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Lokale tiltak med kostnader

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4. DISKUSJON

4.4. Lokale tiltak med kostnader

Na experiência do PEPASF, os sentimentos despertados com o vínculo amoroso vão dando sentido e valorização à causa social dos moradores, e isso motiva o estudante a participar ativamente das lutas populares. Foi o que mencionou, durante uma reunião, uma estudante do Curso Técnico de Enfermagem sobre a descoberta de sua necessidade de se aproximar dessas questões: “Para mim foi um divisor de águas, a relação de começar a fazer parte daquelas famílias e elas vivenciarem sua vida (...) É um laço. Hoje sinto que preciso me envolver mais com as lideranças. O caminho é poder participar das questões políticas”. Isso também aconteceu com um colega do Curso de Fisioterapia, que afirmou, nessa mesma reunião, que “as visitas, com o tempo, tornam-se pouco e se buscam outros caminhos dentro do Projeto, como as reuniões na associação. Esses momentos fortalecem o grupo”. O que se pode perceber, nesses dois depoimentos, é a perspectiva da busca por um engajamento

coletivo maior como novos sentidos de atuação encontrados pelos estudantes para o trabalho junto aos moradores e que é muito incentivado pela metodologia dialógica do Projeto.

É importante notar que, juntamente com esse estímulo que os estudantes recebem dentro do PEPASF, outro motivo que os leva a se aproximar dessa dimensão política refere-se às suas experiências anteriores de vida, sua história e seus valores. Esse envolvimento é precedido de idealizações, representações, percepções e interpretações muito pessoais apreendidas e sentidas por ele nos diversos espaços de aprendizados e vivências ao longo da vida, possibilitando diversas motivações para o engajamento dos estudantes na causa comunitária. Sob essas condições, muitos estudantes que se engajam nas lutas políticas comunitárias buscam identificação subjetiva e reconhecimento de alguma questão, dentro das demandas da comunidade, com a qual também tenha se identificado mais pessoalmente ao longo de suas vidas. Essa identidade e reconhecimento de alguma demanda que considera importante, ligada à luta da população pobre, animam-os e fazem com que eles se sintam mais atraídos para o engajamento, tornando-se mais compromissados com a causa comunitária. Temáticas como a exclusão social, a identidade de gênero, a identidade cultural e a identidade geracional foram mencionadas por alguns estudantes, durante reuniões do Projeto, como questões importantes que devem ser tratadas e postas como foco da atuação na perspectiva política do Projeto, além das questões mais existenciais relacionadas a uma inquietação com o mundo, pela busca de justiça e inclusão, foram referidas e podiam gerar indignação, revolta e o desejo por mudanças por parte de alguns estudantes. É possível perceber que questões como essas estão entremeadas por buscas interiores mais profundas relacionadas às suas crenças pessoais, religiosas e espirituais, valores e tradição cultural que mobilizam o estudante e o motivam a adentrar uma perspectiva política no contexto comunitário.

Contudo, relacionados à experiência do Projeto, de maneira geral, uma minoria de estudantes chega ao Projeto com alguma experiência prévia de participação política anterior em alguma instância social. Numa das reuniões teóricas, a temática da participação política foi discutida, e alguns participantes trouxeram suas experiências precedentes para a roda de diálogo. Porém, poucos mencionaram algumas participações em movimentos sociais anteriores à experiência do PEPASF. Uma estudante do Curso de Serviço Social relatou ter participado da organização não governamental (ONG) Margarida Maria Alves, na luta por direitos humanos e, depois, atuando como jurista popular. Segundo ela, esses momentos foram importantes e possibilitaram a construção de conhecimento mais teórico e prático sobre seus direitos, como também lhes proporcionaram um sentido para sua formação e vida acadêmica. Mais uma estudante, dessa vez do Curso de Psicologia, falou que participou do

Centro de Referência dos Direitos Humanos e Diversidade Afetiva, sendo uma referência para sua vida. Outros estudantes mencionaram suas participações no movimento estudantil universitário, como as estudantes de Psicologia e de Serviço Social, que eram atuantes na gestão nos Centros Acadêmicos (C.A.) de seus cursos. Essas experiências foram consideradas importantes e significativas para as referidas estudantes como direcionamento em suas trajetórias universitárias. Foram espaços que se tornaram relevantes, pois possibilitaram a vivência de situações de enfrentamentos e embates, como também de articulações e diálogo de saberes, que vão, gradativamente, possibilitando ao estudante ter mais segurança e confiança em si e no outro, para participar dos desafios e dos enfrentamentos políticos que geralmente ocorrem. Em certos casos, esses estudantes, que já trazem uma busca por envolver-se com causas humanitárias, mostram-se mais sensíveis e mobilizados para apoiar as ações ligadas às demandas da Comunidade Maria de Nazaré. Contudo, é importante salientar que nem todos os que vivenciaram experiências antes de suas entradas no Projeto se animam para se engajar efetivamente nas demandas comunitárias depois que eles entram no PEPASF. Existem casos, dentro do Projeto, de estudantes que se destacaram por sua motivação e participação na dimensão política comunitária sem, anteriormente, ter vivenciado nenhuma experiência de atuação em movimentos sociais.

