• No results found

1. Description of the Sary-Chelek reference monitoring area

2.2 Results

2.2.3 Demography and regeneration of main species

Utilizamos, também, a técnica da observação participante, por se tratar de uma pesquisa fenomenológica, na qual há a busca de aprofundamento do que pensam os sujeitos sobre suas experiências, no sentido de detectar os significados que as pessoas dão aos fenômenos (TRIVIÑOS, 1987).

A observação é uma das mais importantes fontes de informações em pesquisas qualitativas em educação. Sem acurada observação, não há ciência [...] Ao observador não basta simplesmente olhar. Deve, certamente, saber ver, identificar e descrever diversos tipos de interações e processos humanos (VIANNA, 2003, p. 12).

Na visão de Vianna (2003), as observações constituem importante fonte de informação na pesquisa qualitativa por procurarem coletar dados que sejam válidos e confiáveis aos fins a que se destinam.

Durante as observações participantes em sala de aula, utilizamos o diário de campo, que serviu para registrar os apontamentos acerca dos procedimentos realizados pelos professores no que se refere ao objeto de estudo, ou seja, a avaliação da aprendizagem.

O instrumental do diário de campo apresentou em seu roteiro tanto espaço para anotações descritivas relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem, como relacionadas à avaliação inserida nesse processo, decorrentes do cotidiano escolar de

sala de aula. Foi também destinado um espaço específico para registro de anotações analíticas pertinentes às nossas reflexões e percepções sobre a questão norteadora.

Nessas observações participantes, buscamos penetrar no mundo-prática dos educadores, almejando a compreensão da sua vivência no trabalho de avaliar, como processo facilitador na obtenção das vivências singulares dos professores.

Essa forma de registro foi usada com o propósito de que tal procedimento fosse realizado no decorrer da observação, para evitar possíveis vieses seletivos e deformações decorrentes de possíveis lapsos de memória. Nesse sentido, Patton (1997 apud VIANNA, 2003, p. 60)

[...] destaca com bastante acuidade que os dados de uma pesquisa observacional devem descrever, inteira e cuidadosamente, o fenômeno observado, incluindo atividades ocorridas, pessoas participantes das atividades e o significado para essas pessoas daquilo que foi observado. As descrições devem ser factuais, precisas e evitar minúcias irrelevantes e fatos triviais. É preciso oferecer ao leitor uma experiência vicária da situação que foi observada.

Nesse processo da observação, houve atenção especial para se perceber o que realmente ocorre no fenômeno avaliação intrínseco ao processo de ensino-aprendizagem, sem ignorar os fatos ou direcionar o olhar para aquilo que se quer enxergar de modo tendencioso, omitindo a realidade que de fato se revela e aparece do fenômeno. Dessa maneira, “O pesquisador deve principalmente estar atento a tudo o que diz respeito à sua hipótese e não simplesmente selecionar o que lhe permitiria confirmá-la” (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 180).

Assim, apesar de a observação ser uma técnica de coleta de dados que demanda mais tempo, além de exigir maior envolvimento pessoal, ela foi escolhida para a realização desta pesquisa em virtude de sua valiosa contribuição ao objeto de estudo, juntamente com o questionário, a entrevista semiestruturada e a escuta sensível, visto que “A observação não é também uma técnica exclusiva: ela se presta, às vezes admiravelmente, a casamentos com outras técnicas e instrumentos” (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 182).

Nessa dimensão, o tipo de observação escolhido foi a observação participante e semiestruturada, realizando os registros das informações coletadas na prática avaliativa do grupo de professores sujeitos da pesquisa em um diário de campo.

Na observação participante, é o próprio pesquisador o instrumento principal de coleta de dados, ao se integrar ao meio para investigar, buscando, assim, ter acesso às

perspectivas dos sujeitos da pesquisa. É ele o responsável por captar diretamente as informações mais relevantes que vão surgindo.

Nessa esteira, nossa participação teve por objetivo recolher dados relativos às ações, opiniões ou perspectivas dos sujeitos, os quais um observador exterior não teria acesso, visto que “[έέέ] a observação participante permite „ver longe‟, levar em consideração várias facetas de uma situação, sem isolá-las umas das outras; entrar em contato com os comportamentos reais dos atores [έέέ]” (LAVILLE; DIONNE, 1999, pέ 180-181).

A observação participante foi eleita por ser uma técnica de investigação qualitativa, adequada ao investigador que pretende compreender um fenômeno, num meio social, buscando integrar-se e entender as atividades desenvolvidas pelos indivíduos participantes que estão envolvidos e que dele fazem uso.

A esse respeito, Bogdan e Biklen (1994, p. 68) afirmam que

[...] Os investigadores qualitativos tentam interagir com os seus sujeitos de forma natural, não intrusiva e não ameaçadora. [...] Como os investigadores qualitativos estão interessados no modo como as pessoas normalmente se comportam e pensam nos seus ambientes naturais, tentam agir de modo a que as actividades que ocorrem na sua presença não difiram significativamente daquilo que se passa na sua ausência.

A escolha da observação semiestruturada para realização desta investigação se deu pelo fato de ela ser uma técnica bastante flexível, que tem como característica possibilitar ao “[έέέ] observador integrar a cultura dos sujeitos observados e ver o „mundo‟ por intermédio da perspectiva dos sujeitos da observação e eliminando a sua própria visão, na medida em que isso é possível” (BAILEY apud VIANNA, 2003, pέ 26).

O intuito foi observar algumas situações avaliativas reais desenvolvidas no cotidiano escolar nas diferentes turmas dos professores sujeitos da pesquisa, a fim de perceber e registrar informações relevantes ao objeto de estudo, detectar o que exatamente estava acontecendo e o que pensavam e como se colocavam na prática os docentes do Ensino Médio sobre o desafio da avaliação.

Nesse sentido, é imprescindível que “[έέέ] as observações sejam concretas, devendo o observador evitar [...] julgamentos finais conclusivos sobre o que está sendo objeto de observação” (VIANNA, 2003, pέ 32)έ

É uma preocupação dos investigadores qualitativos frequentar os locais de estudo do objeto, pois consideram a significativa influência do contexto, visto que

entendem que as ações podem ser mais bem compreendidas se observadas no ambiente habitual de ocorrência (BOGDAN; BIKLEN, 1994).

Assim, apesar de o ritual diário em sala de aula se apresentar, por vezes, de maneira repetitiva em alguns aspectos, há de se considerar que esse ambiente é influenciado pelo comportamento do professor e dos alunos, oferecendo, destarte, variações que afetam as relações pedagógicas, as estratégias de ensino e as várias abordagens de orientação da aprendizagem, como alerta Vianna (2003).

Esses fatos exigem do observador maior cautela, com o propósito de capturar e descrever com atenção e acuidade os dados que interferem em seu objeto de pesquisa. Apesar de não haver uma forma única de observação e de registro, essas questões são relevantes, uma vez que as pesquisas qualitativas procuram ir além da superfície dos eventos e, no caso da pesquisa fenomenológica, a intenção é a de revelar os significados, muitas vezes ocultos, interpretá-los e explicá-los, trazendo contribuições significativas para a compreensão do fenômeno.

Com o uso dessa técnica, tivemos o objetivo de perceber e sentir os comportamentos reais dos sujeitos com relação à avaliação da aprendizagem desenvolvidos no cotidiano escolar.