As relações existentes entre os diferentes agentes de inovação desempenham um papel central no desenvolvimento tecnológico, impactando fluxos de informação, aprendizado e a difusão tecnológica. A Tabela 9 reúne os principais parceiros das firmas participantes da pesquisa antes da participação no PAPPE. Dentre os 12 tipos de relacionamentos sugeridos, apenas 3 ocorriam com frequência: cooperação com “universidades”, com “fornecedores” e
com “clientes”; os dois últimos se apresentando como relacionamentos frequentes em mais da metade das empresas entrevistadas, com 60% e 58%, respectivamente.
Em relação às universidades, apenas 23% das firmas alegaram que não desenvolviam relacionamentos com esses agentes, enquanto 32% o faziam de maneira ocasional. Já em relação aos institutos de pesquisa, parte significativa das empresas, cerca de 46%, não mantinha nenhum tipo de relacionamento. No entanto, das empresas que alegaram cooperação do tipo empresa-IPP o maior número mantinha um relacionamento frequente. Assim, fica evidente o interesse das empresas por relacionamentos do tipo setor produtivo-ciência, embora o direcionamento seja mais para as universidades do que para os institutos de pesquisa.
Com exceção dos institutos de pesquisa e “agentes financeiros”, os demais relacionamentos que tendiam a não ocorrer apresentaram um percentual acima de 60%, com alguns ainda tendo baixíssimos percentuais de relacionamentos frequentes como “joint venture”, “concorrentes”, “centros de capacitação profissional” e “entidades sindicais”. Se, por um lado, o padrão cooperativo das empresas antes da participação no Programa mostrava- se baixo, por outro, aquelas que cooperavam tendiam a criar relações formais com seus parceiros; apenas a relação com concorrentes apresentou um padrão de relação informal. Sobre a localização dos parceiros fica evidente a busca por parceiros fora de seus estados, com a maioria dos relacionamentos se dando em nível nacional. Um fator interessante é que embora a interação com concorrentes tenha se mostrado baixa, havia um percentual considerável de empresas que buscavam parceiros externos para esse tipo de relação.
Tabela 9 - Atividades de cooperação antes do PAPPE, formalização e a localização dos parceiros (%)
Agente
Grau de frequência Formalização Localização
Não
ocorriam Raramente Frequentemente Formal Informal Formal e informal Local Regional Estadual Nacional Externo
Joint venture 74% 17% 9% 65% 35% 0% 19% 19% 13% 48% 1% Fornecedores 22% 18% 60% 67% 16% 17% 21% 12% 10% 51% 6% Clientes 28% 14% 58% 57% 17% 26% 17% 11% 11% 57% 4% Concorrentes 60% 32% 8% 15% 58% 27% 12% 12% 8% 45% 23% Universidades 23% 32% 45% 56% 26% 18% 20% 18% 30% 30% 2% Institutos de pesquisa 46% 20% 34% 47% 24% 29% 11% 20% 26% 43% 0% Centros de capacitação profissional de assistência técnica e de manutenção 71% 23% 6% 63% 37% 0% 21% 37% 16% 26% 0% Instituições de testes, ensaios e certificações 67% 22% 11% 100% 0% 0% 19% 14% 24% 43% 0% Representação 69% 17% 14% 65% 15% 20% 15% 5% 20% 60% 0% Entidades Sindicais 66% 25% 9% 84% 16% 0% 59% 9% 23% 9% 0% Órgãos de apoio e promoção 60% 18% 22% 77% 15% 8% 38% 8% 27% 27% 0% Agentes financeiros 46% 37% 17% 89% 3% 8% 31% 6% 29% 34% 0%
A Tabela 10 apresenta características das atividades inovativas antes da participação no PAPPE. Fica evidente o elevado número de empresas que mantinham um grau de frequência contínuo para com as atividades inovativas, quase 60%. Como a maior parte das empresas participantes da pesquisa são jovens e de porte micro/pequeno é natural que se observe um gasto médio anual com atividades de P&D baixo. Cerca de 32% das empresas mantinham gasto médio de até R$ 30 mil por ano. Considerando as quatro primeiras opções de gasto médio apresentadas na Tabela 10 pode-se sugerir que a maior parte das empresas participantes apresentam gastos com P&D em intervalos baixos/intermediários.
Ainda de acordo com as informações da Tabela 10 percebe-se a importância que as empresas dão para a aquisição externa de P&D, com 43% delas considerando este elemento relevante para as suas atividades inovativas. E ainda, um número baixíssimo de empresas, apenas 6%, considera o grau de absorção das informações tecnológicas como sendo baixo. Ademais, cerca de 66% não possuíam patentes em vigor antes do PAPPE.
