• No results found

148

1 . D EFI N I ÇÃO

A Hem ocult ur a consist e no exam e m icr obiológico do sangue, com vist a à

det ecção de bact er iém ias. O sangue é um líquido est ér il pelo que a

pr esença de bact ér ias em cir culação cor r esponde à exist ência de

bact er iém ia. ( 1- 3)

2 . OBJECTI V OS D O PROCED I M EN TO

Obt enção de am ost r as de sangue sem que se v er ifiquem cont am inações

dur ant e a fase pr é- analít ica do exam e m icr obiológico.

3 . PRI N CI PI OS A CON SI D ERAR

Ver ificar se a r equisição de ex am e m icr obiológico ( Mod. 317- clin) est á

cor r ect am ent e pr eenchida, nom eadam ent e, os cam pos r elacionados com

os fact or es de r isco e ant ibiot er apia. Caso se v er ifiquem não

confor m idades, v alidar com o m édico r equisit ant e.( 2, 4)

Selecionar o m om ent o opor t uno par a a colheit a. A colheit a não deve ser

r ealizada no pico febr il, dev ido a esse m om ent o cor r esponder a um a lise

bact er iana que pode enviesar o exam e m icr obiológico. O m om ent o m ais

adequado cor r esponde à fase de calafr ios e ar r epios que coincide com um a

m aior pr olifer ação bact er iana.( 5, 6)

Consider a- se um a Hem ocult ur a, um v olum e de sangue de 20m l, pelo que

um a Hem ocult ur a cor r esponde a 2 fr ascos. Par a um r esult ado

m icr obiológico m ais fiável, dev em ser sem pr e colhidas 3 Hem ocult ur as

( 60m l ou 6 fr ascos) de locais de punção difer ent es, de m odo a det ect ar

possíveis cont am inações dur ant e o pr ocesso de colheit a.( 4, 5, 7)

Pr ocedim ent o de Enfer m agem ___ Página2/ 8

Cat ét er Venoso Cent r al com o or igem da bact er iém ia.

Quando for em necessár ias colheit as de sangue par a out r os exam es

labor at or iais, as pr im eir as colheit as ser ão sem pr e par a hem ocult ur as.( 1,

4- 6)

Quando for em necessár ias colheit as t am bém par a anaer óbios:

• Mét odo de colheit a com sist em a de v ácuo: a pr im eir a colheit a deve

ser par a os fr a scos de a e r óbios.( 1)

• Mét odo de colheit a com agulha e ser inga: a pr im eir a colheit a dev e

ser par a os fr a scos de a n a e r óbios.( 1)

Se o doent e for alér gico à clor ohex idina, est a deve ser subst it uída por

álcool a 70º assegur ando um a secagem com plet a ant es da punção.( 2)

Devem ser evit adas soluções aquosas devido ao seu t em po pr olongado de

secagem .( 2, 4, 6- 8)

Se for necessár io inst it uir ant ibiot er apia em pír ica ao doent e, a colheit a de

Hem ocult ur as deve ser ant er ior à adm inist r ação da pr im eir a t om a de

ant ibiót ico.( 1- 7)

• 6 Fr ascos de hem ocult ur a de acor do com a pr escr ição.

• 1 Sist em a de venopunt ur a por vácuo por cada punção ( 3

punções)

• Com pr essas est er ilizadas

• 3 Par es de Luvas est er ilizadas

• Clor ohexidina a 2% em solução alcoólica

• Penso r ápido / adesiv o e com pr essas est er ilizadas

• Gar r ot e

• Cont ent or de cor t ant es

4.2.

Mét odo de colheit a com agulha e ser inga

• 6 Fr ascos de hem ocult ur a de acor do com a pr escr ição.

• 3 Ser ingas de 20cc e 3 agulhas endov enosas ( 21G,

25m m )

• Com pr essas est er ilizadas

• 3 Par es de Luvas est er ilizadas

• Clor ohexidina a 2% em solução alcoólica

• Penso r ápido / adesiv o e com pr essas est er ilizadas

• Gar r ot e

• Cont ent or de cor t ant es

5 . PROCED I M EN TO

5 .1 .

M é t odo de colh e it a com sist e m a de v á cu o

Acções de Enfer m agem

Just ificação

1.

Verificar a identidade do doente e explicar ao doente a 

importância do exame, explicitando o procedimento e 

os objectivos do exame, pedindo o seu consentimento 

após validação da compreensão por parte do doente.(3, 

4, 8) 

Redução  da  ansiedade  do 

doente. 

