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Long-term changes in zooplankton community composition

5. Results and discussion

5.2 Long-term changes in zooplankton community composition

Na definição de Olgyay (1968), a bioclimatologia consiste no estudo das relações entre o clima e os seres vivos. A compreensão das variáveis climáticas, humanas e arquitetônicas relacionadas ao conforto ambiental e à eficiência energética é fundamental para a aplicação da bioclimatologia à arquitetura através da adoção das estratégias naturais de aquecimento, resfriamento e iluminação – as chamadas estratégias bioclimáticas – e da integração destas com os sistemas artificiais quando necessário.

O termo projeto bioclimático, cunhado pelo mesmo autor, se refere, portanto, à aplicação da bioclimatologia à arquitetura, tendo como parâmetro o conforto térmico humano e utilizando seus próprios elementos arquitetônicos para tirar partido das condições climáticas ou amenizá-las.

Diversos autores apontam que em climas tropicais quentes e úmidos, as estratégias projetuais bioclimáticas voltadas para o conforto térmico devem ter como enfoque o controle dos ganhos de calor através da utilização de materiais leves e refletores em seus fechamentos e do sombreamento nas aberturas e a dissipação da

energia térmica do interior do edifício e remoção da umidade excessiva através da ventilação natural (BITTENCOURT & CANDIDO, 2006; LAMBERTS et al, 2004).

A Norma Brasileira 15220 – Parte 3 - Zoneamento Bioclimático Brasileiro e Diretrizes Construtivas para Habitações Unifamiliares de Interesse Social (ABNT, 2005) corrobora ao apontar as seguites estratégias projetuais para a Zona Bioclimática 8: a) grandes aberturas para ventilação sombreadas; b) paredes externas leves e refletoras; c) cobertura leve e refletora; e d) ventilação cruzada permanente.

Estas recomendações se baseiam na homogeneidade climática. A figura 13, a seguir, mostra o território brasileiro segundo as suas Zonas Bioclimáticas. A Figura 14, por sua vez destaca a Zona Bioclimática 8 com sua respectiva carta bioclimática.

A seguir serão feitas algumas considerações a respeito dessas estratégias, com enfoque na realidade climática de Natal e em seus edifícios residenciais verticais.

Figura 13 – Zoneamento Climático Brasileiro.

Fonte – ABNT (2005)

Figura 14 – Zona Bioclimática 8 e Carta Bioclimática apresentando as normais climatológicas de cidades desta zona.

2.4.1 VENTILAÇÃO NATURAL

As soluções arquitetônicas mais comuns para a utilização da ventilação natural como estratégia bioclimática são a ventilação cruzada; a ventilação da cobertura; a ventilação sob a edificação e utilização de captadores de vento.

A ventilação cruzada ocorre quando há mais de uma abertura no ambiente, em paredes opostas ou adjacentes. Durante o dia, esta solução é indicada quando a temperatura interna ultrapassar os 29º graus ou a umidade relativa for superior a 80% e a temperatura externa seja inferior aos 32º.

Quando as temperaturas externas forem superiores a 32º durante o dia é preferível não utilizar a ventilação cruzada para evitar ganhos térmicos por convecção e adotar o resfriamento convectivo noturno. Para temperaturas diurnas acima de 36º aproximadamente, a ventilação noturna não é suficiente para garantir o conforto térmico, devendo ser combinada a sistemas artificiais.

A cobertura é o elemento da envoltória responsável pela maior parte dos ganhos térmicos depois das aberturas. O uso da cobertura ventilada pode reduzir este efeito, contribuindo para a diminuição da carga térmica da edificação.

2.4.2 ILUMINAÇÃO NATURAL

Apesar do foco desta pesquisa ser o conforto térmico e sua relação com a eficiência energética, é preciso conhecer as variáveis do conforto visual, pois as aberturas da edificação devem ser projetadas considerando concomitantemente as necessidades de ventilação, de renovação do ar interno e de iluminação.

É comum, no entanto, que apenas um dos enfoques (conforto visual ou térmico) seja priorizado, para que o outro seja resolvido através de sistemas artificiais, resultando no consumo desnecessário de energia, já que o sistema de iluminação artificial é um dos fatores responsáveis por boa parte do consumo de energia elétrica numa edificação.

De acordo com Lamberts et al (2004, p. 44), o conforto visual pode ser entendido como “a existência de um conjunto de condições, num determinado ambiente, no qual o ser humano pode desenvolver suas tarefas visuais com o máximo de acuidade e precisão visual, com o menor esforço, com menor risco de prejuízo à vista e com reduzidos riscos de acidentes.” Para que a iluminação seja adequada

deve ter intensidade suficiente sobre o local de trabalho, boa distribuição e definição de cores, contrastes adequados, bom padrão e direção de sombras e ausência de ofuscamento.

