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M ARKEDSSTRATEGI

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DEL 6.0: LØSNING

6.4 M ARKEDSSTRATEGI

Para a representação deste grupo de fatores, tomados como extralinguísticos, escolhemos dois jornais cearenses: O Povo e Diário do Nordeste. Pretendemos investigar em que medida esses jornais, com suas respectivas editorias, ou melhor, gêneros textuais, podem contribuir para o favorecimento ou não da ausência de marca explícita de plural no verbo em construções de voz passiva sintética. Trata-se de veículos de comunicação de circulação estadual, voltados para um público mais escolarizado, com seções jornalísticas que abordam assuntos diversos de âmbito regional e nacional. Podemos afirmar, sem dúvida, quanto à mídia

45Casos de anteposição não foram inseridos neste trabalho, porque consideramos tratar-se de outros tipos de estrutura, com diferenças sintática, semântica e discursiva; além de suscitarem ambiguidades na análise: Abriu-se a porta X A porta se abriu; Demitiu-se o funcionário X O funcionário se demitiu.

jornalística cearense, que são os meios de comunicação cujos textos visam à norma culta (escrita), entendida aqui como “a norma linguística praticada, em determinadas situações (aquelas que envolvem certo grau maior de monitoramento), por aqueles grupos sociais que têm estado mais diretamente relacionados com a cultura escrita” (FARACO, 2008, p. 54).

Assim, o que se imagina, teoricamente, é que ambos apresentem o mesmo padrão de linguagem, sobretudo, ao considerarmos as editorias examinadas: editorial, artigo de opinião e notícias. A respeito dessa suposta equivalência de formalidade, Vieira (2014) realizou uma entrevista com 48 leitores desses jornais impressos cearenses, na qual pedia que os entrevistados enumerassem-nos, de acordo com o grau de formalidade de cada um, encaixando-os em uma escala: do mais formal, para o menos formal (mais informal). Em sua pesquisa, a autora utilizou-se de 4 (quatro) jornais, dentre eles, O Povo e Diário do Nordeste. Como resultado, para o nosso interesse, a pesquisa apontou Diário do Nordeste, como o mais formal, seguido de O Povo.

Nesse sentido, percebemos também que, com nosso fenômeno, sua realização variável pôde ser constatada quanto a seu emprego nesses dois jornais, conforme apontam os resultados estatísticos abaixo:

Tabela 15: Distribuição geral da ausência vs. presença em construções de voz passiva sintética

em jornais do Ceará

Jornais Ausência de plural Presença de plural

O Povo 28/65 43,1% 37/ 65 56,9% Diário do Nordeste 21/56 37,5% 35/56 62,5% Total 49/121 40,5% 72/121 59,5% Fonte: próprio autor

De acordo com nossa hipótese inicial, a despeito da formalidade própria da modalidade escrita, sobretudo, jornalística, acreditamos que as formas inovadoras deveriam apresentar maior inserção nos jornais cuja linguagem estivesse mais aberta a inovações e maior restrição em mídias mais conservadoras.

Os resultados da tabela acima, embora bem próximos em termos percentuais, corresponderam às nossas expectativas: o jornal O Povo, com 43,1% dos casos, tende a

favorecer a ausência de marca explícita de plural no verbo em construções passivas sintéticas, isto é, não rejeita a incorporação da variante inovadora com este tipo de estrutura. Vieira (2014, p. 105) chega ao mesmo resultado com o tema de sua pesquisa e constata que O Povo é “um periódico aberto a inovações, que ousa no texto e no layout, de modo que sua grande inserção no mercado não se traduz em conservadorismo”.

O importante considerar que a ocorrência da variante sem marca explícita de plural em ambos os jornais se deu com diferença sensível, como podemos observar pelos resultados da tabela, O Povo (43,1%), Diário do Nordeste (37,5%). Isso significa que, em tais veículos comunicativos, tomados teoricamente como representantes do modelo de norma culta, a face mais conservadora da língua não impede em absoluto a entrada de formas inovadoras na modalidade escrita da linguagem, no que se refere à ausência de concordância verbal em estruturas passivas sintéticas, no cenário linguístico cearense.

Sabemos que o princípio da marcação não se restringe apenas às categorias linguísticas, mas pode estender-se a outros fenômenos, como a distinção entre o discurso formal e a conversação espontânea. Nesse sentido, pela natureza da linguagem jornalística, temos um discurso mais marcado, o que explica a maior representatividade da variante conservadora nos resultados gerais de nosso trabalho (seção 6.1). Teoricamente, formas mais marcadas aparecem mais frequentemente em contextos mais marcados. A construção de voz passiva sintética em que o verbo encontra-se no plural em solidariedade com o SN posposto também no plural exige alto grau de processamento cognitivo, no sentido de interpretar este SN pós-verbal como sujeito da oração. E essa codificação será mais plausível em ambientes linguísticos mais marcados.

Assim, de posse dos resultados sobre a variação de concordância verbal em construções passivas sintéticas na escrita jornalística cearense, dois grupos de fatores destacam- se como estatisticamente significativos para o registro da variante sem a realização da marca explícita de plural: forma verbal e gênero textual, o que correspondeu à nossa expectativa.

Nossa hipótese era que certas formas verbais, perifrásticas e infinitivas, fossem mais favoráveis à ausência de elemento morfossintático indicativo de concordância com a voz passiva sintética, como procedimento linguístico de equilíbrio das tarefas de codificação, em termos de redução de esforço, segundo o princípio de expressividade (DU BOIS & VOTRE, 2012). Dentre os gêneros textuais, consideramos ser a notícia o mais permissivo quanto à entrada da variante sem a realização da concordância verbal, com base no princípio da

marcação (GIVÓN, 1995), segundo o qual formas menos marcadas tendem a ocorrer em

Por outro lado, outros grupos de fatores, mesmo não selecionados como significativos para a ausência da marca explícita de plural com a voz passiva sintética, também despertam nossa atenção, no caso: traço semântico [+ ação] do verbo, estatuto informacional

do sintagma nominal [+ novo], o que traz à tona novamente a problematização da natureza

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