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In document Tre i by – en kunnskapsoversikt (sider 61-66)

Trabalhar com mulheres encarceradas não é tarefa fácil. Quando se trata do sofrimento causado pela separação da mãe/ filho, uma relação que já era difícil devido à privação de liberdade torna-se complicada, ocasionando vários problemas.

A prisão, caracterizada como um local que causa grande sofrimento e perda de dignidade às encarceradas, faz com que estas, em busca de subsistência, recorram a diferentes formas de enfrentamento, como o isolamento para evitar problemas.

Para essas mulheres o apoio familiar é um fator fundamental, algo simbólico para as presas. Saber que não foram esquecidas pelos familiares aumenta a autoestima, dando-lhes esperança por saberem que não foram abandonadas; sentem-se ainda amadas e respeitadas.

A fase de gestação na prisão é totalmente frustrante, como mostraram as participantes. É tudo difícil. Ficar sem autonomia e sem “voz” em um ambiente onde tudo o que se pensa é abafado ou proibido. A maternidade atrás das grades é vivida com muita dor, angústia e tristeza, porque na prisão os direitos humanos estão longe de existir. Ali só valem as normas baixadas pelos órgãos responsáveis.

Amamentar o filho na prisão pode ter ou não significado para essas participantes, dependendo do valor que o filho representa. Observamos que aquelas que amamentaram vivenciaram momentos de aproximação com o filho, valorizando-se mais e amenizando seus sofrimentos.

O fato de estarem proibidas de conversar e receber visitas enquanto hospitalizadas trouxe mágoa às participantes, especialmente no momento de dar à luz, pois como presas deveriam acatar as normas do regime interno do estabelecimento prisional.

O comportamento agressivo das reclusas em relação às crianças dentro da caserna deixa as mães oprimidas e tímidas. Os pequenos não têm liberdade para brincar dentro da cadeia, pois tudo irrita as outras reclusas. Os direitos das crianças não se fazem sentir; na verdade, essas crianças são adultos em miniatura, porque muito cedo aprendem a conviver com os problemas que as mães atravessam e a conhecer seus limites de locomoção na prisão. As constantes pressões sofridas naquele ambiente afetam o desenvolvimento físico, intelectual e emocional das crianças. Esse comportamento indigno apresentado por muitas reclusas em

relação às crianças e suas mães decorre de sentimentos de ciúme e inveja, porque várias delas já foram separadas de seus filhos e não têm notícias deles.

A separação entre mãe e filho é o momento de maior sofrimento na prisão, segundo as participantes. A incerteza, principalmente em relação à boa continuidade na criação dos filhos, deixa todas as mães em um estado desolador, tanto as que tomam a iniciativa de mandar os filhos para casa antes do tempo, quanto as que permanecem com eles até aos três anos de idade.

As crianças que saem da prisão e são levadas para um abrigo não são disponibilizadas para adoção, lá permanecendo até a saída da mãe da cadeia, quando esta terá o direito de receber o filho de volta. O sofrimento causado pela separação destrói o futuro da mãe e do filho: da mãe porque, sem perspectivas, não consegue proteger o filho, não pode exigir que a família o receba para criá-lo ou que permaneça na prisão com ela; e do filho, que sem entender a situação que está passando permanece em estado de choque, negando a separação. Para ambos, mãe e filho, a separação é vista como um fator de risco porque destrói bruscamente uma relação íntima que estava em seu início.

Vimos assim que o alto índice de depressão grave constatado nas participantes é devido às pressões por elas vivenciadas. Em consequência, essas participantes perdem o rumo e se transformam em mulheres traumatizadas e deprimidas.

De acordo com os indícios apresentados nos depoimentos, o acesso a tudo na prisão é complicado, o que dificulta o contato com psicólogos e psiquiatras. Por esta razão muitas delas desconhecem as funções desses profissionais. Contudo, essa ignorância e falta de interesse por parte da população penal deve-se à dificuldade de acesso às informações, incentivada pelos agentes prisionais. Sugerimos que se criem bases para mudar a mentalidade das pessoas que lidam com essa população tão frágil e carente, para que futuramente possam se conscientizar de que a presença do psicólogo e do psiquiatra dentro de um estabelecimento prisional não se limita ao atendimento de pessoas esquizofrênicas, e sim a toda a população penal, incluindo os funcionários.

Além disso, propomos a criação de uma política em relação à presença do apoio familiar, admitindo assistentes sociais na prisão feminina para que realizem, junto a essa população, um levantamento sobre a localização e situação dos familiares, para posterior

discussão em ata com os órgãos responsáveis pelas instituições prisionais, visando a implementação de um plano de apoio que ajude a minimizar o sofrimento das reclusas.

A presente pesquisa vem confirmar em linhas gerais os achados já consagrados na literatura sobre o encarceramento das mulheres grávidas e a separação dos filhos. As experiências vividas por elas na prisão refletem parte de toda uma questão cujos efeitos atingem essa população em várias dimensões. Os resultados deste estudo levam-nos a refletir sobre o quanto a sociedade desconhece da vida na prisão; do sofrimento das mulheres grávidas e das que vivem ali com os filhos; e das dificuldades a elas impostas.

Consideramos que os objetivos desta pesquisa foram alcançados na medida que pudemos entender a experiência dessas mulheres em relação à depressão e ao sofrimento advindo do encarceramento. Assim, pretendemos divulgar o que de concreto se passa dentro da prisão, procurando despertar o interesse de um maior número de pesquisadores da área, no intuito de dar voz a essas reclusas.

Por outro lado, tencionamos aqui conclamar os órgãos responsáveis pelas instituições prisionais para, em parceria com o Estado, criar políticas de ressocialização e de integração que possam reduzir o sofrimento das mães e de seus filhos tanto na prisão quanto após a restituição da liberdade.

Pretendemos ainda que as crianças, após serem separadas das mães, não importando se forem encaminhadas para a casa de familiares ou para abrigos, tenham direito a um acompanhamento psicológico em virtude dos conflitos decorrentes dessa separação, os quais podem futuramente comprometer sua integração social e até mesmo conduzi-los à mesma senda que levou suas mães à prisão.

Em conclusão, reiteramos que o aconselhamento psicológico é umas das bases fundamentais de apoio na prisão, visto que todas as mulheres encarceradas encontram-se deprimidas devido a conflitos internos relacionados a problemas psicossociais. A psicoterapia vai ajudá-las a escrever novas histórias, ressignificando modelos e padrões, e refletindo sobre a maternidade, a criação dos filhos e a separação deles por meio de um novo olhar. A psicoterapia pode contribuir para a valorização pessoal que elas acreditam ter perdido, aprofundando uma reflexão em relação à construção de seus projetos interrompidos e favorecendo a criação de esperanças para um futuro melhor pós-aprisionamento.

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