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6.6 Causation vs. Effectuation

6.6.1 Mål og visjoner

Em acordo com a literatura especializada, as transformações sociais por que a sociedade passou ao longo da década de 90 do século XX tiveram também grande influência para mudança do comportamento do consumidor em relação ao consumo alimentar. Contribuíram para isso:

a) aumento da participação da mulher no mercado de trabalho e diminuição do

tempo destinado ao preparo dos alimentos;

c) alteração na composição das famílias, nível educacional e o sexo do chefe das unidades familiares;

d) mudanças nas preferências alimentares da população estudada podem estar relacionadas ao surgimento de novos produtos e às próprias dinâmicas nas despesas familiares.

As modificações na renda e nos preços relativos dos produtos deslocam o porcentual dos recursos destinados à compra de alimentos industrializados dentre os itens de gastos familiares. Quando as pessoas dividem os alimentos em “fortes” e “fracos”, elas não se baseiam no valor nutricional dos alimentos, mas com a capacidade que eles têm de “matar a fome”, que dão a “sensação de barriga cheia”. O que pode tornar a alimentação pobre em nutrientes específicos e causar agravos à saúdecom repercussões na idade adulta (BARKER, 1992; GLUCKMAN, HANSON e PINAL, 2005; ALVES e FIGUEIRA, 2010), bem como o aumento de doenças metabólicas (WHO 2007, 2004; BENOIST e Col. 2008; FIGUEIROA, 2009).

Apesar de sabermos que o direito à comunicação está previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1946, Art. 19), a mídia, por ser e ter um poder concentrado como agente de socialização e formação de opinião, nem sempre contribui para a garantia dos Direitos Humanos à informação. Por outro lado, pode legitimar desigualdades, reforçando o fosso social com estigma e a exclusão dos pobres, apesar da aparente ilusão de que adquirindo o produto/serviço x, y,z “todos somos iguais”.

Nessa medida, consumir ou não consumir torna-se um problema na sociedade de risco, na qual a autogeração das condições sociais de vida é tema. Se os riscos chegam a inquietar as pessoas, a origem dos perigos já não se encontrará mais no

exterior, no exótico, no inumano, e sim na historicamente adquirida capacidade das pessoas para a autotransformação, para a autoconfiguração e autodestruição das condições reprodução de toda a vida neste planeta. Como diz CASTRO:

“(...) o mundo atravessa um período crítico de sua história, ou, como chama Ortega y Gasset, uma fase típica de crise histórica. Fase em que os valores, símbolos e estilos de vida de uma civilização perdem o seu sentido substancial sem que se estruturem novos símbolos interpretativos e novos estilos de vida que substituam os valores já socialmente superados.” (CASTRO, 2003, p.125)

Desse modo, para o Autor, o progresso desigual nos diferentes setores da vida humana é uma das causas da grave crise do mundo contemporâneo. Os métodos da informática em grande escala, ao propagar imagens de prosperidade e a abundância dos grandes centros dominadores, com os seus métodos de vida e seus hábitos de consumo, “desesperam os povos menos desenvolvidos hoje por não poderem atingir

este nível (...) O desenvolvimento tecnológico está cheio de contradições”

(CASTRO, 2003, p. 106)

No que concerne à relação mídia e consumo alimentar, observamos que alterações na estrutura da sociedade brasileira levaram às mudanças significativas nos hábitos linguísticos da população, gerando impactos no consumo alimentar das famílias. Qual seja a capacidade de significação do alimento e das mídias no cotidiano de escolares , a mídia TV torna-se um laboratório virtual de aprendizagem, democrático e a-histórico, antecipador de uma nova sociedade: a sociedade de consumo.

Dessa forma, acreditamos que existe uma determinação sócio-cultural dos hábitos e práticas alimentares e seus significados, e que a mídia, em geral, e a televisão, particularmente, têm contribuído para a (re)estruturação da sociedade

contemporânea, especificamente quanto à (des)construção de habitus, práticas alimentares e estilos de vida tradicionais.

Tais preocupações não são contemporâneas. Se nos reportarmos a Antiguidade, já podemos observar em Hipócrates tais preocupações, ao tratar a dietética como a ciência das prescrições higiênicas, traduzida para a medicina, como tratamento de doenças pela boa higiene de vida. Isto nos sugere que as leis mercadológicas que regem o mercado de consumo desde a geração de Hipócrates já rondavam os humanos, fisgando-os com seu anzol.

Corrobora com CASTRO, a afirmação de BECK: “em seu silêncio, a pobreza oculta- se e cresce. É uma situação tão escandalosa quanto precária, que exige urgentemente tutela política e organizativa(...)” (2010, p. 143).

Desse modo, “para os pobres da sociedade de consumidores, não adotar o modelo de vida consumista significa o estigma e a exclusão” (BAUMAN, 2008, p. 176).

“Como é sugerido pelas conclusões extraídas do estudo de N.R. Shresta (citado por Russell W. Belk), o pobre é forçado a uma situação em que tem de gastar o pouco dinheiro ou os escassos recursos que possui com objetos de consumo sem sentido, e não com suas necessidades básicas, a fim de evitar a humilhação social total e a perspectiva de ser transformado em objeto de risos e piadas” (BAUMAN, 2008, 176)

Nova pobreza, herdeira da fome, evidenciada pelos dados do IBGE, tendo a taxa de mortalidade como indicador. “Em 2005, a taxa de mortalidade infantil referida em

Pernambuco era de 32,15%o, no Brasil, de 21,17% . Essa é maior do que a do Brasil

para o mesmo período” (IBGE, 2005).

Não resta nenhuma dúvida, “de que o subdesenvolvimento é, na civilização de consumo, um produto do desenvolvimento” (CASTRO, 2003); e, a “fome e sede de justiça”, mediados pela televisão, um coadjuvante desta realidade. Pois, acreditamos

que o direito à liberdade de imprensa tem grandes chances de influência na definição de problemas sociais, como sugere BECK, “o discreto prefixo pós: palavra-chave de nossa época. Tudo é pós. Pós é a senha para a desorientação que se deixa levar pela moda” (BECK, 2010, p. 11).Embora pareça sedutor, não podemos atribuir essas modificações nos estilos de vida e padrões de consumo do brasileiro apenas “as publicidades específicas veiculadas por uma única mídia ou a modificações na renda e nos preços” seria reduzir ou pelo menos causaria constrangimento face à magnitude do problema.