A história não pode ser comparada a um túnel por onde um trem expresso corre até levar sua carga em direção a planícies ensolaradas. Ou então, caso seja, assim geração após geração de passageiros nascem, vivem na escuridão e, enquanto o trem ainda está no interior do túnel, aí também morrem. Um historiador deve estar decididamente interessado, muito além do permitido pelos teleologistas, na qualidade de vida, no sofrimento e nas satisfações daqueles que vivem e morrem em tempo não redimido. (THOMPSON apud NEGRO; SILVA, 1998, p.11)
Nos debates acadêmicos, assinala-se, comumente, o fato de que trabalhar um tema tão contemporâneo para a história, como o sugerido por esta tese, remete à dificuldade de análise em vista das influências exercidas sobre o sujeito pesquisador no seu presente. Essa afirmativa não deixa de ter seu fundamento. Esquecemo-nos, no entanto, que não são somente os trabalhos com o tempo presente a demonstrar esse envolvimento.
Ainda que uma temática relevante e problemática no âmbito do ofício do historiador, muito mais do que datas, essa discussão remonta à posição do pesquisador diante do contexto social em que está inserido e a forma como se posiciona diante dele e da história. Por outro lado, não se pode negar as especificidades do trabalho com a história do tempo presente. Acerca dessas especificidades, Chaveau e Tétard salientam:
Jamais um medievalista ou um modernista poderá ‘viver’ o que descreve. Ele deve recompor uma realidade que lhe escapa fisicamente. Não é senão no presente, por reverberação de sua relação no presente, que ele pode (re) conhecer ou imaginar aquilo que fala, investindo-o de uma presença física ‘real’. (1999, p.31)
Grybowski, referindo-se ao trabalho com os atuais movimentos sociais no campo, como o MST, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), dentre outros, aponta para questões subjetivas envoltas nas práticas e
representações dos sujeitos em estudo, bem como na análise estabelecida pelo pesquisador sobre eles. Para esse autor:
As tensões e paixões, as esperanças e decepções, a coragem e a indignação, escancaradas nos rostos dos diferentes trabalhadores rurais que lutam e clamam pelo seu reconhecimento e pelo seu direito de participar, não permitem ao analista tomar a devida distância para fazer uma análise crítica e acabam impregnando-o também. Sentindo-se envolvido na trama, o analista se incorpora à peça. Descobre-se a si mesmo como ator e com paixão, raiva às vezes, passa a ser captado pela força das contradições que está prenhe o campo. Para reproduzir a concretude das relações e vida social aí contidas, seus esquemas analíticos mostram-se pouco adequados e seus instrumentos de trabalho muito precários. (1991, p.11)
Tais observações são reveladoras das dificuldades para o trabalho com a temática dos movimentos sociais no campo ocorridos no tempo presente. A tentativa de objetivação para a análise deriva de um trabalho árduo, pois objetividade e subjetividade são as interfaces do mesmo processo, o qual acena para a complexidade ao se trabalhar com essa produção histórica. Escreve- se sempre num tempo presente, mas nem sempre sobre movimentos que fazem parte da história desse tempo. Ao inferir sobre essa construção da história a partir das fontes orais e dos documentos do MST, afora outras fontes, viso tecer uma abordagem em que está em jogo a própria presença física do historiador no tema e na interpretação por ele construída.
Nessa perspectiva, pensar o que produz o historiador na história do tempo presente, encaminha à necessidade de uma discussão sobre o sentido da história enquanto escrita e ação humana no tempo. Destarte, mesmo que o tema não seja simples, o que proponho é a interpretação e a produção da história, tomando por referência as práticas e as representações dos assentados, da militância e direção do MST no Pontal, tendo em vista o seu “fazer-se” no decurso da década de 1990 e início do século XXI.
