CHAPTER VI: THE THREAT OF EXTINCTION OF THE CASTE
Picture 10: Maître forging with Yeung Koutch
A presente pesquisa teve início com a nossa participação como colaborador do Grupo Projetar da UFRN8, principalmente no trabalho de alimentação do banco de dados PROJEDATA. Inicialmente voltado para a catalogação de teses, dissertações e trabalhos finais de graduação, o PROJEDATA abriga material coletado de dez cursos de arquitetura e urbanismo de universidades brasileiras. Para a escolha dessas instituições entre as várias existentes no país, utilizaram-se os seguintes critérios de seleção:
a) no que diz respeito aos TFGs, o reconhecimento nacional da qualidade de ensino do curso através do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes);
b)no que compete às dissertações e teses, a existência, na universidade, de programas de pós-graduação com linhas de pesquisa específicas em projeto de arquitetura (VELOSO, 2008).
Com base nesses critérios, foram incorporados no banco de dados as seguintes instituições de ensino:
Departamento de Arquitetura e Urbanismo – Universidade Federal de Pernambuco (DAU- UFPE);
Departamento de Arquitetura – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DARQ-UFRN); Escola de Arquitetura e Urbanismo – Universidade Federal de Minas Gerais (EAU-UFMG); Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo (EESC-USP);
Faculdade de Arquitetura – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FA-UFRGS);
8
Grupo de pesquisa vinculado ao Departamento de Arquitetura e ao Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, fundador do evento que leva o seu nome "PROJETAR – Seminário sobre ensino e pesquisa em Projeto de Arquitetura", cuja primeira versão ocorreu em Natal, em 2003, promovido pelo PPGAU/UFRN. O grupo PROJETAR visa contribuir para o avanço da pesquisa e da produção de conhecimentos nas áreas de Projeto e Percepção do Ambiente. (www.grupoprojetar.ufrn.br)
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de Brasília (FAU-UNB); Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo (FAU-USP); Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade Federal da Bahia (FAU-UFBA); Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU-UFRJ); Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU-
MACKENZIE).
Depois de definidos os cursos, foram estabelecidos os critérios de seleção dos trabalhos que comporiam a base digital do PROJEDATA. No caso dos TFGs, eles deveriam necessariamente:
estar disponíveis em meio digital ou virtual;
conter o material completo de apresentação exigido pelo regulamento da instituição, como pranchas, banners e memoriais;
ser recentes, de preferência elaborados entre 2001 e 2006, já que antes disso raramente seriam entregues em mídias digitais;
ser projetos de arquitetura ou projetos urbanos com detalhamento de edificações.
Totalizamos assim 210 TFGs, reduzidos a 150 para análises mais aprofundadas, variando entre 15 trabalhos nos cursos menores e 20 trabalhos para as escolas maiores.
Os trabalhos foram disponibilizados aos professores integrantes do Grupo Projetar, para que procedessem as suas pesquisas a partir dos seus próprios recortes temáticos:
a) os métodos e métodos e técnicas de análise e avaliação de projetos; b)os conceitos e formas de representação do projeto;
c) as relações pessoa-ambiente como subsídio ao processo projetual; d)as relações forma e usos potenciais do espaço projetado.
Sob a orientação da Profa Sonia Marques, participamos diretamente na investigação do segundo eixo temático, contemplando inicialmente os 150 trabalhos previamente selecionados. Nestes, aplicamos uma ficha analítica na qual era possível elencar
os “conceitos do projeto”, mencionados pelo aluno no discurso textual, e ainda quantificar os diferentes tipos de desenho utilizados para representar o projeto. As informações coletadas foram sistematizadas numa planilha eletrônica, de onde se obteve algumas conclusões preliminares, como os dicursos e os modos de representação gráfica predominantes em cada universidade.
Além de revelar uma grande diversidade de enfoques de projeto, o apanhado geral desses trabalhos apontou para uma variedade de formatos de apresentação exigidos pelas referidas instituições, resultado, sobretudo, das especificidades de suas propostas pedagógicas, das normas regimentais dos TFGs e ainda do perfil do corpo docente. Tais variações causaram algumas dificuldades não somente para o nosso recorte temático, como também para os demais pesquisadores envolvidos com o PROJEDATA. Em algumas instituições, por exemplo, os TFGs são desenvolvidos em dois semestres, em outras em apenas um. No caso das duas etapas, na primeira formula-se as questões conceituais de projeto e na segunda desenvolve-se a proposta arquitetônica – alguns TFGs coletados continham apenas a etapa final. Muitas universidades solicitam dos alunos a apresentação do trabalho no formato de painel; outras exigem trabalhos monográficos e pranchas de desenho (VELOSO, 2008).
Além dessas dificuldades gerais, compartilhada por todos os pesquisadores do PROJEDATA, surgiram problemas específicos direcionados ao nosso enfoque de pesquisa. A primeira delas foi a obtenção dos dados através de uma ficha de análise: os quesitos levantados pelo nosso questionário, sobretudo quanto ao discurso textual, não abarcavam a diversidade de abordagens de projeto desenvolvida pelos alunos. Em segundo lugar, o termo “conceito do projeto” se mostrou de difícil operacionalização, já que nem mesmo na literatura pesquisada conseguimos definí-lo de maneira apropriada a uma aplicação direta nos trabalhos. Além disso, entre os alunos não se mostrou claro o entendimento sobre o conceito, que muitas vezes aparecia associado ao partido arquitetônico ou às idéias do projeto. Por último, a grande quantidade de trabalhos coletados pelo banco de dados, embora possibilitasse uma análise de cunho estatístico, sobretudo quanto aos tipos de desenhos mais utilizados, dificultava a abordagem mais acurada sobre as questões de projeto reivindicadas pelos alunos nos memoriais, tendo em vista que, para isso, todos esses trabalhos teriam que ser lidos na íntegra, possivelmente diversas vezes. Sendo assim, como detalharemos adiante, optamos por refinar a nossa análise dos TFGs, estabelecendo ferramentas mais abertas de investigação dentro de uma amostragem menor.