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3. Finally, the Decade of revival in the South

3.3 Local level

Nóbrega e Coutinho (2003) asseguram que, nas pesquisas em representações sociais, é recomendável utilizar uma diversidade de técnicas e instrumentos que possibilitem salientar aspectos quantitativos e qualitativos a respeito do objeto de investigação. Coutinho, Nóbrega e Catão (2003) ressaltam a relevância do uso de técnicas projetivas, por essas serem capazes de acessar os elementos fixados no psiquismo transformando em familiar o desconhecido, o inacessível em palpável, unindo e acessando elementos presentes à esfera do inconsciente à esfera do consciente, possibilitando investigações entre a atividade perceptiva e a fantasmática, permitindo melhor associação entre o real e o imaginário.

A escolha da TALP se justifica principalmente pelo seu aspecto espontâneo e dimensão projetiva facilitadora do acesso aos elementos constituintes do universo semântico da representação. Oliveira et al (2005) defendem ser esta técnica bastante proveitosa para a coleta dos elementos constitutivos do conteúdo das representações; no entanto, advertem que ela veicula um significado associativo, não constituindo, por conseguinte, o todo do significado. Esse recurso é também considerado importante por Gaskell (2002, p. 80) para

“[...] descobrir como as pessoas imaginam um assunto, isto é, qual a perspectiva que trazem, e para compreender a gama de outros conceitos e ideias com ele relacionadas.” Passemos, agora, a expor a técnica e o percurso traçado para a sua aplicação.

Esta técnica, segundo Sá (2002), consiste em se pedir aos sujeitos que, estimulados por um termo indutor (geralmente o próprio rótulo verbal que designa o objeto da representação, apresentado por nós, nesta pesquisa: a palavra menopausa) enunciem as primeiras palavras (geralmente entre três e seis) que lhes vêm à mente. Quanto ao número de palavras a serem evocadas, optamos por seis, sem a pretensão de ultrapassar este número, pois, segundo as orientações de Oliveira et al. (2005), não é aconselhável exceder esse quantitativo, já que um número acima deste redundaria em ineficácia da aplicação: o respondente tende a diminuir a agilidade de suas respostas e passa a elaborar um raciocínio para as evocações seguintes, sacrificando a espontaneidade do processo.

O instrumento utilizado (apêndice B) foi apresentado em folha impressa, mediante a qual, pedimos que a participante desenvolvesse três operações mentais: na primeira, como já

foi dito, associar, no máximo, seis palavras à palavra indutora menopausa; na segunda, hierarquizar as palavras evocadas por ordem de importância; na terceira, justificar a escolha da palavra considerada mais importante. Este é o formato tradicional da aplicação desta técnica, embora também se possa, no final, solicitar resposta a dois ou três itens de caracterização do respondente. Assim, acrescentamos uma questão referente ao tempo de

residência em João Pessoa ― um dos critérios gerais da seleção da amostra22

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O procedimento que adotamos para a aplicação do instrumento atende às orientações de Nóbrega e Coutinho (2003). Inicialmente, esclarecemos a técnica mediante um exemplo, a fim de tornar o procedimento familiar as participantes e esclarecer a adequação das respostas. Em seguida, solicitamos a cada uma que desse as respostas o mais rapidamente possível, pois essa medida contribuiria para aumentar o efeito de validade do instrumento. Além da adoção desses procedimentos, atentamos para alguns cuidados no momento da aplicação, com o propósito de garantir ainda mais a sua eficácia: asseguramos um ambiente tranquilo, livre de ruídos e do trânsito de pessoas, buscando garantir, também, o trabalho com o mínimo de interferência externa.

Ainda solicitamos-lhes manter a folha do instrumento com a face impressa voltada para baixo enquanto se aguardava o momento de realizá-lo, a fim de o iniciarem no mesmo momento, por se tratar da coleta dos dados em grupo. Embora a técnica seja considerada de fácil aplicabilidade por ser autoexplicativa, a adoção de tais procedimentos e cuidados pretendeu contribuir para uma maior eficácia na coleta dos dados. À medida que iam concluindo o preenchimento, recolhíamos as folhas e lhes agradecíamos pela participação.

