9. DE ENKELTE OMRÅDER
9.6. Lyngberg, utvidelse av Finnsåsmarka naturreservat
De acordo com a natureza do objectivo e das questões de investigação, este estudo segue uma abordagem predominantemente qualitativa, embora integre componentes da investigação quantitativa, sobretudo no tratamento dos dados recolhidos na primeira fase da investigação. Estas componentes surgem na forma de dados numéricos, frequência absoluta, com o propósito de analisar, descrever, comparar e interpretar os processos de resolução que os professores inquiridos dão às questões de um questionário e de um teste sobre conhecimentos e representações de conteúdos de Geometria. De acordo com Cook e Reichardt (1986), enquanto a metodologia quantitativa se preocupa em “medir os resultados numericamente, a perspectiva qualitativa dá primazia aos factos observados, interpretando-os e compreendendo-os no contexto global em que se produzem” (p. 20). Com este propósito, apresentam-se as justificações que os professores dão às suas respostas. Tal permite compreender o significado que dão às suas acções, o que, segundo, Bogdan e Biklen (1994), caracteriza a abordagem qualitativa.
Esta abordagem torna-se mais nítida na segunda fase da investigação, através da realização de dois estudos de caso centrados em duas docentes do 1.º Ciclo (Ana e Inês) do referido núcleo. Estes estudos de caso tiveram como objectivo compreender melhor, de uma forma mais pormenorizada, os conhecimentos e representações que estas docentes têm sobre conteúdos de Geometria, bem como analisar a sua possível influência na posterior abordagem dos mesmos com os seus alunos, embora sem pretensão de generalizar os resultados obtidos. Para tal, procedeu-se à observação de aulas das docentes, que foi complementada pela realização de uma entrevista individual a cada uma delas. Deste modo, recorreu-se a uma abordagem qualitativa de tipo interpretativo para compreender os significados que as duas professoras dão às acções em que se envolvem (Bogdan & Biklen, 1994).
A metodologia de tipo interpretativo é referida por diversos autores como uma abordagem que procura compreender e explicar uma dada realidade com base na análise de um conjunto concreto e específico de informações e dados observados. É, como referem Gómez, Flores e Jiménez (1999), um
“conhecimento construído” que procura compreender “as complexas interrelações que se dão na realidade” (p. 34) e que, na perspectiva de Estrela (1994), resulta da “construção de interpretações das acções do indivíduo em situação” (p. 22). Também para Patton (1987) a “interpretação envolve atribuir sentido e significado à análise, examinando padrões descritivos e procurando relações e conexões entre dimensões descritivas” (p. 144). Esta construção de interpretações realiza-se, de acordo com Spindler e Spindler (citado por Gómez et al., 1999), a partir da observação directa, a qual nos possibilita recolher valores, ideias e práticas. Também Estrela (1994) refere que a observação “tem como objectivo fixar-se na situação em que se produzem os comportamentos, a fim de obter dados que possam garantir uma interpretação „situada‟ desses comportamentos” (p. 18).
Destes pressupostos percebe-se que é determinante o “papel pessoal do investigador” (Gómez et al., 1999, p. 34), o qual, desde o começo da investigação, “interpreta os sucessos e acontecimentos” (idem). Nesta perspectiva, percebe-se, igualmente, segundo Gómez et al. (1999), a fragilidade deste tipo de investigação, uma vez que a subjectividade do investigador pode colocar em causa a credibilidade da mesma: “os investigadores baseiam-se essencialmente na intuição; os observadores colocam a sua atenção no reconhecimento de sucessos relevantes; entende-se que o investigador está sujeito a interacção” (p. 35). Ora, de acordo com Patton (1987), uma investigação qualitativa não pode realizar-se pela via do facilitismo:
A validade e credibilidade dos dados qualitativos depende em grande parte das competências metodológicas, sensibilidade e treino do avaliador. Uma observação sistemática e rigorosa envolve mais do que apenas estar presente e olhar em volta. Uma entrevista competente implica muito mais do que apenas colocar questões. A análise de conteúdo requer consideravelmente mais do que ler para ver o que está lá. Realizar uma avaliação de dados qualitativa útil e credível a partir da observação, da entrevista e análise de conteúdo exige disciplina, conhecimento, treino, prática e trabalho árduo. (p. 8)
No sentido de evitar e contrariar possíveis fugas à necessária objectividade, colocados pela posição do investigador, este tipo de abordagem socorre-se de um conjunto de medidas. Para Gómez et al. (1999), uma dessas medidas passa pelo recurso a uma descrição detalhada susceptível de permitir a “recolha de dados que informem sobre a particularidade das situações, permitindo uma descrição exaustiva e densa da realidade concreta objecto da investigação” (p. 35). Como refere Patton (1987), é preferível uma boa descrição ao uso indiscriminado de instrumentos qualitativos de qualidade e rigor duvidosos. Outras medidas são, ainda, consideradas, neste contexto, como é o caso
da apresentação dos suportes utilizados na observação, como por exemplo as transcrições das observações gravadas em vídeo.
Na presente investigação, a abordagem interpretativa adoptou uma metodologia de estudo de caso. Esta metodologia oferece uma abordagem passível de consentir a investigação pormenorizada e em profundidade do tópico em análise representações e conhecimentos dos docentes do 1.º Ciclo do Ensino Básico, relativamente a conteúdos de Geometria: um estudo em torno da sua influência na abordagem na sala de aula. O estudo de caso é caracterizado por Bogdan e Biklen (1994) como “a observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma única fonte de documentos, ou de um acontecimento específico” (p. 89). Também Yin (1993) refere que “os estudos de caso constituem o método de pesquisa adequado na busca de relações causais em fenómenos sociais (…) [e] quando o investigador pretende abranger um determinado fenómeno no contexto em que este ocorre” (p. 31). Deste modo, pode afirmar-se que, como refere (Yin, 1994), os estudos de caso podem contribuir para compreender fenómenos sociais complexos, constituindo uma “estratégia privilegiada quando (…) o investigador tem pouco controlo sobre os acontecimentos e quando o foco está sobre fenómenos contemporâneos localizados em contextos da vida real” (p. 1). Ponte (1994) reporta-se ao estudo de caso como “uma investigação que se assume como particularista, isto é, debruça-se deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico” (p. 3). Por sua vez, para Denny (cit. por Gómez et al., 1999), o estudo de caso constitui “um exame completo ou intenso de uma faceta, de uma questão ou dos próprios acontecimentos que têm lugar num determinado marco geográfico e num espaço de tempo concreto” (p. 91). Em resumo, na diversidade que pode constituir o estudo de caso como método de investigação qualitativa, ainda assim não deixa de constituir um “exame detalhado, compreensivo, sistemático e em profundidade do caso objecto de interesse” (Gómez et al., 1999, p. 92).