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mai Nr. 515 2008

In document N ORSK L OVTIDEND (sider 49-54)

Os macrófagos 35caracterizados por elevada expressão do receptor da manose CD206 e CD163 existem nas placas ateroscleróticas em zonas de hemorragia intraplaca. A subunidade heme do complexo Hp-Hb é degradada pela heme-oxigenase.Esta ligação do complexo Hp-Hb ao receptor CD163 assim como o aumento da IL-10 pode ter um papel importante na polarização M1/M2 (Figura 15).

Figura 15: Classificação dos macrófagos

Propriedades dos macrófagos polarizados: os macrófagos activados pela via clássica (M1) são induzidos pelo LPS e/ou estimulação por produtos microbianos. O seu repertório inflamatório é caracterizado pela secreção de mediadores pró-inflamatórios, e libertação de intermediários reactivos de oxigénio (ROI) e intermediários reactivos azotados (RNI). Pelo contrário a activação

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alterna dos macrófagos (M2) confere um continuum de estados funcionais classificados como M2a induzidos pela IL4/IL-13, M2b induzido por complexos imunes e agonistas dos toll like receptors (TLRs), e M2c induzidos pelos glucocorticoides e IL-1036.

Os macrófagos são células do sistema immune que estão distribuídas pelo organismo e são indispensáveis na homeostasia e defesa.Podem ser polarizados fenótipicamente pelo microambiente. Assim os macrófagos activados pela via clássica-M1- cujos factores de activação são: IFN gama e LPS. Os macrófagos M2 ou da via alterna, subdivididos em M2a( após exposição a IL-4 ou IL13); M2b (complexos imunes em combinação com IL1beta ou LPS) e M2c (IL-10, TGF beta ou glucocorticóides). Os M1 têm uma potente acção anti-microbiana e promovem respostas Th1 , IL-12 mediadas. Os M2 suportam as funções efectoras Th2. Estes últimos estão relacionados com a alergia os M2, têm um papel na resolução da inflamação. Os TAM-tumor associated macrophages têm um fenótipo semelhante aos M2 e acção anti-tumor.

Os macrófagos activados pelo LPS ou citocinas Th1 como IFN gama, são macrófagos M1 e constituem a via clássica. Os M2 são activados pels citocinas Th2 incluindo Il-4 e IL-13 e constituem a via alterna. A polarização M1 é importante na depuração e fagocitose dos patogénios intracelulares, isto é mediado pela produção de citocinas pró-inflamatórias, ROS e NO. Os macrófagos M2, activados pelas citocinas M2 da via alterna são importantes na imunidade humoral e reparação tecidular.

Os monócitos ao passarem a parede vascular, polarizam-se de modo diferente de acordo com o ambiente envolvente.M-DC: células dendríticas por acção do GM-CSF granulócito-macrófago factor estimulante de colónias e IL-4; M-ox, células esponjosas, indutível por oxLDL; M-HA: macrófagos associados à hemorragia indutível pelos complexos Hp-Hb; M4-indutíveis pela quimocina plaquetária CXCL4;M2a indutível pelas IL-4, IL-13; M2b- indutível pelos Complexos imunes; M2c indutível pela IL-10; M1-indutíveis pelo GM-CSF e LPS-lipopolissacárido/ IFN gama35,37.

Os macrófagos têm um papel fundamental na imunidade inata, e orquestram a inflamação numa série de doenças inflamatórias mediadas imunológicamente. Derivam dos monócitos circulantes, diferenciam-se em macrófagos nos tecidos e podem ser activados por derivados dos microorganismos e antigénios.