Cumprimento 

normativos 

ético‐

deontológicos. 

2.

Marcar nos frascos com um marcador o nível desejado 

de sangue a colher (10cc por frasco)(4, 7, 8) 

Evitar 

ultrapassar 

capacidade de sangue para 

cada frasco (8 a 10ml)(4, 7, 

8) 

3.

Realizar a higienização das mãos (utilizando a solução 

alcoólica (SABA) ou água e sabão)(1, 3, 4, 6, 8) 

Prevenção 

de 

contaminação 

cruzada. 

Cumprimento  da  política 

de  higienização  da  DGS  e 

da Instituição.(1, 8) 

Pr ocedim ent o de Enfer m agem ___ Página4/ 8

secando cuidadosamente a área.(1, 3) 

sendo  inactivados  por 

substâncias 

orgânicas 

(fezes,  exsudados,  suor, 

etc.) 

5.

Garrotar  o  membro  selecionado  para  colheita  de 

sangue,  pesquisando  em  seguida  uma  veia  periférica 

adequada para o procedimento.(1, 3, 4, 8) 

 

6.

Realizar novamente a higienização das mãos (utilizando 

a solução alcoólica (SABA) ou água e sabão)(1, 3, 4, 8) 

Evitar  a  contaminação  da 

pele 

do 

doente. 

Cumprimento  da  política 

de  higienização  da  DGS  e 

da Instituição.(1, 8) 

7.

Calçar luvas estéreis.(4, 5, 8) 

Permite a palpação da veia 

após  a  desinfecção  sem  a 

consequente 

contaminação, 

protecção  do  profissional 

relativamente à exposição 

a sangue.(1, 3, 5, 8) 

8.

Desinfectar a área de punção com a clorohexidina a 2% 

em solução alcoólica, friccionando a compressa estéril 

embebida  na  mesma  durante  30s  e  deixando  secar 

completamente.  (ou  de  acordo  com  as  instruções  do 

fabricante)(1‐4, 8) 

A  clorohexidina  têm  uma 

acção  residual  de  4  a  6 

horas pelo que maximiza a 

desinfecção cutânea. 

Se o doente for alérgico à 

clorohexidina,  esta  deve 

ser  substituída  por  uma 

solução 

alcoólica 

de 

iodopovidona.  Devem  ser 

evitadas soluções aquosas 

devido  ao  seu  tempo 

prolongado 

de 

secagem.(2, 4, 6‐8) 

9.

Realizar a venopunção utilizando o sistema de vácuo. Se 

for necessário palpar a veia periférica após a desinfeção 

da  pele  esta  deve  ser  sempre  realizada  com  luvas 

estéreis.(1, 3, 5, 7, 8) 

A  utilização  de  luvas 

estéreis 

permite 

palpação  da  veia  sem  a 

contaminação  do  local  de 

punção 

após 

desinfecção.(1, 3, 5, 7, 8) 

10.

Após desinfecção da borracha do frasco de hemocultura 

com clorohexidina a 2% em solução alcoólica, deixando 

secar completamente, conectar o sistema de vácuo ao 

primeiro frasco de hemocultura mantendo‐o na vertical. 

Quando o volume de sangue necessário (10cc) estiver 

colhido,  deve  ser  conectado  o  segundo  frasco  de 

hemocultura.(1, 3‐8) 

A  tampa  que  cobre  o 

frasco  de  hemocultura,  é 

de facto um resguardo de 

pó, pelo que a desinfecção 

da  tampa,  permite  a 

redução  do  risco  de 

contaminação 

da 

Hemocultura.(1, 8) 

11.

Retirar o garrote.(8) 

 

12.

Descartar  o  perfurante  (butterfly)  no  contentor 

apropriado.(1, 3) 

Evitar  acidentes  com 

corto‐perfurantes. 

14.

Rotular  devidamente  os  frascos  de  hemocultura  não 

tapando os códigos de barras e mencionando a data e 

hora de colheita.(1, 4) 

Os  códigos  de  barras 

presentes  nos  rótulos  dos 

frascos  são  indispensáveis 

para o processamento das 

Hemoculturas  através  do 

sistema automático.(4) 

15.

Realizar novamente a higienização das mãos (utilizando 

a solução alcoólica (SABA) ou água e sabão)(1, 3) 

Prevenção contaminação 

cruzada.de  

Cumprimento  da  política 

de  higienização  da  DGS  e 

da Instituição.(1) 

16.

