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6.3.1. Modelo de Educação Desportiva: caracterização e potencialidades

Proposto por Siedentop (1982), este modelo de ensino tem uma metodologia centrada no aluno, e que gradualmente lhe confere, uma maior autonomia, proporcionando- lhe um contexto apropriado de ensino, o que faz com que este atribua uma maior significância e valor às atividades desportivas exploradas, conforme nos refere Giménez (2011).

Siedentop (1987); citado por Giménez (2011), afirma-nos que a falta de vontade e desmotivação dos alunos nas aulas de EF se verificava devido ao ensino isolado e descontextualizado das habilidades de jogo, passando à margem do que era a natureza do próprio desporto e da cultura desportiva.

Assim e para que os estudantes pudessem adquirir experiências autênticas e ricas a nível educativo, Siedentop (1994), integrou no seu modelo, seis características chave: temporada desportiva, filiação, competição formal ou calendário de competições, registo do rendimento, festividade e evento final.

No que se refere à temporada desportiva, esta deveria ter uma duração em três vezes superior ao que uma unidade de ensino clássica continha, devido aos conteúdos que os mesmos tinham para aprender (fundamentos técnico–táticos, potenciar determinadas atitudes e experienciarem os diversos papéis existentes no desporto, tanto como jogador e não jogador: capitão, estatística, observador, arbitro e treinador).

A filiação surge como um potenciador aspeto de desenvolvimento social do aluno, ou seja, ser um membro ativo de uma equipa, permite ao aluno beneficiar de oportunidades

que num grupo relacional maior (turma) não existem, o que lhe possibilita oportunidades de crescimento e amadurecimento pessoal.

Graça e Mesquita (2007) afirmam que a filiação tem sido um dos aspetos mais atrativos neste modelo para os alunos, nomeadamente os alunos menos dotados e as raparigas, que acreditam aprender e divertir-se mais, contribuindo positivamente para a sua equipa.

Quanto ao calendário de competições, é nos referido como um dos aspetos nucleares deste modelo, permitindo aos alunos participar e jogar numa competição equitativa dentro do horário escolar.

Bento (1999) afirma que a competição inerente ao modelo assume-se, antes de mais, como uma ferramenta social e cultural, que pressupõe que é no uso que se faz dela que é determinada, em grande parte, a qualidade do processo de educação e formação dos jovens desportistas.

Para Siedentop (1998) o registo de rendimento, não é mais do que uma forma, de poder ajudar os alunos a reconhecer se existem melhorias suficientes, para assim poderem ser colocadas e redefinidas novas metas.

A festividade referida pelo autor, remete-nos para um clima positivo, um ambiente festivo de competição salutar, onde a época desportiva culmina, com o celebrar do último item por este apontado, o evento final, onde uma cerimónia de entrega de troféus, música ambiente, exposição de fotografias tiradas durante a época, surgem como sugestões de celebração.

Siedentop (1982) considera que a EF não deve ser somente ensinar aos alunos a realizar as habilidades, táticas e estratégias, mas também educá-los para os aspetos positivos da cultura desportiva e converte-los em defensores das boas práticas desportivas.

O autor afirma-nos que o modelo descrito poderá educar os alunos para serem praticantes no sentido mais completo ajudando-os a tornarem-se desportistas mais competentes, cultos e entusiastas.

Hastie (1998) refere que o MED tem como preocupação principal encontrar a harmonia e o equilíbrio necessário entre o que é a competição e a inclusão, de modo a que todos os alunos se sintam peças integrantes da dinâmica da unidade de ensino.

6.3.2. Badminton: o ensino da modalidade

É fundamental nos critérios de seleção de modalidades desportivas a integrar e a lecionar num currículo de EF escolar, considerar no plano taxonómico as suas características e no plano da praxeologia motora a sua lógica interna e efeitos educativos.

Assim, poderemos apontar um grupo de modalidades mais “adequado” a essa

seleção, tendo em conta as características marcantes (competências) de cada grupo taxonómico e a sua lógica interna (cooperação/oposição, interação com o adversário, estabilidade do espaço de ação, desempenho comparado e objetivos táticos da ação), o número de participantes permitidos/possíveis em jogo, os materiais e espaços de jogo disponíveis ou passiveis de ser disponibilizados.