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Existe evidência de que a resposta macrofágica não depende tão sómente do tipo de activação, mas também do micro-ambiente em que as células se diferenciam antes da activação.O exemplo mais frequente é o da activação dos macrófagos pelo LPS através do TLR dependendo de um pré- estimulação pelo IFN gama ou Complexos imunes(CIC) levando a perfis diferentes:M1 e M2.O IFN gama, polariza no sentido M1-via clássica- que secreta altos níveis de TNF, IL-12, IL-1β e baixos de IL-10 e tem um papel importante no combate a patógénios intracelulares. Em contraste, a IL-4 , IL- 10, glucocorticóides, TGFbeta e CIC,induz os macrófagos da via alterna-M2- que se caracterizam por citocinas de baixo poder pro-inflamatório e aumento de IL-10 ,e estão envolvidos na reparação tecidular, reacções alérgicas e anti-parasitárias

Além desta diferença nas citocinas, o conceito de polarização foi confirmado por diferenças na produção de qumioquinas, metabolismo do NO , fagocitose, trancricional , morfologia celular e fenótipo . Alterações fenotípicas são o receptor da manose CD206 e o receptor capturador da Hp CD163, cuja expressão aumenta com a IL-4 e IL-10 respectivamente. Os TAM-tumor associated macrophage- são um fenótipo à parte que partilham propriedades pro e anti-inflamatórias. Outro é o ATM-adipose tissue macrophage- que inclui macrófagos M1, M2 e M1/M238-41.

A Hp interfere de diferentes formas nas actividades celulares e humorais, tanto no sistema Imune inato como adaptativo, incluindo síntese de prostaglandinas e leucotrienos, recrutamento e migração de leucócitos, perfis de citocinas e reparação tecidular.

A Hp é um excelente supressor da proliferação de células T. Os macrófagos activados pela fagocitose do complexo Hp2-2:Hb através do receptor CD163, desviam a resposta Th-T helper para um perfil Th1, enquanto os macrófagos activados pelo complexo Hp1-1:Hb geram citocinas Th2. O balanço desta resposta T parece ser particularmente importante no espaço extravascular, através da expressão local de Hp, reduzindo a lesão dos tecidos circulantes.

Nos espaço extravascular as células dendriticas respondem a sinais de alarme (metabolitos biomoleculares, ROS, RNI-compostos reactivos azotados, etc.)5 e interagem com antigénios/alergénios. Estas células dendríticas diferenciam-se em células maduras e migram para os gânglios linfáticos onde interagem com células T naive-Th0. Sendo a Hp um ligando para os macrófagos pode ter um papel importante no processo de activação destas células (Hp1- perfil Th2 e Hp2 -perfil Th1).

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A asma alérgica é uma doença inflamatória Th2 das vias aéreas. A asma aparece como uma falha nos mecanismos imunoreguladores a nível do epitélio respiratório.

Na hipótese da higiene a ausência de estimulação da via Th1 da resposta imune adaptativa, iria implicar uma prevalência Th2. No entanto, dados actuais, em que se verifica haver um aumento das doenças autoimunes Th1 como a Diabetes tipo1 e esclerose múltipla nas sociedades ocidentais, veio sugerir que os 2 grupos de doenças Th1 e Th2 podem coexistir no mesmo doente.Estes dados contrariam a prevalência de um tipo de ambiente imunológico- Th1 ou Th2 sobre o outro- como defende a hipótese da higiene.

Estes novos dados apontam para a existência de uma regulação (papel das células Tregs- células T reguladoras) deficiente em ambas as doenças. No entanto os defensores da hipótese da higiene, continuam a defender, que a “higiene” privaria o sistema imunológico dos sinais necessários para o desenvolvimento das vias reguladoras capazes de controlar tanto a resposta Th1 como a Th2. Simultaneamente, os avanços na imunologia vêm focalizar a atenção no papel central da Imunidade inata como grande orquestrador da resposta imunológica e manutenção da tolerância. A Imunidade Inata é em geral não específica, de curta duração, depende de células da linhagem mielóide (como: monócitos, macrófagos, mastócitos, células dendríticas e neutrófilos) e células da linhagem linfóide (como as células NK-natural killer).

