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10.3 Målepunkter, testkretser og innstilling av kretsen
Querido Pedro,
Eu fiquei super contente como nosso encontro no Shopping mas ainda estou com saudades.
Estou em plena aula de Sociologia e me deu uma enorme vontade de escrever.
Quero que você nunca esqueça que você é muito importante e especial para mim.
Você é o meu melhor amigo.
Estou fazendo o melhor possível nos ensaios para que você se orgulhe de mim. Estou dando o máximo.
Não se esqueça, dia 20.
Gostaria se possível, que você ligasse para mim falando que horas mais ou menos você vai estar no Ane Teatro.
Beijos,
Chapeuzinho Vermelho
P.S. Acho que você tem meu telefone mas aí está15
Em ambos os textos, a remetente busca intimidade com o autor, através de expressões e léxico informal: “Olá, Pedro”, “Querido Pedro”, “quadrados”, “super difícil”, “super contente”, “você”, se despede desejando “Felicidades” e enviando “Beijos” e, por fim assina com os pseudônimos “Lulubrint” e “Chapeuzinho Vermelho”, fornecendo ainda seu telefone.
Também o Post Scriptium é essencial para evidenciar a proximidade, visto que as cartas são finalizadas sempre solicitando ao autor que entre em contato ou assinalando que a remetente fará novo contato, o que a caracteriza como leitora-fã.
A leitora-fã revela traços institucionais ao relatar uma atividade didática promovida pela escola a de realizar encontros com autores - “Depois que você saiu da nossa sala” e ao contar que haverá uma encenação do livro Feiurinha – “Vou representar o Chapeuzinho na peça que iremos encenar [...]” – ambas as atividades, possivelmente, objetivem incentivar os alunos à leitura.
CARTA PB IX
São José dos Campos, 13 de novembro de 1988. Caro Pedro,
Foi uma emoção enorme ter feito a adaptação de Feiurinha.
Foram momentos, para a gente, de união, outros de discussão, momentos felizes e até de esquecimentos de coisas que a gente passa com as amigas (não suportá-las).
Mas tudo bem e foi tudo bem, com a graça de Deus.
Ah! No nervosismo todo e naquela agitação toda de que tudo esteja perfeito, esqueci meu livro em casa e nem lembrei de pedir emprestado uma folha para você me dar seu autógrafo. Fiquei tão triste e ao mesmo tempo arrependida de não ter pedido nada, que tive vontade de me matar, mas agora lhe peço seu autógrafo. Olhe bem caprichado, hein!
Mande um beijão para sua filha, ela é uma gracinha, fiquei muito contente de tê-la conhecido. Foi um prazer enorme!
Schumac! pra ela!
Desculpe não ter escrito antes pra você porque não tive tempo de escrever direitinho do jeitinho que eu queria, a primeira carta que escrevi foi um fracasso e só agora que ficou melhorzinha.
Bem, vou terminando, espero que nós nos encontremos novamente, que para mim vai ser uma grande emoção.
Sabe, vou contar um segredinho, estou ficando com saudades daquele dia, o cine – teatro, as meninas nervosas, o cenário, as crianças, o filmador e em especial você. Você é quem nos deu forças naquele dia. Obrigada!
Bem, não esqueça do meu autógrafo e de mandar um schumac para sua filha, viu?
Pedro estou mandando uma folha solta para que nela você me dê seu autógrafo, uma cheio de coisinha, uma menininha, uma frase em baixo etc. Certo?
Shumaca pra você! ou senhor?
Há, Há, Há! Beijos mil de, (Princesa Bela-Fera)
P.S: Pedro, me diga o que você vai fazer com os nosso nomes? Estou curiosa! Ah! sabia que fomos convidadas para fazer novamente a apresentação? Depois eu contarei com mais detalhes pra você! Tá?16 No papel utilizado para a escrita do texto PEB V, a remetente desenhou duas vezes uma boca com “tracinhos” representando o estalar da boca, ou seja, um beijo, ou um “schumac”, como onomatopaicamente descrito pela leitora. Também, observamos que ela fez uma espécie de nuvem em volta da palavra “você”, referindo-se ao autor.
