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CHAPTER VI: THE THREAT OF EXTINCTION OF THE CASTE

Picture 12: Maître starting the burial ceremony

Na UFRN, durante o TFG o aluno tem a oportunidade de antecipar e simular algumas situações rotineiras do escritório de arquitetura. O projeto arquitetônico, neste caso, é pensado e manipulado com o intuito de enfrentar, hipoteticamente, pelo menos duas atividades profissionais básicas: o cadastro do projeto em órgãos públicos e a própria construção do edifício. Para tanto, o regulamento do TFG exige do aluno a elaboração de documentos muito semelhantes àqueles normalmente requeridos pelo profissional nestas ocasiões, a saber, o jogo gráfico do projeto e o memorial descritivo. Sendo assim, espera-se que o trabalho, a exemplo destes documentos, informe tanto os aspectos formais e legais do edifício, quanto as suas características técnicas e construtivas.

Além de simular uma situação profissional real, o TFG representa na UFRN a culminação de uma pesquisa de cunho científico – realizada concomitante à elaboração do projeto final – cuja finalidade é justamente subsidiar o processo de projetação, em tese alimentando a feitura do objeto arquitetônico com algum embasamento técnico e teórico. Essa dupla função do trabalho final, simular uma exigência profissional e demonstrar os resultados de uma pesquisa, pode ser claramente verificada nos memoriais descritivos apresentados pelos alunos. Estes documentos, além de acumular o máximo de dados a respeito da proposta arquitetônica, ainda expõem detalhadamente os frutos das pesquisas empreendidas pelos alunos e que foram úteis na fundamentação das soluções de projeto.

É possível, deste modo, encontrarmos desde trabalhos cujo viés “científico” é mais forte, até outros em que prevalecem os dados técnicos e construtivos do edifício, e ainda, em alguns casos, uma combinação equilibrada destes dois enfoques. Em todo caso, vale ressaltar que, enquanto nos memoriais elaborados nos escritórios técnicos prevalece uma série de informações de ordem técnica e construtiva, cujo objetivo principal é orientar os profissionais do canteiro, em grande parte dos trabalhos da UFRN, o memorial constitui simplesmente um meio adicional de descrição dos aspectos gerais e elementos particulares da edificação: o partido arquitetônico, a distribuição dos ambientes internos, as tecnologias construtivas adotadas, e assim por diante. O texto, aqui, parece reforçar, quando não reproduzir, muitas informações do edifício que já haviam sido repassadas por meio da representação gráfica.

Apesar destes pontos de vista distintos, os memoriais da UFRN destacam algumas questões de projeto comuns, sendo as mais freqüentes: o conforto ambiental, os sistemas construtivos, o partido arquitetônico e a espacialidade. Em primeiro lugar, a aplicação dos princípios de conforto ambiental, em especial o conforto térmico, representa a preocupação maior dos alunos, sendo ainda um dos principais norteadores de suas propostas arquitetônicas – dos 14 TFGs analisados, 08 abordaram claramente esta questão. A atenção com as condições climáticas do sítio transparece amiúde no uso de simulações desenvolvidas em ambientes virtuais, cujos resultados de desempenho são explanados por meio de quadros, tabelas, cartas solares e, em alguns casos, desenhos esquemáticos que ilustram a trajetória solar e a sua influência no edifício. Também são comuns as análises do desempenho específico de alguns dispositivos de isolamento acústico ou de proteção solar, como brises, beirais, platibandas, entre outros elementos arquitetônicos, informações que em geral ocupam uma porção significativa do corpo textual destes trabalhos.

O partido arquitetônico e o sistema construtivo do projeto são questões também lembradas com freqüência nos memoriais – a primeira aparece em 10 trabalhos, enquanto a segunda em 07 TFGs. Estas questões figuram comumente em capítulos denominados “evolução do partido”, “estudos de referência”, “referências para o projeto”. Os estudos de referência servem, na verdade, para apontar algumas soluções formais ou construtivas adotadas por arquitetos, em geral célebres, que trabalharam com temas semelhantes de projeto e cujas obras circulam em periódicos e na literatura especializada. Esses exemplos são contextualizados e adaptados pelos alunos em suas próprias soluções; muitos inclusive se aproveitam do quesito “partido” para esclarecer sobre de que maneira se deu a evolução das idéias de projeto, desde os primeiros esboços até a solução final.

A questão da espacialidade aparece também em 07 trabalhos, transparecendo, sobretudo, no cuidado com a funcionalidade do equipamento. Para tanto, os alunos se valem de algumas ferramentas de concepção arquitetônica, geralmente reunidas sob a denominação “metaprojeto”. O enfoque do discurso textual, nestes casos, concentra-se no programa de necessidades, em suas correlações e na organização dos ambientes do edifício. Como os memoriais permitem constatar, estas ferramentas de projetação são manipuladas muitas vezes antes da definição do partido arquitetônico ou dos estudos volumétricos, através do emprego de diagramas e fluxogramas, bem como da setorização e zoneamento das funções, usos e espaços da edificação.

