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KAPITTEL 4: MØTET MED PRAKSISFELTET

4.2 Møtet, relasjonen og det gode øyeblikket

O conceito de rede de empresas refere-se a arranjos interorganizacionais baseados em vínculos sistemáticos, formais ou informais, de empresas autônomas. Através de aquisição de parte do capital nascem alianças estratégicas, terceirização de funções secundárias de uma

empresa, entre outras. Podem estar relacionadas a diferentes elos da cadeia de produção assim como a diferentes dimensões espaciais, a partir das quais se conformam redes locais, regionais, nacionais ou supranacionais. Assim, constituem-se em uma forma organizacional de interação entre os agentes comerciais, financeiros, de ensino e pesquisa, entre outros (LASTRES e CASSIOLATO, 2003).

Segundo os autores: Vale, Amâncio e Lima (2006), a busca de competitividade transformou- se, em um mundo globalizado, na grande força motriz das empresas e das economias nacionais. Altera-se nesse contexto, inclusive, o próprio sentido de competitividade, antes focado na dimensão empresarial e estática, para abarcar toda uma dinâmica de construção de espaços produtivos e redes organizacionais, em que a competição não ocorre apenas entre as empresas, mas também entre territórios. Regiões vencedoras no mundo vêm demonstrando a importância de fatores como especialização produtiva, aprendizado baseado na interação entre diferentes empresas e instituições, capacidade de cooperação, esforço coletivo para inovação, qualidade da mão de obra, ambientes econômico, social e cultural favoráveis, entre outros. A integração de empresas em rede parece repercutir diretamente no desempenho empresarial. Ao mesmo tempo, a natureza, a intensidade e a qualidade das redes existentes e suas interconexões em um determinado território parecem constituir fatores diferenciados no processo de desenvolvimento local.

O ambiente atual vem sendo pontuado por grande proliferação de novos modelos e sistemas produtivos, caracterizados em geral por forte ênfase na integração e na cooperação entre os atores econômicos e sociais distintos e na localização espacial. É o caso, por exemplo, dos sistemas regionais de inovação, regiões inteligentes, ambientes inovadores (milieux

De particular interesse tem sido as experiências bem sucedidas dos distritos industriais da Itália ou da Alemanha (VALE; AMÂNCIO; LIMA, 2006). Os autores informam ainda que, em todos os modelos, citados existe uma lógica de aglutinação de empresas e instituições, gerando conexões e redes. Esses novos tipos de relações interorganizacionais têm sido muito explorados na literatura das organizações nos últimos 20 anos. O termo ‘rede’ é utilizado, dentro do escopo deste trabalho, para designar uma forma particular de associação, de natureza horizontal, que reúne, voluntariamente, atores diversos, que interagem entre si, de maneira sistemática, compartilhando em maior ou menor grau certos valores comuns, e implantando conjuntamente, estratégias de interesse coletivo, visando algum ganho sócio- econômico (para empresas, setores e comunidades). Concluem que a busca por cooperação vem sendo utilizada para solucionar vários tipos de impasse, seja no contexto social, seja no empresarial. A criação e gestão de redes organizacionais pressupõem a necessidade de interação entre seus membros e a habilidade de construção coletiva. Para isso, é fundamental a confiança mútua, que caracteriza a presença de capital social.

Passador (2005) afirma que para assegurar um esperado aumento de produtividade e competitividade percebe-se, implicitamente, o conceito de rede que, na área das relações interpessoais, é considerada como o conjunto de interações informais que o indivíduo estabelece com outros indivíduos, envolvendo tanto as interações que visam trocas afetivas, quanto as que visam trocas profissionais, de informação e de ajuda mútua, entre outras. As relações podem originar de interesses comuns ou do fato das pessoas pertencerem à mesma localidade, grupo ou instituição.

Na área de estudos dos movimentos sociais, são geralmente utilizadas as expressões “redes de movimento”, “redes sociais” e “redes de solidariedade”. Aqui as redes referem-se às

articulações, formais ou informais, entre indivíduos, grupos ou organizações da sociedade civil que visam a realizar reivindicações, trocar experiências e informações, somar recursos, formular projetos e promover ações públicas, em geral (PASSADOR, 2005).