Conforme Chaveau e Tétard, a história do tempo presente somente há aproximadamente 15 anos encontrou espaço para se efetivar, devido “[...] o interesse pelas mentalidades, pelo político e pelo cultural transcendendo as sociabilidades dos historiadores” (1999, p.12). Isso se deu, em vista da resistência de grande parte dos historiadores da corrente da Nova História em considerá-la como objeto de interesse na década de 1970:
Considerando as estruturas duráveis como reais e mais determinantes que os acidentes de conjuntura, os fenômenos da longa duração como mais decisivos do que os movimentos de curto alcance, erodindo a cadeia factual com o propósito
de substituí-la pelo sentido econômico e social do tempo, essa ‘escola’ histórica ignorou freqüentemente o contemporâneo, a fortiori o presente e imediato (1999, p.10)
Contraditoriamente à postura assumida pela Nova História, salientam esses autores que, no início do século XX, “[...] os pais dos Annales tinham dado um lugar particular ao imediato, ao presente e mesmo ao político. Marc Bloch escrevia: ‘A incompreensão do passado nasce afinal da ignorância do presente’” (1999, p.10). Destacam, ainda, que houve notáveis exceções no campo dessa abordagem, como, por exemplo, os trabalhos de Pierre Nora e de Jacques Le Goff, os quais contribuíram na ampliação da noção de tempo presente para a construção da escrita da história.
Os autores observam também a contribuição da história política enquanto pólo aglutinador e dinâmico da história do presente. Mas, “[...] a história é mutável, e não pode limitar a interrogação sobre o presente somente aos campos, aos métodos, às teorias do político. Qualquer obra sobre o político e a história política não pode trazer senão respostas parciais”. (CHAVEAU; TÉTARD, 1999, p.14)1
De diferentes formas, segundo esses autores, quer em sua relação com a testemunha pelo arquivo oral, quer com o público, através do jornalismo: “[...] o historiador é cada vez mais parte integrante do contemporâneo – porque a força da história passadista, factual e historicista se esfumaça diante de uma demanda social insistente, resolutamente ancorada no presente e no modo interpretativo”. (1999, p.36)
Nora discorre sobre a angústia do historiador ao viver e fazer a história do tempo presente:
Quando se vive a Guerra dos seis dias, ou uma simples eleição, quando se miniaturiza o acontecimento, de sondagem em sondagem, em vez de apreender brutalmente o seu resultado final, o vivido histórico é fundamentalmente diferente. Em primeiro lugar, é sofrido minuto a minuto, mas sem ser agido. Por outro lado, é vivido de maneira mais angustiada, já que não se sabe em que vai dar, por fim, o acontecimento. (1984, p.47)
1Conforme esses autores, ainda que cada campo, como o social, o econômico, o intelectual, o cultural, tenham
contribuído em seu conjunto para a história do presente e guardem, respectivamente, a sua autonomia, “[...] não se deve esquecer que os historiadores do político constituíram a vanguarda da história do presente” (1999, p.14). Nessa perspectiva, são válidas ainda as considerações de REMÓND (1996, p.35), ao discutir o campo político: “O político não constitui um setor separado: é uma modalidade da prática social”.
As considerações desse autor, principalmente a respeito do movimento de maio de 1968, reforçam a análise da importância dos acontecimentos decorrentes dessa década para o estabelecimento de reavaliações na própria perspectiva da história e da construção do conhecimento histórico:
Lembro-me, por exemplo, de certa noite das barricadas de Maio 68, encontrando-me eu numa varanda do Boulevard Saint-Michel, ao lado de Julien Besançon, que ‘cobria o acontecimento’ para uma estação de rádio. Encontrávamo-nos em cheio no meio da efervescência dos gritos e das cargas policiais, e eu ouvia Julien Besançon dizer ao microfone: rebentam granadas, sufoco, não posso falar-vos mais, e ouvia ao mesmo tempo a voz no transistor, numa sala ao lado, como a ouvia o farmacêutico de Carpentras, tranqüilamente deitado na sua casa ao lado da mulher. E, nesse momento, tive a sensação duma mudança na própria percepção da História, que se colava a tal ponto ao presente que já nada os podia separar.(1984, p. 46)
Conforme Nora, na atualidade, o menor acontecimento é vivido como já sendo histórico, memorável, inscrevendo-se na história sem ao menos saber se virá a ter alguma importância. Essa observação pode ser relativizada diante do tema desta tese, em vista da relevância histórica das práticas e representações do MST nas últimas décadas do século passado e no tempo presente, não somente no que se refere ao questionamento da estrutura fundiária brasileira, mas particularmente na denúncia e apresentação de alternativas às desigualdades acarretadas pelo histórico de concentração de riquezas e pela conseqüente exclusão social vividos pela maioria da população, desde os primórdios da colonização.
