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De viktige beskyttelsesfaktorer i robuste lokalsamfunn

5 Hva er de viktigste beskyttelsesfaktorer i robuste lokalsamfunn?

5.3 De viktige beskyttelsesfaktorer i robuste lokalsamfunn

Nesta pesquisa buscou-se construir uma estratégia para operar o diagnóstico psicanalítico como um dos modos de intervir do diagnóstico psicológico no acontecimento social que, na sua dimensão ético-político, pela via da escuta e da transferência, objetiva instaurar uma Outra dimensão. Freud denominou essa via como um dos efeitos do amor na relação terapêutica. Para

Rosa (2004), na via da transferência se produz o efeito da escuta:

[…] envolve tanto o sujeito como o psicanalista. A sua condição é construir um lugar situado como campo transferencial. A escuta psicanalítica implica que o analista suporte a transferência, ou seja, ocupe o lugar de suposto-saber sobre o sujeito - uma estratégia para que o sujeito, supondo que fala para quem sabe sobre ele, fale e possa escutar-se e apropriar-se de seu discurso. Esse campo permite uma relação que estrutura a produção do saber do sujeito, desde que o psicanalista renuncie ao domínio da situação e, pontuando e interpretando, possibilite a produção de efeitos de significação no sujeito: sujeito do desejo, engendrado pela cultura, mas que, em sua condição de dividido, pode transcender o lugar em que é colocado e apontar na direção de seu desejo. […) A escuta psicanalítica é, desde Freud, transgressora em relação aos fundamentos da organização social; para se efetivar, implica um rompimento do laço que evita o confronto entre o conhecimento da situação social e o saber do outro como um sujeito desejante. Dessa escuta - principalmente quando o sujeito se revela como tal, como um dizer - não se sai isento: uma tomada de posição ética e política torna-se necessária (ROSA, 2004, p.335).

O diagnóstico psicológico ético- político é produzido por essa via, sob os efeitos do amor, e se caracteriza por ser um dos modos de estratégia da intervenção psicanalítica, o qual leva em consideração as condições sociopolíticas e subjetivas da produção discursiva. Essa estratégia acontece na dimensão do diagnóstico em direção ao tratamento, incluindo o sujeito do inconsciente como possível de ser tratado, e não especificamente no tratamento, como o clínico- político. Segundo Alencar (2006, p. 8), a estratégia clínico-política:

É uma estratégia de intervenção que leva em consideração as pré-condições sócio- políticas e subjetivas necessárias à elaboração do luto, para fazer valer a dimensão do desejo, melhor defesa contra o gozo mortífero. Essas pré-condições podem ser realizadas na clínica estrito senso ou através de práticas coletivas que permitam a produção de ato que toca dimensões do real, simbólico e imaginário, contornando e significando aquilo que, por vezes, é negado socialmente. Restituir um campo mínimo de significantes que possam circular, referidos ao campo do Outro, permite ao sujeito localizar-se e poder dar valor e sentido à sua experiência de dor, articulando um apelo que o retire do silenciamento.

contexto de produção do acontecimento para fazer valer a dimensão do desejo, permitindo ao sujeito localizar-se a partir de um campo mínimo de significantes e dar valor e sentido à sua experiência de dor, e podendo ser realizada na clínica estrito senso ou através de práticas coletivas.

Na realização tanto na clínica estrito senso como nas práticas coletivas, o diagnóstico psicológico ético-político caracteriza-se por três tempos conceituais trabalhados por Lacan (1945/1971) e reeditados por Rosa em Metáforas da Desordem: a) o instante de ver, tempo em que se é surpreendido por alguma coisa que não se esperava, b) tempo de compreender, no qual se constrói uma nova resposta, elaborando-se novas significações que permitam passar para c) o tempo de concluir, quando se pode dar conta de uma nova posição. Mesmo assim, a dimensão do Unheimlich não se perde, fica para sempre como marca do trabalho analítico, porém não significa seu destino (ROSA, 2004, p.3).

O diagnóstico psicológico ético-político, é um acontecimento que se situa, parafraseando Quinet (2009, 14), na clínica do discurso, e está articulado com a clínica do traumático e com a do nó borromeano, com a clínica estrutural, permite um acréscimo, investigando não só a relação estrutural do sujeito e suas estratégias para lidar com o desejo e o gozo do Outro, mas também como ele se insere nos discursos, sua relação com a mestria, com o saber, com o outro do laço social, com o mais-de-gozar, ou seja, os objetos pulsionais excluídos da civilização e sua posição em respeito ao gozo. Conforme as considerações de Leite (2000, p.29):

A clínica estrutural seria descontínua e categorial e estaria fundada sobre a modalidade da oposição orientando-se em função da oposição da existência e não existência da função paterna. Esta clínica é tripartida entre neurose, psicose e perversão. A clínica borromeana tem a característica de não se referir às categorias nosológicas da psiquiatria clássica e funda-se na relação dos registros do imaginário, simbólico e real, segundo as propriedades de figura topológica do nó borromeano. Ela é uma clínica continuista e não categorial.

