Velhos estudiosos freqüentemente tentam fortalecer suas posições através do lançamento de novos argumentos, ao mesmo tempo em que continuam a trabalhar com os velhos argumentos, que sempre sustentaram. Nós também seguimos essa conduta prudente ao dar continuidade ao caminho inicial, Epsi, ao mesmo tempo em que experimentávamos palmilhar o novo caminho que se abria diante de nós, Eepsilon. Neste momento, entretanto, há ainda argumentos ainda mais novos a considerar.
Depois que descobrimos os behavior settings e começamos a compreender a sua importância para o comportamento humano e para a avaliação dos ambientes, nós tivemos uma clara visão acerca de seu lugar para as ciências sociais. Nós até mesmo sonhamos com a possibilidade de que a survey de behavior settings tornar-se-ia um "instrumento padrão" para o exame dos atributos dos ambientes, assim como tem acontecido com os testes relacionados aos traços de personalidade. Mas isso não aconteceu, e agora compreendemos o porquê. Muitas das publicações que examinaram o nosso trabalho estavam primariamente preocupadas com o comportamento de indivíduos; esses grupos editoriais e de pesquisa, inevitavelmente, achavam que nossos métodos e teorias eram bem difíceis de incorporar aos seus próprios procedimentos e modos de pensar. Alguns dos artigos escritos sobre nós eram severamente críticos, outros tantos eram esperaçosamente duvidosos, intrigados com nossas prioridades e recortes, mas houve bem poucas adesões - até que Karl Fox, um economista e estudioso de indicadores sociais, assim como dessa área denominada "contabilidade social” (social accounts), inesperadamente, surgiu num dos quadrantes da vasta psicologia ambiental que estávamos a explorar.
Tudo aconteceu assim, como relataremos, de um modo que mostra a fragilidade das conexões que há entre as ciências sociais. Ao atender ao convite de congregados da Igreja Metodista, Louise Barker e eu participamos de uma conferência sobre pesquisas em pequenas comunidades, com uma referência especial ao papel das igrejas contidas por elas. A conferência estendeu-se pelos dias 24 e 25 de outubro de 1966. Estavam presentes cinco outros cientistas sociais e sete administradores de paróquias. Entre esses cientistas sociais estava Karl Fox, um emérito professor da Universidade Estadual de Iowa. Nós expusemos um estudo chamado "As Igrejas de Midwest, Kansas, e Yoredale, Yorkshire: Suas Contribuições aos Desenvolvimentos Dessas Cidades" (Gore & Hodapp, 1967, pp. 159-185), baseado em dados de nosso trabalho de levantamento de
behavior settings. O estudo de Fox trazia como título "Metamorfose na América: Uma
Nova Síntese das Sociedades Rural e Urbana" (Gore & Hodapp, 1967, pp. 62-104), e expunha as mudanças ocorridas ao longo de meio século no tamanho e na forma de pequenas comunidades, fazendo uso de dados sobre sistemas de transportes, sistemas viários, áreas comerciais, mercado de trabalho, e assim por diante. Ao reler esses trabalhos, nos dias atuais, percebo similaridades que, à época, me escaparam por completo: ambos lidavam com regiões espaço-temporais específicas; ambos descreviam os atributos dessas regiões em termos quantitativos; e um conjunto comum de atributos abordados nos dois estudos dizia respeito ao comportamento dos habitantes dessas regiões.