O campo brasileiro, no tempo presente, reaparece como um espaço marcado pela inserção de conflitos e contradições provenientes também do próprio meio urbano, oriundos da miséria e opressão impostas sobre os camponeses, obrigados a partirem para as grandes cidades, como conseqüência de um processo de modernização conservadora vivida nos anos 70. Todavia apresentando ainda, para o cenário nacional, sujeitos que emergiam na cena política do país, paralelo aos movimentos sindicais do ABC paulista, dentre outros movimentos.
Assim, ao participar de um encontro de formação do MST, ocorrido no município de Santo Anastácio - SP, em fevereiro de 1997, recordo a observação de Seu Laudenor de Souza, dirigente e militante do MST, falecido em acidente de carro em fins dessa década, quando assinalou, no grupo de debates do qual eu participava, a partir de sua história de vida e de luta, que, ao ser expulso do campo na década de 1970 para a região do ABC paulista, não lhe perguntaram se tinha “vocação urbana”, o que acontece comumente no retorno dos trabalhadores
da cidade para a terra, sendo corriqueira a indagação: “Vocês têm vocação rural?” O que, segundo tal visão, conseqüentemente “permitirá” àquele que for assentado a permanência na terra.
É válido ressaltar que não se pode insistir na ruptura ou distanciamento dos movimentos que emergem no campo dos conflitos e antagonismos oriundos da violência social e política da cidade. No decorrer das três últimas décadas do século XX, evidências históricas vieram demonstrar que a linha que separa o campo brasileiro da cidade é bastante tênue, pois ambos encontram-se interligados, guardando, obviamente, as suas especificidades. A afirmação do espaço das luzes, em que prevalecia a historiografia sobre o movimento operário, como expressão exclusiva das práticas e representações de cunho político e consciente, em contraposição ao espaço das sombras, ao campo, visto como “messiânico” e “fanático” 2, passa a
ser revista.3
Ariovaldo U. Oliveira ao discorrer sobre a geografia das lutas no campo diante das inúmeras imposições e violências vivenciadas pelos trabalhadores sem-terra, dentre outras categorias envoltas na problemática das lutas no campo, destaca a resistência dos camponeses na busca do direito à cidadania. Conforme esse autor:
[...] se da violência nasce a morte, nasce também a vida. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra é produto dessa contradição. A negação à expropriação não é mais exclusividade do retirante posseiro distante. Agora ela é pensada, articulada, e executada a partir da cidade, com a presença dos retirantes a quem a cidade/sociedade insiste em negar o direito à cidadania. Direito agora construído e conquistado na luta pela recaptura do espaço/tempo, perdidos na trajetória histórica da expropriação. (1997, p.14)
A situação conflituosa no campo brasileiro, principalmente nas três últimas décadas do século XX, remonta a forma como foi estruturada a propriedade da terra, a economia e as relações sociais e de trabalho em nosso país. Diante disso, é importante acentuar que paralelamente às imposições dos defensores da ordem e da estrutura agrária vigente, lutas como
2SILVA, Z. L (1993), fazendo um balanço da história social, particularmente sobre a produção historiografica
brasileira, referindo-se ao homem do campo, afirma que ele emergiu nos estudos das duas últimas décadas do século XX, principalmente, dos antropólogos e sociólogos, embora o esforço tenha sido aquém da anális e dos trabalhadores operários. Todavia, no contexto desses novos estudos, o homem do campo aparece associado particularmente a temas como o “cangaço”, o “messianismo” e as “ligas camponesas”. Movimentos vistos como de natureza “pré- política”, envoltos no misticismo e na crença cega a valores tradicionais, sem romper com o caráter religioso e messiânico.
