3.1 Jernbane som et stort teknologisk system
3.1.2 LTS og endringsdynamikk
As pesquisas sobre resiliência estão geralmente ligadas ao campo da Psicologia (CYRULNIK, 2009). Porém, como em todo estudo de caráter científico surgiram, no decorrer de décadas, controvérsias quanto ao seu principal objeto de investigação. Ocorre com isso a divisão entre os pesquisadores da primeira geração que atuaram nos anos 70 e 80, e os estudiosos da segunda geração, cujos estudos datam da década de 90 aos dias atuais. Durante a primeira geração:
“...começa-se a ampliar o foco de pesquisa, que se desloca de um interesse em qualidades pessoais, que permitiriam superar a adversidade (como a auto-estima e autonomia) para um interesse maior em estudar os fatores externos ao indivíduo (nível socioeconômico, estrutura familiar, presença de um adulto próximo)” (MELILLO, 2008, p. 24).
Pensar a resiliência de MCD‟s, dentro desta perspectiva teórica, implica olhar para além de seus atributos ou qualidades pessoais que lhe permitiram resistir às situações de adversidade. Trata-se, pois, de investigar condições familiares, econômicas e sociais presentes em seu percurso de vida, as quais são determinantes para a compreensão de processos de ruptura com situações adversas.
Entre os pesquisadores desta geração, destaca-se o estudo de Emmy Werner e Ruth Smith (1992), que ao pesquisarem durante 32 anos 505 pessoas em condições de adversidade, procuraram investigar os fatores que diferenciavam os que se adaptavam positivamente à sociedade dos que assumiam condutas de risco. Este estudo baseou-se no modelo triádico de resiliência: (atributos disposicionais, coesão familiar e redes sociais de apoio).
A segunda geração de pesquisadores acrescenta ao modelo triádico a necessidade da interação de fatores advindos de três diferentes níveis: suporte social (eu tenho), habilidades (eu posso), força interna (eu sou e eu estou). Aí está a base para o Projeto Internacional de Resiliência implementado por Edith Grotberg (1993).
Nesta geração são relevantes os trabalhos de: Luthar; Custing (1999), Masten (1999), Kaplan (1999) e Bernard (1999). E como estudioso de vanguarda destaca-se: Michael Rutter (1991 apud INFANTE, 1997, p.10), que ao adotar o conceito de mecanismos de proteção, redimensiona o conceito de resiliência. Este grupo de autores concebe a resiliência “como um processo dinâmico em que as influências do ambiente e do indivíduo interatuam em uma relação recíproca que permite à pessoa se adaptar, apesar da adversidade” (MELILLO, p. 25).
Esta nova geração de autores alia os estudos sobre resiliência ao aporte oferecido pela Teoria Ecológica de Bronfenbrenner (YUNES, 2011), cujas dimensões são adotadas nesta dissertação como recurso metodológico para organizar e analisar os dados, conforme explicitado no capítulo 2 sobre metodologia.
Como se pode perceber, o conceito de resiliência passou por significativas mudanças, “evoluindo do concreto para o abstrato, das realidades materiais, físicas e biológicas, para as realidades imateriais ou espirituais” (TAVARES, 2002, p. 45). Pesquisar a realidade de McD à luz da teoria da resiliência implica, portanto, identificar, explorar e compreender sobre os aspectos que possibilitaram a superação de situações de adversidade e fortaleceram a luta e compromisso de tais mulheres em defesa dos direitos de seu grupo social. Ao fazer uso desse referencial teórico, pretendo ir além das situações de dificuldades historicamente vivenciadas por McD‟s, mantendo o foco em sua capacidade de resistência e perseverança diante de tais situações.
Os estudos acerca da resiliência realizados nos fins do século passado contemplam os contextos sócio-culturais e ambientais nos quais estão inseridos os indivíduos. Neste sentido, autores como Masten; Coatsworth (1998) conceituaram a resiliência como a manifestação de competências e habilidades na realização de tarefas inerentes ao desenvolvimento humano, tais como o desempenho acadêmico e profissional.
