3.2 Modified equation
4.1.1 The a(i, C) function
Em Barreiras foram feitas quinze entrevistas ao longo de uma semana e em Formosa quatorze. O público-alvo das entrevistas foram as beneficiárias do Programa Bolsa Família. Ao longo do questionário houve questões que não foram respondidas pelas benefeciárias por afirmar não saber discorrer sobre o tema levantado, esse comportamento possivelmente relaciona-se com a dificuldade de compreensão e discussão do tema inerente ao baixo nível de escolaridade das entrevistadas.
As perguntas feitas seguiram a seguinte lógica um primeiro bloco de identificação da entrevistada (idade, escolaridade, número de filhos). Depois perguntas exploratórias de como elas ficaram sabendo da existência do programa, desde quando recebe e o valor do benefício. A importância de saber desde quando a pessoa recebe o benefício é identificar aquelas que recebiam o Bolsa Escola e questioná-las sobre mudanças quando virou Bolsa Família.
Uma terceira bateria de perguntas visa avaliar o impacto dessa política na vida das pessoas, quais são suas atitudes para se manterem no programa, se elas têm medo de perder o benefício e se já foram convidadas a participar de cursos de capacitação. O principal intuito dessas perguntas e tentar perceber se existe um sentimento de gratidão em relação à política e como a política é refletida em suas vidas.
Além disso, verificar se a política tem um caráter clientelista de manutenção nas pessoas em situação de vulnerabilidade social, isso percebido com a pergunta sobre cursos de capacitação. Evidentemente, a existência ou participação em cursos de capacitação não são suficientes para medir essa variável, entretanto segundo as diretrizes da política essa é uma das ações para vencer a dependência pelo benefício e possibilitar a emancipação da beneficiária.
Logo depois, questiona-se se as pessoas acham que o fato de receberem o benefício é um direito ou uma simples ajuda do governo e se devem dar algo em troca por receber tal benefício. Com essa pergunta, procurar-se-á compreender como as pessoas avaliam o programa, isto é, de uma maneira assistencialista ou como um direito dado pelo Estado. Além disso, pretende-se confrontar a visão da população a cerca do benefício com a visão que é preconizada pelo Estado. Essa comparação deverá ser feita com as entrevistas realizadas com os gestores federais do programa.
E por último, passa-se para as perguntas de comportamento político, em que se procura identificar em quem a pessoa votou na última eleição, se votaria no candidato apoiado por Lula na próxima eleição e se a existência do Bolsa Família foi importante na hora de decidir seu voto em 2006 e se será em 2010. Essa bateria de perguntas tem um caráter fulcral na dissertação, na medida em que dará subsídios empíricos para a refutação ou não da hipótese delineada.
Como foi mostrado na parte teórica, a escolha racional prevê que o comportamento eleitoral seja definido por vantagens a serem recebidas no processo eleitoral, seja ela durante ou depois, principalmente vantagens pessoais como no caso a continuação do recebimento do benefício por meio da manutenção do governo. Desta forma, essas perguntas possibilitarão a criação de um elo entre o que foi descrito teoricamente e o que se quer provar empiricamente, isto é, se a existência do Bolsa Família foi algo definidor do comportamento eleitoral das pessoas beneficiárias.
Junta-se a esse constructo a perspectiva sociológica também abordada anteriormente, que procura explicar o comportamento eleitoral por meio de uma visão coletivista, ou seja, o comportamento do todo explicando o individual. Dentro dessa discussão, a corrente sociológica deverá ser entendida ou preconizada como a influência do voto do todo das beneficiárias ou da região em que elas vivem na escolha de cada uma delas. Por isso, se pergunta o que “as pessoas
que moram ao seu redor pensam sobre o programa?”. A partir desse questionamento observar-se- á a avaliação individual sobre o todo.
O questionário feito em Formosa sofreu algumas alterações27 com a inclusão de novas perguntas, entretanto sempre dentro da lógica explicada. As alterações aconteceram devido à necessidade de refinar os questionamentos e facilitar as respostas dadas, a partir da avaliação feita com as entrevistas realizadas em Barreiras. Um exemplo foi fazer perguntas pontuais sobre as últimas eleições, isto é perguntar em quem a pessoa votou na eleição em que Fernando Henrique Cardoso disputou com Lula. O intuito foi posicionar o entrevistado em relação às eleições já que se sabe que a memória política do eleitorado brasileiro não merece muito mérito e por ter identificado que os entrevistados tendiam a confundir os pleitos.
Outra alteração realizada foi a inclusão da escolaridade que aconteceu a partir da sétima entrevista feita em Barreiras, este certamente foi um erro, que poderia não ter acontecido caso um pré-teste tivesse sido feito.
Feito essa explicação pode-se passar às análises das entrevistas. Como se trata de um trabalho de cunho qualitativo histogramas de distribuição de respostas serão usados, assim como a codificação das mesmas para facilitar a análise.
Os histogramas têm o importante papel de dispor as respostas de uma maneira que facilite o seu entendimento, possibilite encontrar com mais facilidade padrões e divergências entre os dois municípios. Sempre serão realizadas análises exploratórias de cada município e depois confrontadas, a fim de perceber como as diferenças regionais se materializam no conjunto das respostas obtidas.
A análise será então organizada da seguinte maneira, primeiro o perfil das beneficiárias, passando para o estudo do impacto da política em suas vidas, depois a compreensão de como elas vêem o benefício como ajuda ou como direito. E por último, a avaliação do comportamento eleitoral juntamente com a percepção das beneficiárias sobre quem lhes dá o benefício.