as das populações indígenas, escravas, colonas, bóias-frias, posseiras, sem-terra, etc., são referenciais para a compreensão de uma história que - em que se pesem os fatores econômicos - não se deu, nem se desenvolve unicamente pelas designações de “leis lógicas" ou pela "lógica" do sistema capitalista, qual seja, a de exclusão, mas também por lutas que evidenciam sujeitos históricos contestadores dessa “lógica”, sendo, desse modo, atores de uma história de conflitos e de conquistas, de avanços e de recuos.
Analisar esses sujeitos sociais perpassa o interesse acadêmico e desemboca na reflexão do sentido de sua existência e do próprio pesquisador ao se posicionar diante deles na tentativa de aproximar-se de mundos de escassez, de violência, mas também de conformismo e de resistência que, sob a visão aparente, denotam somente o sofrimento, mas, por outro olhar, podem tornar-se reveladores de expressivas lições de vida e de alegrias, caso o olhar não se limite às imagens da estrada. Se o pesquisador se predispõe a sentir o interior de um acampamento ou de um assentamento, por exemplo, perceberá que são permeados também de alegrias, de festas, de utopias e de esperanças.
Chaveau e Tétard (1999), em citação exposta anteriormente, observaram que a discussão da história do presente encaminha também à reflexão da presença da natureza física do historiador em seu tempo e no seu tema. Essa consideração remete à importância da narrativa de uma experiência por mim vivida, ao ter acompanhado e participado da ocupação de uma fazenda pelo MST, no município de Sandovalina, região do Pontal, ocorrida em fevereiro de 1997. Narro, então, o que pude vivenciar enquanto presença literalmente física no tempo e no tema.
Eu não poderia acreditar que fosse possível a violência no campo de forma tão desnudada. Quando se assiste pela televisão ou se lê nos jornais, nos sentimos sensibilizados, nos emocionamos. Muito diferente é sentir na pele, senão literalmente os projéteis, passado algum tempo a memória da violência. Era dia 23 de fevereiro de 1997, a ocupação tinha em torno de 2000 pessoas. Caminhávamos sem a dimensão de que a violência se materializaria de forma abrupta, rápida, certeira. Por isso, quis pensar que aqueles sons que ecoavam e tiniam em nossos ouvidos, aproximavam-se de nossos corpos, fossem fogos de artifício numa comemoração da tomada da sede da fazenda São Domingos. Por instantes, pensei que presenciava a concretude da ocupação, quando em desespero minha irmã, Sueli, naquele momento militante do Movimento, pediu que eu me abaixasse, pois não eram fogos de artifício, mas balas. A realidade mostrou-se ainda mais crua, quando a Miriam, que caminhava ao nosso lado, caiu de joelhos no chão, e
gritou: ‘Sueli, me acertaram!!!’ Miriam levava consigo a bandeira do Movimento, tornando-se um dos alvos, juntamente com outros sete trabalhadores. Depois dessa cena, lembro-me vagamente da coragem e solidariedade da Toninha ao socorrê-la, juntamente com alguns companheiros que seguiam atrás de nós. Eu e minha irmã não conseguíamos fazer outra coisa senão juntarmos as mãos e nos arrastarmos por entre o mato, até aonde fosse possível correr...
Frente ao tema - e nele, a presença física do historiador - vejo a necessidade de trilhar os caminhos internos da pesquisa, objetivando, além da análise do espaço físico dos assentamentos, refletir sobre as relações sociais estabelecidas no Movimento para a conquista da terra, ou seja, a forma como os desejos de entrar e permanecer no MST foram sendo tecidos pelos sem-terra, militantes e dirigentes, bem como entender o modo como as estratégias de luta definiram-se a partir da persistência dos assentados em permanecer na terra. Por esse ângulo, percebi ser preciso percorrer ainda o espaço de construção do conhecimento histórico pela reflexão do ofício do historiador e de sua escrita, buscando interpretá-los também como objetos de análise, na medida em que inseridos como elementos para esta produção.
