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4.6.1.ÍNDICE DECLIVIDADE/EXTENSÃO E PERFIL LONGITUDINAL.

ETCHEBEHERE (2000) utilizou índices morfométricos para a análise da rede de drenagem e sua correlação com os controles morfoestruturais. O autor optou por trabalhar com o perfil longitudinal dos rios e com os índices “relação declividade X extensão do canal (RDE)” em áreas do Planalto Ocidental Paulista. Seus resultados apontaram para uma boa correlação entre anomalias na distribuição espacial dos índices e ocorrência de controles tectônicos sobre a rede hidrográfica.

A identificação detalhada de controles morfoestruturais pode gerar subsídios importantes para a determinação de fatores desencadeadores da deposição das unidades morfoestratigráficas. No caso da área abordada por este trabalho o estudo é direcionado à correlação entre a estratigrafia neocenozóica e sua relação com a estruturação do relevo, sobretudo com as anomalias fluviais.

Os índices RDE funcionam como indicadores sensíveis de mudanças de declividade de um canal, que pode estar associada a diversos controles atuantes ao longo do leito, como soleiras rochosas (fall-lines) e ocorrência de atividade tectônica. O

índice cresce onde o rio flui por sobre rochas mais resistentes, e decresce onde o substrato for mais tenro. Caso seja possível, eliminar por controle de campo as influências dos controles litológicos sobre a declividade do curso. Pode-se aventar a hipótese da operação de controles tectônicos recentes.

Área contígua à bacia do ribeirão dos Poncianos, que já foi estudada por BISTRICH (2001) e investigou a ocorrência de anomalias fluviais identificando a atuação de controles litológicos e tectônicos, e que podem ser evidenciados através do uso dos índices morfométricos do tipo RDE para a rede de drenagem (relação declividade/ extensão do canal). Dessa forma, podem indicar atividade tectônica recente ocorridas na área de estudo.

Contudo, as análises sobre os dados obtidos possibilitam a definição de setores da bacia de drenagem que sofreram alterações geométricas, mediante a atuação de movimentos tectônicos, e/ou devido aos controles estruturais herdados. Estes dados serão utilizados para confrontar as interpretações que atribuem uma gênese climática ou tectônica à deposição dos sedimentos fluviais dentro da área de estudo, constituindo-se, assim, em uma ferramenta auxiliar a interpretação dos eventos formativos de unidades deposicionais neocenozóicas.

O índice RDE pode ser calculado como:

RDE = (∆H/∆L). L

∆H= diferença altimétrica entre dois pontos extremos de um seguimento ao longo do curso d’água;

∆L= projeção horizontal da extensão do referido segmento;

L= comprimento total do curso d’água a montante do ponto para o qual o índice está sendo calculado.

Para a elaboração dos cálculos do índice RDE utilizou-se os dados topográficos e hidrográficos anteriormente digitalizados no programa AUTOCAD 2000 fazendo-se uso programa utilizou-se a ferramenta LENGHT, esta permite obter os comprimentos dos trechos dos cursos e dos segmentos horizontais para os cursos fluviais que foram analisados. Foram selecionados na bacia somente os cursos principais, já que o índice para os cursos de menor hierarquia encontram-se muitas vezes próximo do perfil de equilíbrio não evidenciando assim valores altos de RDE.

As medidas coletadas no programa AUTOCAD 2000 foram passadas ao programa Excel 2003 onde procederam-se os cálculos do índice.

Complementando a técnica de análise dos índices RDE do ribeirão dos Poncianos foram elaborados perfis longitudinais da bacia a partir da técnica da análise do perfil longitudinal proposta em 1983 BURNETT & SCHUMM (figura 19), auxiliando assim na verificação dos possíveis controles de drenagem que atuam sobre a erosão e a deposição na bacia.

Para a elaboração destes perfis foram utilizados os dados obtidos nas medições no programa AUTOCAD 2000 que foram transpostos ao programa Excel 2003, neste com base na interpolação dos dados foram gerados Gráficos dos perfis longitudinais dos canais, acrescidos das retas de melhor ajuste.

4.6.2.DENSIDADE DE DRENAGEM.

A densidade de drenagem (Dd) é outra técnica que foi aplicada no escopo deste estudo, já que é reconhecidamente uma das variáveis mais importantes para a análise morfométrica das bacias hidrográficas, representando o grau de dissecação topográfica, em paisagens elaboradas pela ação fluvial, ou expressando a quantidade disponível de canais para o escoamento (CHRISTOFOLETTI, 1983).

Este índice se expressa, pela seguinte fórmula: Dd= Lb/A

Onde Dd é densidade de drenagem; Lb é o comprimento total dos rios ou canais existentes na bacia e A é a área da bacia.

A aplicação dos índices de densidade de drenagem permite a individualização de áreas anômalas de alta ou baixa densidade de drenagem, que podem estar refletindo diversos tipos de influências, tais como os fatores neotectônicos (HIRUMA, 1999 e HIRUMA & PONÇANO, 1999).

A densidade de drenagem também exerce um papel importante para a elucidação da dinâmica da bacia hidrográfica. Uma vez que seu estudo permite evidenciar a atuação de certos controles como clima, vegetação, litologia e outros fatores que caracterizam a área drenada. Além disso, a densidade de drenagem também reflete o comportamento do escoamento e, permite até mesmo, avaliar os níveis de equilíbrio ambiental de uma paisagem.

Para a elaboração dos cálculos de Dd os dados topográficos e de drenagem foram transpostos ao Programa SPRING 4.0 onde através da ferramenta de operações métricas foram obtidas a área da bacia e o comprimento total dos canais para o cálculo da Dd, foram ainda obtidos dados métricos de células quadráticas da área de estudo e do planalto de Monte Verde para cálculos amostrais de Dd. Os valores métricos foram plotados no programa Excel 2003 onde procedeu-se aos cálculos.