Repetir  o  procedimento  com  30  min  de  intervalo, 

puncionando veias periféricas diferentes até obter as 3 

hemoculturas  (6  frascos  de  hemocultura  no  total, 

perfazendo 60 ml)(2, 5‐7) 

O intervalo de 30 minutos 

entre  cada  colheita  de 

Hemocultura  facilita  a 

documentação  de  uma 

bacteriémia  contínua.  O 

local  de  punção  diferente 

permite reduzir o risco de 

contaminação 

da 

Hemocultura.(2, 5‐7) 

5 .2 .

M é t odo d e colh e it a com a gu lh a e se r in ga

Acções de Enfer m agem

Just ificação

1.

Verificar a identidade do doente e explicar ao doente a 

importância do exame, explicitando o procedimento e 

os objectivos do exame, pedindo o seu consentimento 

após validação da compreensão por parte do doente.(3, 

4, 8) 

Redução  da  ansiedade  do 

doente. 

Cumprimento 

normativos 

ético‐

deontológicos.

2.

Marcar nos frascos com um marcador o nível desejado 

de sangue a colher (10cc por frasco)(4, 7, 8) 

Evitar 

ultrapassar 

capacidade de sangue para 

cada frasco (8 a 10ml)(4, 7, 

8)

3.

Realizar a higienização das mãos (utilizando a solução 

alcoólica (SABA) ou água e sabão)(1, 3, 4, 6, 8) 

Prevenção 

de 

contaminação 

cruzada. 

Cumprimento  da  política 

de  higienização  da  DGS  e 

da Instituição.(1, 8)

4.

Se  a  pele  do  doente  se  encontrar  visível  mente  suja, 

deve se proceder à higiene da zona com água e sabão, 

secando cuidadosamente a área.(1, 3) 

Os antisépticos apenas são 

eficazes  em  pele  limpa, 

sendo  inactivados  por 

substâncias 

orgânicas 

(fezes,  exsudados,  suor, 

etc.)

Pr ocedim ent o de Enfer m agem ___ Página6/ 8

adequada para o procedimento(1, 3, 4) 

6.

Realizar novamente a higienização das mãos (utilizando 

a solução alcoólica (SABA) ou água e sabão)(1, 4) 

Evitar  a  contaminação  da 

pele 

do 

doente. 

Cumprimento  da  política 

de  higienização  da  DGS  e 

da Instituição.(1, 8)

7.

Calçar luvas estéreis.(4, 5, 8) 

Permite a palpação da veia 

após  a  desinfecção  sem  a 

consequente 

contaminação, 

protecção  do  profissional 

relativamente à exposição 

a sangue.(1, 3, 5, 8) 

8.

Desinfectar a área de punção com a clorohexidina a 2% 

em solução alcoólica, friccionando a compressa estéril 

embebida  na  mesma  durante  30s  e  deixando  secar 

completamente.  (ou  de  acordo  com  as  instruções  do 

fabricante)(1‐4, 8) 

A  clorohexidina  têm  uma 

acção  residual  de  4  a  6 

horas pelo que maximiza a 

desinfecção cutânea. 

Se o doente for alérgico à 

clorohexidina,  esta  deve 

ser  substituída  por  uma 

solução 

alcoólica 

de 

iodopovidona.  Devem  ser 

evitadas soluções aquosas 

devido  ao  seu  tempo 

prolongado 

de 

secagem.(2, 4, 6‐8) 

9.

Realizar a venopunção utilizando agulha endovenosa e 

seringa  de  20cc.  Se  for  necessário  palpar  a  veia 

periférica  após  a  desinfecção  da  pele  esta  deve  ser 

sempre realizada com luvas estéreis.(1, 3, 5, 7, 8) 

A  utilização  de  luvas 

estéreis 

permite 

palpação  da  veia  sem  a 

contaminação  do  local  de 

punção 

após 

desinfecção.(1, 3, 5, 7, 8) 

10.

Após desinfecção da borracha do frasco de hemocultura 

com clorohexidina a 2% em solução alcoólica, deixando 

secar  completamente,  puncionar  a  borracha 

introduzindo  10cc  de  sangue  por  cada  frasco  de 

hemocultura.  Se  for  necessário  colher  sangue  para 

outros  exames  laboratoriais,  deve  ser  colhido  sempre 

primeiro o sangue para o exame microbiológico.(1, 3‐8)

Não  deve  ser  trocada  de 

agulha  no  método  de 

colheita  com  agulha  e 

seringa, entre a colheita de 

sangue  e  a  punção  do 

frasco  de  hemocultura, 

devido  ao  risco  de 

acidente 

com 

corto‐

perfurante,  e  por  não 

reduzir 

risco 

de 

contaminação 

da 

hemocultura.(1, 4, 6) 

11.