Os problemas indiciam a inter-subjetividade de quem os propõe. Fiz a pesquisa como se pudesse falar um pouco dessas vidas, redimensionando o sentido do possível para os diversos agentes sociais. Sentido construído quase sempre em situações adversas, as quais, sob o ponto de vista economicista, costumeiramente remetem para o discurso da inviabilidade econômica da reforma agrária e dos assentamentos em nosso país, sob a justificativa de não serem geradores dos “dividendos” visualizados e defendidos pelo discurso da modernização da agricultura. Entretanto, o Relatório da FAO (1992)4, dentre outras evidências, acena para mudanças no sentido de melhoria da vida econômica posterior ao assentamento e na valorização do sujeito assentado em vários aspectos, como na educação, na cultura, nas relações de sociabilidade, etc., que vão além dos dados estatísticos apresentados pelos órgãos governamentais para justificar a inviabilidade dos projetos de assentamento.
Tais questões levam-me a repensar o imaginário social construído acerca do MST, e as práticas e representações dos assentados em relação às suas condições de vida no decurso de suas histórias e no tempo presente, questões que se apresentam na esfera econômica, como, por exemplo, nas dificuldades para o plantio, produção e comercialização dos produtos, mas que não se encerram nela, pois trazem no seu bojo, sonhos, esperanças, perspectivas, os quais não têm
valor de mercado, não são mercadorias, pois práticas e representações humanas construídas historicamente a partir de conquistas e de perdas, de avanços e de recuos.
Por esse prisma, são interessantes as considerações de Veyne na crítica à visão da economia como o “motor da história”. Para ele, “[...] atribuir o papel de motor aos dados materiais ou à economia é iludir-se num equívoco: é o moinho d’água a causa da servidão, ou o fato de utilizar esse moinho?” (1979, p.67). A história, segundo esse autor, é acontecimento, sendo o pretenso motor um acontecimento, entre outros, como a difusão do moinho, sua utilização, etc. Observa ainda que a história é uma rede de interações. Disso pode-se depreender que nela não existe um único e exclusivo motor: “[...] o motor está em todas as partes onde se queira encontrá-lo” (1979, p.67). A crítica estabelecida por Veyne à interpretação da economia, vista como o “motor” exclusivo e explicativo de toda e qualquer ação humana, objetiva denunciar, no meu entender, o reducionismo da história às estruturas econômicas, já que, por essa leitura, “os dados materiais” passam a ser vistos independentes dos homens que os produzem.5
O progresso no campo da historiografia, segundo Veyne, foi alcançado não em vista de uma descoberta de mecanismos e motores que explicam a história, mas na conceituação do não factual, ou seja, na percepção de que, somados aos dados materiais, ao fator econômico6, dão-se ainda os valores, os desejos, as vontades, expressos na cultura e no modo de ser e de sentir dos diversos agentes sociais.
A discussão estabelecida por Montes a respeito da construção da história pela ação humana é elucidativa para uma inversão da abordagem fundamentada no determinismo econômico visto como explicativo totalizante da história. Conforme Montes: “É certo que os homens fazem sua história em condições dadas, determinadas. Fazem-na, contudo. O que significa que a história, a sociedade e as relações de poder no seu interior passam pelo agir do homem”. (1983, p.21) (grifo da autora)
5Esta leitura encontrou forte respaldo no Estruturalismo, particularmente em ALTHUSSER (1967). Como
contraponto à leitura de Althusser, destaca-se a obra de THOMPSON (1981).
6 Em fins dos anos 60, SÁ JÚNIOR, ao discutir o meio rural nordestino enfocando o desenvolvimento de sua
agricultura e a função das atividades de subsistência, numa reflexão sobre a viabilidade da reforma agrária, já assinalava que: “O argumento de que a reforma levaria o país a um progresso de grandes dimensões, embora seja