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4. Course results

4.4 Living conditions, life satisfaction and well-being

A inclusão do Charter Value não solicita qualquer alteração nas equações do modelo básico, porque afeta apenas a condição de lucro de equilíbrio da indústria bancária. A estática compa- rativa conforme realizada no exercício do capítulo 2, seção 2.4.1, quando realizada para valores de Charter Value permitirão algumas conclusões gerais (ver figura 3.1):

1. A economia real não sofre qualquer alteração, uma vez que as variáveis reais estacio- nárias são descritas por parâmetros comportamentais que não dependem dos lucros da indústria bancária.

2. O Charter Value não altera os valores de longo prazo das taxas de juros finais de firmas e empreendedores porque esses preços estão atrelados a quantidades e preços da eco- nomia real;

3. Economias com lucros maiores apresentarão menor necessidade de capitalização in- terna para alcançar os níveis ótimos de capital.

A figura (3.1) contém a mesma organização de gráficos apresentada no capítulo 2, na seção que analisou as propriedades estáticas. A primeira coluna de gráficos contém relações associadas à eficiência do mercado bancário, a segunda coluna mostra índices de resiliência financeira e a terceira e última coluna variáveis que auxiliam a entender o comportamento macroeconômico.

No eixo horizontal de cada gráfico está o domínio real que contém o intervalo analisado do parâmetro de política, no caso, valores possíveis de Charter Values. Cada ponto do gráfico é uma economia em estado estacionário exatamente igual em relação às outras, exceto pelo nível de Charter Value.

A análise gráfica da figura (3.1) revela que as economias são pouco diferentes para valores me- nores de Charter Value, mas apresentam comportamentos distintos e comparativamente pro- porcionais a partir de um certo nível da restrição técnica.

Até certo ponto, a imposição de barreiras à entrada não têm efeitos sobre a estrutura patrimo- nial de estado estacionário das economias, o que implicaria nenhum trade-off com a resiliência financeira no longo prazo. Nesses casos, a regulação dos lucros não amplia o estoque de capital ótimo e estacionário de longo prazo porque seu nível é determinado pela tecnologia bancária e tal alocação é superior aos lucros que são incorporados. Também a demanda de crédito e os depósitos bancários não são diferentes. Para esses casos, somente os lucros dos bancos serão diferentes e proporcionalmente maiores. Como os lucros maiores de economias com que im- põem maiores barreiras à entrada são transferidos em boa monta para as famílias, proprietárias dos bancos, as transferências se equalizam com taxas finais de juros do crédito maiores, no contexto da restrição orçamentária das famílias, uma vez que a elasticidade-juros da demanda é zero. Portanto, para valores menores de Charter Value, a inclusão de barreiras à entrada somente aumenta o mark-up médio das firmas bancárias, indicando ineficiência alocativa.

Isso acontece porque existe o mecanismo de capitalização interna. O banco pode escolher de forma ótima o seu nível de capital bancário, obedecendo a regra de formação (2.38). Ainda que o regulador permita maiores Charter Values na indústria bancária, garantindo lucros maiores, os bancos apenas reacomodam o valor da capitalização necessária para alcançar o nível ótimo de capital, portanto mantendo a estrutura do passivo inalterada.

Todavia esse ajuste é possível até certo nível, a partir do qual os lucros incorporados serão suficientemente grandes tais que não exigirão qualquer capitalização interna. Tomando a regra

0 0.05 0.1 0.15 1 1.005 1.01 1.015 Spread Bancário R/Rd Σ/R Σ/Rd 0 0.05 0.1 0.15 1 1.1 1.2 1.3 1.4 Markup Médio 0 0.05 0.1 0.15 0.6 0.61 0.62 0.63 Alavancagem Bancos 0 0.05 0.1 0.15 −5 0 5 10 15 Charter Value 0 0.05 0.1 0.15 −1 0 1

2 Nível Crítico de Solvência

0 0.05 0.1 0.15 0.91 0.915 0.92 0.925 0.93 Exposição Bancária (1) 0 0.05 0.1 0.15 10.5 11 11.5 12 Exposição Bancária (2) 0 0.05 0.1 0.15 0.135 0.14 0.145 0.15 0.155 Lastro, K ban/L 0 0.05 0.1 0.15 0.43 0.435 0.44 0.445 Liquidez 0 0.05 0.1 0.15 0 0.5 1 1.5 Agregados Y C I 0 0.05 0.1 0.15 0.4 0.6 0.8 1 Agregados Bancários L D 0 0.05 0.1 0.15 0 0.1 0.2 0.3 0.4 Crédito Bancário Lj Le Li 0 0.05 0.1 0.15 0 1 2 3 Inflação 0 0.05 0.1 0.15 0.35 0.4

