4 Results and discussion
4.1 Loss of peptide during nitrogen evaporation
Grande parte do turismo no Delta se dá em áreas protegidas, tanto na Área de Proteção do Delta do Parnaíba quanto na Reserva Extrativista. O município de Parnaíba é o principal núcleo de suporte ao turista e constitui o principal portão de entrada para a visitação do Delta do Parnaíba. Contudo, Parnaíba é uma cidade que tem participação tímida do turismo. Em sua essência, é centro comercial regional de grande relevância tanto para os municípios dos arredores do Piauí como para as ilhas do Delta, que pertencem em grande parte ao Maranhão.
Dos estados componentes da Rota das Emoções, o Piauí é o que tem o fluxo turístico mais incipiente e que exige diversos investimentos, sobretudo em infraestrutura urbana. A reduzida visibilidade dos atrativos turísticos piauienses, possivelmente, responde pela fraca visitação. Tal constatação provém da percepção dos atores locais, tendo em vista que não existem estatísticas consolidadas de fluxo de visitação para o roteiro.
O consórcio assinado pelos três estados – Ceará, Maranhão e Piauí – vem ampliando neste último as expectativas acerca da movimentação. A posição estratégica do Piauí – entre os dois estados – privilegia a visitação nas suas localidades, como afirmam os atores locais. Todavia, as cidades piauienses, como Parnaíba, são principalmente pontos de passagem dos visitantes dos Parques Nacionais dos Lençóis Maranhenses e de Jericoacoara. Aqueles que operam o turismo do Delta afirmam que o turista que percorre o
roteiro tende a ficar apenas uma noite em Parnaíba e seguir rumo a um dos outros principais atrativos.
Na costa leste piauiense está Cajueiro da Praia, um local crescentemente inserido no turismo. Ilha Grande, por sua vez, é limítrofe com o município de Parnaíba e tem uma das principais entradas para o passeio no Delta realizado por meio de transporte de voadeiras ou lanchas rápidas. Para alcançar o Porto dos Tatus, os turistas se deslocam pelo município por terra a partir de Parnaíba, porém pouco ou nada interagem com a população local. As principais atividades produtivas locais são a cata de caranguejo e a agricultura, além de grandes propriedades de exploração da carnaúba. Atualmente, existem iniciativas de fomento à hospedagem familiar na ilha por meio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP/COPPE/UFRJ) e um projeto do Sebrae/Parnaíba voltado para o resgate das raízes culturais locais. Um dos pontos de maiores divergências locais é a instalação no município de um grande empreendimento internacional de hospedagem e lazer, que é visto de modo bastante controverso localmente.
A Ilha das Canárias, parte da Resex do Delta, abriga cinco comunidades. Apenas duas (Morro do Meio e Canárias) recebem alguma visitação, ainda que não consistam em atrativos por si mesmas, posto que constituem pontos de parada rápida nos passeios do Delta. A primeira, que fica ao longo do igarapé, é passagem para os barcos que ligam Tutóia ao Porto dos Tatus, em Ilha Grande, servindo especialmente a moradores da região. A segunda, por sua vez, na condição de maior comunidade da Ilha das Canárias (1.200 pessoas organizadas em cerca de 320 famílias) é ponto de passagem para o passeio do Delta a partir do Porto dos Tatus. Ela oferece uma pequena estrutura de hospedagem e alimentação, servindo como ponto de parada durante o trajeto de voadeiras. Em suma, em suas paradas, a discreta visitação pouco contribui ou interage com a comunidade (MATTOS, 2008).
Na região do Delta, os principais impactos ambientais negativos foram correlacionados à falta de saneamento básico nas cidades. Esse problema pode ser vinculado ao turismo em Luís Correia, já que na alta estação sofre com ocupação excessiva, que não pode ser suportada pela infraestrutura. Então, apresenta como impactos negativos advindos do turismo concentrado em sua alta estação o acúmulo de lixo nas vias públicas, bem como o comprometimento da limpeza das praias e atrativos turísticos. Nos outros locais, pouco ou quase nada desse problema pode ser atribuído ao turismo. O impacto mais visivelmente vinculado à atitividade turística é a existência de conflitos entre pescadores e esportistas de
kite surf na praia de Barra Grande, em Cajueiro da Praia. Afinal, os pescadores revoltam-se
Região do Delta do Parnaíba
Impactos negativos Impactos positivos
Contaminação da água em virtude de falta de tratamento de dejetos
Conflitos de uso de recursos: pescadores
versus esportistas de kite surf
Geração de trabalho e renda Obras de saneamento básico Diversificação das economias locais Oferta de cursos de capacitação voltados à produção do artesanato local Valorização do patrimônio natural Estímulos à organização social e produtiva do turismo
Quadro 5 – Síntese de impactos negativos e positivos vinculados ao turismo na região do Delta
Fonte: pesquisa da autora
Mais do que impactos negativos a partir do turismo, a região do Delta apresenta problemas que condicionam e limitam o desenvolvimento dessa atitividade. Em todas as localidades a água tem passado a apresentar níveis de contaminação em função de dejetos lançados. Em primeira instância, isso afeta a qualidade de vida e a saúde daquela população. No futuro, pode também ser uma limitação agravada, caso o turismo passe a ocorrer com maior intensidade, gerando maior pressão. Parnaíba apresentou a poluição sonora causada por publicidade volante (bicicletas, carros de som) e casas de show noturnas; falta de saneamento básico (água, esgoto, etc.); resíduos sólidos, o que reitera o fato de não haver infraestrutura adequada para coleta e disposição de tais resíduos.
Em Cajueiro da Praia foram classificados por parte de entrevistados como graves problemas ambientais que limitam o desenvolvimento do turismo no local, a carcinicultura e a pesca com bomba, principalmente a partir de Chaval. Sobre esse último, diz-se que pessoas da região pagam para habitantes do município soltarem bombas caseiras e assim fazerem a pescaria, destruindo todo tipo de vida em um raio de 100 metros. O conflito mais relevante se deu em função da morte de um peixe-boi em 2007.
Os impactos positivos do turismo nessa região, mencionados no Quadro 5, dizem respeito à geração de trabalho e renda, melhoria de infraestrutura, valorização da cultura e do meio ambiente da região.