A necessidade de intensidade na iluminação aumenta de acordo com a complexidade da tarefa visual e com a idade de quem a exerce. No nível adequado, a luz natural é preferencial, pois permite às pessoas uma maior tolerância à variação. A NBR 5413 (ABNT, 1992) define as iluminâncias mínimas em função da tarefa.

O contraste, por sua vez, equivale á diferença de luminância (brilho) entre um objeto e seu entorno imediato. O aumento da iluminância melhora a sensibilidade ao contraste. A partir de certo nível, no entanto, a iluminância pode provocar ofuscamento devido ao alto contraste ou excesso de luminância.

O aproveitamento da iluminação natural deve levar em consideração tanto a luz proveniente do sol e da abóbada celeste, quanto a contribuição do entorno e atentar para que o projeto garanta uma boa distribuição da iluminância nos ambientes, tendo em vista que os níveis caem a medida que há o afastamento da fonte, no caso, a janela.

2.4.3 SOMBREAMENTO DAS ABERTURAS

Tendo em vista que no clima quente e úmido a principal causa de desconforto nas edificações é o excesso de calor transmitido para os ambientes, sobretudo através dos elementos translúcidos das aberturas, percebe-se a importância que o sombreamento possui na obtenção de níveis mais altos de conforto ambiental e eficiência energética (BITTENCOURT, 2004)

Para evitar ganhos excessivos Olgyay (1957) aponta as seguintes medidas: posicionar e orientar o edifício a fim de obter a mínima carga térmica; dimensionar as aberturas para atender às necessidades de iluminação e ventilação natural sem; proteger as aberturas da insolação direta; minimizar a incidência nas superfícies da envoltória; e minimizar a absorção do calor pelas superfícies.

Diante dos altos níveis de iluminância no Nordeste brasileiro, é fundamental evitar os problemas de ofuscamento e ganhos excessivos de calor através de recursos arquitetônicos como brises, prateleiras de luz, marquises, beirais, cobogós e varandas, planos externos, caramanchões, vegetação, toldos, entre outros. Por outro lado, o dimensionamento deve ser cuidadoso para que não se obstrua a abertura o

suficiente comprometendo, assim, a iluminação natural e a visibilidade (BITTENCOURT, 2004; OLGYAY, 1957; DUTRA & ANDRADE).

Em edifícios verticais, geralmente com telhado plano, varandas, brises e persianas são elementos de proteção solar mais adequados, mas devem ser projetados para o tamanho e a orientação da abertura, exigindo o estudo da trajetória solar, para que se possa integrar as funções de iluminação e visibilidade com a influência que estes elementos exercem sobre a estética da fachada (CARVALHO, 2010).

Observa-se que a falta desses estudos tem resultado na utilização ineficiente desses elementos, cujo exemplo mais comum é a utilização da mesma solução para todas as fachadas, quando se sabe que cada orientação tem uma exigência diferente de sombreamento. Em outros casos observa-se o super dimensionamento em função da não consideração de outros elementos de sombreamentos existentes, como saliências no volume dos edifícios ou, numa situação mais grave, a total inexistência de sombreamento, como é o caso da maioria dos edifícios residenciais de Natal, que se muito apresentam varandas.

Olgyay (1957) classifica os tipos básicos de dispositivos de proteção solar em horizontais, verticais e grelhas, sendo que estes permitem inúmeras combinações entre si. Os protetores horizontais são adequados à incidência solar de inclinação mais elevada e sua extensão deve ser preferencialmente maior que a largura da janela, enquanto os verticais são mais adequados a ângulos menores.

Como visto, as estratégias bioclimáticas devem ser adequadas ao clima e às especificidades locais. Para apontar soluções projetuais para uma determinada localidade deve-se, portanto, levar em conta as tipologias e padrões construtivos locais. O capítulo a seguir irá tratar deste assunto no que se refere aos edifícios residenciais verticais localizados no município de Natal/RN

3 TIPOLOGIAS RESIDENCIAIS VERTICAIS

De acordo com Carlo (2008), os parâmetros relacionados ao estudo da eficiência energética em edificações podem ser classificados em dois grupos: as características primárias, referentes à forma, às dimensões, ao tipo de condicionamento de ar, às cargas internas e ao padrão de uso; e as características secundárias, que se relacionam à envoltória do edifício, sendo as principais o percentual de abertura na fachada; a absortância solar, a transmitância e a capacidade térmica das superfícies; o coeficiente de sombreamento e o fator solar dos elementos translúcidos.

A eficiência energética é, portanto, avaliada a partir da comparação entre edificações pertencentes a um mesmo grupo tipológico, ou seja, com características primárias semelhantes, mas com diferentes combinações de características secundárias, pois estas induzem a um determinado nível de consumo energético e são responsáveis pela eficiência energética do edifício dentro deste grupo tipológico (CARLO, 2008).

O item a seguir aborda a questão da tipologia na arquitetura, bem como as classificações recorrentes para as edificações residenciais.