Essas motivações, muitas vezes, fazem com que esses estudantes se sintam mais responsáveis pelo trabalho na comunidade, pois eles atentam para a relevância dessa atuação para suas vidas. Sob essa perspectiva, a ideia de responsabilidade ganha uma dimensão maior, com o estudante percebendo a necessidade de ser responsável por suas decisões que podem ajudar a mudar a situação atual nos contextos comunitários. Frankl (1992) percebe essa dimensão da responsabilidade como uma característica humana fundamental, pois direciona o homem a agir de acordo com o que considera importante e vital para sua vida, tornando-se responsável pelo seu comportamento e escolha de ação em cada experiência vivida por ele. Sob esse prisma, as respostas dos sujeitos só poderão ser dadas, através da responsabilidade assumida pela sua existência, em cada situação. Assim, existe uma relação direta, para o ser humano, de necessidade de participação, de ação e decisão, diante de suas escolhas na vida. Em Freire (1996, p. 19), essa responsabilidade é uma questão ética do seu agir sobre o mundo, como presença “consciente no mundo”.

Durante a trajetória do estudante no PEPASF, ele vai desenvolvendo sentimentos afetuosos e que demandam uma significação ética relevante, relacionada ao benefício que se pretende atingir com o apoio e a participação na direção de transformações na realidade vivida pela comunidade. Com a motivação importante aos estudantes por essa amorosidade,

eles demonstram alegria com as vitórias alcançadas e tristeza diante dos obstáculos enfrentados pelos moradores. Por isso, eles não só se solidarizam com as famílias, mas se unem a elas, na luta por melhores condições de vida e de saúde e pela aquisição de seus direitos (BATISTA, 2012).

Outro aprendizado ligado a essa convivência comunitária é o dos estudantes que compreendem que os embates de uma comunidade como a Maria de Nazaré são similares aos de muitas outras localidades em diversos lugares do país da América Latina e do mundo. Por isso direcionam seu sentimento ético de amor humanitário para a causa dos oprimidos e marginalizados, porque entendem, com a experiência vivida, que a amorosidade é um elemento fundamental para a saúde das pessoas. Compreendem que esse sentimento é um instrumento importante para a realização dos anseios dos moradores. Com essa presença amorosa, aparecem a alegria, a solidariedade, a sensibilidade e a atenção ao cuidado de familiares e amigos, fortalecimento para superar desafios e ânimo para organização e para enfrentamentos políticos (BATISTA, 2012).

Nas vivências com as famílias da comunidade e com as ações do Projeto, os estudantes têm oportunidade de exercitar esse olhar mais aprofundado para o outro e ir descobrindo sentidos para sua vida, a partir das experiências de convívio compromissado, responsável e identificado com necessidades mais amplas do que os seus interesses pessoais, apontados para o trabalho social transformador. Fazer parte desse engajamento social é muito importante para suas vidas, pois essa experiência permite que eles se reconheçam e se dediquem a essa vivência. Alguns estudantes sentem a necessidade de se doar mais à causa do outro, com suas potencialidades, habilidades e capacidades e se dispõem a estar profundamente vinculados às lutas das populações mais pobres. Esse movimento de doação à causa do outro pode ser identificado, quando se percebe uma motivação profunda dentro do sujeito, que Frei Betto (1994) chamou de mística da militância, representada por formas de doação subjetivas mais profundas e significativas que envolvem a pessoa por inteiro, em um engajamento que vai se tornando parte de seu projeto de vida que passa a defender e que também passa a dar sentido e coerência à sua existência. Para esse autor, existe uma dimensão profundamente espiritual na militância que significa, justamente, essa perspectiva de doação e vínculo com a causa do outro, que passa a ser a sua causa também. A esse respeito, uma estudante do Curso de Enfermagem descreve sua experiência: “O acolhimento intenso que vivi ali pode não acontecer em outras experiências, mas me criou uma referência importante das ricas possibilidades de uma inserção dialogada e comprometida com o mundo popular e

fez com que me apaixonasse por esse encontro e pelo trabalho profissional que o possibilita” (LEITE, 2011, p. 189).

