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M YNDIGHETENES PRAKSIS – KYSTVERKETS BEREDSKAPSPLAN

In document Miljøbombers rett til nødhavn (sider 59-64)

4. NØDHAVN I NORSKE FARVANN

4.2 Spørsmål om adgang til nødhavn etter norsk rett

4.2.2 M YNDIGHETENES PRAKSIS – KYSTVERKETS BEREDSKAPSPLAN

As propriedades familiares apresentam não só um recorte espacial bem definido, como também uma configuração espacial que permite que as famílias supram suas necessidades, produzam e transformem os alimentos, gerem renda, ou seja, tenham um certo grau de

autonomia. Dentro de todas especificidades de cada família, parece haver um padrão de ocupação e usos destes espaços, que se repete na maioria dos casos.

Primeiramente, é preciso pontuar que a água foi um importante fator de territorialização das famílias em São Pedro. As dificuldades de encanamento das águas e sua necessidade para a manutenção das casas e quintais fez com que as famílias ocupassem as grotas e pequenos vales, com casas bem próximas, como nos disse o agricultor Vadinho: aí tinha que se mais perto de onde a água nascia... aí, como era assim aqui, nós já tivemo, que eu lembro... uma, duas, três... três casa aqui nessa região aqui, nessa localidade, tudo pertinho...

Portanto, a dinâmica do que se chama de propriedade sempre pressupôs uma interação entre as famílias próximas o que fez com que se formassem os núcleos familiares, próximo às

nascentes e cursos d’água. Lembramos aqui da proposição de Anjos (2007) estruturas

espaciais dos sítios quilombolas. Os núcleos familiares parecem seguir o que o autor chama de “estrutura conduzida pelo curso d’água principal” (p. 124), que tem na proximidade dos córregos, rios e nascentes uma referência na localização e territorialização das famílias. A água é extremamente importante para a manutenção da vida, por isto importante sendo isso comprovado não só na configuração do território, mas também no grande conhecimento da dinâmica hídrica e na localização e conservação das nascentes.

Utilizaremos um exemplo, para que possamos expor algumas considerações sobre a territorialidade das unidades produtivas:

Este exemplo nos é interessante, pois se trata de uma pequena área que reúne os elementos encontrados em boa parte das outras casas e quintais, sendo também uma casa onde acompanhamos mais de perto a rotina dos moradores. Cabe dizer que para a subsistência dos moradores o espaço da lavoura (café, milho e feijão são os principais plantios) se soma ao quintal, aqui representado.

As casas e quintais de São Pedro são, em sua maioria, mantidas pelo trabalho das mulheres, sendo que os homens se dedicam ao trabalho nas lavouras. Assim, é comum encontrar nas entradas muitas plantas ornamentais, as cozinhas sempre muito bem cuidadas e os quartos e salas com enfeites, sobretudo fotos de familiares e imagens religiosas, marcas do cuidado feminino. O acesso à porta de entrada sempre é feito pelo terreiro, espaço onde, durante a colheita do café, o grão é distribuído para secagem (sendo revirado ao longo do dia, em muitos casos pelas mulheres).

O espaço do terreiro (vide Foto 16) é também utilizado para realização de festas e reuniões. Os casamentos, aniversários, fogueiras de São João e mesmo os Intercâmbios de Saberes e Sabores acontecem nestes espaços. Devemos notar também que o espaço das cozinhas é um tradicional local de encontros no qual os moradores recebem uns aos outros58 e as famílias passam parte do tempo no calor dos fogões à lenha.

FOTO 16: Terreiro na comunidade com o café disposto para a secagem. Autor: Nathan Itaborahy

58É valido citar este recorte de um relatório de campo: “me impressionou como ‘Cobrão’ e sua esposa chegaram

a casa de Paulão e Ivanete para conversar sobre o curso que seria dado para as mulheres da comunidade e ficaram por tanto tempo. Os assuntos se embolavam e eram raros os momentos de silêncio. Foram quase duas horas de muitas palavras e muito risada. Parece que o povo de São Pedro de Cima preserva esse forte costume de conversar sem muito compromisso, de passar o tempo junto. Guardam na manga assuntos diversos. Guardam também frases prontas, piadas e casos que sempre alimentam interessantes conversas.” (recorte do relatório de campo – janeiro de 2014).

