3 MATERIALER OG METODE
3.5 M ODELLERING OG SIMULERING AV VA- ANLEGG
Partindo do mesmo pressuposto dos antigos Telecursos de 1º e 2º Graus, de que a televisão como veículo tem enorme potencial de penetração na sociedade e que isso poderia ser utilizado na educação, o novo projeto inovava procurando associar a experiência adquirida da
210 Média calculada pelo autor em cima dos valores gastos pelo Governo Federal, via repasses a estados e
municípios, com a educação nos anos de 2000-1, em relação ao custo-médio por aluno de 1º e 2º Graus do ensino regular. Cf. MEC/ INEP. Sinopse Estatística (2000-2001). Brasília, 2002.
132
FRM na EAD com o know-how da FIESP na formação e educação para o trabalho. O Projeto de Teleducação para o Trabalho sinalizava para o aproveitamento dos modelos de Telecursos da FRM, mas acrescentava aspectos de reestruturação pedagógica e maior abrangência. Essas reformulações visavam a atender tanto os níveis supletivos de 1º e 2º Graus quanto o ensino profissionalizante em duas especialidades, trazendo para a educação básica traços empresariais.
Diversamente do caráter dúbio entre o suprimento e a suplência presentes nos Telecurso de 1º e 2º Graus, o novo programa, desde o início, destaca-se pela preocupação em atender às demandas do mercado (empresas e entidades) por maior formação básica. Nesse sentido, procuravam calibrar algumas premissas da proposta, direcionadas principalmente para a articulação entre os conhecimentos pedagógicos da educação básica para a práxis e as condutas relacionadas ao universo do trabalho e da produção. Incluía-se, nesse âmbito, atenção para os conhecimentos que diziam respeito à cidadania, entendida como educação implicitada pelos valores capitalistas guindados por categorias como qualificação/ capacitação para o trabalho, eficiência, eficácia, criatividade, flexibilidade, atualização, criatividade, ganhos na produção – valores difundidos, aqui no Brasil, pela nova concepção de mercado e economia, a partir dos anos 1990.
Dentro dessa lógica, o projeto de Teleducação para o Trabalho almejava o ensino no local (ou ambiente, edificação) de trabalho; voltava-se mais para uma demanda das empresas que contratavam o método para aplicar em sua força de trabalho do que para alunos de recepção livre, como nos outros modelos de Telecurso. Uma vez que cada empresa/ entidade que mantém o programa, disponibiliza um espaço físico, a telessala, para a qualificação de seus trabalhadores, o Telecurso 2000 era dirigido a um tipo de cliente de perfil mais fechado. Nessas telessalas organizadas no espaço de trabalho, se dispõe de televisão, vídeo-cassete, fitas VHS com os programas, material didático de apoio, mesas, cadeiras, além do orientador da aprendizagem ou monitor, responsável por direcionar o processo de ensino.
De forma diversa dos outros modelos anteriores da FRM e talvez para aprimorar o processo através das experiências falhas, o Projeto Teleducação para o Trabalho demonstrava maior atenção à figura do monitor/ instrutor, prevendo um minicurso de capacitação para esses orientadores da aprendizagem. Afora o monitor, que além de “animar” a teleaula deveria oferecer maior qualidade no serviço, se criavam o coordenador e o supervisor do teleposto, agora
133
chamado de telessala. Dessa forma, mais do que os antigos modelos de 1º e 2º Graus, o Telecurso 2000 contemplava em maior intensidade a recepção organizada, cuja forma é articulada desde a proposta, não se constituindo em experiência, mas em objetivo a ser atingido para se levar formação básica às empresas e, a partir daquele cenário, atingir o conjunto de trabalhadores. Nesse sentido, a exposição de marketing do ‘Projeto Telessalas’, que visava expandir o programa através de parcerias com o poder público e entidades privadas de diversas naturezas, fazia-se necessária para alimentar de argumentos em favor da eficiência do programa.
