DEL I: INTRODUKSJON OG PROBLEMSTILLING
DEL 3 DATAPRESENTASJON OG ANALYSE
6.1 Presentasjon av prosessene
6.1.2 Intern rapportering
As primeiras referências quanto ao conhecimento da geologia da Serra do Mar, no Estado de São Paulo, vêm da construção da estrada de ferro Santos-Jundiaí, na segunda metade do século 19, de acordo com VARGAS (1999). O enfoque dessa caracterização inicial manifestava forte viés com a Geologia de Engenharia, devido à preocupação com a estabilidade do meio ante as obras civis.
Para o reconhecimento e a caracterização da potencialidade de instabilizações na Serra do Mar na área de influência do Sistema Anchieta-Imigrantes, IPT (2002a, b) realizou levantamento dos seus aspectos geológicos, geotécnicos e geomorfológicos.
Com relação às características do modelado do relevo, a Serra do Mar (IPT, 2002a) é um conjunto de escarpas festonadas, com orientação ENE, que se estende por 1.000 km, entre o Estado do Rio de Janeiro e norte do Estado de Santa Catarina. No trecho situado na margem esquerda do vale do rio Cubatão, recebe denominação local de Serra de Cubatão. É um relevo de transição entre o Planalto Paulistano (morrotes isolados e morrotes pequenos) e a Baixada Litorânea. Inicia-se com uma marcante ruptura positiva de declive que caracteriza a borda do planalto, decaindo abruptamente em direção à planície costeira, com vertentes de altas declividades, valores médios superiores a 30% e cimos nivelados a altitudes de 750 a 770 m.
Quanto à evolução geotectônica que determinou a fisiografia da região, há opiniões divergentes. Para HASUI; MIOTO; MORALES (1994), suas formas atuais são decorrentes, principalmente, de quatro episódios tectônicos. O primeiro, do período Pré-Cambriano, compreendeu uma deformação em regime compressivo, com geração de foliação e lineação nas rochas submetidas a cisalhamento dúctil e alívios finais de tensão que desenvolveram juntas. O segundo, do início do Paleozóico, respondeu pela geração de intrusões granitóides, estendendo-se até o Triássico. O terceiro, ocorrido no intervalo Triássico-Mioceno, foi responsável por movimentos de blocos sob regime tectônico extensional, com soerguimentos, alçamentos e abatimentos, delineando os grandes traços do relevo. O quarto episódio, que se refere à Neotectônica (Mioceno-Recente), corresponde ao basculamento de blocos em regime transcorrente. Para ALMEIDA; CARNEIRO (1998), a Serra do Mar desenvolveu-se a partir da Falha de Santos, como resultado de abatimentos do
planalto iniciados no Paleoceno, sob efeito da erosão diferencial regressiva, recuando as encostas até a posição atual. As evidências de movimentos neotectônicos de blocos reforçam estes devem ter sido decisivos para o modelado atual da serra.
O substrato constitui-se por rochas migmatíticas que sustentam planaltos e escarpas. As falhas, zonas de cisalhamento, fraturas e grandes domínios de rochas metassedimentares (xistos e gnaisses migmatizados, micaxistos, filitos, rochas cálcio-silicáticas) condicionam lineamentos maiores e segmentos locais de rede de drenagem. A feição tectônica regional mais importante refere-se à zona de cisalhamento de Cubatão (NE-SW), com extensão de mais de 60 km e largura de até 800 m, recoberta pelos sedimentos aluvionares do rio Cubatão. Essas seqüências sedimentares de idade mais recente compreendem, ainda, os sedimentos coluvionares continentais e os marinhos e mistos atuais e subatuais que ocorrem nas áreas de mangue (IPT, 1986).
As Figuras 3.3 e 3.4 ilustram a geologia e a geomorfologia da Serra do Mar na região do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).
A dinâmica evolutiva da formação do regolito é marcada pela remoção do produto da alteração das rochas das encostas pela ação dos processos de dinâmica superficial. A ação do escoamento pluvial laminar e concentrado é dificultada pela cobertura vegetal. Assim, como não há condições para formação de camadas mais expressivas do manto residual nos trechos mais íngremes das vertentes, a distribuição dos solos não é uniforme. As camadas mais espessas de solo encontram-se nos cumes e nos sopés das encostas pelo acúmulo de material coluvionar ou dos depósitos de tálus.
