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Looking at the Convention from a political economy perspective

In document October 2011: 2 U4 REPORT (sider 22-29)

Part 1: A political economy analysis of UNCAC

2. UNCAC and political economy

2.2 Looking at the Convention from a political economy perspective

A partir de um estudo exploratório de 85 edições do programa128, selecionamos para este capítulo uma amostragem intencional dos programas, correspondendo a 28 edições veiculadas. A seleção seguiu nosso problema de pesquisa, que procura saber se o programa possui de fato um experimentalismo. Estabelecemos como principal categoria de análise o fato das edições trabalharem com um elemento binário principal: luz e sombra; são textos que nos remetem ao dia ou à noite; ao consciente ou ao inconsciente; a situações reais ou imaginárias, questões que permeiam as montagens do programa Visagem. A característica sensorial do meio rádio nos serve de baliza para explorar tais questões uma vez que:

O rádio envolve o ouvinte, fazendo-o participar por meio da criação de um ‘diálogo mental’ com o emissor. Ao mesmo tempo, desperta a imaginação através da emocionalidade das palavras e dos recursos de sonoplastia,

128 O total de programas produzidos foi de 93 edições entre abril de 2003 a outubro de 2008. Tivemos

permitindo que as mensagens tenham nuances individuais, de acordo com as expectativas de cada um (ORTRIWANO, 1985, p. 80).

Além disso, como a linguagem radiofônica “engloba o uso da voz humana, da música, dos efeitos sonoros e do silêncio, que atuam isoladamente ou combinados entre si” (FERRARETTO, 2000, p. 26), optamos em destacar os programas que trabalham esses recursos de forma isolada ou alternada. É importante frisar que a música, os efeitos sonoros e o silêncio alcançam o inconsciente do ouvinte e a fala, o consciente. “A trilha sonora pode acentuar ou reduzir determinados aspectos dramáticos contidos na voz do comunicador, ressaltados, por vezes, pelo silêncio” (FERRARETTO, 2000, p. 26).

Relembremos que o programa Visagem começou a ir ao ar em 2003. Se o programa fosse produzido semanalmente teríamos, em cinco anos de produção, cerca de 260 edições. No entanto, são raras às vezes que um novo programa é produzido, por conta disso, o Visagem se mantém com reprises. Sobre o assunto, os criadores do programa alegam que elas ocorrem por falta de tempo de ambos para produzirem mais montagens, além do que não há um feedback para o que eles têm levado ao ar. Embora saibam que o Visagem tem uma audiência, ela não é facilmente identificável, pois a forma de contato com o programa – um e- mail desatualizado – leva a uma corrente de incomunicação. O programa está lá, divulga e- mail, mas qualquer tentativa de contato pelo correio eletrônico acaba perdida, por absoluta falta de atualização do endereço eletrônico, algo simples de ser feito, mas que, até o momento, não foi realizado.

A seguir dividimos os programas em duas vertentes: os programas de luz, assim definidos por possuírem uma narrativa mais leve, seja voltada à poesia, à música, à temas da ciência ou ao experimentalismo, portanto, o que está mais voltado ao plano do consciente; e os programas de sombra, mais densos, referindo-se ao terror, trazem histórias que remetem ao medo, ao susto e também ao humor grotesco com textos que cunham fatos absurdos, o inconsciente. Consciente e inconsciente, portanto, em junção.

Ao descrever a psique humana, Jung (apud Stein, 2006, p. 23) retrata a consciência como o campo no qual a figura central é o ego, “sujeito de todos os atos pessoais de consciência”. Só com um ego-sujeito ativo é que os atos alcançam a superfície do consciente, ao contrário, desembocariam no seu oposto, o inconsciente. Desta forma, a consciência é:

O estado de conhecimento e entendimento de eventos externos e internos. É o estar desperto e atento, observando e registrando o que acontece no

mundo em torno e dentro de cada um de nós. Os humanos não são, é claro, os únicos seres conscientes sobre a Terra. Outros animais também são conscientes, uma vez que podem, obviamente observar e reagir ao seu respectivo meio ambiente em termos cuidadosamente modelados. A sensibilidade das plantas para o seu meio ambiente também pode ser tomada como uma forma de consciência. A consciência, per se, não separa nem distingue a espécie humana de outras formas de vida (STEIN, Idem, p. 24).

Na outra ponta, encontramos o inconsciente que “inclui todos os conteúdos psíquicos que se encontram fora da consciência, por qualquer razão ou qualquer duração” (Idem, ibidem).

Jung não considerava o inconsciente exclusivamente como um repositório da experiência pessoal, reprimida e infantil, mas também como um lugar central da atividade psicológica que difere da experiência pessoal e era mais objetiva que ela, desde que se referia diretamente às bases filogenéticas, instintivas, da raça humana. O primeiro, o inconsciente pessoal, era visto como fundando-se no segundo, o inconsciente coletivo. Os conteúdos do inconsciente coletivo jamais estiveram na consciência e refletem processos arquetípicos. Tanto quanto o inconsciente é um conceito psicológico, seus conteúdos, como um todo, são de natureza psicológica, não importa que conexão suas raízes possam ter com o instinto. Imagens, símbolos e fantasias podem ser designados como a linguagem do inconsciente. O inconsciente coletivo opera independentemente do ego por causa de sua origem na estrutura herdada do cérebro. Suas manifestações aparecem na cultura como motivos universais que possuem graus de atração próprios129.

Outro conceito junguiano que vale a pena reproduzir é o que trata da sombra. Se na física, a sombra é uma região escura formada pela ausência de luz que surge a partir de um obstáculo; no nível psicológico, Jung a percebe também como um obstáculo, só que inconsciente e que impede nossos propósitos, uma vez que a sombra é o que não se quer ser. “Vezes e mais vezes [Jung] enfatizou que todos nós temos uma sombra, que toda coisa substancial emite uma sombra, que o ego está para a sombra como a luz para a penumbra, que é a sombra que nos faz humanos”130. Desta forma, a sombra é todo material retirado da consciência, por não ser aceito, embora não possa ser eliminado, pois faz parte da natureza de

129 Dicionário Crítico de Análise Junguiana. Disponível em

http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/inconsci.htm, consultado em 08/12/2010.

cada um, além disso, “ela é um depósito de considerável energia instintiva, espontaneidade e vitalidade, e é a fonte principal de nossa criatividade”131.

[Jung] Reconhecendo que a sombra é uma parte viva da personalidade e que “quer viver com esta” de alguma forma, identifica-se, antes de tudo, com os conteúdos do inconsciente pessoal. Lidar com estes envolve o indivíduo ter de harmonizar-se com os instintos e como a expressão destes foi submetida ao controle pelo coletivo. Mais ainda, os conteúdos do inconsciente pessoal estão inexplicavelmente fundidos com os conteúdos arquetípicos do inconsciente coletivo, estes por sua vez contendo seu próprio lado obscuro. Em outras palavras, é impossível erradicar a sombra; daí, o termo empregado mais freqüentemente pelos psicólogos analíticos para o processo do confronto com a sombra na análise é “pôr-se em termos com a sombra”132.

No Visagem, luz e sombra fundem-se em um mesmo novelo e um programa que carrega a leveza das coisas simples, pode também ter a densidade da sombra e vice-versa. Assim, nos deparamos com a definição junguiana sobre o arquétipo sombra, descrito acima.

4.2. Programas de luz: ciência, literatura e experimentalismo

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