Karl Fox certamente percebeu essas similaridades à época, pois demonstrou imediato interesse em nosso estudo, e nos abordou imediatamente ao término de nossa fala, por uns breves 15 minutos, pois toda a conferência havia terminado, e nos retirávamos. Minha memória de seus comentários não é excelente, mas ainda consigo recordar claramente de frases como "resultante de comportamento", "medidas no tempo", e "na linha da teoria econômica". Não voltamos a ver Karl Fox por alguns anos. Quando ele retornou, através de correspondências e de publicações, nós descobrimos que ele envolvera seus estudantes com a teoria dos behavior settings com uma admirável energia e dedicação. A impressão que tivemos era de que seus esforços tinham grandes vantagens frente aos nossos, como:
1 – Eles não se viram constrangidos por pressupostos reducionistas que limitassem suas observações e pensamentos sobre os comportamentos ao que pudessem obter de pessoas; encontravam-se em posição de lidar, teórica e metodologicamente, com o comportamento numa escala mais abrangente;
2 – Eles tinham conhecimento e acesso a extensos bancos de dados nas escalas regionais e nacional que poderiam ser interpretadas em termos da teoria dos behavior
settings (sobre agências governamentais, indústrias, ocupação e emprego, empresas,
comércio, populações, etc.);
3 – Eles possuíam treinamento no uso de modelos quantitativos econômicos, nos quais conseguiram empregar os dados das pesquisas sobre o funcionamento de behavior
settings. Nossa visão original, que buscava avaliações em escalas mais amplas,
Fox e seus colaboradores (Felson, 1979; Fox, 1969a, 1969b, 1974a, 1974b, 1977, 1980, 1983, 1985, 1986; Fox & Ghosh, 1980, 1981; Fox & van Moeseke, 1973).
Quando nos voltamos para as mais antigas apostas que fizemos no início das pesquisas em Oskaloosa, a recordação não é das mais ditosas. A aposta original era a própria Station, ela mesma. Wright e eu acreditávamos no sucesso da Estação de Campo (Field Station) como uma central de pesquisas que faria uma importante contribuição ao campo da psicologia ambiental. Seus 25 anos de operação geraram descobertas que lhe deram plena justificativa quanto a isso, mas não há evidências suficientes para que eu afirme que essa iniciativa tenha sido seguida. Em vão podemos procurar por laboratórios assemelhados, na área da psicologia ambiental – laboratórios como
Hopkins Marine Station, nos estudos da ecologia oceanográfica; como Wood’s Hole;
como Lick Observatory; como Natural History Research Preserve, ou como outras organizações tão comuns entre as ciências biológicas, geológicas, astronômicas, criadas para observar as incessantes transformações que ocorrem em coisas como os vulcões, as planícies e savanas, os setores do céu estrelado. Os ambientes ecológicos das pessoas também se transformam incessantemente. Sua natureza, e os processos (e suas causas) envolvidos nessas transformações, somente podem ser descobertos através da sua incessante observação através de estações de estudos radicadas em comunidades tais, em organizações tais, em empresas tais, em escolas e igrejas tais, no seu pleno âmbito de estudos. Nós fizemos apelos pela criação de mais estações de campos em várias publicações (Barker, 1969, pp. 31-43; Barker & Associates, 1978, pp. 43-48; Barker & Wright, 1955, pp. 12-19), e nós investigamos uma ampla série de ambientes em Oskaloosa e Leyburn (Barker & Schoggen, 1973). Nós acreditamos que essas discussões e esses estudos demonstraram o valor de Estações de Campo para a psicologia ambiental.
NOTA:
Para um levantamento sistemático das teorias e métodos mencionados, ver Barker & Wright (1955), Barker, (1968), e Barker & Associates; relatórios de pesquisa e interpretações das principais investigações empíricas podem ser encontrados em Barker & Gump (1964), e Barker Schoggen (1973); os mais relevantes artigos publicados em periódicos incluem Barker (1960, 1963, 1965); uma lista cronológica completa das publicações da Midwest Psychological Field Station, e as teses de seus pesquisadores, é oferecida em Barker & Associates (1978).
BIBLIOGRAFIA
Ashby, W. R. (1956). An introduction to cybernetics.Nova York: Wiley.
Barker, R. G. (1960). Ecology and motivation. Em: M. R. Jones (editor), Nebraska
symposium on motivation. Lincoln, Nebraska: Nebraska University Press.
Barker, R. G. (1963). On the nature of the environment. Journal of Social Issues, 19, 17-38.
Barker, R. G. (1965). Explorations in ecological psychology. American Psychologist,
20, 1-14.
Barker, R. G. (1968). Ecological psychology. Concepts and methods for studying the
environment of human behavior. Stanford, California: Stanford University Press.
Barker, R. G. (1969). Wanted: an eco-behavioral science. Em: E. P. Willems & H. L. Rausch (Editores), Naturalistic viewpoints in psychological research. Nova York: Holt, Rinehart, & Winston.