Para a FRM (2005), desde o início, 5 milhões de pessoas já haviam passado pelo Telecurso 2000. Sob a afirmação de que esses 5 milhões de alunos pertenciam tanto aos programas com o poder público e outras entidades, através das telessalas, quanto aos milhões de telespectadores que acompanharam o programa, de sua casa e por sua conta, a FRM não explica como contabilizou os alunos da chamada recepção livre, se pela audiência ou outro meio de pesquisa. Dessa forma, também não poderia ter precisado a quantidade desse enorme contingente que freqüentou o curso inteiro e quantos realizaram exames supletivos, sejam exames no decorrer do processo, aplicados pelas entidades, sejam as avaliações supletivas das SECs e, ainda, quantos foram efetivamente aprovados nas provas.211
Quanto à estruturação do programa, tal como na maioria de modelos de supletivos e nos Telecursos anteriormente implementados, todo conteúdo de 1º e 2º Graus e curso profissionalizante seria reproduzido em três semestres ou pouco menos através das teleaulas e acompanhamento de livros didáticos.212 Conforme o Quadro VI (p. 134), foram gravadas e televisionadas nos três níveis de ensino trabalhados pelo Telecurso 2000, 1.140 teleaulas.213
211Essas análises serão retomadas em tópicos pertinentes à avaliação do Telecurso 2000. Nesses estudos, Cláudio
Moura Castro e João Batista Araújo e Oliveira, que eram participantes do Telecurso 2000, realizaram a avaliação do mesmo programa com o patrocínio do BID. V. OLIVEIRA, João Batista Araújo & CASTRO, Cláudio de Moura. Uma avaliação do Telecurso 2000. Rio de Janeiro: Sala Produções, 2001
212 No caso do 1º Grau (3ª a 8ª séries) e ensino profissionalizante, a duração total do curso seria de 15 meses, sendo 5
meses para cada fase, enquanto seria de 18 meses (1 semestre por fase) para o 2º Grau.
134
Quadro VI – Telecurso 2000, quanto a composição e duração das fases dos cursos supletivos
Fases/ Disciplinas Nº de Teleaulas Nº de Livros Duração
I GRAU I FASE (Total) 120 6 Língua Portuguesa 40 2 Matemática 40 2 História 40 2 5 meses II FASE (Total) 120 5 Língua Portuguesa 50 2 Matemática 40 2 Inglês 30 1 5 meses
III FASE (Total) 120 5
Geografia 50 2
Ciências 70 3 5 meses
Total (3 Fases) 360 16 15 meses
II GRAU I FASE (Total) 140 6 Língua Portuguesa 50 2 Matemática 40 2 Química 50 2 6 meses II FASE (Total) 140 6 Língua Portuguesa 30 1 Matemática 30 1 Física 50 2 Inglês 30 2 6 meses
III FASE (Total) 140 6
Inglês 10 -
Biologia 50 2
História 40 2
Geografia 40 2 6 meses
Total (3 Fases) 420 18 18 meses
Fonte: FRM/ FIESP.
Não obstante dados levantados por pesquisas educacionais darem conta de que apenas 26% dos brasileiros, na faixa entre 15 e 64 anos, dominam plenamente a leitura – capacidade de compreender aquilo que lê (INAF Apud Instituto Paulo Montenegro IN: http://www.ipm.org.br/an_ind.php), o Telecurso 2000, embora voltado para uma formação vinculada ao mundo do trabalho, não ataca esse problema. Mesmo que na proposta original do Telecurso 2000, enviada ao MEC em 1994, constasse uma abrangência maior do Curso de Supletivo 1º Grau (3ª a 8ª séries), focaliza-se muito pouco nos conhecimentos elementares. O fato de exigir comprovação da escolaridade anterior, facultava à pessoas desprovidas de rudimentos básicos de leitura e do estudo, adentrar no telecurso sob os mesmos termos dos que tinham conhecimentos mínimos para aprender algo com aquela metodologia. Se por um lado o telecurso oferecia oportunidade aproveitada por alguns, constituía-se meio de frustração e desistência dos estudos para vários. Assim como nos modelos de Telecursos anteriores, desconhece-se até que ponto essa metodologia melhorou o desempenho dos funcionários em seus respectivos trabalhos, resultando na melhora da produtividade como almejavam os empresários. Embora se revelasse, na estruturação da proposta, uma abrangência pouco maior do Telecurso 2000 em relação às séries contempladas pelo Telecurso de 1º Grau, era ainda insuficiente para alcançar ou contribuir para o combate ao problema estrutural da qualidade de
135
leitura no Brasil. Dessa maneira, o curso continuava a não auxiliar o desenvolvimento do conhecimento das primeiras séries do ensino fundamental, nem tampouco a oferecer cursos de alfabetização.214