No modelo de apresentação do TFG adotado na UFRN, as pranchas do projeto constituem o material gráfico mais importante do trabalho final. No entanto, é bastante comum encontrarmos vários desenhos intercalados no texto do memorial, sobretudo as perspectivas do edifício, ou ainda plantas e elevações. Em todo caso, essas imagens junto ao texto são tratadas com algum acabamento artístico ou realístico, geralmente através da utilização de cores e texturas que simulam a aparência real de objetos, materiais, pessoas, vegetação, entre outros elementos que compõem o edifício e seu contexto. É comum também a inserção de croquis do projeto no memorial; em muitos trabalhos, os esboços elaborados pelos alunos integram a argüição sobre as decisões de projeto e as mudanças ocorridas durante o processo de projetação e desenvolvimento do partido arquitetônico.

Já nas pranchas prevalece, em grande parte, um desenho de arquitetura mais convencional, constituído basicamente por peças gráficas como plantas diversas, seções e elevações do edifício. Estes desenhos são padronizados quanto à quantidade, convenções gráficas e escalas, em geral com um forte apelo técnico e construtivo, aspectos evidentes tanto na indicação das cotas e áreas dos ambientes ou do equipamento como um todo, quanto na especificação dos materiais, acabamentos, esquadrias e outras informações cuja finalidade seria, em tese, a execução do projeto. As pranchas do TGF, nestes casos, assemelham-se àqueles documentos gráficos produzidos ordinariamente em escritórios de arquitetura, sobretudo o anteprojeto, direcionado à apresentação ou cadastro, e o projeto executivo, voltado para o orçamento ou canteiro. Outros preferem dotar o material gráfico, que a princípio seria essencialmente técnico, de um caráter artístico, às vezes artesanal, através da aplicação de cores, sombras, texturas e outros artifícios que muitas vezes acabam por conferir a estas peças uma aparência totalmente híbrida – é como se num único desenho o projetista aspirasse agradar, por um lado, um público leigo, por outro, os especialistas – em nosso contexto a banca examinadora –, fato que resulta em excesso ou escassez de informações do projeto para ambas as audiências.

Nos trabalhos analisados, verificamos que a divisão corrente do TFG em dois documentos distintos – um escrito, combinando memorial e monografia, e outro gráfico, ora anteprojeto, ora projeto executivo – parece muitas vezes enfraquecer a argumentação do projeto. Isso porque textos e desenhos nem sempre abordam os mesmos enfoques do projeto, ou seja, as questões elencadas inicialmente nos memoriais – conforto, partido, construção e espacialidade –, quando retomadas na representação gráfica, fazem isso de modo parcial, não demonstrando a mesma força argumentativa do texto escrito. As demandas da insolação e da

ventilação sobre o edifício, por exemplo, questões das mais repetidas no discurso textual, raramente são retomadas pelo discurso gráfico – poucos alunos destacam nas pranchas os dispositivos de conforto térmico utilizados no projeto. O mesmo ocorre com relação ao item partido arquitetônico; neste caso, a visualização da volumetria final do edifício se dá ainda no memorial, nas perspectivas inseridas junto ao texto. Devemos lembrar também que o desenho contido nas pranchas às vezes ressalta muitos elementos do projeto não informados no texto, como ocorre, por exemplo, com a representação do paisagismo, item na realidade pouco informado nos memoriais.

A normatização do trabalho final na UFRN parece ter uma influência decisiva na escolha das questões de projeto e dos modos de representação adotados pelos alunos. O regulamento do TFG é contundente a respeito do formato e do conteúdo do memorial, bem como da padronização das pranchas e do desenho em geral, por exemplo, quanto ao número de peças gráficas, ao dimensionamento e especificações diversas, à unificação das escalas de desenho, entre outras questões. Dessa forma, apesar da relativa liberdade que os alunos detêm na manipulação destes elementos, as normas da instituição parecem, na verdade, restringir a adoção de formatos mais livres e subjetivos de apresentação do projeto. Contudo, devemos ressaltar que essas mesmas exigências ajudam no enfoque de outras questões, por exemplo, a ênfase na espacialidade, sobretudo quanto à disposição dos espaços internos da edificação, aspecto evidenciado na valorização das plantas baixas; e ainda em seus aspectos construtivos, que aparecem destacados não só nos desenhos, sobretudo plantas e cortes, mas também no discurso textual dos alunos.