Barker, R.G. (1987). Prospecting in environmental psychology: Oskaloosa revisited. Em: D. Stokols & I. Altman (Orgs.) Handbook of Environmental Psychology, [pp. 1413-1431]. Malabar, Florida: Krieger Publishing Company.
Barker, R. G. & Associates (Editores) (1978). Habitats, environments, and human
behavior. São Francisco: Jossey-Bass.
Barker, R. G., & Barker, L. S. (1978). Social actions of American and English children and adults. Em: Barker, R. G. & Associates (Editores), Habitats, environments, and
human behavior, pp. 99-120. São Francisco: Jossey-Bass
Barker, R. G., Barker, L. S., & Ragle, D. D. M. (1967). The Churches of Midwest, Kansas, and Yoredale, Yorkshire: Their contributions to the environments of the towns. Em: W. J. Gore & L. C. Hodapp (Editores), Change in the small community. Nova York: Friendship Press, 1967Barker, R, G., & Gump, P. V. (1964). Big
school, small school. Stanford, Califórnia: Stanford University Press.
Barker, R. G. & Schoggen, P. (1973). Qualities of community life: methods of
measuring environment and behavior applied to an American and an English town.
San Francisco: Jossey-Bass.
Barker, R. G., & Wright, H. F. (1949). Psychological ecology and the problem of psycho-social development. Child Development, 20, 131-143.
Barker, R. G., & Wright, H. F. (1951). One boy’s day. Nova York: Harper & Row. Barker, R. G., & Wright, H. F. (1955). Midwest and its children. Evanston, IL: Row,
Peterson.
Barker, R. G., Wright, H. F., Schoggen, M. & Barker, L. S. (1978). Day in the life of Mary Ennis. Em R. G. Barker & Associates (Editores), Habitats, environments, and
human behavior, pp. 51-98. São Francisco: Jossey-Bass
Brunswick, E. (1955). The conceptual framework of psychology. International
encyclopedia of unified science (Vol. 1, parte 2). Chicago: University of Chicago
Press.
Felson, M. (1979). How should social indicators be collected, organized, and modeled?
Contemporary Sociology, 8, 40-41.
Fox. K. A. (1969a). Operations research and complex social systems. Em J. K. Sengupta & K. A. Fox (Editores), Economic analysis and operations research: Optimization
Fox. K. A. (1969b). Toward a policy model or world economic development with special attention to the agricultural sector. Em E. Thorbecke (Editor), The role of
agriculture in economic development. Nova York: Columbia University Press.
Fox. K. A. (1974a). Combining economic and noneconomic objectives in development planning: Problems of concept and measurement. Em W. Sellekaerts (Editor),
Economic development and planning: Essays in honour of Jan Tinbergen. Londres:
Macmillan.
Fox. K. A. (1974b) Social indicators and social theory: elements of an operational
system. Nova York: Wiley.
Fox. K. A. (1977). Measuring economic and social performance: New theory, new methods, new data. Em Lectures in agricultural economics: Bicentennial year
lectures sponsored by the Economic Research Service. Washington, DC: U.S.
Department of Agriculture, Economic Research Service.
Fox. K. A. (1980). Philosophical implications of a system of social accounts based on Roger Barker’s ecological psychology and a scalar measure of total income.
Philosophica, 25, 33-54.
Fox. K. A. (1983). The eco-behavioral view of human societies and its implications for systems science. International Journal of Systems Science, 14, 895-914.
Fox. K. A. (1984). Behavior settings and eco-behavioral science. Mathematical Social
Sciences, 7, pp. 117-165.
Fox. K. A. (1985). Social systems accounts: Linking social and economic indicators
through tangible behavior settings. Dordrecht, Holand: Reidel.
Fox. K. A. (1986). An eco-behavioral approach to social systems accounting. Em A. J. MacFadyen & H. W. MacFadyen (Editores), Economic psychology: Intersection in
theory and practice. Amsterdam: North-Holland.
Fox, K. A. (1989). Behavior settings and social systems accounting. Em: Phil Schoggen (editor) Behavior Settings: A Revision and Extension of Roger G. Barker’s
‘Ecological Psychology’, Capítulo 12, pp. 267-301. Stanford, Califórnia: Stanford
University Press.
