descritos e outros que encontraram entre os diversos estudos realizados nos EUA, como se pode ver na Figura 1.
Figura 1 – Categorização dos Motivos do “mau uso” dos SU.
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O que se verifica segundo este modelo é que os motivos principais que implicam uma utilização inapropriada dos SU estão distribuídos por mais categorias, ao invés de estarem apenas confinados a 4 categorias.
Neste caso, os motivos catalogados como sendo os principais são considerados como fatores causais dessa escolha pelo SU, sendo que outras características dos pacientes como sejam a sua idade, género, rendimento, etc, são considerados como fatores associados a essa escolha, mas não diretamente causais. Esta visão parece ir ao encontro do que a maioria dos investigadores afirma, ou seja, a maioria está de acordo que os fatores demográficos não conseguem prever diretamente o padrão de utilização dos serviços de saúde (Veitch et al., 1999).
Posto isto, e tendo já sido explorados os fatores principais ou fatores causais da escolha pelo SU quando não se necessita, serão de seguida abordados os restantes fatores que segundo Uscher-Pines et al. (2013) estão apenas associados a essa escolha.
Idade
No caso do estudo de dados seccionais realizado no Brasil por Carret et al. (2007), foi encontrada evidência do impacto da idade, tendo esta uma relação inversamente proporcional com a procura inadequada dos SU. Referem ainda que a idade teve uma ação modificadora na associação entre o uso inadequado dos SU e outros fatores. Por outro lado, Sempere-Selva et al. (2001) encontram também evidência desta relação, segundo o qual indivíduos com mais idade ocupam a menor franja dos que visitam o SU de forma inapropriada, assim como Bianco et al. (2003), onde no seu estudo em Itália são os mais novos a recorrer ao SU de forma inapropriada.
Sexo
Aparentemente o sexo da pessoa em questão pode também afetar o recurso aos SU. Verificou-se assim que entre indivíduos mais novos (< 50 anos), as mulheres são as que mais procuram ajuda nos SU de forma inapropriada (Carret et al., 2007). Contudo, Uscher-Pines et al. (2013) afirmam que não há consistência na literatura, pois alguns estudos relatam que é mais provável uma mulher realizar uma visita não urgente ao SU (Bianco et al., 2003; Carret et al., 2007), outros relatam o oposto (Shesser et al., 1991) e há ainda casos que não encontram qualquer relação (Sempere-Selva et al., 2001).
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No estudo realizado em Portugal por Pereira et al. (2001), as visitas apropriadas eram mais frequentes entre os homens e entre aqueles com mais de 60 anos, tendo verificado que a interação do sexo com outras características melhor previam as visitas apropriadas ao SU (através de uma regressão logística). Já no que concerne às mulheres, aquelas que eram reformadas tinham mais probabilidade de visitar o SU de forma apropriada. Por outro lado, segundo Remoaldo (1995), o sexo feminino parece ser o maior utilizador das urgências hospitalares.
Educação
De acordo com Carret et al. (2007), entre os pacientes mais velhos, o nível de escolaridade parece ter uma associação direta limítrofe com o uso inadequado dos SU, indicando disparidade no acesso público aos cuidados de saúde. Wolinsky et al. (2008) verificam no seu estudo que as pessoas com menos escolaridade são as que mais frequentam de forma inadequada os SU, o que também é referido por Bianco et al. (2003).
Já no caso Português (Pereira et al., 2001), a educação parece em nada afetar a escolha pelo SU, nem nas mulheres, nem nos homens, assim como noutros estudos, nomeadamente nos EUA (Shesser et al., 1991).
Apoio social
A associação entre falta de apoio social e o uso inadequado dos SU parece ser consistente entre alguns artigos (Carret et al., 2007; Coleman et al., 2000), relatando que pacientes mais velhos sem apoio social procuram mais vezes o SU de forma inadequada (Carret et al., 2007). Coleman et al. (2000), ao elaborarem um estudo com pacientes com 60 anos ou mais, descobriram que aqueles que receberiam visitas para enfatizar a autogestão da doença crónica, o apoio dos pares, contactos regulares com a equipa de CSP, e a participação dos cônjuges e prestadores de cuidados, se dirigiam com menos frequência aos SU.
Situação perante o trabalho
No estudo realizado por Sarver et al. (2002) não foi encontrada qualquer evidencia que a situação perante o trabalho afetasse as visitas inapropriadas ao SU.
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Já no estudo realizado em Portugal por Pereira et al. (2001) verificou-se que o estatuto perante o trabalho só era importante no caso das mulheres. Tal como já foi referido, as mulheres reformadas tinham uma maior probabilidade de se dirigirem ao SU de forma apropriada.
Rendimento/ Localização geográfica
Em certa medida, esta escolha inadequada está associada a fatores socioeconómicos e demográficos. Pessoas que vivem em zonas rurais ou mais pequenas do que zonas urbanas tendem a frequentar mais estes serviços sem causa aparente urgente (Wolinsky et al., 2008). Por outro lado, pessoas com melhores condições financeiras parecem ter mais alternativas de acesso a cuidados de saúde, por isso é mais provável que pessoas com menos rendimentos se dirijam ao SU de forma inapropriada comparativamente às pessoas com mais rendimentos (Sarver et al., 2002).
Subsistema de saúde
No que concerne os EUA, nem toda a população está coberta por um subsistema de saúde, ou seguro. Já no caso de Portugal, toda a população tem alguma cobertura, mesmo que seja o SNS. Por isso, a interpretação desta variável pode variar consideravelmente entre os EUA e os Países Europeus. No entanto, no estudo realizado no hospital do Porto por Pereira et al. (2001) verificou-se não haver relação entre a entidade de saúde do paciente e a visita apropriada ao SU.
Distância ao Hospital
Uscher-Pines et al. (2013) consideram que esta característica se integra na conveniência.
Sempere-Selva et al. (2001) não encontram qualquer evidência entre a distância ao hospital e o uso inapropriado dos SU, provavelmente porque todas as pessoas do estudo viviam próximas do hospital.
Já Remoaldo (1995), no estudo realizado em Guimarães refere que à medida que a distância entre a morada dos pacientes e o hospital aumenta, o número de pessoas que recorre ao SU diminui.
18| Tânia Fernandes Com quem vive
Sempere-Selva et al. (2001) não encontraram evidência da influência do número de pessoas do agregado familiar sobre a frequência de idas inapropriadas ao SU.