Esse compromisso firmado com a causa do mundo popular significa para ela uma ligação subjetiva profunda com as necessidades do outro, permeado pelo sentimento amoroso e de identificação significativa entre eles. Na perspectiva freireana, o verdadeiro compromisso precisa envolver uma “decisão lúcida e profunda de quem o assume” de um agir e refletir voltado para a realidade social. Um compromisso solidário com aquelas pessoas que, na concretude da vida, encontram-se convertidos em “coisas” (FREIRE, 1979, p. 9). E esse compromisso apaixonado, que também é racional, reflexivo e consciente, é o motivador maior da ligação e atuação de muitos estudantes pela proposta de transformação política e social dos mais pobres. Em termos espirituais, esse apaixonamento representa o entusiasmo de uma vida definida por emoções, por buscas e compromissos apaixonados e por afeições abrangentes. Assim, uma vida espiritual é uma vida apaixonada (SOLOMON, 2003). Por outro lado, paralelo a esse processo emocional, existe uma elaboração consciente dessa ligação, feita por meio de debates, reflexões, leituras e conversas nas reuniões, nos diálogos e nas discussões teóricas, em que os estudantes compreendem o sentido político e social de suas ações dentro da comunidade. Esse processo permite ao estudante refletir sobre seu envolvimento e apaixonamento pela luta do pobre, tornando sua paixão também bem pensada para a vida (SOLOMON, 2003). É um importante processo coletivo pedagógico realizado, que parte das experiências com a realidade empírica dos processos de organização e mobilização política. Esse é um dos pilares da proposta pedagógica e educativa do PEPASF, sob a orientação dos pressupostos da Educação Popular, visando a uma tomada de consciência e ação coletiva por parte dos sujeitos engajados.

Um elemento importante de tomada de consciência, motivação e mobilização dos estudantes é a indignação relacionada às situações vividas pelos moradores da comunidade em suas lutas políticas, principalmente na prefeitura municipal. Em diversas situações vividas pelo grupo, essa indignação dos estudantes ficou clara, quando tiveram enfrentamentos com setores da gestão municipal que estavam responsáveis por dialogar com os moradores sobre o processo de reurbanização da comunidade. Essa demanda foi uma luta histórica, vivida coletivamente, por melhores condições de moradia para a população local, e que teve a participação ativa do Projeto como apoiador dos diversos momentos de construção da proposta e reivindicação de seu cumprimento. Os estudantes tiveram uma participação importante nesse processo, pois se faziam presentes em reuniões preparatórias na associação comunitária para articular a participação do grupo em reuniões de discussão da viabilização

do processo com os setores da prefeitura municipal, responsáveis por executar a obra. Os estudantes mobilizaram-se entre si, no sentido de estimular os moradores a participarem efetivamente dessa luta por uma causa que era um direito conquistado por eles.

Tempos depois, esses estudantes tomaram conhecimento, durante suas visitas aos moradores, da insatisfação e indignação deles diante da ausência de informações sobre o andamento do processo de reurbanização. Eles reclamavam da falta de compromisso dos órgãos responsáveis pelo não cumprimento das agendas de reuniões previamente pactuadas, demonstrando o desinteresse em comunicar o andamento das obras ou, por vezes, transmitindo informações contraditórias e controversas, de como se daria a transferência de moradores que teriam suas casas remanejadas para outros locais. Diante dessas circunstâncias de dificuldades e entraves, em uma reunião do Projeto, os estudantes demonstraram sua indignação e revolta com essa situação e decidiram mobilizar-se no apoio às lideranças comunitárias, para irem aos setores da prefeitura responsáveis por viabilizar o processo, como forma de pressionar a abertura de um canal de diálogo direto com os moradores. O objetivo dessa ação, segundo os estudantes, era de exigir a garantia da participação efetiva dos moradores nas decisões sobre o processo de reurbanização, já que eles seriam os principais atingidos com as mudanças estruturais pretendidas. Essa foi uma demonstração de protagonismo e iniciativa dos estudantes em seu engajamento político.

Na concepção freireana, o sentimento indignado é um animador para a luta pela transformação dos sujeitos e de sua realidade. Freire (1979, p. 36) afirma que a raiva e a revolta se manifestam diante da negação do direito de “ser mais” inscrito na natureza dos homens. Essa negação incentiva à mobilização de ações naqueles que decidem inserir-se nessas realidades marcadas pela luta da superação dessa negação. Contudo, para isso, o autor alerta que um dos primeiros saberes indispensáveis para quem se decide a entrar nesse tipo de realidade é que sua presença vá se tornando convivência, mas uma convivência sem hierarquizações, numa equidade com o outro, num estar como ele, inserido no contexto. Nessa perspectiva, o papel de quem chega para se inserir na realidade do pobre não é só de quem constata o que ocorre, mas também de quem intervém como sujeito de ocorrências, para sua transformação. Essa postura foi perceptível no comportamento dos estudantes descrito acima.

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