Nos quintais encontramos plantios dos mais diversos: hortaliças, frutíferas, ervas (temperos e medicinais), leguminosas e ornamentais. Encontramos também a criação de porcos e galinhas, e, em algumas casas, tanques de criação de peixes. De fato os quintais são espaços de uma rica sociobiodiversidade; pequenos sistemas que carregam profundos sentidos.

Para se ter uma ideia, fizemos um exercício junto à Paulão no qual anotamos todas espécies vegetais que víamos nesse pequeno espaço de sua casa e quintal. O exercício não obedeceu nenhuma metodologia de levantamento botânico, portanto as espécies não foram ordenadas ou organizadas a partir de seu tipo e função. Tampouco demos conta de tudo que há plantado no local. Somente fomos encontrando e anotando as espécies de acordo com os nomes dados pelo agricultor:

Acerola, tomate, morango, pimenta malagueta, hortelã, arruda, abóbora d’água, quiabo, jiló, mexerica ponkan, marmelo, taioba, inhame chinês, batatinha inglesa, cravo, palmeira, rosa, mamão de corda, cana-de-açúcar, graviola, laranja campina, uva, batata doce, milho, girassol, “dois sabor” (fruta), algodão, coco, palmito Juçara, manga, cidra, siriguela, goiaba, café, cará, chuchu, alho, abóbora de árvore, salsinha, alface, couve, beijo, berinjela, cebola de folha, mexerica candongueira, beterraba, tangerina, pepino, fava, cedro, ipê roxo, pêssego, cará moela, limão rosa, angico vermelho, ameixa, peitoral sereia, cana cristalina, inhame rosa, araruta, bananas (ouro, pai antônio e prata nanica), camomila, funcho, citronela, santa maria, boldo de árvore, pé de galinha, maracujá, jabuticaba, inhame branco, chapéu-de-couro, cinco folhas e bugre.

Com a lista – 75 espécies vegetais – fica clara a diversidade de tipos de plantas e espécies que o quintal abriga. Portanto, o quintal reúne, a partir dos plantios, da habitação e das criações animais, funções vitais para as famílias. De fato um espaço no qual os moradores encontram certa autonomia, segurança para se reproduzirem. É o território familiar;

FOTO 17: Quintal da família dos agricultores Paulão e Ivanete, visada da horta. Autor: Nathan Itaborahy.

Também é interessante notar que há uma sinergia entre os espaços dos quintais. Os alimentos, como frutas e verduras, são utilizados na alimentação dos moradores, assim como as ervas são utilizadas para chás e temperos. As criações animais também são utilizadas na alimentação da família. Os restos da alimentação, por sua vez, são jogados para os porcos e cachorros. A galinha caipira se alimenta de insetos e pequenas plantas, funcionando como controle biológico. As árvores frutíferas ao redor da casa quebram o vento, função importante diante do frio local. É um sistema em movimento onde quase nada é desperdiçado. Há assim uma interação entre os espaços e elementos desse sistema.

Como já dito, o território familiar é também composto pelas lavouras, que nem sempre ficam próximas aos quintais. Em muitos casos estão em espaços de maior altitude e alguns moradores têm mais de uma porção de terra, caminhando diariamente até as lavouras. Esta disposição é explicada pela necessidade das casas se localizarem próximo às nascentes e

cursos d’água e mesmo pela lenta compra de porções de terras mais afastadas e baratas.

Assim como no paiol da casa são guardadas as ferramentas e sementes utilizadas no trabalho na lavoura; a lavoura também fornece alimentos para a família e para as criações animais. São espaços conectados, a despeito da distância. Abordaremos melhor no próximo subcapítulo

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