Imagens da carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 18SJC8- Pasta 23
Há no texto várias expressões da oralidade ─ “Ah!”, “hein”, “Tá” , “pra” ─ e ainda a reprodução do som do beijo “schumac” e da risada “Há, Há, Há” ─ com letra maiúscula, possivelmente, representando o tom alto da risada. O uso do parêntese parece confidenciar algo ─ “(não suportá-las)” e “(Princesa Bela-Fera)”.
A informalidade prevalece na construção do texto: “Caro Pedro”, no emprego do pronome “você”, no uso do imperativo denotando pedido e ironia ─ “Olhe bem caprichado, hein!”, “Mande um beijão par sua filha”, “Desculpe não ter escrito antes [...]”, “[...] não esqueça do meu autógrafo”─.
A nossa hipótese é que todos estes recursos tenham sido usados para que o destinatário ─ o autor ─ crie a imagem da remetente como alguém que pertença a sua intimidade e assim se estabeleça um vínculo, através da possível troca de cartas.
O Post Scriptum é também um recurso para o estabelecimento da proximidade, pois sugere expectativa, ou talvez, a obrigatoriedade de uma resposta: “P.S: Pedro, me diga o que
você vai fazer com os nosso nomes? Estou curiosa! Ah! sabia que fomos convidadas para fazer novamente a apresentação? Depois eu contarei com mais detalhes pra você! Tá?”
Embora a remetente não tenha explicitado o local da realização do teatro, tampouco quem foram os responsáveis pela organização do mesmo, acreditamos que tenha sido promovido pela escola e revele uma prática escolar de incentivo à leitura. É possível imaginar que o livro de Pedro Bandeira tenha sido adaptado para teatro e que ele assistiu à representação, ou seja, esta carta documenta práticas de leitura vigentes em escolas ─ 25 anos atrás ─ com a participação do escritor.
A nossa hipótese se pauta em relatos de alguns leitores, sobre a participação do autor em eventos promovidos por escolas ─ “O livro foi recomendado para leitura extra-classe no meu colégio, onde você já esteve fazendo uma palestra sobre o seu trabalho de escritor, o Colégio do Carmo”17.
CARTA PB X
São José dos Campos, 19 de julho de 1989 Oi , Pedro!
Como vai?
Já que você sugeriu, eu li “Agora estou sozinha”. Adorei.
O suspense final, o romance, tudo me prendeu ao livro desde o começo até o final.
A Telmah me emocionou muito, pelo seu modo de pensar, de agir, de amar Filhinha e Tiago.
O modo como Telmah planejou sua vingança foi incrível!
Bom... só posso dizer agora que lerei todos os livros que me recomendou. Um beijo18
CARTA PB XI
São José dos Campos, 06 de setembro de 1989 Caro Pedro Bandeira,
Suponho que esteja muito ocupado pois, não respondeu a minha última carta (coisa que nunca fez antes). Mas tudo bem, eu escrevo.
Em minha última carta eu disse como tinha adorado “E agora estou sozinha...” Esse livro foi um dos melhores que eu já li. Quando se começa a ler, não consegue parar mais. É super legal!
Eu na verdade estou lhe escrevendo para fazer um convite, uma Feira de Livros da minha escola. Minha professora de Redação, Laís nos pediu para escrever um livro. Nós já escrevemos os livros e, aos poucos, a professora corrige e nos entrega para que possamos bater à máquina e encadernar. Então ela nos pediu para escrevermos pros autores convidando-os para feira. Como você me disse, uma vez, (no cartão de natal) que já tinha vindo ao Olavo Bilac muitas vezes, pensei que pudesse vir de novo. A Feira de Ciências acontecerá na primeira semana de outubro (acho que de quinta à sábado) e se quiser comparecer, peço que entre em contato com a escola:
17Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 12San6 – Pasta 23 18 Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 18SJC4- Pasta 23
Bom..., mesmo que não venha, me escreva. Obrigada!
Com carinho 19
Notamos que, no texto PB X, a remetente obedece à estrutura convencional de uma carta, porém apresenta linguagem informal, evidente na saudação “Oi, Pedro”, na despedida “Um beijo!” e no emprego do pronome “você”.