Salientamos que as enfermeiras, durante os encontros, após a aplicação do referido instrumento, interessavam-se pelo tema e algumas emitiam ideias pertinentes, como, por exemplo: a necessidade de discutir a temática da menopausa no âmbito da ESF, mediante a construção de oficinas de reflexão com os profissionais da equipe de saúde, no sentido de se repensar a assistência que é oferecida às mulheres nessa fase e que são usuárias do SUS. Algumas opinaram pela possibilidade de profissionais qualificados serem convidados para ministrar conferências acerca do tema, a fim de ampliar-lhes a compreensão. Outras argumentavam sobre a necessidade de direcionar o trabalho em equipe para os interesses da clientela, pois acreditam ser este um elemento fundamental para se alcançar a qualidade na assistência à usuária no período da menopausa. Notamos que, para as enfermeiras

22

Quanto à amostra, lembramos que esta técnica foi aplicada somente com enfermeiras (101), na faixa etária dos quarenta aos cinquenta e nove anos, atendendo as considerações propostas por Jodelet (2001) e já explicitadas na introdução deste trabalho.

participantes, aquele momento significou algo além do atendimento a um protocolo de pesquisa. Elas expressavam, claramente, a satisfação de estar ali falando sobre tal questão. Ao se despedirem, colocavam-se à nossa disposição para dar continuidade à aplicação dos demais instrumentos, deixando entrever o desejo de continuar a discutir um tema que, bem atualizado, dizia respeito à sua prática profissional no âmbito da ESF. Salientamos que participávamos da conversação, dirigindo a discussão, organizando as falas e posicionando- nos como enfermeira e pesquisadora preocupada com a assistência de enfermagem às usuárias no âmbito da ESF, durante esta fase.

Tais opiniões e argumentos foram por nós valorizados. Na oportunidade, propusemo- nos, após a conclusão do trabalho, nos reunirmos com elas para refletirmos juntas nas sugestões apontadas e na possibilidade de planejar uma atividade de extensão (direcionada para a assistência às usuárias do programa) que possa ensejar a troca de experiências entre

enfermeiros assistenciais da ESF e enfermeiros docentes ― o que foi prontamente acatado por

todas elas.

Após a aplicação da TALP em cada distrito, os resultados iam sendo, gradativamente, organizados para ser, numa fase posterior, processados pelo software EVOC (2003), conjunto de programas que articulados realizam a análise estatística das evocações, a identificação dos possíveis elementos da representação social e seu sistema interno de organização, construído pelo núcleo central e pelo periférico. Para tanto, adotamos os seguintes procedimentos: inicialmente, digitamos os dados resultantes da TALP, referentes à primeira e à segunda etapa, em arquivo no formato Microsoft EXCEL, no qual digitamos as palavras evocadas, na sequência das evocações descritas pelas respondentes e precedida de asterisco aquela considerada a mais importante.

Durante a organização dos dados nesse arquivo, procuramos reduzir algumas expressões que surgiram nas respostas, apesar dos esclarecimentos que prestamos às participantes, no momento da aplicação, sobre a escrita, apenas, de palavras nos espaços pontilhados. Essas reduções foram realizadas por meio da supressão de artigos e preposições, tais como: se a participante respondeu falta de menstruação, esta expressão foi reduzida para falta-menstruação. Tal procedimento teve o propósito de facilitar a organização dos dados para o referido programa, que focaliza as dimensões estruturais da representação: os elementos do núcleo central e os do sistema periférico. Em outro arquivo no formato Microsoft WORD, registramos as justificativas da palavra considerada a mais importante, a fim de proceder à organização do material empírico a ser submetido à análise de conteúdo.