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2. TEORETISK RAMMEVERK

2.1 Litteratursøk

4.1 .1 – Delimitação da pesquisa

No caso do campo de observação desta pesquisa, o local de estudo foi o município paraense de Gurupá, localizado às margens do rio Amazonas, a 353 km em linha reta de Belém.

A indicação do campo serve para selecionar, limitar e identificar o que vai ser observado. E só pode ser definido quando se tem, para determiná-lo, a formulação de um problema, enunciado na forma de uma indagação que deve ser respondida. Há três elementos importantes que o campo da observação deve abranger: a) população (a que ou a quem observar); b) circunstância (quando observar); c) local (onde observar). (RUDIO 1986: 37)

Como forma de alcançar os objetivos deste trabalho, as atividades tiveram início com a formulação do problema referente ao objeto de estudo que procura verificar se a atuação da FASE no município de Gurupá ajudou a promover o fortalecimento do capital social das comunidades por ela assessoradas, contribuindo para o empoderamento e

melhoria das suas condições de vida, a ponto de se tornarem protagonistas nos projetos ambientais implantados.

A fundamentação teórica deste estudo foi realizada por meio de pesquisa bibliográfica, compreendendo questões relevantes relacionadas ao tema, tais como: a evolução do conceito de sociedade civil, e a atuação da sociedade civil brasileira; o ambientalismo como movimento e ator social; os antecedentes e as definições do fenômeno ONG, assim como seu aspecto político,marco legal, protagonismo e suas especializações no Brasil, além das ONGs ambientalistas; governança ambiental, dentre outros. Trujillo, 1974: 230 apud Lakatos, 2006: 185 infere que “a pesquisa bibliográfica não é mera repetição do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, mas propicia o exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras.”

A escolha de Gurupá para o desenvolvimento desta pesquisa, ocorreu quando se tomou conhecimento da atuação da FASE no desenvolvimento sustentável do município, através de assessorias em projetos referente a: criação de Reserva Federal de Desenvolvimento Sustentável, além de Planos de Manejos (do PROVÁRZEA) dirigidos às comunidades ribeirinhas. Tanto em um como em outro caso, a atuação da entidade por meio do seu corpo técnico contribuiu para incluir boa parte da população local de Gurupá na governança ambiental, fato que justifica o interesse de se desenvolver pesquisa na referida área de estudo.

Depois dessa etapa, procurou-se materializar um processo de pesquisa com base em uma observação crítica dos fatos sócio-ambientais revelados. Nesse sentido, a intenção foi buscar “uma aproximação questionadora do testemunho dos informantes (por exemplo: estão me contando o que eu quero ouvir?), e do desenvolvimento do esquema teórico (por exemplo: estou vendo o que quero ver?). (RICHARDSON, 1999: 94).

A atividade de campo compôs-se de uma entrevista com o coordenador da FASE em Belém, além de outras em Gurupá com o vigário da Igreja Católica, com o Prefeito do Município, com o representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e com o Secretário Municipal de Educação. O critério utilizado para escolha dos entrevistados se deveu as suas identidades com a FASE em relação a luta em favor da inclusão das comunidades ribeirinhas de Gurupá à cidadania social, política e econômica. Nesse aspecto, buscaram-se através das entrevistas colher relatos que indicassem uma percepção o mais fiel possível da atuação da FASE no município.

Além das entrevistas foram aplicados dez questionários em uma amostra de quarenta professores (vinte e cinco por cento), que trabalham no município e estão concluindo graduação no Curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Pará – UEPA. O critério de escolha dessas pessoas para responderem os questionários primeiramente se baseou no fato delas atuarem em sua maioria na zona rural do município, portanto, na área onde praticamente a totalidade das assessorias da FASE é efetuada. Além do que, o professor nas localidades ribeirinhas da Amazônia atua não só no estrito papel das suas funções: dar aulas, muitas vezes é tratado pela população como conselheiro e convidado a participar dos eventos mais importantes da comunidade.

Conforme Lakatos (2006: 199), existem diferentes tipos de entrevistas, as quais podem variar de acordo com o propósito do entrevistador, são elas:

a) Padronizada ou Estruturada - É aquela em que o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido; as perguntas feitas ao entrevistado são predeterminadas. Ela se realiza de acordo com um formulário elaborado e é efetuada de preferência com pessoas selecionadas de acordo com um plano. Neste caso, o entrevistador não é livre para adaptar

suas perguntas a determinada situação, nem para alterar a ordem dos tópicos ou fazer outras perguntas.

b) Despadronizada ou não estruturada - O entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma maneira de poder explorar mais amplamente uma questão. Em geral, as perguntas são abertas e podem ser respondidas dentro de uma conversação informal.

Esse tipo de entrevista, segundo (Ander-Egg, 1978 apud Lakatos, 2006: 199), apresenta três modalidades:

• Entrevista focalizada – Há um roteiro de tópicos relativos ao problema que se vai estudar e o entrevistador tem liberdade de fazer as perguntas que quiser: sonda razões e motivos, dá esclarecimentos, não obedecendo ao rigor de uma estrutura formal. Para isso, são necessários habilidade e perspicácia por parte do entrevistador. Em geral, é utilizada em estudos de situações de mudança de conduta.

• Entrevista clínica - Trata-se de estudar os motivos, os sentimentos e a conduta das pessoas. Para esse tipo de entrevista pode ser organizada uma série de perguntas específicas.

• Não dirigida – Há liberdade total por parte do entrevistado, que poderá emitir suas opiniões e sentimentos. A função do entrevistador é de incentivar e levar o informante a falar sobre o tema em questão, sem, entretanto, forçá-lo a responder.

c) Painel - Consiste na repetição de perguntas, de tempo em tempo, às mesmas pessoas, como o objetivo de estudar a evolução de opiniões em períodos curtos. As perguntas devem ser formuladas de maneira diversa, para que o entrevistado não distorça as respostas com essas repetições.

Dos tipos de entrevistas acima, o que se utilizou neste trabalho foi a focalizada. Dez perguntas foram formuladas para todos os atores responderem. Depois de gravadas, as respostas obtidas nas entrevistas foram transcritas para serem utilizadas no processo de análise dos dados.

4.1.2 – Procedimento para análise e interpretação dos dados

Além dos dados colhidos através das entrevistas e observações in loco, no município de Gurupá, as fontes bibliográficas e cartográficas também foram de grande utilidade, no sentido de que este trabalho pode servir de fundamento para outras pesquisas em outros municípios. Em face disso, a análise desta pesquisa não procura se ater somente aos fatos, porém, busca interpretá-los segundo teorias relacionadas ao tema. Segundo NETTO (2006: 72) a

“Análise e interpretação são duas atividades distintas, mas estritamente relacionadas. Como processos, envolvem operações, que têm por finalidade evidenciar as relações existentes entre fenômeno estudado e outros fatores. Essas relações podem se dar por meio das propriedades relacionais de causa e efeito entre produto e produtor, das correlações que podem ser empreendidas e, também, das discussões a respeito do conteúdo.

A técnica utilizada para interpretação dos dados colhidos tanto nas entrevistas como nos questionário foi a análise de conteúdo. Das possibilidades desta, optou-se pela mais antiga e a mais utilizada: a análise por categoria.

Entre as possibilidades de categorização, a mais utilizada, mais rápida e eficaz, sempre que se aplique a conteúdos diretos (manifestos) e simples, é a análise por temas ou análise temática. Consiste em isolar temas de um texto e extrair as partes utilizáveis, de acordo com o problema pesquisado, para permitir sua

comparação com outros textos escolhidos da mesma maneira. (RICHARDSON, 1999: 243).