A leitora revela que já havia troca de cartas com o autor, uma vez que inicia o texto sem a menor formalidade e rodeios: “Já que você sugeriu, eu li “Agora estou sozinha”. Adorei.” Acreditamos que o principal objetivo da escrita da carta é o de criar maior proximidade com o autor, para tanto, a leitora utiliza uma linguagem informal e descreve suas principais impressões sobre o livro lido.
No texto PB XI, a leitora revela que está produzindo um livro, porém diferentemente dos outros remetentes que se caracterizam como escritores já com textos prontos, alguns deles com indicações para publicação de amigos e parentes ─ “Muitos que leram meus escritos elogiaram-me e aconselharam-me a publicar”20, “[...] minha ex professora disse que eu teria
capacidade de fazer a minha e disse também quem sabe mais cedo ou mais tarde ela estará lendo um livro publicado por mim”21, “Muitas pessoas me perguntam porque não publico um
livro”22, “É possível uma garota (como eu) publicar um livro?”23 e com dúvidas de como
fazer para se tornarem escritores: “O que é necessário para que uma pessoa descreva sua autobiografia”24, “[...] creio que possa me ajudar encaminhando-me à alguma editora”─.
Esta remetente relata ao autor uma prática escolar, na qual o professor solicita a escrita de um texto ─ “Minha professora de Redação, Laís nos pediu para escrever um livro [...] Então ela nos pediu para escrevermos pros autores [...]”─. O que revela traços institucionais, pois a escrita da carta como a leitora revela: “Eu, na verdade estou escrevendo para fazer um convite, uma Feira de Livros da minha escola”, está relacionada a um evento escolar.
A leitora infanto-juvenil fã não apresenta a mesma formalidade dos leitores-escritores ao elaborar seu texto, pois logo no primeiro parágrafo, procura demonstrar intimidade com o
19Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 18SJC5- Pasta 23 20Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura” – 20SPa2- Pasta 23 21 Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 125an8- Pasta 23 22 Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 12San6- Pasta 23 23Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura” – 20SPa2- Pasta 23 24 Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 125an8- Pasta 23
autor ao cobrá-lo: “Suponho que esteja muito ocupado pois, não respondeu a minha última carta (coisa que nunca fez antes). Mas tudo bem, eu escrevo.” Há ressentimento e cobrança nas palavras da leitora, o que fica claro no emprego da expressão entre parênteses “(coisa que nunca fez antes)”, o que sugere intimidade e quebra de formalidade na escrita do texto.
Acreditamos que isto se dá por dois sentidos construídos: o primeiro é porque a leitora não constrói uma máscara de uma autora propriamente dita, pois não escreve o livro porque tem aptidão ou gosta, mas sim, por uma solicitação de sua professora. O segundo é que já se correspondia com Pedro Bandeira, o que gera uma quebra da formalidade, uma vez que se estabelece certo grau de intimidade.
CARTA PB XII
São José do Rio Preto, 19 de março de 1991. Querido amigo Pedro,
E aí, tudo bem? Aqui está tudo ótimo.
Quanto tempo eu não te escrevo, né?
Sabe, estou te escrevendo para lhe falar que ADOREI “A marca de uma lágrima”.
É muito lindo esse livro. Gostei muito dele, de verdade.
Pra você ver, eu o li em 2 dias, porque quanto mais eu lia, não conseguia parar, pois queria saber o que ia acontecer.
Chorei bastante também. Sou muito sentimental. Sabe, aprendi bastante com esse livro.
Pedro, eu morro de vontade de escrever um livro, até tenho uma idéia, mas na hora de passar pro papel fica muito difícil, e eu já o tentei.
Eu gosto muito de ler os seus livros. Todos eles me dão uma mensagem muito boa e bonita. De todos eles, os que eu mais gostei foram:
-A marca de uma lágrima, -Agora estou sozinha, -Pântano de Sangue, e -A droga da Obediência.
Sabe, sou muito romântica, e acho que é por isso que eu gostei muito de “A marca de uma lágrima”.
Bom, é isso que eu queria te falar. Um beijo e um abraço.
Estou na 8ª série e tenho 13 anos.
