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M ETODISKE REFLEKSJONER

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3. FORSKNINGSDESIGN

3.5 M ETODISKE REFLEKSJONER

Este tópico destaca a administração de Itamar Franco no período em que esteve à frente da prefeitura de Juiz de Fora, entre 1967 e 1970, situando a relação estabelecida entre os representantes da cultura alemã na cidade e o então prefeito. Para abordar o contexto social e político relativo ao período em que Itamar Franco foi prefeito da cidade, bem como algumas das peculiaridades de seu governo, tomamos por base o livro Itamar e o bando de sonhadores, de autoria de Ismair Zaghetto (2012), jornalista e protagonista político, contemporâneo do movimento cultural dos anos 1960 e 1970. A obra é uma fonte que retrata o período em que Itamar Franco ocupou a Prefeitura de Juiz de Fora sob o olhar de um dos participantes desse governo e, nesse sentido, deve ser compreendido como sendo uma versão dessa história, a qual retrata a memória do grupo que participou do desenvolvimento da cidade junto a Itamar, ou seja, o “bando de sonhadores”, descrito pelo autor.

Enfatizamos que a escolha desse livro como mote para escrever este subcapítulo tem por objetivo demonstrar o pensamento desse grupo: seus projetos para a cidade, suas análises do período, como pensavam Juiz de

Fora, bem como as pretensões de Itamar para a cidade. O autor evidencia as qualidades positivas de Itamar Franco como homem público. Essa visão torna- se fundamental para a compreensão do lugar que Itamar Franco assumiu entre os protagonistas da Festa Alemã, tornando-se, nesse mesmo período, presidente vitalício do Grêmio Folclórico Teuto-Brasileiro. A seguir, apresentaremos alguns dados bibliográficos desse político.

Itamar Augusto Cautieiro Franco nasceu em 28 de junho de 1930, em Salvador, BA. Filho de Augusto César Stiebler Franco40 e de Itália América Líria Cautiero Franco, Itamar não conheceu seu pai, que era natural de Juiz de Fora e que foi vitimado e morto por malária em abril de 1930, antes do nascimento do filho41. Cresceu em Juiz de Fora, diplomando-se em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia, em 1954. Nos anos de 1952 e 1953, atuou como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Engenharia. Entrou para a política pelo Partido Trabalhista Brasileiro. Após essa experiência, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro, período em que o bipartidarismo é introduzido na política nacional. Em 1966, foi eleito prefeito de Juiz de Fora, permanecendo nesse cargo até 1974, exceções feitas aos anos de 1971 e 1972, quando assume a prefeitura Agostinho Pestana da Silva Neto, também do MDB. Com a saída desse político para cumprir uma determinação do Congresso Nacional, Itamar Franco assume, novamente, a administração municipal.

Itamar Franco foi eleito Senador em Minas Gerais, no pleito de 1975 a 1982, assim como no período de 1983 a 1990. Durante o segundo mandato como Senador, foi eleito vice-presidente da República, na chapa composta com Fernando Collor de Mello, em 1989. Após o impeachment de Collor, em

40 Em entrevista, Dilly destaca a ascendência de Itamar Franco, fato que o aproxima dos protagonistas da Festa Alemã: “[...] os registros desses navios, [...] nos permitem a todos os descendentes, hoje nós temos quase oitenta mil descendentes de alemães e austríacos em Juiz de Fora. Alguns não assinam mais o nome, no caso do próprio presidente Itamar Franco, que é da família Stiebler e, com o tempo, pelo casamento e tudo foi perdendo”. Essa entrevista de Roberto Dilly está arquivada na Divisão de Memória, Museu da Imagem e do Som. FUNALFA. A chegada da família Stiebler no Brasil também foi evidenciada na seguinte obra: STEHLING, L. J. Juiz de Fora, a Companhia União Indústria e os alemães. Juiz de Fora: IHGJF, 1979. p. 406.

41 Os dados biográficos de Itamar Franco foram retirados do site: PJF - Prefeitura Municipal de Juiz de Fora. Disponível em: <http://www.pjf.mg.gov.br/cidade/prefeitos.php>. Acesso em: 2 ago. 2014.

outubro de 1992, assume a Presidência, permanecendo nesse cargo até dezembro de 1994. Ao deixar a Presidência da República, Itamar passa a ocupar o posto de Embaixador do Brasil em Portugal e na Organização dos Estados Americanos (OEA), nos Estados Unidos da América.

