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Liver transplantation in patients with liver metastases from colorectal cancer

2. Introduction

2.3 Liver transplantation in patients with liver metastases from colorectal cancer

A análise documental apresenta-se como um dos primeiros passos da investigação social. Já anteriormente referimos que para Quivy, Campenhoudt e Oppenheim, uma das primeiras fases de qualquer projecto são as leituras exploratórias, que permitem adquirir uma maior elucidação e conhecimento do tema que nos propomos estudar. Contudo, ao longo de todo o trabalho a desenvolver é necessário recorrer a um conjunto de fontes documentais que não só se apresentam como uma base ao estudo, mas também como uma complementaridade ao mesmo. Carlos Diogo Moreira afirma na sua obra Planeamento e estratégias da Investigação Social que «A pesquisa deve iniciar-se pela bibliografia.»220 Ora, tal como referido anteriormente, é necessário recorrer a um conjunto de leituras exploratórias antes de qualquer acto de pesquisa, quer em ciências sociais quer noutro ramo de investigação. Esta situação ficará a dever-se não só à necessidade de compreender melhor o objecto de estudo, mas também para tomar conhecimento com aquilo que já foi publicado nesse campo, ou seja, saber qual o estado da arte, visto ser necessário evitar a repetição constante de trabalhos já realizados, sobretudo quando não procuramos comprovar a fiabilidade e actualidade dos mesmos e das conclusões alcançadas. Para o autor, o documento é visto como qualquer material de índole informativa, independente do trabalho do investigador221, o qual, de acordo com Erlandson ou Macdonald e Tipton222, podem alcançar uma vasta variedade de registos de carácter simbólico ou escrito, produzidos com o intuito de capturar a realidade.

Neste âmbito, e no momento em que se constrói o processo de pesquisa documental, Carlos Diogo Moreira apresenta quatro categorias de fontes que podem ser usadas para a construção da bibliografia do trabalho223:

a. Os índices – que se apresentam como catálogos bibliográficos que muitas bibliotecas têm já compilados e que se constituem essencialmente como uma selecção da bibliografia disponível sobre um tema. Contudo, este tipo de fonte é alvo de uma rápida desactualização, o que poderá não ser conveniente para alguns trabalhos224;

b. Resumos – estes podem ser de livros, artigos publicados ou de teses realizadas em diferentes graus académicos. A utilização de um resumo pode ser uma mais-valia para qualquer investigador, uma vez que permite desde logo excluir alguns documentos, poupando assim bastante tempo;

c. Referências – todos os trabalhos de investigação científica possuem uma referência bibliográfica final que se pode apresentar como um ponto de partida

220 Idem, Ibidem, p. 39;

221

MOREIRA, Carlos Diogo, Teorias e práticas de investigação, Edições ISCSP, Lisboa: 2007, p. 153;

222

Estes autores são referidos e citados por Carlos Diogo Moreira no livro Teorias e práticas de

investigação, p. 169;

223 MOREIRA, Carlos Diogo, op. cit. 1994, p.38-39; 224

A utilização destas fontes documentais é também defendida por WEINBERG, Steven, The reporter’s

handbook, St. Martin’s Press, Boston: 1996, p. 23. Este autor aponta também a rápida desactualização

dos catálogos como uma desvantagem para o método. Contudo, apresenta como solução uma incursão nas bibliotecas para além do índex já existente, isto é, procurar dentro das publicações presentes na mesma.

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para este tipo de análise, uma vez que não só possui muitas vezes aquilo que são as obras fundamentais sobre o tema, como contém em si uma lista de publicações muitas vezes bastante actualizada;

d. Recensões – com o principal intuito de esclarecer e clarificar o conteúdo dos trabalhos a que se referem, as recensões chegam-nos pela forma de apreciações críticas aos mesmos, ainda que seja necessário ter em atenção se o carácter objectivo do texto é ou não seguido.

Independentemente da forma à qual se recorre para a construção de uma boa base documental para o trabalho a desenvolver, é necessário ter em conta questões inerentes ao manuseamento dos documentos, e que são agrupadas por Platt225 em duas categorias: problemas específicos relacionados com a autenticidade, disponibilidade e credibilidade dos documentos226; e as dificuldades que se encontram em quase todos os tipos de investigações, e que se prendem com a interpretação dos dados e a apresentação dos mesmos no novo trabalho de investigação.

Ainda que faseada, a análise documental é fundamental para a prossecução de qualquer trabalho de investigação digno dessa conotação e passível de se tornar per si uma fonte documental. Para tal, é importante não só fazer uso da mesma no início da pesquisa – com as designadas leituras exploratórias; mas também ao longo do trabalho – o que irá permitir um melhor enquadramento teórico e metodológico.

As fontes documentais utilizadas na pesquisa que se apresentam dividem-se em duas categorias: as fontes primárias – onde é possível encontrar documentos oficiais de origem e textos elaborados há altura dos acontecimentos; e fontes secundárias – como sejam obras de referência e relatórios internacionais.

1. Análise de fontes primárias

Como ficou exposto anteriormente, um dos tipos de fontes de análise documental são as denominadas fontes primárias, cujos autores são muitas vezes as próprias personagens da acção, dando origem a documentos que se reportam contemporaneamente ao período ao estudo. Deste modo, podemos apresentar como documentos primários os documentos institucionais e pessoais.