As características geológicas, geomorfológicas e pedológicas associadas às climáticas, ao regime das águas de superfície e de subsuperfície e à cobertura vegetal são os fatores condicionantes dos processos classificados genericamente como movimentos de massa (AUGUSTO FILHO; VIRGILI, 1998). Diversos autores como GUIDICINI; NIEBLE (1976); AUGUSTO FILHO (1992); WOLLE; CARVALHO (1994); VARGAS (1999), têm se dedicado ao estudo destes fenômenos em seus vários aspectos e com propostas metodológicas de distinção desses processos, particularmente na Serra do Mar paulista.
WOLLE; CARVALHO (1994), a partir de revisão bibliográfica sobre o assunto, classificaram os tipos de processos de instabilização de encostas que afetam os horizontes de solo e rocha, observados na região da Serra do Mar (Quadro 3.1).
Tipo Classes Modo Ocorrência
rastejo (creep)
movimentos lentos mobilizando apenas parte da resistência ao
cisalhamento
movimento constante ou intermitente, acelerado durante
períodos de chuvas movimen- tos “plásticos” ou “viscosos” lentos movimento de tálus movimentos contínuos ou intermitentes em acumulações detríticas
movimentos deflagrados por es- cavações no pé ou sobrecargas
no topo, na época das chuvas translacio-
nais planares
deslizamentos de delgados horizontes de capas superficiais
de solos residuais escorrega-
mentos em solo
rotacionais idem, porém mais espessos, às vezes, contendo matacões
rupturas súbitas durante ou após chuvas com precipitações
superiores a 100 mm/dia, durante períodos chuvosos cunhas e lascas deslizamento ao longo de descontinuidades estrutura- dos
idem aos rotacionais, mas envolvem rocha muito fraturada escorrega- mentos estrutura- dos em rocha e saprolito queda de blocos
queda de blocos e rolamento de matacões
rupturas súbitas durante ou após chuvas com precipitações superiores 100 mm/dia, durante
períodos chuvosos
avalanches a partir de escorregamentos ou deslocamento de blocos nas
encostas avalanches e corridas de massas corridas (lama, blocos)
escoamentos rápidos de massas ao longo das drenagens
Podem ocorrer durante chuvas intensas superiores a 50 mm/hora, nos períodos
chuvosos dos anos mais chuvosos
Quadro 3.1 – Classificação dos fenômenos de instabilização de encostas (WOLLE;
CARVALHO, 1994, modificado de VARGAS, 1985).
De acordo com GUIDICINI; NIEBLE (1976), na cadeia de eventos que controla as instabilizações de encostas e taludes, os principais agentes que desencadeiam os processos podem ser subdivididos em predisponentes e efetivos, conforme terminologia proposta. Os predisponentes correspondem ao conjunto de feições intrínsecas do terreno como características geológicas e estruturais da encosta, modelado do relevo e tipo de vegetação. Os efetivos são aqueles responsáveis diretamente pela ocorrência dos processos, o que inclui o regime pluviométrico e a ação do homem. Assim, as intervenções nessas encostas e efeitos decorrentes como, por exemplo, modificação do terreno e concentração do fluxo d’água superficial e supressão de vegetação, respondem por boa parte dos processos observados na Serra do Mar.
VARGAS (1999) enumera vários casos de movimentos de massa naturais ou induzidos com conseqüências desastrosas: escorregamento nos mantos de alteração do Mont Serrat, em 1928, e escorregamento de rocha na encosta do Marapé, em 1956, ambos em Santos; movimentos de colúvio na cota 500 m, em 1964, e escorregamento de rocha no km 44,7 da Via Anchieta, em 1970; avalanches no vale da Grota Funda, em 1971; e escorregamentos na Serra de Cubatão, em 1985. Estes últimos atribuídos à degradação da cobertura vegetal pela poluição industrial (fitotoxicidade).