Tabela 10 - Atividades inovativas antes do PAPPE (%)
Frequência das atividades inovativas
Não ocorriam 19%
Ocasionais 23%
Contínuas 58%
Gasto médio anual
De 0 a R$ 30.000,00 32% De R$ 31.0000,00 a R$ 80.000,00 28% De R$ 81.000,00 a R$ 160.000,00 15% De R$ 161.000,00 a R$ 240.000,00 14% De R$ 241.000,00 a R$ 320.000,00 3% De R$ 321.000,00 a R$ 500.000,00 3% De R$ 501.000,00 a R$ 1 milhão 5% Acima de R$ 1 milhão 0% Departamento de P&D Sim 54%
Não, utilizava de uma incubadora 17%
Não, utilizava de uma universidade 20%
Não, utilizava de um instituto de pesquisa 9%
Grau de relevância para empresa da aquisição externa de P&D
Irrelevante 29%
Pouco relevante 14%
Relevante 43%
Muito relevante 14%
Grau de absorção de informações tecnológicas
Baixo 6%
Médio 53%
Alto 41%
A empresa já tinha patente em vigor
Não 66%
Sim, no Brasil 34%
Sim, no exterior 0%
Sim, no Brasil e no exterior 0%
A partir das inovações de produto e processo implementadas antes do PAPPE apenas dois impactos não foram observados em mais da metade das empresas: a entrada no mercado externo e a redução dos custos de produção; no entanto, a redução de custos manteve um percentual pouco abaixo da metade, com avaliações de cunho positivo pelas empresas, de modo que apenas a entrada no mercado externo se mostrava como uma barreira que as empresas não conseguiam ultrapassar (Tabela 11). Os demais impactos foram considerados relevantes ou muito relevantes para as empresas em geral, com destaque para a permanência da empresa no mercado e aumento da oferta de produtos e serviços.
Pelas informações apresentadas, a maioria das empresas já desenvolviam atividades cooperativas com outros agentes, sobretudo com fornecedores, clientes e universidades. Independentemente do grau de frequência tais relacionamento se davam, principalmente, de maneira formal, com exceção para a cooperação com concorrentes. Embora a localização dos parceiros indique uma predominância nacional isso não anula a possibilidade de haver interação com agentes mais próximos da firma. A respeito disso, a relação empresa- universidade mostra-se igualmente direcionada a nível estadual e a nível nacional, evidenciando a busca de parcerias com instituições mais próximas. Como a maioria das empresas estão localizadas em grandes centros urbanos, com presença de universidades de grande importância no país, as relações em nível nacional podem estar ligadas à falta de competências encontradas nas instituições mais próximas ou mesmo à ausência de áreas compatíveis ao setor da empresa.
Ademais, constituem-se em empresas que realizam, em geral, atividades contínuas de P&D, embora os gastos médios anuais sejam relativamente baixos, justificando talvez a busca de apoio financeiro em programas como o PAPPE. A presença considerável de empresas que já investiam continuamente em atividades de P&D é capaz de justificar, em parte, os resultados encontrados na Tabela 11. As inovações implementadas antes do PAPPE, sobretudo a promoção de maior inserção no mercado nacional, pode estar ligada, mesmo que indiretamente, ao perfil de cooperação em nível nacional apresentado na Tabela 9, uma vez que uma maior parcela de mercado proporcione uma maior interação com agentes fora do eixo regional das empresas, como fornecedores e clientes, dois dos agentes que se destacaram nas cooperações já existentes.
Tabela 11 - Inovações de produto e/ou processo implementadas antes do PAPPE e o seu grau de relevância (%)
Impactos Sim
Grau de Relevância
Não
Irrelevante Pouco relevante Relevante Muito Relevante
Melhorou a qualidade do produto? 89% 0% 5% 45% 50% 11%
Ampliou a gama de produtos ou serviços ofertados? 82% 0% 9% 38% 53% 18%
Permitiu manter a participação da empresa no
mercado? 72% 0% 2% 40% 58% 28%
Promoveu maior inserção da empresa no mercado
nacional? 65% 2% 10% 45% 43% 35%
Permitiu a empresa entrar no mercado externo? 23% 2% 46% 20% 32% 77%
Criou novas oportunidades de negócios? 88% 0% 11% 42% 47% 12%
Aumentou a produtividade da empresa? 68% 0% 16% 52% 32% 32%
Reduziu custos de produção? 43% 0% 7% 50% 43% 57%
Aumentou a capacitação de recursos humanos? 65% 0% 12% 60% 18% 35%
Introduziu inovações organizacionais? 60% 0% 13% 62% 25% 40%