5. Results and discussion
5.1 Trophic interactions and the role of Calanus species in the ecosystem
5.1.2 Iceland Sea
A influência que as decisões projetuais, materiais e elementos construtivos empregados nas edificações exercem sobre as condições de conforto interno é determinada diretamente pela forma como estes respondem ao clima e às características locais. Desta forma, a especificação destes elementos no projeto arquitetônico deve ser estreitamente integrada às especificidades locais, o que implica no estudo prévio das variáveis climáticas.
Segundo Lamberts et al (2004), o estudo destas variáveis se equipara, em importância, ao estudo do próprio programa de necessidades da edificação, pois para o mesmo, a boa arquitetura hoje é aquela que, respondendo ao programa de necessidades e à análise climática, atende simultaneamente às necessidades funcionais, de conforto e de eficiência energética.
Entende-se por clima a condição média do tempo (variação diária das condições atmosféricas) em uma dada região, baseada em medições periódicas das variáveis climáticas realizadas em estações meteorológicas. As principais variáveis climáticas que influenciam no conforto térmico são a radiação solar, a temperatura do ar, o movimento do ar e a umidade (OLGYAY, 1998).
2.2.1 RADIAÇÃO SOLAR
A radiação solar pode ser aproveitada nas edificações como fonte de calor e luz, possuindo, assim, forte impacto no desempenho termo-energético destas. Para que seja possível tirar partido ou evitar estes recursos é preciso as variáveis climáticas e as relações entre os fenômenos térmicos e visuais decorrentes destas sejam bem compreendidos, permitindo que o projeto arquitetônico considere de forma integrada o conforto térmico e o conforto visual. É comum, no entanto, que apenas um dos enfoques (conforto visual ou térmico) seja priorizado, para que o outro seja resolvido através de sistemas artificiais.
A radiação solar pode ser direta e difusa. A primeira consiste na parcela que atinge a terra diretamente, sem sofrer difusão na atmosfera e é principal responsável pelos ganhos térmicos nas edificações. A segunda é a parcela que sofre dissipação, principalmente em função da quantidade de nuvens na abobada celeste. Quanto mais
difusa a radiação solar, maior a tendência de as fachadas dos edifícios receberem a mesma quantidade de radiação.
É comum que a radiação solar direta seja completamente evitada no interior das edificações, devido a sua alta intensidade (60.000 a 100.000 lux) e à sua participação nos ganhos térmicos. Para Lamberts et al (2004) essa é uma concepção errônea, tendo em vista que a eficácia luminosa da radiação direta, além de ser superior a das luzes artificiais, introduz menor quantidade de calor por lúmen para o interior do edifício que a maioria das lâmpadas. Para tanto, é necessário que a radiação solar direta seja captada e distribuída de forma adequada, de forma a evitar a luminosidade excessiva e os ganhos térmicos indesejáveis. A luz difusa, por sua vez, varia de 5.000 a 20.000 lux (para o céu encoberto).
2.2.2 TEMPERATURA DO AR
A variação da temperatura ocorre em função dos fluxos das massas de ar e da forma como cada localidade recebe a radiação solar, em conseqüência de suas características físicas. As normais climatológicas ou os Anos Climáticos (TRY) fornecem dados de temperatura média, máxima e mínima para cada período do ano e por localidade, cabendo ao arquiteto trabalhar o projeto arquitetônico de forma a amenizar as épocas de maior desconforto térmico (LAMBERTS et al, 2004).
2.2.3 VELOCIDADE DO VENTO
A diferença de temperatura entre massas de ar provocam deslocamentos das áreas de maior pressão para as áreas de menor pressão, resultando na variação da direção e velocidade do ar. Estas características são medidas em estações meteorológicas, geralmente longe das áreas urbanos para evitar a influência dos elementos urbanos nos resultados, e sintetizadas em diagramas do tipo “rosa-dos- ventos”, que podem ser utilizados projetistas para a para o estudo das aberturas e do aproveitamento da ventilação natural. A uma mesma temperatura a sensação térmica pode ser modificada devido à existência de ventos (LAMBERTS et al, 2004).
2.2.4 UMIDADE
A quantidade de vapor de água que pode ser contida no ar varia conforme a temperatura, assim, para cada temperatura existe uma quantidade máxima de água evaporada, que em termos percentuais equivale a 100% de umidade relativa. Desta forma, quando há diminuição da temperatura a umidade relativa tende a aumentar e quando há aumento de temperatura, tende a diminuir.
A umidade influencia na transmissão da radiação solar, pois as partículas de vapor a absorvem e redistribuem. Em locais secos a amplitude térmica tende a ser maior durante o dia do que em locais úmidos. Assim como a velocidade dos ventos, a umidade influencia na sensação de conforto térmico, pois influencia na evaporação do suor (LAMBERTS et al, 2004).
2.2.5 MESOCLIMA E MICROCLIMA
Na escala mesoclimática, outras variáveis podem influenciar nas condições locais do clima, como a vegetação, a topografia, o tipo de solo e a presença de obstáculos naturais e artificiais, caracterizando mesoclimas como o litoral, a floresta, os vales, as cidades, etc. Já na escala microclimática, mais próxima da edificação, as decisões projetuais possuem grande influência no microclima, podendo alterá-lo de forma considerável.
No que diz respeito à radiação solar, tanto na escala mesoclimática quanto na escala microclimática, a vegetação pode modificar a forma como um sítio absorve a radiação solar, na medida em que intercepta cerca de 60 a 90% desta, contribuindo para a diminuição da temperatura do solo ou do entorno construído. Na escala microclimática, o albedo (capacidade de uma superfície de refletir a radiação solar) é uma variável de grande importância e deve ser considerada na escolha dos materiais de calçamento e de revestimento das edificações.
As condições do vento local também podem ser alteradas nestas escalas através da presença da vegetação, edificações e outros anteparos naturais ou artificiais. O desenho urbano, a vegetação e obstáculos no nível da edificação podem ser utilizados para canalizar o ar, aproveitando-o ou evitando-o, conforme as necessidades locais.
Por fim, a umidade do ar pode ser modificada devido a existência da vegetação e de corpos d’água. Observa-se que as variáveis climáticas atuam de forma conjugada, interferindo umas nas outras e resultando em um quadro diferenciado para cada localidade. O projetista deve compreendê-las de forma integrada, permitindo que sejam consideradas de forma consciente no projeto arquitetônico (LAMBERTS et al, 2004).