No que diz respeito aos documentos institucionais consideramos, tal como Carlos Diogo Moreira, todos os documentos de cariz público produzidos pelas sociedades, que se tornam marco das mesmas e que reproduzem os atributos, características e particularidades de um determinado tempo e espaço social: «Na esfera pública de qualquer sociedade moderna produz-se uma infinidade de documentos, os quais constituem marcos significativos da cultura da sociedade. E também as «coisas», além das pessoas e instituições, podem «falar» ao investigador social, apresentando-se como «impressões físicas» da cultura que as

225

MOREIRA, Carlos Diogo, op. cit. 2007, p. 169;

226 Preocupações já abordadas por Carlos Diogo Moreira no seu livro Planeamento e estratégias de investigação social.

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produziu.»227, entre os quais se podem encontrar registos censitários, estatísticos, entre outros. Segundo o autor, estes dados são fundamentais não só para disciplinas como a história – que pode reconstruir factos dos tempos através destes documentos –, mas também para as ciências sociais e políticas.

Os dados provenientes de documentos pessoais, como sejam cartas e diários, são, para as ciências sociais, importantíssimos na hora de compreender a dinâmica das sociedades e dos seus membros ao serem caracterizadores dos indivíduos, definidos pelas suas vivências e experiências pessoais. Assim sendo, estes documentos acabam por ser dados biográficos de extrema relevância social, sendo que os diários são o documento por excelência ao apresentar características individuais riquíssimas, possuindo não só os relatos do quotidiano, mas também opiniões, sentimentos, pensamentos e ideologias que de outra forma não seria possível encontrar – o mesmo se passando com a correspondência, que revela as mesmas informações mas de todos os seus intervenientes.

2. Análise de fontes secundárias

As fontes documentais secundárias são, por seu turno, atemporais com relação à ocorrência dos factos, isto é, o seu registo é efectuado posteriormente ao momento em que os eventos se passaram. De entre estes documentos podemos encontrar as memórias e a história ora, que acabam por se fundir, visto que as duas se constituem como relatos, por vezes escritos, dos seus autores ou por terceiros (pessoas a quem a história foi transmitida e que fazem registo da mesma), que acabam por representar a posição dos intervenientes, uma vez que se verifica uma tendência bastante marcada para a transmissão da informação que melhor os represente – podendo incorrer, em determinadas circunstâncias, em alterações do real.

Tanto o material documental proveniente das fontes primárias como das secundárias pode ser apresentado em diversos suportes como sejam o áudio e vídeo, ainda que o mais comum, e certamente o mais utilizado no presente trabalho, seja o escrito – com excepção feita às entrevistas que levámos a cabo e para as quais, como será possível constatar mais adiante, recorremos ao suporte áudio.

É ainda possível indicar, de acordo com Carlos Diogo Moreira, uma terceira fonte documental, que se constitui nos índices, bibliografias e resumos que se podem encontrar em quase todos os livros ou bases bibliográficas e que se constituem como um forte auxílio não só ao descobrimento de qual o estado da arte, mas também na elaboração e prossecução do trabalho de investigação em ciências sociais.

Independentemente do nível de fontes documentais sobre os quais nos debruçamos, quando iniciamos a sua análise é necessário termos em linha de conta um conjunto de

227

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vantagens e desvantagens no uso deste tipo de informação. De acordo com Carlos Diogo Moreira podemos apontar, essencialmente, seis convenientes e quatro inconvenientes228.

As principais vantagens que se encontram na utilização de documentos são a significância que estes apresentam aquando do início da investigação (a consulta do estado da arte); o interesse que representam para os estudos de comparação e análise de tendências; o custo relativamente reduzido de um elevado volume de informação; o distanciamento que o investigador tem perante os documentos proporciona uma ausência de influência do mesmo face à sua elaboração; o facto de muita da informação constante nos documentos ser praticamente exclusivo; e a possibilidade que este tipo de informação tem de ser passível de preservação e conservação para o futuro. Relativamente às quatro desvantagens que o autor apresenta, estas são a selecção que muito deste material sofre no momento em que é arquivado e conservado; a atenção especial que é necessário ter perante a utilização desta informação, uma vez que os objectivos com que foi recopiada não são os mesmos do investigador; a subjectividade que existe na interpretação dos dados; e a crítica que certos autores fazem aos dados de índole oficial, considerando-os como fundamentais para os estudos, mas cuja origem se atribuí a toda a sociedade e não apenas a um individuo, sendo necessário analisá-los com esse cuidado.

Na esfera da análise de fontes documentais importa ainda referir que o recurso às mesmas pode ser feita através de bibliotecas – no caso do nosso trabalho a Biblioteca do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, do Instituto de Ciências Sociais, do Ministério da Defesa e do Instituto de Altos Estudos Militares – da Internet e de Bases de Dados – sendo estas especialmente importantes na recolha de artigos académicos publicados em revistas da especialidade, como é o caso da ProQuest. No que a este trabalho diz respeito, foram usados diversos textos de origem académica encontrados pela Internet e pela consulta da base de dados ProQuest pelo que, e dada a natureza subjectiva destes documentos, foi tido em consideração que muitos deles se apresentam como uma opinião relativa a um tema, seja o jornalismo em áreas de conflito seja a intervenção militar no Kosovo.