OBS: A 1ª vez que te escrevi estava na 2ª série.25
A remetente utiliza a estratégia da “presentificação”, pois utiliza muitos elementos da oralidade em sua produção ─ “E aí, tudo bem?”, “Quanto tempo eu não te escrevo, né?”, “Pra você ver”, “Sabe”, “pro papel”, “Bom” ─. Com a utilização de todos esses elementos e a devida pontuação, o efeito de sentido pretendido parece ser que o autor a veja ou sinta como alguém bem próximo.
A informalidade é mantida do início ao fim da carta ─ “Querido amigo Pedro”, “Um beijo e um abraço”─. A observação destacada no final do texto revela que a remetente é uma leitora-fã de longos anos ─“A 1ª vez que te escrevi estava na 2ª série”─, acreditamos que este seja o motivo pelo qual a remetente se apresente com tanta intimidade.
A leitora-fã confessa ao autor: “Pedro, eu morro de vontade de escrever um livro, até tenho uma idéia, mas na hora de passar pro papel fica muito difícil, e eu já o tentei”, ao revelar seu desejo, parece-nos que, implicitamente, pede ajuda ao autor e nos aponta à mestiçagem da categoria, ou seja, além de fã também possui característica de escritora.
No final do texto, a remetente avisa ─ “Estou na 8ª série e tenho 13 anos” ─, o que nos remete a seu nível de escolaridade, ou seja, à instituição escolar. A leitora poderia ter escrito sou filha do fulano e de ciclano, ou meu time preferido é o Corinthians ou São Paulo, por que não escreveu? Possivelmente, porque acredite que esta é a informação que interesse ao autor, ou para informá-lo que o acesso aos livros aconteça via escola.
Se nossa hipótese estiver correta, detectamos mais uma prática escolar de leitura e consequentemente de escrita, uma vez que o contato com os livros promoveram o desejo de enviar uma carta ao autor.
CARTA PB XIII
Niterói, 26 de maio de 1991 Pedro,
Se você não se lembra mais de mim, eu lhe escrevi uma carta sobre o livro “O mistério da Fábrica de Livros”. Há, adorei a carta que você me mandou. Os poucos livros que li, adorei, eles são: “Anjos da Morte, O Fantástico Mistério de Feiurinha e A Droga da Obediência.”
Pedro, já faz mais ou menos 2 semanas que li esses 3 livros. Lí apenas esses 3 livros, porque apenas esses 3 livros tinhão na biblioteca de meu colégio, e a bibliotecária me disse que iria comprar os outros da listinha que você me mandou.
Pedro, sempre quis ter um ídulo, e esse ídulo não é XUXA, Tom Cruiz... Esse ídulo é você.
Pedro, fiquei apaixonada por esses poucos livros que li e pela capacidade de sua inteligência e criatividade.
E você como meu ídulo, não tenho foto, poster, autografo nem nada. Mas também não preciso, porque você já está no meu coração. E você estando no meu coração, já me traz um emoção tão grande que você nem pode imaginar. Mande um beijo pra todo o pessoal da gráfica editora conburg.
E uma BEIJOCA. Principalmente para VOCÊ. Me escreva26_
Imagens da carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 5SRo1- Pasta 23
Destacamos a assinatura da remetente que aparece em letras douradas nas duas páginas da carta, o que transgride a estrutura do gênero textual, pois a assinatura, geralmente, é colocada, apenas, ao final da carta. Acreditamos que esta assinatura singulariza a carta e ao destacá-la, em letras douradas, salienta a importância de a remetente ser lembrada ou não ser esquecida.
A leitora infanto-juvenil comete vários erros ortográficos e gramaticais ─ “tinhão”, “ídulo”, “poster”, “Cruiz” ─ que não são cometidos propositalmente, pois são repetidos e não há indícios nenhum de que a remetente esteja “brincando” com essas palavras, visto que em outros momentos a remetente, evidencia que algumas palavras devem ser lidas de uma maneira especial, através do emprego de letras maiúsculas: “XUXA”, “BEIJOCA” e “VOCÊ”, ou seja, se os deslizes fizessem parte do jogo de palavras com certeza estariam destacados.
