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Livelihood Strategies

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3.2 Understanding Livelihoods

3.2.2 Livelihood Strategies

Neste ponto do nosso trabalho desenvolvemos de forma crítica uma reflexão relativamente ao estágio na EPE, referindo as nossas conquistas, mas também as dificuldades.

Uma conquista foi, com as poucas possibilidades que tínhamos, termos conseguido reorganizar e enriquecer o espaço, alterando a sua disposição, aumentando as suas áreas e enriquecendo-o com novos materiais, recolhidos muitos deles da natureza e outros elaborados por nós.

Uma das nossas dificuldades foi o controlo do grupo, uma vez que se revelou bastante “agitado”, havendo mesmo momentos de brigas violentas. Pensamos que a rotina também favorecia estes comportamentos. A partir de uma reflexão inicial com as crianças, surgiu o quadro dos direitos e dos deveres, e o quadro das presenças, a identificação das diversas áreas e a distribuição ecológica por área (número de crianças/espaço e materiais existentes). Estes aspetos beneficiaram a relação e favoreceram as interações e a autorregulação das crianças. Ainda que existissem, de vez em quando, momentos de brigas, estes passaram a ser menos violentos e frequentes.

As paredes, que inicialmente estavam vazias, passaram a estar preenchidas com pictogramas, explorados com as crianças, com trabalhos elaborados por elas e outros recursos complementares.

Conseguimos explorar atividades diversificadas, que integravam as áreas do saber de forma holística e que atribuíam à criança um papel ativo. Conseguimos criar momentos de

transição tranquilos, o que favoreceu o comportamento do grupo. Participávamos nas brincadeiras com as crianças, conquistando a sua confiança e carinho. Tivemos a preocupação de não impor nada, mas antes propor, negociar e refletir com as crianças e os adultos.

Exploramos materiais distintos e do agrado das crianças, como foi o exemplo de fantoches, do jogo Twister, da TV de papelão, os tabuleiros para o jogo dos obstáculos. Realmente, nos momentos de exploração partilhada das áreas, as crianças estabeleciam preferência por estes materiais, pela novidade e pela diversidade de exploração que ofereciam.

Das estratégias utilizadas, a que consideramos que teve maior sucesso foi o momento de relaxamento, ao final do dia, com o Aquiles. Para as crianças foi um momento totalmente novo e diferente. Estas esperavam com ansiedade o final do dia para poderem usufruir daquele momento. Recolhemos opiniões bastante positivas das crianças, como por exemplo “Que fixe, esta semana vem o Aquiles!”. Todos os dias falavam na personagem, fosse para perguntar se vinha, para conjeturar sobre quem a interpretava ou até mesmo para conversar sobre a história ou poema que ele contava. No fim do estágio, as crianças chegaram mesmo a pedir se poderiam ficar com o fato do Aquiles na área do faz de conta, uma vez que “gostava[m] muito dele”. Certamente que cedemos à sua vontade, proporcionando também um enriquecimento dessa área.

Uma outra exploração, com bastante sucesso, foi a elaboração das espetadas de fruta, a degustação da fruta e interpretação de que é importante trazermos uma fruta para o lanche. Realmente observamos que após esta exploração, as crianças passaram a levar mais vezes fruta, manifestando, todos os dias, logo pela manhã, com bastante alegria, a sua lancheira e dizendo: “Cristiana hoje trouxe fruta para o lanche, o meu lanche é mais saudável!”. Uma mãe chegou mesmo a congratular-nos por esta atividade, uma vez que o filho passou a pedir para levar fruta para o lanche, coisa que antes não acontecia.

Relativamente à investigação em curso, percebemos, a partir das atividades desenvolvidas e das observações realizadas, que as escolhas das crianças eram influenciadas pela publicidade, expressando, na maioria dos casos, preferência pelos alimentos veiculados pelos media. Também os seus lanches eram compostos por este tipo de alimentos. Estes dados foram recolhidos através das EEA “Classificando alimentos” e “Desenhos animados com publicidades”. Nelas podemos observar que as crianças estabeleciam preferência por alimentos publicitados (Compal

Essencial, sumo Trina e Manhãzitos). Observamos na área do gosto, alimentos maioritariamente

publicitados. Percebemos, quando passamos o filme, que as crianças conheciam os anúncios, manifestando o reconhecimento das falas, repetindo-as, cantando as suas músicas e verbalizando o seu interesse pelo alimento. Pela EEA “À procura do açúcar nas bebidas” conseguimos detetar que as crianças reconheceram que a maioria dos alimentos publicitados não são saudáveis. Observamos tais factos, essencialmente, pela voz das crianças, verificando que, após estas EEA, os alimentos que escolheram consumir eram diferentes dos escolhidos antes das

EEA, como podemos confirmar na verbalização do Jorge: “Oh bebia um Bongo, eu queria mesmo era Coca-Cola, mas tem tanto açúcar!”. Ainda recorrendo a esta EEA, as crianças desconstruíram a perceção que anteriormente tinham, como revelou a Maria: “Tem fruta, por isso é saudável”.

Com a EEA “À procura do açúcar natural nos alimentos” as crianças confirmaram que o nosso corpo necessita de açúcares para funcionar, mas de um tipo de açúcares mais saudáveis. Comprovaram a existência de açúcares naturais que se encontram presentes em alguns alimentos já por eles conhecidos.

Pela EEA “Degustar e descobrir” as crianças tiveram oportunidade de descobrir novos alimentos e novos sabores. Também, pela EEA “As lancheiras em análise”, as crianças puderam discutir e confrontar ideias, demonstrando uma perceção avançada do que era um lanche saudável, como podemos ler na verbalização do Raul: “A Ana tem coisas saudáveis como a fruta, o leite, o queijo, mas é muita comida!”. Observamos um despertar de interesse por fruta, uma vez que, após estas EEA as crianças passaram a introduzi-la nos seus lanches.

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