As células do sistema imune adaptativo, são activadas mais tardiamente e induzem uma resposta duradoura e específica mediada pelas células T helper CD4+, células T citotóxicas CD8+ e células B. Uma sequência de citocinas produzidas após activação do sistema imune inato leva à diferenciação das células T naive CD4+ Th0, em células Th efectoras: Th1, Th2, Th17 e Tregs. Em particular as células APCs-células apresentadoras de Antigénio- como as células dendríticas, expressam TLRs (Toll-like receptors), levando à activação do sistema imune adaptativo e indução das células Treg e mediadores. Por seu lado as Tregs, que ocorrem naturalmente ou induzidas pela imunidade inata, regulam todos os tipos de resposta adaptativa assim como as células macrofágicas e a sua activação e regulação.

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As célula dendrítica e macrofágica (APC) modulam o balanço dinâmico entre a resposta Th2 e os mecanismos reguladores influenciando todas as fases da inflamação das vias aéreas (iniciação e efectora).

As doenças alérgicas são doenças inflamatórias que se desenvolvem numa complexa interacção entre os genes e o ambiente. A prevalência das alergias está aumentar e parece estar associada a diferentes estilos de vida. O balanço entre células Th1, Th2 e Treg, é desencadeado por um sistema imune inato activo ou alterado.

Esta activação da imunidade inata através das células Apresentadoras do Antigénio(APCs) em que intervém a Hp e o seu receptor CD163 no macrófago ( marcador dos macrófagos M2), pode ser um factor adicional na polarização Th2 da resposta alérgica tal como o fazem os alergénios3. Estes, conseguem activar o sistema Imune inato das mucosas , provocando um influxo celular que vai ter uma resposta adaptativa polarizada no sentido Th2. Esta activação do sistema imune inato pelos alergénios é feita através de: actividade proteolítica; ligação a receptores de reconhecimento padrão; mimetismo molecular com os complexos moleculares sinalizadores dos TLRs; actividade ligante com lípidos e potencial oxidativo.

Tal como a nomenclatura Th1/Th2, os macrófagos polarizados são referidos como M1 e M29. Durante a resposta imune inata, os macrófagos activados formam um contínuo entre M1 e M2, produzindo diferentes citocinas e receptores para citocinas. Os macrófagos M1 estimulam as respostas mediadas por células, através da produção de citocinas pró-inflamatórias (IL-1, IL-6, IL- 12, IL-23, Factor de necrose tumoral α-TNF α, IL1RI-receptor tipo I da IL-1. Os macrófagos M2 estimulam a resposta humoral, remodelção tecidular e angiogénese, através da produção de citocinas anti-inflamatórias(IL-10, TGFβ (Factor de transformação de crescimento β), IL1RII e antagonistas dos receptores de IL1.

Os M1 são também designados como activados pela via clássica, e podem ser induzidos pelo IFNγ, LPS, TNF-α e GM-CSF. Este tipo de macrófagos, actua na fase inicial da inflamação, e produz grandes quantidades de citocinas pró-inflamatórias(IL1-β, TNFα, IL-6) , radicais livres de oxigénio , compostos intermédios de azoto e participa como inductor e efector nas reacções polarizadas Th1.A fase de resolução é caracterizada por macrófagos que produzem citocinas anti- inflamatórias, elevada capacidade fagocítica e têm elevada expressão do receptor da manose :

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CD206 e dos receptor para o complexo Hb-Hp : CD163-macrófagos M2. São macrófagos activados pela via alterna, e podem ser induzidos pela I-4, IL-13, complexos imunes, IL-10, glucocorticoides, activina-A (membro da família TGF-β) e IL-21.Em geral os macrófagos M1 são IL-12 alto, IL-23 alto, IL-10 baixo. Além de participarem na resposta Th1, também são responsáveis pela resistência contra parasitas intracelulares e actividade contra células tumorais. Em contraste as várias formas de macrófagos M2 (M2a, M2b e M2c), são IL-12 baixo, IL-23 baixo, IL-10 alto, e têm uma capacidade variável de produzir citocinas inflamatórias, com um perfil Th2.Estão associadas à atopia e asma alérgica, podem promover crescimento de tumores e formação de metástases. O controlo homeostático, dos monócitos/macrófagos, é feito também pelas células TregCD4+CD25+.

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