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K ONKLUSJON

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DEL 7.0: KONKLUSJON

7.1 K ONKLUSJON

Como tentativa de nos pautarmos em métodos objetivos e de constituirmos um banco de dados confiável, matéria-prima imprescindível a qualquer estudo variacionista, replicamos aqui também, em nosso trabalho, alguns dos critérios de delimitação que Vieira (2014) adotou para o desenvolvimento de sua pesquisa.

a) Editorias

As editorias foram selecionadas de acordo com a natureza dos textos nelas encontrada. De um lado, estão os textos teoricamente argumentativos, subjetivos, em outras palavras, opinativos; de outro, os textos de natureza mais expositiva, de linguagem mais objetiva, por assim dizer, noticiosos (MARCUSCHI, 2002). Assim, podemos entender que esses tipos textuais fazem relação direta com os gêneros textuais editorial, artigo de opinião e

notícia. Quanto à divisão das editorias dos jornais, temos: O Povo: a) Opinião; b) Artigos; c)

Economia; Diário do Nordeste: a) Opinião; b) Ideias; c) Negócios. No quadro abaixo, apresentamos uma síntese da correlação entre editorias e gêneros textuais nesses jornais:

Quadro 1: Relação entre editorias e gêneros textuais

JORNAIS EDITORIA/ GÊNERO TEXTUAL O Povo Opinião/ Editorial Artigos/ Artigo de Opinião Economia/ Notícia Diário do Nordeste Opinião/ Editorial Ideias/ Artigo de Opinião Negócios/ Notícia Fonte: próprio autor.

Os gêneros textuais caracterizam-se pela materialização dos textos em situações comunicativas, variando de acordo com a sua funcionalidade. De fato, alguns são mais formais e se tornam instrumento do domínio de atividades de linguagem, que precisam ser apoiados em gêneros escritos, mais monitorados, e outros menos formais, indicando situações de comunicação corriqueiras, menos monitoradas. E esse espectro contínuo nos gêneros pode estar relacionado ao emprego das variantes linguísticas no fenômeno a ser investigado, uma vez que é possível tratar da variabilidade da língua de acordo com os contextos de uso. “Uma consequência natural do interesse pela variação e pela implementação da mudança foi o

surgimento de questões acerca da forma como novas variantes detectadas na fala são incorporadas pela escrita”. (PAIVA; PAREDES SILVA, 2012, p. 741).

Segundo Bagno (2011), uma das formas para detectar a instalação de uma inovação linguística é analisando seu avanço gradual desde os gêneros orais menos monitorados até os gêneros escritos mais monitorados. Em nossa pesquisa, escolhemos a escrita monitorada, representada por gêneros do domínio jornalístico, pois acreditamos que “a natureza mais conservadora da escrita não impede que formas mais próprias da modalidade oral encontrem guarida nos textos escritos, mesmo naqueles de maior formalidade” (PAIVA; PAREDES SILVA, 2012, p. 751). Para tanto, selecionamos os gêneros editorial, artigo de opinião e

notícia, supostamente mais formais, sem que isso obste, em nosso entendimento, haver filtros

normativos operando de forma diferenciada em cada gênero, conforme o continuum apresentado por Marcuschi (2001):

Figura 1: Representação do continuum dos gêneros textuais.

Fonte: Marcuschi (2001)

Como podemos observar na figura acima, é possível considerar um continuum de gêneros textuais que se estende do mais falado ao mais escrito e, ao mesmo tempo, é atravessado por uma escala de monitoramento estilístico, pela qual podemos inferir, por exemplo, que o

editorial tende a figurar como gênero mais monitorado (dentre os contemplados nesta

linguísticas, em comparação ao gênero notícia, mais próximo da fala e supostamente menos monitorado, o que certamente pode implicar o uso mais ou menos frequente de uma ou outra variante de nosso fenômeno, ou em termos funcionalistas, formas mais marcadas ou menos marcadas.

b) Volume de palavras

Percebemos que, em cada jornal, a quantidade de textos disponíveis em cada editoria é diferente. Por exemplo, em cada edição, a editoria Opinião, do Diário do Nordeste, apresenta um texto de editorial e dois textos de artigos de opinião, o que pode acarretar resultados enviesados em relação ao grupo de fatores extralinguísticos. Para estabelecer uma equiparação mais razoável, em decorrência da “confiabilidade dos dados” no procedimento de coleta, consideramos o volume de palavras por texto, de cada jornal, totalizando uma média de 600 palavras.

c) Conteúdo utilizado

Nos dois jornais, utilizamos todo o conteúdo textual disponível nas duas editorias com as quais trabalhamos, o que inclui, além do texto das matérias, temas, títulos, subtítulos, legendas de fotos, colunas etc. Ressaltamos que, em caso de texto repetido, os dados só foram codificados uma vez. Trata-se de uma tática comum que ocorre, por exemplo, quando um trecho do texto é destacado da matéria com o objetivo de chamar atenção do leitor.

d) Autoria

Para os fins de nossa pesquisa, consideramos imprescindível trabalhar com textos genuinamente cearenses. Aparentemente parece ser um recorte metodológico simples, porém requer alguns cuidados. Acontece que muitos jornais compartilham matérias entre si, por isso o fato de um texto estar publicado em um jornal não significa necessariamente que ele tenha sido escrito por um jornalista desse periódico. Conforme alerta Vieira (2014, p. 61), “os jornais locais têm autorização para reproduzir colunas publicadas em jornais de circulação nacional. A autorização de reprodução pode ser devido à compra da coluna, ou por uma parceria entre os jornais ou, ainda, por pertencerem ao mesmo grupo”. Assim, a autora afirma que matérias sem assinatura podem ter sido escritas pelos repórteres dos jornais, como é o esperado, mas também

podem ter sido reproduzidas de agências de notícias, de jornais de abrangência nacional, de grandes portais de notícia. Por essa razão, alguns cuidados foram tomados para um melhor recorte do nosso fenômeno:

1) Conteúdo local:

Como forma de colaborar na identificação de textos cuja produção é cearense, optamos por escolher aqueles que tratam de assunto local, relacionado diretamente com o Ceará. Entretanto, seria ingenuidade de nossa parte levarmos apenas isso em conta. O fato é que encontramos muitos textos assinados, sobretudo nas notícias e nos artigos de opinião, e isso de certa forma nos ajudou, pois, no caso de dúvida, lançamos mão de ferramenta de busca na internet a fim de verificar a procedência de textos não escritos por jornalistas cearenses.

2) Conteúdo descartado:

Foram dispensados de nossa coleta textos que fazem parte de colunas assinadas por jornalistas reconhecidamente não cearenses, como é o caso, por exemplo, da jornalista Miriam Leitão, que faz parte do grupo empresarial Globo e que tem uma coluna diária na editoria

Negócios, do jornal Diário do Nordeste. Em consonância com os objetivos deste trabalho, é

justificável, portanto, a desconsideração de seu conteúdo.

Em síntese, foi necessário adotar algumas restrições para uma coleta de dados que, em nosso entendimento, não enviesasse o registro do fenômeno linguístico em estudo. Dentre esses recortes, privilegiamos os conteúdos locais, restringimos a autoria e delimitamos o

volume de palavras de cada texto jornalístico.

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