Estes desvios não fazem parte da informalidade mantida no texto, a mesma é verificada através do vocativo “Pedro”; do emprego do pronome “você”; da frase “me escreva”, que é uma expressão do dia-a-dia; da despedida “E uma BEIJOCA”, ou seja, os erros nos indicam que não houve correção do professor, o que descarta a possibilidade da
carta fazer parte de uma atividade escolar, mas também denunciam a ineficiência do ensino, já na década de noventa.
Por outro lado, a leitora revela que o seu acesso aos livros se deu por intermédio da escola – “[...] esses 3 tinhão na biblioteca de meu colégio[...]”─ e que possivelmente tenha conhecido as obras do autor por meio da escola, o que revela uma prática escolar relacionada à leitura.
CARTA PB XIV
Santarém, 20 de novembro de 1991
Hoje terminei de ler um livro seu emprestei de uma professora e achei fascinante a história dos Karas onde a ação e o perigo agem junto com a realidade juvenil. Não sei como expressar a emoção que sinto ao escrever para uma pessoa tão bem falado como o senhor.
Escrevo-lhe não só para lhe elogiar mais como para lhe fazer um grande pedido. Sou uma garota de 16 anos, humilde e que vive no mundo da imaginação vivido por personagens de livros, e que através desta carta quero lhe pedir, se possível, que me arrange os seus livros, pois não possuo grandes recursos financeiros para adquirir seus livros.
Queria escrever p/ sua residência porque tenho medo de que não chegue até suas mãos, mais mesmo assim desejo que esta chegue até você e que possa me ajudar.
Estaria muito agradecida se pudesse me ajudar e entender minha situação, não escrevo por escrever é a mais pura realidade. Mesmo que não possa me ajudar queria muito que me escrevesse dando uma resposta ao pedido e também queria lhe considerar um amigo, pois seria um dos maiores orgulhos para mim poder dizer as minhas amigas que me correspondo com “Pedro Bandeira”.
Aqui termino esta pequena carta e deixo desde já os meus agradecimentos, a sua atenção e compreenção.
De uma nova amiga:27
A remetente apesar de fã do autor ─“Não sei como expressar a emoção que sinto ao escrever para uma pessoa tão bem falado como o senhor.” ─, apresenta uma preocupação maior que a de apenas estabelecer um vínculo de amizade/intimidade com o autor; ela tem um outro objetivo que é receber livros: “Escrevo-lhe não só para lhe elogiar mais como para lhe fazer um grande pedido.”
Acreditamos que por isso, talvez de modo inconsciente, ela construa o texto com variação no grau de formalidade, pois ora se dirige ao autor como “senhor”, ora como “você”. Percebemos que a leitora está tão preocupada em fazer o pedido que se esquece da saudação e já começa a construção da máscara de leitora assídua e humilde.
Abaixo a imagem da carta PB XIV:
Imagens da carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 6Str1- Pasta 23
Ao analisarmos o suporte utilizado, à primeira vista, temos a impressão que há certo descuido com a escrita, pois aparecem algumas rasuras, mas a partir de uma observação mais atenta do desenho e de um determinado trecho da carta, parece tentadora a hipótese de que a remetente não refez o texto, pois quis utilizar este papel de carta especificamente:
Escrevo-lhe não só para lhe elogiar mais como para lhe fazer um grande pedido. Sou uma garota de 16 anos, humilde e que vive no mundo da imaginação vivido por personagens de livros, e que através desta carta quero lhe pedir, se possível, que me arrange os seus livros, pois não possuo grandes recursos financeiros para adquirir seus livros.
Observamos que a menina que aparece descrita no texto é praticamente uma reprodução do desenho do papel de carta, visto que nele há uma garota de joelhos no chão com um lápis na mão escrevendo algo em um papel; um detalhe importante é a mão da menina apoiando o rosto, o que nos remete a um momento de reflexão ou de estar no “mundo da imaginação”, conforme a remetente se descreve no texto.
No desenho, verificamos também que a menina escreve sobre uma cadeira de madeira, aparentemente simples, não existe uma mesa para que ela escreva. Logo, os elementos que constituem o desenho: estar de joelhos, pensativa e escrevendo em uma cadeira cria a imagem descrita no texto: “Sou uma garota de 16 anos, humilde e que vive no mundo da imaginação”.
A remetente ao enunciar: “Hoje terminei de ler um livro seu que emprestei de uma