• No results found

Et livsløpsperspektiv på helsefremming

3 Hva vet forskningen om hvilke faktorer som virker helsefremmende i et

3.3 Et livsløpsperspektiv på helsefremming

Este capítulo tem por finalidade apresentar a formulação histórica do diagnóstico, delimitando seu campo de produção e operacionalizado como um ato discursivo que decide sobre o sujeito e produz laços sociais.

No que concerne à história da formulação do diagnóstico psicológico, este foi fundado durante a grande crise ética da medicina, portanto no campo médico, e abalou a definição do homem, que passou a ser determinada pelo mundo científico. No colóquio O lugar da psicanálise na medicina (1966/2001), organizado porJenny Aubry:

Lacan aponta que Foucault procurou “situar a responsabilidade da medicina na grande crise ética”, considerando que essa crítica de Foucault, centrada no isolamento da loucura, “atinge a definição do homem”. No desdobramento de sua fala, ele menciona

que a definição do homem moderno é determinada pelo mundo científico, em torno dos ideais de saúde, gerando uma demanda (de saúde, de cura) na sociedade, ao mesmo tempo em que deposita nas mãos dos médicos, o poder que advém dos produtos que surgem dos avanços nas investigações e pesquisas tecnológicas, químicas, biológicas (p.9).

Essa determinação científica que define o homem ideal gera uma demanda de um narcisismo consumado na pulsão de morte do homem na existência. Podemos afirmar que o diagnóstico psicológico fundado sob essa concepção normativa tem o poder de produzir acontecimentos, traumas, doenças e doentes orgânicos, psicológicos e morais, dependendo do modo de operar o recorte da cena, e os efeitos dessa produção revelam os modos de gozo do sujeito com suas relações instituintes.

O vocábulo diagnóstico institui a significação dada ao termo de “trabalho de conhecimento e reconhecimento dos sinais, úteis para fixar a identidade de alguma coisa”, e comporta em sua origem latina o significado de “dia”(através de, durante, por meio de) e de “gnose”(alusivo ao conhecimento de algo). Ainda:

A área semântica do vocábulo diagnosis – integrada por termos como diagignosko, separar e decidir; diagnome, deliberação e decisão; diagnomon, perspicaz, vigilante e atento; diagnorizo, fazer, conhecer e divulgar, e diagnostikos – designou, em suas origens, o fato e os atos de reconhecer e discernir, e configurou um campo significativo relativo a um modo de conhecer que consistia em separar e discriminar as notas do cognoscível (Saurí, 2001, p. 10)

discernir e implica uma decisão. Castro, Rosa e Silva apresentam outros modos de pensar o diagnóstico psicológico:

.Diagnosticar é ver através de uma teoria. É delimitar o campo de análise e apontar o posicionamento epistemológico do psicólogo. O diagnóstico permite sair do campo do particular, da vivência, para construir o campo da investigação, da pesquisa e do conhecimento. A vivência, a experiência, pode ser captada pelo conhecimento em sua interrupção. Diagnosticar é uma condição do conhecimento; uma verdade parcial e não um saber absoluto que deve ser demonstrado, pois não é um dogma (CASTRO,1993, apud Rosa , 1996, p.5);

O diagnóstico psicológico caracteriza-se por ser uma descrição que seleciona, prioriza e recorta aspectos do objeto, sempre parcialmente. Não abrange o objeto total e nem mesmo o que tem de essencial. É necessariamente superado pelo conjunto ou pelo contexto (ROSA, 1996, p.4);

O diagnóstico explicita um ponto de vista sobre o homem e não diagnostica o homem, não é saber sobre ele e o seu destino. É expressar um saber sobre uma dimensão do humano (SILVA apud Rosa, 1993, p.7).

Partindo do pensamento desses autores, compreende-se o diagnóstico psicológico como um ato que recorta aspectos parciais do objeto, supera-se pelo contexto e produz um saber sobre a dimensão do humano. E ainda apresenta um pressuposto fundamental, que é a parcialidade do objeto que o diagnóstico psicológico pode representar, ou seja, ele não tem o poder, o saber e nem a verdade sobre o sujeito.

A parcialidade polêmica do diagnóstico psicológico traz à baila sua importância articulada com seus efeitos, ou seja, é importante porque promove efeitos que dependerão da posição do psicólogo e do cliente no contexto social.

Dessa forma, como bem diz Silva (1993, p.24), este “não pode responder sobre o sujeito e nem essencialmente sobre o que o sujeito tem”. Portanto, cabe ao diagnóstico psicológico interrogar sobre o sintoma, possibilitando que o sujeito se (re)situe em relação ao seu sofrimento psíquico, e construindo uma dimensão política do humano.

O diagnóstico psicológico tem como objetivo construir um outro olhar sobre o sujeito. Isso implica considerar as diferenças individuais como singularidades que constituem e fundam uma ideia sobre si mesmo, um pareser. Qual a importância do diagnóstico psicológico? Quais são os efeitos da interpretação do código, da decodificação do psicólogo, na construção do diagnóstico do sujeito? O diagnóstico pode ter efeito de laço social? Qual discursividade constitui o diagnóstico psicológico?

O psicólogo numa posição crítica precisa discernir demanda de necessidade, ou seja, demanda como “indicador do lugar em que o psicólogo é chamado atuar e do que é possível produzir deste lugar social” (ROSA, 1996, p.4), e necessidade, na sustentação de um exercício profissional, mesmo que para tal, a humilhação, a estigmatização e o preconceito sejam dispositivos técnicos invisíveis na operação do sujeito. Para Maesso (2011, p.41), o diagnóstico é um instrumento norteador da prática psicológica:

Prática psicológica deve ser regida pelo diagnóstico uma vez que este mostra o ponto de vista do psicólogo sobre o objeto. Expõe as mazelas e vicissitudes do pensamento, que assim, pode ser rearticulado. […) Prática regida por princípios. As boas intenções ou o

desejo de fazer o bem não são práticas psicológicas. […) Cada proposta que pretende liberar o homem da servidão contém o germe da própria servidão. A análise institucional arrisca-se a tornar-se uma psicologia das massas; a psicologia clínica arrisca-se a ser um instrumento de alienação.

Nessa tentativa científica de apreender o sujeito como objeto de conhecimento, o diagnóstico psicológico não deve ser reduzido a um instrumento ideológico, isto é, fixar no sujeito a identidade de alguma coisa e, dessa forma, apropriar-se dele como se fosse a Coisa cognoscível.

No diagnóstico psicológico compreendido como um processo, o psicólogo expõe o ponto de vista sobre o objeto, mostra seus pressupostos epistemológicos, históricos, sociais e políticos sobre o mesmo, que poderão ou não ser rearticulados na investigação com a descoberta de algo desconhecido sobre o sujeito. Para o psicólogo, se for possível sustentar a posição de pesquisador operar-se-á uma nova dimensão sobre o sujeito.

O diagnóstico psicológico, como um ato que norteia a prática psicológica, regida por princípios que fundamentam a dimensão humana na existência, deverá se rearticular como instrumento ético-político com a finalidade de construir um outro olhar, uma nova dimensão e (re)situar o sujeito na existência.

Diante do exposto, o diagnóstico psicológico está articulado com a teoria psicanalítica, comprometido com seus pressupostos, fundamentado em um conjunto de ideias que norteiam o pensamento, mas que não o define em si; são formulações. No campo científico, correr o risco de fazer algo inovador é colocar outras interlocuções no campo psicológico, é inserir uma incerteza

na discursividade, é uma aposta.

4.2 O diagnóstico psicológico: um modo de operar entre os discursos um