Tradicionalmente, as modalidades mais implementadas nos currículos de EF escolar são o Futebol, o Andebol e o Basquetebol como desportos coletivos de invasão, o Voleibol como desporto coletivo de rede, o Atletismo como desporto individual e a Ginástica na sua vertente individual ou de grupo.

Mas não são só estes desportos que deverão ser considerados como os únicos capazes de possibilitarem efeitos educativos e formativos no quadro curricular da EF escolar, visto existirem outros igualmente importantes e de interesse educativo significativo e que por razões de contextos ou de programa não usufruem desse mesmo estatuto pedagógico.

Poderemos considerar neste caso, como atividades curriculares, os desportos de raquete (Ténis, Ténis de Mesa e Badminton) como matéria curriculares situadas no PNEF, sendo que o Ténis de Mesa, a nível do DE é um dos desportos mais praticados.

Referenciando o Badminton como modalidade constante no PNEF, devemos situá- lo no plano taxionómico no âmbito dos desportos de oposição ou contra comunicação motora, de confrontação direta onde a interação se realiza perante um adversário que se opõe ao objetivo ou tarefa motora, sendo a sua característica mais marcante o diálogo com o adversário, e que normalmente é realizado através de um “objeto interposto”. Embora seja idêntico aos desportos coletivos quanto aos objetivos, difere deles quer pelas dinâmicas geradas, quer pelo número de jogadores envolvidos e ainda pelas interações daí resultantes (1x1; 2x2).

As variáveis principais em jogo são a capacidade de diálogo com o opositor, a capacidade de interpretar e enganar o opositor (mensagens ajustadas a cada situação).

O Badminton e outro tipo de jogos antagónicos exigem que os protagonistas tenham que tomar decisões, fomentam a antecipação, a descodificação das mensagens dos restantes intervenientes para implementar estratégias motoras.

Desta forma este grupo de jogos pode ser utilizado para fomentar os comportamentos relacionados com a competitividade, com os desafios e com a resolução de problemas.

Assim, a diversidade de modalidades a lecionar e a possibilitar aos alunos, tendo sempre em conta os benefícios da prática das mesmas, é um aspeto muito importante a ter em conta.

Hastie e Van der Mars (2004) descrevem as primeiras fases da iniciação desportiva em âmbito escolar como cooperativas. Considerando que os alunos, nestas etapas necessitam de mais tempo para praticar habilidades novas, podendo e devendo, fazê-lo em contexto de jogos cooperativos.

No caso do Badminton, as estruturas de trabalho cooperativas permitem manter o volante em jogo entre os jogadores, praticando várias vezes seguidas os golpes que devem aprender, desta maneira o tempo de prática permite-lhes melhorar as suas capacidades de controlar o volante através dos seus golpes.

Griffin, Mitchell e Oslin (1997) defendem que o Badminton deve ser abordado numa perspetiva construtivista e globalizante, tendo como pilares de referência na sua abordagem três aspetos basilares: os jogos simplificados (modificação das dimensões do espaço de jogo para abordar aspetos específicos do jogo), a “consciência tática” (os alunos devem desenvolver um conhecimento da tática do jogo através da prática do mesmo, colocando tarefas reflexivas aos alunos, de modo a estimular a sua leitura e interpretação do jogo) e a execução técnica (necessidade de melhoramento dos elementos técnicos concretos do jogo).

A basta literatura, refere o cariz intuitivo do jogo de Badminton, onde a importância da técnica e da tática está muito equilibrada.

Durante o jogo as técnicas desenrolam-se segundo uma sequência lógica e mais ou menos estável, Hastie e Van der Mars (2004), dão o seguinte exemplo: depois de um serviço longo, o outro jogador intuitivamente efetua um clear para surpreender o adversário, para colocar o volante na zona central do campo.

Blomqvist et al. (2000), refere que para ser um bom praticante de qualquer desporto, e o Badminton não é exceção, é necessário ser mais do que simplesmente

habilidoso, é fundamental saber tomar as decisões corretas e realizar as ações estratégicas adequadas nos momentos precisos durante o jogo, sendo que o jogador deve adquirir um conhecimento tático adequado.