Da mesma forma que nos dados sintéticos, o dado real foi processado utilizando as rotinas do SU. O dado utilizado foi levantando no Golfo do México. Trata-se de uma linha sísmica 2D, adquirida através do arranjo “end-on”, com cerca de 40 km de extensão. Os parâmetros de aquisição estão mostrados na Tabela 2.
Tabela 2 entra aqui
O processamento do dado em cada técnica constou de três fases. A primeira fase, comum às técnicas DPM e F-K, constou dos seguintes passos: (P1) Pré-processamento (edição e mute), (P2) Correção de divergência esférica, (P3) filtragem passa-banda (trapezoidal, 5, 7, 75, 80 Hz), e (P4) deconvolução ao impulso. O processamento da segunda fase foi específico de cada técnica. Para a DPM, a segunda fase constou dos passos: (S1) análise de velocidade (velocidade das múltiplas), (S2) correção de NMO, (S3) organização em famílias de afastamento comum, (S4) a DPM em si, e (S5) organização em famílias CDP. Por sua vez, a segunda fase para a filtragem F-K foi composta pelos passos: (S1) análise de velocidade (velocidade intermediária), (S2) correção de NMO, e (S3) filtragem F-K em si. Por fim, a terceira fase de processamento foi novamente a mesma para ambas as técnicas e constou dos passos: (T1) correção de NMO inversa, (T2) análise de velocidade, (T3) correção de NMO, seguida de mute para remoção de estiramento, e (T4)
24 empilhamento.
Na técnica DPM, devido à necessidade de se obter o período em número de amostras, o dado (já em AC) foi divido em três conjuntos, sendo o período coletado em cada painel de AC mínimo de cada conjunto de dados. Foi feita a escolha L=0,98P e N=0,6P de modo a restringir a ação do filtro ao trecho e tamanho do pulso. A Fig. 10 apresenta um painel de coerência onde se mostra a escolha da função velocidade associada às regiões de maior concentração de energia. De modo a ilustrar a efetividade da técnica DPM, a Fig. 11 apresenta a seção de AC mínimo antes e após a aplicação da DPM.
Fig. 10 entra aqui. Fig. 11 entra aqui.
Para a técnica da filtragem F-K, a escolha das velocidades intermediarias está ilustrada na Fig. 12. Por sua vez, o mapeamento do setor de atuação do filtro F-K e a efetividade do processo de filtragem estão exemplificados nas Figs. 13 e 14.
Fig. 12 entra aqui. Fig. 13 entra aqui. Fig. 14 entra aqui.
A Fig. 15 apresenta a seção empilhada na forma original (a), após a DPM (b) e após a aplicação da filtragem F-K (c). A DPM foi mais eficiente em regiões específicas do dado. Como exemplo, observe que a primeira múltipla do fundo do mar foi mais eficientemente atenuada pela técnica DPM que pela
25 técnica da filtragem F-K (compare as Figs. 15b e c, no trecho marcado pela seta vermelha). Por outro lado, a técnica de filtragem F-K teve uma melhor atuação na seção como um todo, o que é resultado do fato já apontado que esta técnica suprime todos os eventos no setor do espectro filtrado. Como consequência, observe que múltiplas (provavelmente internas) em torno do tempo 4,5 s foram melhor atenuadas através da filtragem F-K.
Fig. 15 entra aqui.
Fizemos uma tentativa de combinar as duas técnicas de modo a aproveitar os benefícios de ambas as técnicas. Nesse sentido, a Fig. 16 apresenta a seção empilhada resultante do processamento da técnica DPM seguida pela técnica da filtragem F-K. As múltiplas (mesmo as internas) foram mais eficientemente atenuadas.
CONCLUSÔES
A eficiência da técnica DPM é bastante sensível à identificação correta do período e do tamanho do filtro. Por sua vez, a filtragem F-K é bastante sensível à escolha da velocidade adequada para separar as múltiplas dos eventos primários. A DPM é uma técnica que é focada num dado evento; nesse sentido, quando bem parametrizada, ela é mais eficiente para remover a múltipla especificada, podendo ter atuação menos eficiente em outras múltiplas. A DPM pode ser otimizada aplicando-se a técnica várias vezes, em cada vez com uma diferente parametrização. Por sua vez, a filtragem F-K tem aproximadamente o mesmo desempenho em todas as múltiplas que estejam localizadas em um mesmo setor do espectro F-K. Uma deficiência da técnica
26 DPM é quando há sobreposição de múltiplas com eventos primários.
As duas técnicas podem ser combinadas de modo a tomar partido do potencial de cada uma delas, aplicando primeiro a técnica DPM focada na múltipla do fundo do mar, seguida da aplicação da filtragem F-K para a atenuação das demais múltiplas.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à PETROBRAS, FINEP, CNPq e INCT-GP pelo financiamento. Aos pesquisadores do LAGEP-CPGG-UFBA por disponibilizarem os algoritmos usados na DPM.
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29 LISTA DE TABELAS
TABELA 1: Parâmetros de aquisição do dado sintético.
TABELA 2: Parâmetros de aquisição do conjunto de dados marinhos do Golfo do México.