Chapter 11 Discussion and observation
11.2 Main Findings
“O capital social é definido pela sua função. Não é uma entidade única, mas uma variedade de diferentes entidades tendo duas características em comum: todas elas consistem de algum aspecto da estrutura social e facilitam certas ações de indivíduos que estão dentro da estrutura. Como outras formas de capital, o capital social é produtivo, tornando possível a realização de certos fins que não seria possível na sua ausência”.
(COLLEMAN,1988, p. 98) A ênfase atribuída ao capital social esta diretamente associada às vantagens que a localização da pessoa na estrutura de relacionamentos reduz as lacunas de competências que atormentam os tempos atuais. Segundo Burt (2007), a estrutura social define um tipo de capital que pode criar para um indivíduo ou grupos uma vantagem na realização de seus fins. O capital social ainda se refere às características da organização social, como confiança, normas e redes, que podem melhorar a eficiência da sociedade, facilitando a ação coordenada (BURT, 2007 apud PUTMAN, 1993).
As redes estão diretamente associadas ao capital social, que são recursos imersos e agregados disponibilizados pela rede de relacionamentos em posse do indivíduo ou da organização, esta torna-se uma fonte de recursos valiosa para o indivíduo e para a organização (NAHAPIET, GHOSHAL, 1998; INKPEN, TSANG, 2005). Por exemplo, quando uma firma estabelece um vínculo com outra firma, como um contrato de fornecimento, este vínculo de
rede torna-se um recurso de capital social para ambas as firmas. À medida que a confiança se desenvolve, ela também passa a compor e melhorar o capital social. Um dos benefícios da qualidade do capital social é o acesso a informações preferenciais e a possibilidade de um fluxo de conhecimento entre elas. Inkpen e Tsang (2005) pesquisaram como ocorre a transferência do conhecimento nos diferentes tipos de rede e observaram que a dimensão do capital social da rede afeta diretamente a transferência de conhecimento entre os seus membros, enfatizando que o capital social deve ser proativamente construído nas dimensões:
Estrutural, reforçando os vínculos (laços), as configurações e a estabilidade da rede;
Cognitiva, estabelecendo metas comuns e construindo uma cultura compartilhada; Relacional, fortalecendo o comprometimento e a confiança entre os membros. Uma perspectiva relevante da análise de redes é a que considera as relações entre os nós da estrutura que forma uma rede. A figura 6 representa duas redes distintas A e B, onde cada ponto representa uma pessoa e as linhas as relações que as unem. Tomando a rede A como exemplo, os relacionamentos que ligam 1 a 2; 1 a 5; 2 a 3; 2 a 5; 3 a 4 são laços fortes, que representam relações com contato e interação em base regular; os relacionamentos que ligam 1 a 3 e 1 a 4 são laços fracos, possibilitados por conhecidos ou porque é amigo do amigo, o intermediário serve de ponte (bridge), ou seja, são pontos de contato, que possibilitam os laços fracos (por exemplo, 2 funciona como uma ponte entre 1 e 3); o relacionamento entre 1 a 5 é chamado de laço redundante, uma vez que 5 já está conectado via 2; e, os buracos estruturais, que avalia a posição, ou seja, a relação de 1 e 6 conecta a rede A com a B, interligando duas redes distintas.
Figura 6 – Exemplificando uma Rede Social
Fonte: Elaboração Própria
Os laços fortes são baseados em interesses comuns, conseqüentemente muitas das informações passadas reforçam as visões existentes e favorecem a confiança e o comprometimento. Os laços fracos introduzem a novidade, na forma de diferentes visões e idéias (GRANOVETTER, 2005). Burt (2007) aprofunda o conceito das pontes do Granovetter ao agregar a análise da posição do indivíduo, exemplificando enquanto 2 atua como ponte para o laço fraco de 1 com 3; ele cria o conceito de “buraco estrutural” como uma potencial conexão entre redes que não estão conectadas, significa poder de alavancagem, ou oportunidades de arbitragem. Aqueles posicionados para aproveitar dos buracos estruturais agenciam as lacunas na estrutura social (BURT, 2007; POWELL, GRODAL, 2006) .
