• No results found

Vários foram os autores, que ao longo dos anos, tentaram perceber de que modo o MED, poderia ter influência, no nível de interesse despertado para as aulas de EF, bem como para a melhoria qualitativa das suas aprendizagens cognitivas e motoras.

Perceber de que modo, as componentes estruturais deste modelo, podem influenciar ativamente o processo de ensino-aprendizagem.

O caráter festivo em torno de toda a época desportiva, o próprio modelo competitivo implementado, o realismo das tarefas e os papéis assumidos ao longo de toda uma unidade de ensino (neste caso), entre outros, são aliciantes mais do que suficientes para podermos crer, que esta seja, uma experiência enriquecedora a todos os níveis, tanto para alunos, como professor.

Deste modo e para podermos assim, contextualizar e enquadrar o nosso estudo, iremos apresentar um conjunto de estudos realizados ao longo dos anos, nos mais diversos países, efetuados por vários autores.

6.2.2. Estudos realizados sobre o Modelo de Educação Desportiva

As origens do MED, remetem-nos ao início dos anos oitenta, onde nos Estados Unidos da América. Daryl Siedentop que criticava severamente a forma desacreditada como decorriam as aulas de EF e o ensino do desporto em meio escolar, foi o grande impulsionador do MED. Com o objetivo de resposta às necessidades efetivas dos alunos, este modelo apresentava-se com uma alternativa pedagógica, capaz de promover o desporto nos currículos educativos.

De forma a contemplar o desenvolvimento cognitivo, motor e socioafetivo, com este modelo, inicialmente pretendia-se a implementação de ambientes de prática propiciadores de experiências desportivas autênticas (Graça & Mesquita, 2007; cit. por Pereira, 2012). Todavia, com a sua consequente ampliação, o modelo passou a ser de igual forma um objeto considerado de pesquisa cientifica, para além de ser um apreciado instrumento pedagógico.

Com a sua primeira aplicação a decorrer em Ohio (EUA), numa Escola de Columbus, o feedback de professor e alunos, foi verdadeiramente positivo, revelando os mesmos, a capacidade do modelo em envolver os alunos de forma a propiciarem-se experiências desportivas bastante notáveis na aula de EF.

Pelas suas potencialidades, o modelo naturalmente se expandiu, ao longo de diferentes espaços geográficos e culturais, como é o exemplo de: Austrália, Inglaterra, Hong Kong e Rússia.

Atualmente o MED, é razão de estudo, com inúmeros investigadores a realizarem pesquisas sobre os seus diferentes propósitos e objetivos.

Neste seguimento, apresentamos parte de um estudo (em anexo) realizado por Carreira (2003), que buscou observar, a produção académica, referente à implementação do MED na EF escolar. De entre 65 artigos teóricos e estudos empíricos, foi elaborada uma tabela onde são referidos dados relativos, ao autor/investigador, o país de origem, o objetivo do estudo, os participantes e o contexto, o desporto ou modalidade desportiva, a duração do estudo, a opção metodológica, a recolha de dados, as conclusões e as fontes de informação. Pela sua riqueza em termos de conteúdo e valor pedagógico, decidimos fazer referência a parte dos artigos e estudos analisados, todavia decidimos por bem, acrescentar novos estudos recentes efetuados com base nesta temática.

É de referir, com apreço, que este estudo foi realizado por um aluno do Mestrado do ISEIT do IP de Viseu, servindo de trabalho de investigação integrante do Relatório Final da PES, que o mesmo teve de apresentar.

6.2.3. Justificação do estudo

Cada vez mais atravessamos uma fase em que os programas de EF e os seus profissionais, baseiam a sua ação numa transmissão de conteúdos descontextualizada, onde potenciar habilidades se encontra no epicentro da questão, muitas vezes esquecendo-nos da heterogeneidade de desempenhos que se verifica no meio escolar, levando à desmotivação e ao desinteresse por parte dos alunos que não têm um domínio das habilidades motoras tão apto como os restantes, e que deste modo não os leva a atingir o êxito.

Um ensino tradicional, onde as progressões de ensino se encontram longe da realidade das necessidades dos nossos alunos, em que as estratégias aplicadas não vão de encontro com a capacidade de fomentar o entusiasmo pela prática, e criar a tão desejada literacia desportiva no individuo num contexto escolar.

Verificamos, o que podemos apelidar, de neglicência escolar, em que o exercício das funções de quem lecionar se centra somente na transmissão de conteúdos, sendo o aluno um mero recetor de informação, em que todas as potencialidades motoras, cognitivas, socioafetivas, do individuo são desaproveitadas, sendo mesmo suplantadas em

detrimento de um ensino pouco inovador, sem cariz reflexivo e com uma dinâmica cada vez mais monótona.

Ao invés de proporcionarmos aos nossos alunos vivências e experiências, num clima relacional adequado, onde a capacidade comunicacional e a sua confiança poderiam em tudo ser benéficas nas suas aprendizagens, verificamos o afastamento do aluno, manifestado através da sua desmotivação para com a EF.

Assim, vários atores vêm defendendo a implementação de modelos de ensino focados no domínio do jogo, pelo fato destas promoverem uma melhor compreensão e participação/performance no jogo por parte do aluno, evidenciando-se, assim, a sua sustentação numa matriz pedagógica construtivista.

Neste modelo os alunos assumem no processo de ensino-aprendizagem um posicionamento mais participativo e entusiástico, manifestando níveis de motivação mais elevados relativamente à EF escolar e à prática desportiva generalizada como perspetiva saudável e estilo de vida a seguir.

Assim com a necessidade de trazer os alunos até nós e de lhes proporcionarmos oportunidades para apreenderem os conteúdos de uma forma mais motivadora, mais inclusiva e acima de tudo centrada neles próprios, surge a aplicação de modelos de ensino de cariz construtivista, neste caso em específico do nosso estudo, o MED.

Para Graça e Mesquita (2007), o MED apresenta-se como um modelo de raiz construtivista, implicando os alunos nas suas próprias aprendizagens, possibilitando-lhes mais autonomia, promovendo a tomada de decisão, potenciando um ambiente favorável e entusiástico de aprendizagem, de responsabilização e capacidade de cooperação, de implicação cognitiva e de promoção e desenvolvimento do pensamento tático e da aquisição de competências para além do domínio motor. A implementação deste modelo implica, por parte dos alunos, uma solicitação significativa dos processos de perceção, compreensão e tomada de decisão, cabendo a estes construir e consolidar as suas próprias aprendizagens.

Para a concretização do nosso estudo nos seus propósitos e objetivos, pressupõe-se a implementação do MED, numa unidade de ensino de Badminton, considerando as suas linhas orientadoras fundamentais que vão no sentido de contribuir para que os alunos sejam desportivamente competentes, cultos e entusiastas. Esta aplicação decorrerá numa perspetiva macropedagógica que considera a existência de uma época desportiva com

competição formal, a pertença a um grupo/equipa (filiação), o desempenho de diversos papéis e funções, um clima permanente de alegria e uma festa final ou evento culminante.

Neste pressuposto, pretendemos que o ensino dos conteúdos seja efetuado num contexto real de desporto institucionalizado, onde se possibilite o desenvolvimento das habilidades motoras, das habilidades psicológicas e do pensamento tático, preocupando- nos, enquanto investigadores em contribuir com este estudo para o ensino do Badminton na Escola, considerando a sua importância formativa, procurando assim verificar se o seu ensino recorrendo a novos modelos de ensino ou estratégias didáticas, são geradoras de motivação, entusiasmo, compromisso e criatividade.