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5 ANALYSE OG DRØFTING

5.7 M ARKEDSORIENTERING

No extremo norte da Sabana, entre Chia, Cota e Guaymaral, o rio Bogotá encontra-se encaixado em um vale de drenagem relativamente estreito que dificultava o seu trasbordamento, mas o alto nível do lençol freático produzia encharcamentos sazonais, razão pela qual encontramos ao longo deste espaço camellones em xadrez... e casas, muitas casas dispersas, ou nucleadas, na planície. Os locais de moradia deviam ficar assentados sobre plataformas elevadas, tal como os camellones de cultivo, para evitar serem atingidas pelas águas. No mapa da

distribuição do material cultural encontrado por Boada se observam aglomerações que sugerem aldeias nucleadas, sobretudo junto da colina de Suba, a serra El Majuy, e na várzea do rio Bogotá, e assentamentos dispersos ao longo da planície que poderiam corresponder a unidades sociais como as Sybyn ou Uta.

Na planície de Cota não se registraram cultivos pertencentes ao sistema hidráulico como explicado na seção 3.2.2.1, no entanto, em um documento de 1657, sobre litígio de terras entre os indígenas da reserva de Cota e o senhor Diego Larrota, há uma descrição muito detalhada daquilo que na altura havia na planície de Cota, que revela que tudo estava preenchido com roças pertencentes aos indígenas, sendo ainda perceptível uma organização social do espaço baseada nas antigas hierarquias, tendo a Cacica e os capitães Cascachia, Subchoque, Tibio e Chipo suas casas e cultivos bem delimitados. Na visita feita pelo administrador colonial para medir as terras do resguardo, se descreveram seis chácaras de milho e batata ao norte de Cota, no sopé da colina, em um sitio chamado casquan, que pertenciam a quatro pessoas que faziam parte das capitanías mencionadas antes. Na direção da vila de Cota, o administrador colonial assinalou a presença de um curral de vacas e as chácaras da Cacica, Dona Juana, e mais para frente sua morada que consistia em duas casas redondas, onde vivia com seus filhos.

No processo judicial também se incluiu um documento de uma visita anterior para estabelecer os limites do resguardo, que data de 1594. Nele se disse que o Ouvidor Ibarra saiu de Cota, em direção ao sul, onde se constatou a existência de culturas dos indígenas, tanto na planície, ao lado do rio Bogotá, como no sopé da serra El Majuy. No extremo sul desta colina também se encontrou grande quantidade de cultivos. Os indígenas disseram que ali ficava a antiga vila50 do Capitán Tíbio, e um pouco mais para frente estava também a antiga vila do Capitán Subchoque, onde se confirmou haver quatro habitações e “muitas” chácaras cultivadas pelos indígenas que moravam em Cota. Ali mesmo ainda morava o Capitán Subchoque (Índios de Cota..., AGI, 1657).

Na descrição se evidencia como os indígenas moravam dispersos, tendo em geral sua casa junto dos cultivos. Em duas ocasiões os indígenas dizem morar em Cota, mas terem suas roças na planície. Provavelmente eles antes moravam nas vilas dos capitães, tendo também casas junto de suas roças, sendo obrigados no período colonial a instalarem-se em Cota, já que este município,

tal como todos os outros que existem hoje na Sabana, foi fundado pelos espanhóis para concentrar os indígenas em um único espaço urbano e garantir seu controle social. Estas informações encaixam com o abundante material cultural encontrado nesta planície e mostram que, se um século após a Conquista ainda os campos estavam semeados de milho e batata em grande quantidade, no período pré-hispânico sem dúvida que o panorama devia ser ainda melhor.

Segundo a informação do documento, poderíamos concluir que as duas aglomerações de assentamentos no extremo da serra El Majuy pertenceriam às parcialidades de Tíbio e Subchoque, mas estão tão próximas que quase parece um povoamento contínuo. No documento se fala que estas capitanias ficavam em um ponto onde o rio faz uma volta alargando-se: “[...] y desde allí un poco más adelante vido cantidad de labranzas de indios que por allí hace una vuelta el rio y se ensancha... y los indios dijeron aquel sitio ser la población vieja del capitán Tibío[…]”. De fato, defronte à ponta da colina há um sitio chamado Vuelta Grande, que coincidiria com esta descrição, onde, aliás, se encontrou um pequeno grupo de camellones em xadrez junto da várzea do paleo-rio Chicú.

O sistema de manejo da água é visível na ampla presença de assentamentos na várzea do rio Bogotá, na margem leste, que condiz com a grande extensão de camellones em xadrez nesta área (Vide fig. 43). Com certeza os assentamentos deviam estar sobre plataformas elevadas do solo para protegê-los da água, talvez em camellones irregulares, já que estes às vezes assumem formas ovais ou semi-retangulares onde se poderiam instalar habitações (Vide um exemplo na parte superior esquerda do meandro El Say, no lado convexo, fig 29.)

No mapa da fig. 43 é claramente visível como a área onde a várzea se amplia em Tibabuyes-Chicú, não há evidências de material cultural que possa sugerir a existência de assentamentos. Isto coincide com nossa interpretação do sistema hidráulico, no sentido que esta devia ser uma área de mitigação, destinada a ficar inundada nos períodos das enchentes. Também um pouco mais para o norte, defronte a Cota, a várzea se alarga alguns metros, sofrendo inundações sazonais. Neste ponto há evidencias de camellones mas não de locais de habitação. No entanto, ao longo do limite do terraço, Boada (2006) encontrou abundante material cultural que poderia corresponder aos assentamentos das pessoas que tratavam dos camellones da várzea.

Ao longo do rio Juan Amarillo não temos informações arqueológicas que possam indicar se os Muiscas se instalaram aí. O crescimento urbano de Bogotá ocupou cada metro quadrado de terra disponível nesta zona, de maneira que se torna impossível realizar um registro sistemático.

No entanto, há dois relatórios de escavações em assentamentos pré-hispânicos encontrados na colina de Suba, um de Silva Celis em 1968, que não foi publicado, mas cujos resultados foram referenciados por O’Neil, e um outro do próprio O’Neil (1972). Trata-se de quatro terraços artificiais construídos no sopé da ponta sul da colina defronte ao rio Juan Amarillo. Estes grupos deviam cultivar e manter os camellones que existam na várzea do rio Juan Amarillo.

Fig. 43. Registro regional sistemático na zona norte da Sabana. A vermelho: distribuição do material cultural do Muisca Tardío. Adaptado de: Boada, 2006.