Segundo Granovetter (2005), a estrutura social afeta os resultados econômicos por três razões: 1) afetam o fluxo e a qualidade das informações; 2) são importantes fontes de recompensas e de punição, desde que elas são potencializadas no seu impacto quando advindos de outros pessoalmente conhecidos; e 3) o fator confiança, a segurança que os outros vão fazer a coisa "certa", apesar de um claro equilíbrio de incentivos para o contrário. Os princípios básicos que norteiam os resultados econômicos associados às redes sociais são: normas e densidade da rede; a força dos elos fracos; importância dos “buracos” (holes) estruturais; e a imersão social (vide definições no quadro 5).
Termo Conceito Fonte Oportunismo Esforço calculado (por um agente de troca) para
desviar o foco, distorcer, camuflar, ludibriar ofuscar ou confundir o agente de troca.
WILLIAMSON, 1985; LADO, DANT, TELEAD, 2008
Confiança Certeza de expectativa positiva em relação à conduta do outro. LEWICKI, MCALLISTER, BIEN, 1998 Normas e densidade da rede
Idéias compartilhadas sobre a conduta e comportamentos aceitos. Quanto mais densa as suas relações maior é a clareza de como agir dentro do comportamento esperado.
GRANOVETTER, 2005
A força dos elos fracos
Propicia maior ampliação dos conhecimentos, dado que relacionamentos próximos tendem a circular em espaços comuns. Elos fracos devem ter menos sobreposição. GRANOVETTER, 2005 Importância dos “buracos” - holes estruturais.
Relevância não está na qualidade dos vínculos e sim na forma como os conhecimentos são conectados. É vantajoso ter vínculos em várias redes que tenham grande distância entre si.
GRANOVETTER, 2005
Imersão Social (embeddedness)
Quando atividades econômicas e não-econômicas se inter-misturam, e as atividades não-econômicas afetam os custos e as técnicas disponíveis para a sua execução.
GRANOVETTER, 2005
Quadro 5– Síntese dos conceitos associados as Relações na rede
Fonte: Elaboração própria
A seguir é apresentado o framework proposto por Lewick, Mcallister e Bies (1998), que permite uma compreensão simultânea do efeito da confiança e desconfiança nos relacionamentos. Os autores enfatizam que a compreensão da eficiência da confiança e a explicação da sua emergência são de vital importância num ambiente globalizado marcado pela incerteza, rápidas mudanças e complexidade das relações. A confiança tem um papel chave, funciona como a base para efetiva colaboração entre partes envolvidas em uma rede. A confiança é definida como a certeza da expectativa positiva em relação à conduta do outro, enquanto que a desconfiança é a segurança da expectativa negativa em relação à conduta do outro. Os autores, em oposição à visão tradicional, não veem a confiança e desconfiança como mutuamente exclusivas, mas sim como parte de um mesmo contínuo, no qual há ações que
favorecem o aumento da confiança e ações que contribuem para o declínio da desconfiança (vide figura 7).
O framework proposto evidencia a distinção entre confiança e desconfiança e também explicita a possibilidade das duas coexistirem num mesmo ambiente (quadrantes 1 e 3 na figura 7), conclusão esta congruente com a colocação de Granovetter (1985), que enuncia que as relações nas redes sociais são penetradas por elementos de confiança e desconfiança. Os autores acreditam que uma dose de tensão dinâmica entre confiança e desconfiança seja produtiva, atuando em prol das partes envolvidas e funcionando como uma fonte de estabilidade para os relacionamentos.
Figura 7– Integrando Confiança e a Desconfiança: Realidade Social Alternativa
Fonte: LEWICK, MCALLISTER, BIES, 1998.
Simatupang e Sridharan (2002) colaboram com a visão acima de que há necessidade do fomento da colaboração entre os atores da rede, principalmente nos segmentos que demandam maior velocidade de mudanças. Segundo os autores, o fator desconfiança está na base das razões que coíbem a colaboração entre as empresas que fazem parte de uma mesma cadeia e abordam o compartilhamento de informações e o alinhamento como fontes para mitigar a inércia gerencial. Eles sugerem que há necessidade de persistir na identificação das causas, promover o envolvimento, buscando saídas construtivas e gerando ações funcionais. Os tipos de conflito usuais estão relacionados aos objetivos, o domínio e a percepção, tendo
origem atitudinal ou estrutural e influenciadas pelo uso de forças coercivas e não coercivas. Portanto, a confiança é fundamental, não trivial (complexa) e dever ser incentivada e construída.