Itamar Franco governou Minas Gerais no período de 1999 a 2002. De 2003 a 2005, ocupou o posto de Embaixador do Brasil na Itália. Também foi presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), entre os anos de 2007 e 2010. Em 2010, elegeu-se, novamente, Senador da República, pelo Partido Popular Socialista (PPS), permanecendo no Senado até 2011. Licenciou-se do cargo em fevereiro de 2011, para tratar de uma leucemia, falecendo, vítima da doença, em 2 de julho de 2011.

Na introdução da obra intitulada Itamar e o bando de sonhadores, Zaghetto (2012) apresenta uma releitura dos anos em que Itamar Franco foi prefeito de Juiz de Fora. Segundo o autor, entre os anos de 1967 e 1970, a cidade viveu um momento histórico peculiar no que diz respeito a seu desenvolvimento. O autor descreve, com um olhar saudosista, a época áurea da cidade: a crescente industrialização, a fundação da Academia Mineira de Letras e da Associação Mineira de Imprensa, em que figuras notórias, escritores e memorialistas, como Murilo Mendes, Lindolfo Gomes, Estevão de Oliveira, Albino Esteves, Gilberto de Alencar, entre outros listados pelo autor, escreviam nos jornais locais.

Na versão histórica de Zaghetto (2012), o período ficou gravado pelas ações de um grupo de pessoas que acabaram deixando sua marca na história da cidade não só pelas obras dos novos engenheiros, entre eles, Itamar Franco, como também por questões culturais maiores: o autor desenha o contexto que se configurou após a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade passa por uma queda em seu desenvolvimento, sofre com a ausência de novos empreendimentos e atravessa um importante declínio industrial. Vale lembrar que Juiz de Fora, anos antes, recebera o título de Manchester Mineira em uma alusão à cidade inglesa, símbolo da industrialização. O autor salienta, ainda, que, em 1950, enquanto a cidade comemorava o centenário de sua emancipação, as preocupações com seu destino econômico ofuscavam o brilho das festividades em torno de seu aniversário.

Zaghetto (2012, p. 19-20) esclarece que uma apatia também perpassava o movimento político local e se utiliza, para caracterizar o momento, de expressões como “[...] processo dolorido para o orgulho da cidade [...]” e de palavras como “lamento”, ao se referir à decadência industrial da cidade, que chegou a ser reconhecida, no início do século XX, mais industrializada do que a cidade de São Paulo. E, por fim, conclui que todo esse processo de declínio culmina em 1964, com o Golpe Militar. Entretanto, segundo o autor, existiram dois momentos muito favoráveis para a retomada da autoestima da cidade: um deles se refere à fundação da Universidade Federal de Juiz de Fora, em 1961; e o segundo se relaciona à candidatura de Itamar Franco a prefeito da cidade, em 1966. Esse político já havia perdido uma eleição para vereador, em 1958, e outra para vice-prefeito, em 1962. Todavia, ao aceitar o chamado do Prefeito Adhemar Resende de Andrade para chefiar o Departamento Municipal de Água e Esgoto (DAE), Itamar deixaria impressa a sua marca de administrador progressista.

Ao concluir suas reflexões, o autor ressalta o desenvolvimento da cidade durante o governo de Itamar Franco. Além de impulsionar a geografia urbana com suas obras, ampliou o atendimento dos serviços municipais nas áreas de educação, saúde e cultura. Mas o fator de maior relevância para a pesquisa, no governo Itamar Franco, é sua atuação do Departamento Autônimo de Turismo.

Percebe-se, aqui, o início da ligação que se estabeleceria entre Itamar, os descendentes de alemães e a comemoração da Festa Alemã. Sua participação pode ser percebida nos primórdios da Deutsches Fest, ainda como Festival de Chope, o que é demonstrado na Figura 4. Sua participação junto à diretoria do Grêmio Folclórico Teuto-Brasileiro também é lembrada nos depoimentos utilizados para este estudo, como o trecho da entrevista de Dirceu Scoralick (2006), que abriu a introdução deste estudo.

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