Silva (2005) ressalta a importância que as redes de cooperação têm para o desenvolvimento econômico e social de um país, bem como para a valorização das MPME como agentes desse desenvolvimento e afirma que essa contribuição é mais significativa e com maior alcance econômico e social quando conta com o apoio de órgãos públicos, não apenas financeiro ou tributário, mas também com assessoria técnica e administrativa e facilidades de acesso e de incorporação de novas tecnologias.

Com base nas experiências internacionais positivas no tocante às redes de cooperação: caso japonês e italiano, no pós-guerra - e graças à pressão do empresariado nacional, têm sido formuladas políticas governamentais de apoio e incentivo à cooperação e ao associativismo. No setor público o impulso maior ocorreu quando o MDIC elaborou, em final de 1999, uma nova política industrial e de comércio exterior (SILVA, 2005). Mais recentemente, conforme discorrido na introdução desse trabalho, outro grande impulso às MPME e seus aglomerados foi a elaboração do PPA 2004 – 2007 com a inclusão do tema: apoio aos arranjos produtivos locais, uma forma de associação em rede.

O relacionamento entre empresas, pequenas ou grandes, supõe competição e cooperação (SILVA, 2005). Para criação de cooperação entre organizações é necessário haver confiança previamente entre elas e a partir de então o indivíduo passa a agir em função do coletivo e não estritamente de interesses próprios (ABRAMOVAY, 2001). A cooperação reflete uma relação do tipo ganha - ganha (VALE, AMÂNCIO e LIMA, 2006).

Além dessa necessidade de cooperação entre indivíduos para existência de capital social, é necessário também considerar a confiança entre eles para que assim grupos e organizações da sociedade civil realizem ações de âmbito comum, aumentando assim o bem-estar de todos os envolvidos. A função articuladora da intervenção numa comunidade via APL visa catalisar relações inter organizacionais, produtivas, comerciais e financeiras. O nascimento de sistemas de cooperação, como movimento orientado no sentido botton up são aqueles com base na legitimidade, sem a qual não há rede (FUKUYAMA, 1988). Ciente dessa característica as duas metodologias articuladoras, da FIESP e do MDIC, prevêem que deverá ser iniciativa aceita e protagonizada pelos membros do grupo.

As redes de cooperação, baseadas em cooperação e confiança, são o embrião para a iniciativa associativista de empresários com interesses comuns; pois se formalizaria uma entidade juridicamente estabelecida que permitisse a realização de ações conjuntas; facilitando a solução de problemas comuns e viabilizando novas oportunidades (SILVA, 2005).

Os autores Casarotto Filho e Pires (2001) informam que as MPME possuem dificuldades ou maiores limitações para competirem isoladamente; justificando-se, assim, sua aglomeração com vistas à obtenção de maior grau de competitividade no setor em que atuam ou para competirem regionalmente por novos mercados. Discorrem, também, os autores sobre dois tipos de rede: 1) a ‘top-down’, na qual a pequena empresa pode tornar-se fornecedora de uma empresa-mãe ou, mais comumente, uma subfornecedora; altamente dependente das estratégias da empresa mãe; e 2) a flexível, de pequenas empresas; unidas por consórcio com objetivos específicos. O modelo de rede ‘top-down’, ou modelo japonês, caracteriza-se pela união de todas as pequenas empresas atrás de uma liderança, sincronização das atividades, negação das divergências e impedimento de conflitos (CASAROTTO FILHO e PIRES,

2001).

Sobre esse mesmo assunto, Silva (2005) explica que os arranjos japoneses baseiam-se na interação estratégica e alinhamento de três formas básicas de organização industrial: a fábrica, a empresa e a rede interempresarial; e são classificados em três tipos:

(1) os agrupamentos horizontais de companhias de diferentes indústrias e setores que os japoneses denominam de ‘kijo shudam’ ou ‘zaibatsu ‘(como é o caso da Mitsubishi); (2) os agrupamentos verticais, os ‘keiretsu’, dominados por uma empresa com suas fornecedoras (como exemplo a Toyota); e (3) os agrupamentos ‘ad hoc’, em que empresas participam de um arranjo temporário de atividades, com duração limitada, como em determinados projetos incentivados pelo governo ou mesmo por iniciativa de associações empresariais (SILVA, 2005, p. 128)

O outro modelo de rede, denominado flexível, segundo Casarotto Filho e Pires (2001) é baseado em cooperação. E, cooperação e confiança são embriões de qualquer iniciativa associativista (SILVA, 2005).