Fox, K. A. (1990). The Eco-Behavioral Approach to Surveys and Social Accounts for
Rural Communities: Exploratory Analyses and Interpretations of Roger G. Barker’s
Microdata from the Behavior Setting Survey of Midwest, Kansas in 1963-64. Ames,
Iowa: Iowa State University.
Fox, K. A., & Ghosh, S. K. (1980). Social accounts for urban-centered regions.
International Regional Science Review, 5, pp. 33-50.
Fox, K. A., & Ghosh, S. K. (1981). A behavior setting approach to social accounts combining concepts and data from ecological psychology, economics, and studies of time use. Em F. T. Juster & K. C. Land (Editores). Social account systems: Essays
on the state of art. Nova York: Academic.
Fox, K. A., & van Moseke, P. (1973). Derivation and implications of a scalar measure of social income. Em H. C. Box, H. Linnemann, & P. de Wolff (Editores),
Economic structure and development: Essays in honour of Jan Tinbergen.
Amsterdam: North-Holland, Nova York: American Elsevier.
Gore, W. J., & Hodapp, L. C. (Editores). (1967). Change in the small community. Nova York: Friendship Press.
Gump, P. V., & Friesen, W. V. (1964). Satisfactions derived from nonclass settings. Em R. G. Barker & P. V. Gump (Editores), Big school, small school (pp. 94-114). Stanford, Califórnia: Stanford University Press.
Heider, F. (1959). Thing and medium. Psychological issues, 1(3), 1-34.
Latham, R., & Mathews, W. (Editores). (1972). The diary of Samuel Pepys (Vol. 6, 1665). Londres: Bell.
Lewin, K. (1936a). Principles of topological psychology. Nova York: McGraw-Hill. Lewin, K. (1936b). Lectures on topological psychology. University of Iowa, 1936.
Notes by author elaborated in Barker, 1953 (pp. 30-37).
Lewin, K. (1941). Analyses of the concepts of whole, differentiation, and unity.
University of Iowa studies in child welfare, 18(1), 226-261. (Reprinted in K. Lewin,
Field theory and social science. Nova York: Harper & Bros., 1951).
Rabin, J. (1981). Old glory: An American voyage. Nova York: Simon & Schuster. Russell, J. A., & Ward, L. M. (1982). Environmental psychology. Annual Review of
Psychology, 33, 651-688.
Schoggen, M. F., Barker, L. S., & Barker, R. G. (1963). Structure of the behavior of American and English children. Em R. G. Barker (Editor), The stream of behavior (pp. 160-168). Nova York: Appleton-Century-Crofts.
Schoggen, M. F., Barker, L. S., & Barker, R. G. (1978). Behavior episodes of American and English children. Em Barker & Associates (Editores), Habitats, environments,
and human behavior (pp. 121-124) São Francisco: Jossey-Bass.
Schoggen, P. (1963). Environmental forces in the everyday lives of children. Em R. G. Barker (Editor), The stream of behavior (pp. 160-168). Nova York: Appleton- Century-Crofts.
Wicker, A. W. (1968). Undermanning, performances, and students’ subjective experiences in behavior settings of large and small high schools. Journal of
Personality and Social Psychology, 10, 255-261.
Wicker, A. W. (1969). Size of church membership and members’ support of church behavior settings. Journal of Personality and Social Psychology, 13, 278-288. Wicker, A. W. (1979). An Introduction to Ecological Psychology. Monterey, Califórnia:
Brooks / Cole.
Wicker, A. W. (1985). Getting out of our conceptual ruts. American Psychologist, 40, 1094-1103.
Willems, E. P. (1964). Forces toward participation in behavior settings. Em R. G. Barker & P. V. Gump (Editores), Big school, small school (pp. 115-135). Stanford, Califórnia: Stanford University Press.
Willems, E. P., & Halstead, L. S. (1978). An eco-behavioral approach to health status and health care. Em R. G. Barker & Associates (Editores), Habitats, environments,
and human behavior (pp. 169-189). São Francisco: Jossey-Bass.
Wright, H. F. (1967). Recording and analyzing child behavior. Nova York: Harper & Row.