Retirar o garrote.(8) 

13.

Colocar  um  penso  rápido  ou  compressas  estéreis  e 

adesivo realizando compressão do local de punção.(1, 3)

14.

Rotular  devidamente  os  frascos  de  hemocultura  não 

tapando os códigos de barras e mencionando a data e 

hora de colheita.(1, 4) 

Os  códigos  de  barras 

presentes  nos  rótulos  dos 

frascos  são  indispensáveis 

para o processamento das 

Hemoculturas  através  do 

sistema automático.(4) 

15.

Realizar novamente a higienização das mãos (utilizando 

a solução alcoólica (SABA) ou água e sabão)(1, 3) 

Prevenção 

de 

contaminação 

cruzada. 

Cumprimento  da  política 

de  higienização  da  DGS  e 

da Instituição.(1) 

16.

Repetir  o  procedimento  com  30  min  de  intervalo, 

puncionando veias periféricas diferentes até obter as 3 

hemoculturas  (6  frascos  de  hemocultura  no  total, 

perfazendo 60 ml)(2, 5‐7) 

O intervalo de 30 minutos 

entre  cada  colheita  de 

Hemocultura  facilita  a 

documentação  de  uma 

bacteriémia  contínua.  O 

local  de  punção  diferente 

permite reduzir o risco de 

contaminação 

da 

Hemocultura.(2, 5‐7)

5 .3 .

En v io pa r a o La bor a t ór io de M icr obiologia

O envio par a o labor at ór io de m icr obiologia deve ser efect uado o m ais

br evem ent e possível. Quando t al não é possível os fr ascos de hem ocult ur a

devem ser ar m azenados à t em per at ur a am bient e at é 48h.

6 . REGI STOS

Devem ser incluídos nos r egist os de enfer m agem a dat a, a hor a da

colheit a e a t em per at ur a cor poral do doent e ( t im pânica) .

7 . REFERÊN CI AS

1. Depar t m ent of Healt h. Taking Blood Cult ur es: A sum m ar y of Best Pr act ice.

I n: Depar t m ent of Healt h, edit or . London2011. p. 4.

2. The John Hopkins Hospit al. Blood Cult ur es: Or der ing, Pr ocur em ent e and

Tr anspor t . I n: The John Hopkins Hospit al, edit or . I nt er disciplinar y Clinical

Pr act ice Manual - Pat ient Car e2010. p. 6.

Pr ocedim ent o de Enfer m agem ___ Página8/ 8

4. Went w or t h Ar ea Healt h Ser vice. Taking Blood Cult ur es by Ser inge. 2004.

p. 3.

5. Melo Cr ist ino. Manual de Colheit as do Ser viço de Pat ologia Clínica do

Cent r o Hospit alar Lisboa Nor t e. 3ª Edição ed. Hospit al de Sant a Mar ia –

Ser viço de Pat ologia Clínica, edit or . Lisboa2011.

6. Com issão de Cont r olo de I nfecção Hospit alar . Colheit a de Sangue par a

Hem ocult ur as. I n: Com issão de Cont r olo de I nfecção Hospit alar , edit or .

Lisboa: Hospit al de Sant a Mar ia; 2006.

7. Fonseca AB, Sebast ião C, Mar t ins FJC, Ribeir o MdGVC, Calheir os I , Lit o LM,

et al. Or ient ações par a a Elabor ação de um Manual de Boas Pr át icas em

Bact er iologia. I nfecção PNdCd, edit or : Minist ér io da Saúde,; 2004.

8. John Hopkins Medical Micr obiology. Specim en Collect ion Guidelines. I n:

John Hopkins Medical Micr obiology, edit or .: The John Hopkins Hospit al; 2011.

p. 21.

Elabor ado por : Enf. Tiago Cunha, Enf. A. M. P. e Enf. S. M.

Sob or ient ação de Pr of. L. M. no âm bit o do Mest r ado em Enfer m agem Médico- Cir úr gica da Escola Super ior de Enfer m agem do I nst it ut o Polit écnico de Set úbal.

Revist a por : Apr ovada por : Guar dado/ localizado/ ar quivado:

8.9

Apêndice IX – Norma de Orientação Clínica “Colheita de Secreções