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2. Teoretisk rammeverk

2.3 Kunnskapsflyt og læring

2.3.1 Lokalisert læring og taus kunnskap

A resiliência implica em administrar as adversidades, reconhecendo o seu potencial de risco, porém sem deixar de movimentar-se para enfrentá-las diante das situações.

Os riscos contribuem para que o ser humano potencialize negativamente a vulnerabilidade (PESCE et al., 2004), portanto frente às adversidades os fatores de proteção se manifestam para que o indivíduo possa reagir, neutralizado assim os riscos.

A partir da história de vida de cada uma das entrevistadas, detectou-se algumas adversidades que ambas precisaram enfrentar ao longo das suas vidas. No caso da M.D.A, a mesma ao se casar se deu conta de que as coisas não ocorreram da forma que a mesma imaginava, e nesse momento instalou-se uma situação difícil, mas que a mesma por um processo de resiliência.

[...] olha eu passei foi uma semana sem comer. Viu, então eu disse não, nessa época eu peguei disse não, eu quero ter uma vida melhor pros meus filhos. Aí sempre eu conversava, chorava, sentava, conversava dizia pra ele mudar, ele dizia que ia mudar, mas ele nunca mudou. Aí teve um dia que eu disse não. Aí eu pensava assim, no dia que eu arranjar um emprego, eu vou deixar ele e vou cuidar dos meus filhos.

Na fala acima da M.D.A é possível perceber que a mesma faz uso dos seus fatores de proteção interno (determinação) para ir em busca de algo melhor. A mesma também tem o apoio da família que a ajudou nesse processo (atuando como fator de proteção externo). A resiliência de acordo com a literatura é portanto resultado do indivíduo, ambiente familiar, social e cultural (RUTTER, 1987 apud PESCE et al., 2004).

Em uma das suas falas ela ressalta a ajuda que obteve do pai:

[...] e aí eu vim, quando eu cheguei pra cá meu pai fez uma casinha pra mim, no fundo de um quintal dele, aí lá eu disse agora eu vou ver se eu consigo um trabalho.

Em outra situação M.D.A relatou que o pai se prontificou a ficar com os seus filhos para que ela fosse trabalhar em outra cidade.

M.D.A foi em busca de melhorias na sua vida, para sair da situação em que se encontrava, portanto estava disposta a aprender algo novo e a recomeçar a sua vida. A mesma procurou ser paciente, pois sabia que não seria fácil.Referindo-se ao trabalho ressalta:

[...] é por isso que eu falo hoje, a gente tem valorizar, a gente tem que começar de degrau em degrau que é pra valorizar o seu trabalho o seu,[...] o seu emprego, porque se você chegar logo lá no topo, eu acho que essa pessoa é muito difícil valorizar. Então, eu comecei assim, o que a gente fazia? Limpava chão, lavava os materiais, e tirava a roupa da sala de parto e limpava, fazia a limpeza, mas estudava, mas ganhava, pra mim o importante era ter o dinheiro, e eu me sustentar, aí a gente trabalhava de 6

[...] até meio dia. De meio dia até 1 hora era aula e a gente não podia faltar.

Deste modo, M.D.A passou por uma situação de vida estressante, porém saiu transformada por ela. Encontrou não só um emprego, mas foi em busca de melhorias para os seus filhos. E ao identificar que o marido não estava ajudando naquilo que estava determinada a realizar separou-se dele. Portanto, ser resiliente, nessa situação ia além de conseguir um emprego, mas de mudar a sua postura diante do marido e da vida que ela tinha, pois a mesma almejava algo diferente para os seus filhos.

No caso da E.B.R, a mesma teve uma infância permeada de adversidades, de modo que não possuía muitos fatores de proteção, tanto externo como interno. A mesma morou em várias casas quando criança, sempre trabalhando e sendo submetida a alguns maus tratos, físicos e verbais.

Cyrulnik (2004) reforça que a resiliência é um processo de superação que se dá no encontro com o outro. O autor ressalta que a resiliência não é apenas um processo de adaptação. Ele considera que ser resiliente vai além do que voltar ao estado anterior à situação traumática, é necessário elaborar novos caminhos, de modo à ressignificar o sofrimento em direção ao crescimento.

No caso de E.B.A, a mesma esteve diante de situações adversas, em que nem sempre adotava uma postura de superação, até porque não tinha muitos fatores de proteção (família, religião, amigos, determinação), o que fica claro nas falas abaixo:

[...] Voltei pra Oriximiná; [...] Pra casa da minha mãe aí foi a pior coisa que

Outro trecho é quando a participante E.B.R resolve ir embora da sua cidade para Santarém para criar a filha (fruto de um estupro) e conseguir trabalho:

Ele pensou que tinha alguém aqui né (falou que estava vindo a passeio para Santarém, mas que retornaria para Oriximiná). Foi então que eu fui e na hora do barco ir embora (voltando para a sua cidade), fiquei olhando o barco ir e pensando o quê que eu ia fazer. Porque não tinha ninguém em Santarém.

A partir do posicionamento de E.B.R pode constituir-se um questionamento, o fato da mesma resolver ir para Santarém em busca de melhores condições de vida não a fazem uma pessoa resiliente?

Grotberg (2005) considera resiliência como sendo “A capacidade humana para enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidade” Levando-se em conta tal conceito de enfrentamento, fortalecimento e superação pode-se dizer que a mesma enfrentou a situação, no sentido de não ficar acomodada, porém não foi em busca dos seus direitos, adotou um comportamento de “fuga”, o que a fez passar por muitas situações de humilhação, de pobreza, de violência.

Diante das duas entrevistadas é possível perceber o posicionamento das frente às adversidades é diferente, o que corrobora com a literatura quando diz que o que pode ser risco para um, pode não ser para o outro, pois se deve levar em consideração o contexto e tudo que o cerca.

No caso de M.D.A e E.B.R ambas se envolveram com maridos alcoólatras, porém M.D.A lutou para mudar a situação pensando nos filhos, enquanto que E.B.R resistiu a situação, adotando um comportamento de adaptação positiva, portanto não resiliente. E assim a mesma reagiu em várias outras situações diferentes da sua vida.

Mas e quanto ao envelhecimento? O questionamento é, de que forma ser resiliente frente a uma fase da vida que gera inúmeras perdas?