1 Innledning
1.2 Avgrensning og begrepsavklaring
Um importante fator para o processo inovativo é a interação entre a produção científica (aportando novos conhecimentos criados) e a produção tecnológica (transformando conhecimento em novas tecnologias), gerando um fluxo retroalimentador entre as duas dimensões. Para os países com um sistema de inovação imaturo, como o do Brasil, a infraestrutura científica é um componente relevante, pois é capaz de atuar como instrumento de identificação de problemas tecnológicos que se pode aproveitar, além de atuar como meio de absorção de conhecimento estabelecendo relações com a produção científica externa. De outra maneira, é capaz de reestruturar setores industriais já existentes no país, bem como desenvolver setores tecnologicamente estratégicos (SUZIGAN et al., 2011).
Conforme já apontado, um dos fatores que contribuem para a atual condição de imaturidade do SNI brasileiro reside na baixa interação entre o setor de produção e o setor acadêmico. Países com sistemas nacionais de inovação nesta condição possuem instituições de ensino e pesquisa estabelecidas, mas que não são capazes de mobilizar pesquisadores, cientistas e engenheiros num contingente semelhante aos dos países com sistemas mais desenvolvidos; de outro lado, as empresas não possuem um envolvimento amplo com atividades inovativas (SUZIGAN; ALBUQUERQUE, 2011). De acordo com os autores, o caráter tardio da criação de instituições de ensino e pesquisa e universidades, junto à industrialização tardia do país, justificam a baixa interação entre ciência e tecnologia.
Ao analisarem os casos bem sucedidos de relação U-E, os autores reforçam a visão de “pontos de interação”, baseando-se em uma construção de longo prazo. Conforme apontam Suzigan e Albuquerque (2011):
De modo geral, em todos os produtos nos quais o Brasil apresenta vantagens comparativas no cenário internacional, é possível identificar um longo processo histórico de aprendizagem e acumulação de conhecimentos científicos e competência tecnológica, envolvendo importantes articulações entre esforço produtivo, governo e instituições de ensino e pesquisa. (SUZIGAN; ALBUQUERQUE, 2011, p. 18).
No Brasil, a criação de instituições de ensino superior se deu somente a partir da década de 192026, embora já houvesse faculdades isoladas no país desde a transferência da coroa portuguesa no início do século XIX. A criação institucional de forma tardia e limitada, estava relacionada à estagnação econômica e a condição de colônia, além da inexistência de instituições financeiras no país até 1808.
Ainda assim, cinco casos históricos de interação nas experiências brasileiras podem ser citados27: i) ciências da saúde, com produção de soros e vacinas (Instituto Oswaldo Cruz e Instituto Butantan); ii) ciências agrárias (Instituto Agronômico de Campinas e EMBRAPA); iii) mineração, engenharia de materiais e metalurgia, produção de minérios, aços e ligas especiais (Universidade Federal de Minas Gerais); iv) engenharia aeronáutica (Centro Técnico Aeroespacial e Instituto Tecnológico de Aeronáutica); v) geociências, extração de petróleo e gás (Petrobrás – COPPE/UFRJ, Universidade Estadual de Campinas). Suzigan e Albuquerque (2011, p. 39) sublinham que todos os casos de sucesso indicam que “é necessária uma construção de longo prazo, com esforços sistemáticos que persistem ao longo do tempo”.
As análises de Rapini (2007) e Righi e Rapini (2011) corroboram o padrão de interação entre universidades e empresas caracterizado por “pontos de interação”, ou seja, as cooperações são espaçadas e pontuais, com uma tendência pouco interativa, em que não se observa um circuito retroalimentador, caracterizado por fluxos de informação e conhecimento que transitam de uma esfera para a outra, e vice-versa.
Consoante Rapini (2007), o aspecto da interação U-E no país é resultado do padrão de industrialização observado no país, em que as áreas com incentivos setoriais, em especial as engenharias, ciências da computação e ciências agrárias, são as que mais se destacam no sentido cooperativo. Dessa maneira, os “pontos de interação” observados se constituem em relacionamentos desenvolvidos em longo prazo, destacando-se um histórico processo de aprendizado, concentrando-se em empresas de base tecnológica.
No período recente, as lacunas observadas nas interações U-E, conforme apontam Righi e Rapini (2011) estão presentes: i) no baixo conteúdo científico e curto prazo exigido
26 Segundo Suzigan e Albuquerque (2011), a literatura sobre a formação de universidades considera que a primeira instaurada foi a Universidade de São Paulo, em 1934. No entanto, apontam: “Cunha (1980) menciona a existência, em 1920, de ‘universidade sucedidas’ (Universidade de Minas Gerais e Universidade do Rio de Janeiro), em contraposição às ‘universidades passageiras” (Suzigan; Albuquerque, 2011, p. 25).
27 Para compreender melhor como se desenvolveu cada uma das experiências destacadas ver Suzigan e Albuquerque (2011).
para as soluções de problemas industriais que não gera estímulos ao investimento em Ciência e Tecnologia (C&T); ii) na falta de comunicação entre os agentes envolvidos; iii) no envolvimento restrito por parte do setor produtivo no processo inovativo; iv) na ausência de instrumentos que capacite as universidades a comercializar tecnologia; v) na rigidez das instituições de C&T. Essas características contribuem para a discussão do SNIB se enquadrar como imaturo, ao lado de outros países emergente. No Brasil, a consciência das relações de cooperação é ainda recente e os elos são frágeis, sendo esta uma lacuna a ser superada (STAL; FUJINO, 2005; SUZIGAN; ALBUQUERQUE, 2011).
Assim, conforme sublinham Suzigan e Albuquerque (2011), para se intensificar a relação entre ciência e tecnologia deve haver um processo histórico reconhecendo cinco elementos importantes: i) preparação dos arranjos monetário-financeiros que viabilizam, entre outros elementos, a criação e o funcionamento de universidades/instituições de pesquisas e firmas; ii) construção das instituições relevantes (universidades, institutos de pesquisa, empresas e seus laboratórios de P&D); iii) construção de mecanismos de interação entre essas duas dimensões (problemas, desafios, etc. que impulsionam pelo menos um dos lados a procurar o outro e tentar estabelecer um diálogo; iv) o desenvolvimento da interação entre as duas dimensões baseado num processo de aprendizado, de tentativas e erros, etc.; v) consolidação e desenvolvimento dessas interações envolvendo um explícito reconhecimento do papel do tempo para a construção de relações que se reforçam mutuamente.