Apoiada na articulação da clínica topológica do nó borromeano e da clínica do traumático, penso em desenvolver o diagnóstico psicológico nessa condição ético-político, do acontecimento social como traumático, onde no sintoma social se implica o fantasma e se visa à posição do sujeito e o real do objeto causa de desejo, para formular uma ação que opera um Outro olhar,

numa Outra cena20 e cria uma nova dimensão do sujeito no discurso.

O diagnóstico psicológico ético-político, compreendido como um dos modos de intervenção psicanalítico, permite-nos legitimar o diagnóstico psicológico com pessoas que experienciam situações sociopolíticas ou econômicas na dimensão do insustentável, que levam em conta contextos de exclusão e violência. (ROSA, 2009):

Na clínica do traumático há intervenções não convencionais que caracterizamos como prática psicanalítica clínico-política, para abordar a questão da angústia e do luto em sua face política, ou seja, considerando a produção sociopolítica da angústia e os processos de impedimento dos processos subjetivos de luto. Tal prática levanta questões metodológicas (individuais e/ou coletivas), armadilhas (intervir em nome do bem do outro) e impasses enquanto o desejo do analista. […] A clínica do traumático não é específica das intervenções clínico-políticas (ROSA, 2004, p. 1-2)

No que concerne a tomar o diagnóstico psicológico como um acontecimento social, que produz um saber sobre outro acontecimento social — o crime —, isso significa colocar no jogo discursivo o seu contexto de produção, o que foi construído, para quem, como foi realizado e qual sua finalidade.

A formulação de um ato, ação ou acontecimento pode ser compreendida a partir das ideias de Foucault e Freud, em A arqueologia do saber (1972) e em Nietzsche, a genealogia e a história (1979). Foucault (1980) entende o acontecimento como “a irrupção de uma singularidade única e aguda, no lugar e no momento de sua produção.” (p.46-51). No contexto específico em que o ato de diagnosticar é produzido ocorre a irrupção de uma singularidade única e aguda, que pode vir a ser traumática ou não, dependendo de como for vivenciada pelo sujeito, e produzindo efeito no laço social.

Para Freud, a noção de acontecimento traumático delineia-se quando um acontecimento, como um trauma externo, está destinado a provocar um distúrbio em grande escala no funcionamento da energia do organismo e a colocar em movimento todas as medidas defensivas possíveis.

2 0 Outra cena: uma composição discursiva em que, sob transferência, os atores compartilham a protagonização da

história de um sujeito numa versão que inclui o desejo do Outro como operador de outra cena. Para Quinet, não há sujeito sem Outro, o que se passa com o sujeito depende do que se desenrola com o Outro (Outra cena), assim como o desejo do homem é o desejo do Outro e como o sujeito do discurso é vinculado ao outro do laço social. (2009, p. 49).

Compreendemos o conceito de trauma a partir da ideia freudiana da concepção original, anterior à própria realização do mundo. Segundo Vieira (2001, p.61):

Freud retoma as formulações de Otto Rank. Para Rank, o trauma é feito do encontro entre duas entidades distintas, o bebê e o mundo […) o encontro com o mundo é sempre traumático. O trauma do nascimento seria o ponto zero, inevitável, de todos os encontros traumáticos entre o ser e o mundo. O aparelho psíquico constitui-se como uma camada de proteção contra o excesso de estímulos. Somente a partir desta operação inaugural, torna-se possível ler o caos e fazer dele um mundo. […] o trauma é referido a um tempo mítico, universal, e é caracterizado como desamparo.

Após sua análise do Homem dos Lobos, Freud constrói uma articulação inovadora entre o ser, o mundo e o trauma, a partir da qual eles se tornam elementos constitutivos da realidade e organizam as experiências da vida. O trauma, como um elemento organizador do discurso, é um desamparo que demanda um amparo discursivo por parte do sujeito.

Esse amparo discursivo é compreendido aqui como um apoio que possibilita ao sujeito sustentar-se numa posição discursiva reconhecida socialmente, mas não pelos ideais sociais. Isso pode produzir um efeito de desamparo discursivo pela fixação do reconhecimento na idealização, ou seja, a correspondência biunívoca entre esses ideais que podem motivar e qualificar o ato, criando figuras do destino e impossibilitando a construção singular do sujeito.

4.6 O diagnóstico psicológico ético-político: um amparo discursivo na