Esses aspectos contribuíram para minha opção pelo referencial teórico da resiliência, tendo em vista que o ingresso ao ensino superior e o sucesso profissional, foram critérios determinantes para a escolha da pessoa entrevistada para realização desse estudo.
Outro critério determinante nesta escolha foi a capacidade demonstrada por McD‟s, no sentido de contribuir para fortalecer processos emancipatórios de mulheres pertencentes a seu grupo social. E a teoria da resiliência, na forma em que vem sendo pensada por seus atuais representantes, oferece elementos que alimentam tais discussões à medida em que aborda questões que privilegiam o desenvolvimento humano.
Resiliência tem comumente sido encarada como uma capacidade de resistência inesperada a eventos potencialmente desfavoráveis, que se manifesta contra o que seria previsível dadas as circunstâncias em que os sujeitos foram no passado ou estão no presente envolvidos e que possibilita não só que sejam neutralizadas as consequências negativas que normalmente daí resultam, mas conseguir inclusivamente que possam vir a tornar-se num fator de desenvolvimento humano (GROTBERG, 1995, p.6).
A aplicação desta teoria junto a MCD‟s, torna-se viável tendo em vista que o estado da arte apresentado anteriormente, revela a presença de elementos históricos desfavoráveis, os quais neutralizam suas ações, impedindo-as de superar os obstáculos que vão desde o ambiente familiar, até o contexto escolar e o mercado de trabalho.
Atualmente, o continente latino americano permanece marcado por identidades culturais e raciais, como também pela existência de redes sociais fragilizadas. Esse fato coloca os indivíduos, e aqui refiro-me particularmente ao grupo social constituído pelas MCD‟s, em condições de risco, o que demanda a necessidade de fortalecer experiências de resiliência comunitária. De acordo com Ojeda; Melillo (2008, p. 49):
... não é de estranhar que a contribuição latino-americana ao conceito de resiliência seja maior quanto ao enfoque coletivo e que esteja enraizada na epidemiologia social muito mais do que nos enfoques clássicos que explicam o processo saúde-doença, baseando-se na observação de casos individuais. Esta passagem de uma epidemiologia clínica a uma epidemiologia social de resiliência alia-se, neste estudo, aos processos de ruptura com os modelos que explicitam a condição de fraqueza feminina, como também ao binômio doença x deficiência, o que as impede de construir relações sociais sólidas e transformadoras. Dessa forma, pensar a resiliência das MCD‟s na América Latina pressupõe uma ruptura com valores socioculturais excludentes em detrimento de práticas que promovam a construção de uma sociedade marcada por valores tais como a solidariedade e a abertura de novos espaços para todos.
A revisão de literatura em resiliência indica o crescimento de publicações e pesquisas nesta área (SOUZA; SERVENY, 2006). Inicialmente, seu foco de interesse concentrava-se
em aspectos psicológicos, relacionado, sobretudo, a estudo com crianças. Posteriormente passou-se a investigar aspectos de caráter sociológico, conforme revelam os dados que se seguem: desde a segunda metade dos anos 60, até 1985, registra-se 49% de pesquisas relacionadas à resiliência de crianças. Esta proporção decresce para 16% nos anos 1993 a 1998 e para 12% a partir de 1999. Neste período verifica-se a preocupação com aspectos culturais, uma vez que surgem pesquisas relacionadas à resiliência e etnias, homossexualidade, crianças de rua, dentre outros temas que constituem áreas de interesse dos EC. Dessa forma, a “resiliência é um conceito construído sócio-historicamente, impregnado de valores e significados próprios da cultura em que ele se insere” (SOUZA; CERVENY, 2006, p. 14). Estas pesquisas são um reflexo da realidade e dos desafios de cada cultura local. Gênero & deficiência são temáticas contempladas pelas pesquisas em resiliência. Todavia, isto se dá de maneira compartimentada, o que comprova a escassez de estudos que articulam a realidade das McD, lacuna que busco preencher com a realização deste trabalho.
CAPÍTULO II