no mundo, pois o ser não existe independente do ente.

Assim, Heidegger caracteriza o ser do Dasein como aquilo que existe e afirma que “A essência de Dasein não significa, portanto, o carácter estável e invariante daquilo que é, não é uma definição abstracta definitivamente válida” (PASQUA, 1993, p. 36).

Portanto, podemos afirmar que “[...] Pertence [...] essencialmente à presença: ser em um mundo. Assim, a compreensão de ser, própria da presença, inclui, de maneira igualmente originária, a compreensão de „mundo‟ e a compreensão do ser dos entes que se tornam acessíveis dentro do mundo” (HEIDEGGER, 2006, pέ 49)έ

Com efeito, a existência é o modo de ser de Dasein. E uma pessoa só pode estar no mundo, e apenas um ser humano pode estar nele. Então, não pode haver um mundo a não ser que alguém esteja nele. Portanto, os componentes “ser- -no-mundo” não são separáveis, eles formam um pensamento único, ou seja, incindível.

Nessa dimensão, é compreensível que se tenha a preocupação de situar as escolas pesquisadas nesse universo, visto que Dasein não existe de modo isolado e estático, mas fazendo parte desse mundo de modo inseparável, sendo, portanto, necessário conhecer o contexto no qual Dasein vivencia as possibilidades acessíveis à sua existência.

Ademais, como enfatizam Szymanski et alέ (2010, pέ 23): “É importante, também, nunca perder de vista que os entrevistados estão sempre situados num ambiente social, é necessário que algumas informações sejam obtidas sobre a cultura, o grupo ou a instituição onde se vai desenvolver o trabalho”έ Então, a busca por informações pertinentes sobre o ambiente no qual se realizou a pesquisa foi necessária, a fim de se obter uma caracterização das escolas públicas que fizeram parte do universo pesquisado e perceber como Dasein se apresenta como presença nesse espaço de convívio cotidiano na figura do ente professor, visto que

A presença sempre se compreende a si mesma a partir de sua existência, de uma possibilidade própria de ser ou não ser ela mesma. Essas possibilidades a própria presença as escolheu, mergulhou nelas ou ali simplesmente cresceu. No modo de assumir-se ou perder-se, a existência só se decide a partir de cada presença em si mesma. A ques tão da existência só poderá ser esclarecida sempre pelo próprio existir (HEIDEGGER, 2006, p. 48).

Não é possível, pois, desconsiderar o contexto escolar no qual a presença do ente professor se encontra, dado que emergem desse contexto possibilidades que interferem nas escolhas de Dasein.

A pesquisa foi realizada em seis escolas estaduais, localizadas na cidade de Fortaleza, três concentradas na regional II e três situadas na regional IV. Todas elas localizadas geograficamente em bairros diferentes. Dessas seis escolas, duas atendiam apenas ao Ensino Médio, sendo uma em cada regional, e quatro atendiam à demanda do Ensino Fundamental e Médio, sendo que o atendimento ao Ensino Médio vem se tornando predominante nas escolas estaduais, com uma incidência menor do número de turmas do Ensino Fundamental, como representado no quadro a seguir.

Quadro 06 – Distribuição de turmas por escola

Regional Identificação da escola Nível de ensino ofertado

Quantidade de turmas Ensino Fundamental Ensino Médio II

Escola A Ensino Médio - 43

Escola B Ensino Fundamental e Médio 08 07 Escola C Ensino Fundamental e Médio 07 10 IV

Escola D Ensino Médio - 45

Escola E Ensino Fundamental e Médio 07 11 Escola F Ensino Fundamental e Médio 05 20 Fonte: Secretaria da escola; dados coletados e organizados pela pesquisadora (2014).

As escolas apresentam turmas de Ensino Médio com números variados de alunos, que vai de trinta e cinco a cinquenta estudantes por sala, concentrando-se um maior número de aprendizes por turma nas escolas que ofertam apenas o Ensino Médio.

Com relação ao quesito referente à existência dos recursos pedagógicos, as instituições oferecem aos alunos estruturas reduzidas, porém organizadas, disponibilizando os ambientes de forma limitada: sala de leitura, laboratório de informática, laboratório de ciências multidisciplinar ou disciplinar, sala de vídeo com recursos audiovisuais.