0.45Utilidade de Estado Estacionário

Figura 3.1: Estática comparativa de economias com valores diferentes de Charter Value ban- cário.

de formação, os lucros de estado estacionário da indústria bancária, que determinam o threshold do Charter Value, medidos em termos de participação no produto são:

(3.1) Πban Y = 1 Θ ∆ Y ,

em que Πban/Y é o nível de lucros da indústria bancária pelo produto da economia, Θ é a

fração4do lucro que é incorporada ao capital próprio, após tributação e distribuição de lucros e

∆ é o nível de capitalização interna.

Nesse ponto, toda regulação de Charter Value altera o estoque de capital de estado estacionário e a estrutura do passivo do banco, com efeitos também sobre a dinâmica da economia. No modelo básico calibrado, esse threshold é calculado em 11.14%. É a partir desse nível de regulação, conforme mostrou a figura e a análise, que o banco trabalhará com níveis superiores de capital bancário.

A regulação técnica imporá aos bancos mais capital de estado estacionário e o mecanismo in- terno de capitalização (∆b,t≥ 0) não permite corrigir o excesso de capital. Como as demandas

por crédito são ancoradas nas decisões da economia real, que não se altera com a regulação, são menores os depósitos bancários nas economias com maiores barreiras à entrada. As taxas de ju- ros dos depósitos bancários de equilíbrio são, portanto, suavemente maiores e o custo marginal do banco suavemente menores. O custo marginal operacional dos depósitos é decrescente na escala enquanto o ganho de escopo é menor (o segundo afeta o custo marginal e os juros sobre depósitos, enquanto o primeiro afeta apenas os juros sobre os depósitos e tem efeito superior aos ganhos de escopo). Os spreads suavemente menores são explicados pelo ajuste do passivo bancário.

A análise dos indicadores conceituais no estado estacionário evidencia que, pelo lado da efici- ência microeconômica, o mark-up médio mostra substantivo crescimento, mesmo quando não há efeitos sobre o passivo bancário. Os volumes de crédito são iguais em todos os mercados e

4Θ

t= (1− ιban)(1− τΠ ban t ).

também as taxas de juros a empreendedores e firmas e é a taxa de juros do crédito às famílias que é maior, como consequência da transferência dos lucros maiores do banco no âmbito da restrição orçamentária da família. No longo prazo, a inclusão de maiores barreiras à entrada explica bancos mais alavancados. A interpretação mostra que, apesar de spreads suavemente menores e maior produtividade dos depósitos bancários, o Charter Value aumenta substanci- almente o mark-up bancário, mesmo quando o mecanismo de capitalização interna é efetivo, porque o banco se apropria da renda que lhe é permitida pelo regulador técnico.

Os resultados estáticos concordam com as teorias e estimações que relacionam maiores Charter Valuesa maior resiliência financeira. Embora as motivações de equilíbrio parcial sejam espe- cíficas, aqui é a imposição de capital bancário superior, a partir do threshold, e a taxa marginal de substituição técnica que fazem cair os índices de exposição e aumentar as garantias sobre a administração do crédito e sobre a reposição aos depositantes. As economias apresentam me- nos liquidez porque a necessidade de moeda para pagamentos é menor e a substituição técnica entre depósitos e capital bancário explica bancos de menor tamanho em termos de ativos totais.

Sob a estabilidade macroeconômica, não são observados impactos relevantes de estado esta- cionário sobre os agregados macroeconômicos. A perda relativa dos serviços transacionais oferecidos aos depositantes explica economias com utilidades esperadas menores. Em sín- tese, a analise estática advoga que a intervenção sobre o Charter Value representa aumento do mark-upbancário e ainda menor eficiência econômica sob competição monopolística, o que é consistente em semântica com a direção pretendida pelo regulador técnico. Em contrapartida, o trade-off entre eficiência microeconômica e resiliência financeira se apresenta, mas apenas para valores acima do threshold, e está relacionado com uma nova estrutura de menor endivi- damento dos bancos e maior produtividade dos depósitos bancários.