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Målenivået til dataene, og bruk av statistikk

3 Metode

3.4 Målenivået til dataene, og bruk av statistikk

Streiner e Norman (2006) esclarecem que uma vez que foi decidido pelo desenvolvimento de um novo instrumento, uma das fontes possíveis para a obtenção de questões nesse trabalho de construção do novo instrumento são os grupos focais.

Grupos focais usam a interação grupal explicitamente como parte do método. Isso significa que, ao invés do pesquisador ficar perguntando a cada pessoa as perguntas que ele julga pertinente, os participantes são encorajados pelo pesquisador a compartilhar experiências, observações e pontos de vista sobre o tema em estudo. O método é particularmente interessante para que se saiba não somente o que as pessoas pensam sobre determinado tema, mas como e porque elas pensam daquela forma. Algumas vantagens na utilização desse instrumento de coleta de dados dizem respeito ao fato de que essa técnica não discrimina entre pessoas que sabem ou não ler ou escrever, bem como pelo fato de que há a possibilidade de encorajamento de opiniões e de participação de pessoas que se sintam intimidadas quando submetidas a uma entrevista isolada (KITZINGER, 1995).

O grupo focal foi conduzido a partir do roteiro elaborado. Este objetivava apreender o ponto de vista, juízos e relevâncias dos participantes sobre o tema, sendo um instrumento que deveria conduzir o pesquisador em seu trabalho de coleta de dados, possibilitando que os atributos fossem trabalhados em amplitude e profundidade, não sendo um mecanismo que cerceasse a fala dos envolvidos.

Inicialmente foram pré-selecionados diferentes usuários para a participação no grupo focal. Os critérios usados nesse momento foram: ser adultos, de ambos os gêneros, com uma experiência mínima de dois anos de utilização, em tratamento, do serviço de saúde bucal da Prefeitura de Belo Horizonte. Um primeiro contato com cirurgiões-dentistas de dois diferentes centros de saúde, localizados em diferentes distritos sanitários da cidade, possibilitou que uma listagem inicial contendo 18 nomes e contatos telefônicos fosse obtida. Nesse contato os cirurgiões-dentistas foram esclarecidos dos objetivos da pesquisa e foram orientados a indicar usuários que, na sua opinião, tivessem um perfil considerado adequado para essa atividade: além dos critérios de inclusão anteriormente descritos deveriam ser pessoas capazes de contribuir e que tivessem demonstrado, ao longo de sua experiência com o sistema de saúde, uma postura participativa e dinâmica.

No momento do convite, feito por telefone, os usuários foram esclarecidos quanto aos objetivos da pesquisa, como seria a atividade que iriam participar e que teriam suas despesas com transporte ressarcido. O convite foi feito uma semana antes da data agendada para o grupo focal e uma nova ligação foi feita um dia antes, com o objetivo de lembrá-los da atividade que havia sido programada. Após os dois contatos telefônicos terem sido realizados nove pessoas confirmaram que participariam do grupo focal.

O local escolhido para a realização do grupo focal foi a Faculdade de Odontologia da UFMG. Uma sala foi cedida exclusivamente para essa finalidade e apresentava condições adequadas para a atividade: silêncio, espaço, conforto para os participantes. Na data e local combinado compareceram seis pessoas, número que permite que a atividade possa ser desenvolvida. Estes se caracterizavam, em relação ao gênero, por serem cinco mulheres e um homem; em relação à sua procedência, quatro eram de origem de um distrito sanitário e dois de outro; suas idades variavam entre 20 e 60 anos de idade e eram, em sua maioria, trabalhadores assalariados ou donas de casa.

Todos que aceitaram participar dessa etapa do estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da PBH e da UFMG. Foram acomodados em forma de círculo. O gravador, que ocupou o centro desse círculo, foi ligado logo no início do grupo, mediante autorização dos participantes e somente desligado após todos terem se retirado do local. Essa observação permitiu que fossem registradas manifestações que poderiam ser feitas após o término formal do grupo. Foram orientados quanto à sua participação no grupo, como se evitar a sobreposição de falas ou falar sempre em direção ao gravador.

Após a primeira conversa com objetivo de esclarecimentos e de descontração do grupo foi feita a pergunta motivadora: “Como é a chegada, a entrada de vocês no serviço de odontologia do centro de saúde? Como são recebidos?” A seguir o roteiro foi sendo explorado aproveitando-se da conversa estabelecida.

A duração do grupo foi de 120 min. Esse tempo permitiu que todos os temas elencados no roteiro fossem abordados adequadamente sem, no entanto, causar fadiga, desatenção ou dispersão dos participantes. É importante ressaltar que o grupo focal foi caracterizado pela forte interação e debate entre os participantes, com todos se manifestando interessadamente.

Considerou-se que a discussão havia encerrado quando todos os tópicos definidos no roteiro haviam sido contemplados com discussões entre os participantes. Procedeu-se então a um fechamento das atividades, permitindo que cada um se manifestasse livremente sobre os temas que foram abordados. O conteúdo obtido foi transcrito pelo mesmo pesquisador que conduziu o grupo focal. Os dados foram analisados a partir de análise de conteúdo. Inicialmente foi feita leitura flutuante, exaustiva e repetida dos textos. Posteriormente, buscou-se apreender as categorias centrais relatadas (BARDIN, 2007). Todo esse processo foi realizado por dois pesquisadores, simultânea e independentemente e após discussão entre os pesquisadores as categorias foram consensadas.

O grupo focal permitiu afirmar que, na visão dos usuários, a saúde bucal na APS pode ser avaliada a partir de quatro categorias, que foram utilizadas na etapa seguinte, de desenvolvimento dos itens do questionário.