Consideramos limitados, pois verificamos que, apesar da existência desses recursos, eles não contemplam as necessidades de utilização da demanda do número de turmas, sendo em quantidade insuficiente, além das condições dos equipamentos estarem aquém das necessidades pedagógicas vigentes. Considerando ainda que, na maioria das escolas, as salas de leitura funcionam em espaços pequenos e contam com acervo de livros pouco diversificado, qualitativa e quantitativamente, para atender à

demanda e às necessidades do Ensino Médio. Além dos equipamentos multimídia, quantitativa e qualitativamente, serem insuficientes para suprir a carência do Ensino Médio.

As salas de aula não se diversificam de uma escola para outra em termos de ambiências e estrutura, visto que em sua maioria são pequenas e quentes (com exceção de uma escola, que disponibilizava de salas de aula amplas), disponibilizando apenas de ventiladores de parede para suavizar o calor. Tais ambientes, ademais, apresentavam acústica comprometida, uma vez que o barulho externo atrapalhava as ações do processo de ensino-aprendizagem. As salas também não possuíam estrutura interna com equipamentos de multimídia, assim, quando os professores necessitavam utilizar tais recursos, era preciso um agendamento prévio em outros espaços, tais como sala de vídeo e laboratório de ciências. Observamos que o quadro branco, o pincel, o livro didático e os trabalhos dirigidos de elaboração própria dos docentes são os recursos mais utilizados na rotina escolar nas turmas de Ensino Médio, como constatamos em observação em sala de aula.

Os espaços destinados à realização das atividades de planejamento docente são precários e inadequados, pois são realizadas na sala dos professores, onde se concentram tanto os profissionais que estão realizando o planejamento por área, como os que estão com seus horários livres. Apenas em duas escolas pesquisadas identificamos uma sala específica, destinada à realização do planejamento dos professores. Nas demais, presenciamos que, simultaneamente, em um mesmo espaço, ocorrem o planejamento, o atendimento aos alunos pelos professores diretores de turma e o atendimento dos coordenadores escolares tanto aos docentes quanto aos discentes.

Verificamos ainda que a direção, a coordenação escolar e os professores diretores de turma também não disponibilizavam de espaços bem estruturados e adequados para a realização específica de suas tarefas. Das escolas pesquisadas, apenas uma ofertava ambiente estruturado para cada uma dessas funções; as demais possuíam um mesmo recinto para a realização das tarefas inerentes a essas funções com espaços inadequados, comprometendo o trabalho específico de cada atividade a ser desenvolvida. Os professores diretores de turma, por vezes, eram os mais sacrificados em suas tarefas, pois atendiam ou na sala da coordenação/direção ou na sala dos professores, sem um espaço próprio para o desempenho de suas funções, como demonstrado no quadro à frente.

Quadro 07 – Estrutura física: salas de apoio pedagógico por escola

Regional Identificação da escola Nível de ensino ofertado

Estrutura física Sala dos

professores planejamento Sala de Sala da direção

Sala da coord. escolar Sala dos profs. diretores de turmas II

Escola A Ensino Médio Sim Não Sim Não Não

Escola B

Ensino fundam. e Médio

Sim Não Sim Sim Não

Escola C

Ensino fundam. e Médio

Sim Não Sim Não Não

IV

Escola D Ensino

Médio Sim Sim Sim Sim Sim

Escola E

Ensino Fundam.

e Médio Sim Não Sim Sim Não

Escola F

Ensino Fundam.

e Médio Sim Sim Sim Não Não

Fonte: Secretaria da escola; dados coletados e organizados pela pesquisadora (2014).

Percebemos, portanto, a necessidade cada vez mais imperiosa de melhor estruturar os ambientes escolares, pois a falta de condições de trabalho adequadas que favoreçam a melhoria do processo de ensino-aprendizagem constitui-se, dentre outros, um problema evidente nas escolas pesquisadas. Essa problemática se torna mais complexa e paradoxal quando lembramos a agilidade com que novas informações vêm surgindo, reclamando melhores condições de trabalho escolar, formação profissional, melhorias nos processos avaliativos e, consequentemente, uma reorganização curricular.