IV.5.1 Benefícios para os produtores
É unanime a opinião das entrevistadas quanto às motivações dos produtores para aderirem às iniciativas. Em todos os casos, a principal motivação será de ordem económica. “Uma motivação muito básica, significa que uma coisa que antes para eles era lixo passa a ser rentabilizada (…) Uma parte da produção que para alguns agricultores era de 10%, noutros era de 50%” (Fruta Feia); “conseguem ter rendimento de espécies que não eram comercializadas” (Cabaz do Mar). Se não fosse desta forma estes produtos não seriam comercializados, aferindo-se assim um pagamento mais justo ao trabalho destes agricultores. A promotora da Mercearia do Prato trabalha exclusivamente com pequenos produtores, destacando: “todos os produtores com quem trabalhamos são desempregados, em situação precária, que se alimentam literalmente da terra” e desta forma escoam tudo aquilo que produzem. A possibilidade de escoar os produtos e um pagamento mais justo e imediato vão ao encontro dos ‘benefícios para os produtores’ identificados pelo Comité das Regiões (2011),
No caso do Cabaz do Mar, estamos perante um projeto que está integrado num processo de desenvolvimento local mais amplo, assumindo um papel de relevo para o crescimento económico das famílias. “Se o projeto anterior era essencialmente de desenvolvimento social e comunitário, este é de desenvolvimento económico. (…) O objetivo principal é o desenvolvimento económico, porque foi uma necessidade que percebemos. Depois de estarmos aqui 4 anos com esta comunidade fazia-nos sentido partir para outra fase”. Ainda neste caso, destaca-se que “antes cada um trabalhava para si, para a sua família e agora não. Agora, tenho pescadores que tentam ver a arte que os outros pescadores estão a praticar, de forma a se complementarem”. Ou seja, apesar de se ter como objetivo principal o empowerment dos pescadores com vista ao crescimento económico, em paralelo o projeto parece conseguir uma maior coesão dentro a comunidade.
IV.5.2 Benefícios ambientais
Em capítulos anteriores, sugeriu-se que a utilização de métodos agrícolas menos intensivos poderia refletir-se numa diminuição da poluição associada à produção e maior conservação dos recursos naturais. No mesmo sentido, foi sugerido que o encurtamento dos canais de distribuição causaria uma redução da emissão de gases de efeito de estufa. As afirmações que se seguem mostram que, de facto, se privilegiam esse tipo de técnicas artesanais existindo
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também, uma efetiva preocupação com os custos de transporte. Assim, poderá dizer-se que e os CCA se poderão refletir efetivamente em benefícios ambientais.
Assim, e no que se refere aos benefícios ambientais, destacamos, por um lado, as práticas de produção menos intensivas que se traduzem positivamente a nível ambiental: “os produtos são criados da forma mais natural possível (Mercearia do Prato) ”; “ (…) temos peixe fresco, (…) capturado, pelos nossos pescadores, pela pesca artesanal que eles praticam” (Cabaz do Mar). De igual modo, a redução do desperdício alimentar reflete-se num melhor aproveitamento dos recursos naturais: “todos os produtos têm um custo de produção, eles gastavam água, mão-de-obra… numa coisa que depois ia para o lixo” (Fruta Feia).
Salienta-se também no discurso dos produtores a preocupação com a prática de circuitos curtos de comercialização: “Nós só compramos produtos aos agricultores da região para poupar nos custos ambientais do transporte. Por exemplo, não nos compensa ir buscar laranjas ao algarve tendo em conta toda a poluição que isso implica” (Fruta Feia). No mesmo sentido, à partida o produto não percorrerá longas distâncias desde o intermediário até ao consumidor. “O que pretendemos é que com o crescimento clientes, os conseguirmos dividir, estes passem a comprar o mais próximo possível, ou seja, os consumidores de Vila Nova de Mil Fontes [VNMF] receberem o pescado de VNMF, os de S. Teotónio, recebam pescado ou da Zambujeira ou da Azenha.” (Cabaz do Mar). No caso da Fruta Feia, os clientes “são pessoas a quem estes pontos de entrega lhes dão jeito, ou porque moram aqui, ou trabalham aqui”.
IV.5.3Beneficios para os territórios
As vantagens dos circuitos curtos agroalimentares para o desenvolvimento rural sobressaem nos discursos das representantes da 1ª e 2ª iniciativa. Como já vimos, no caso da Mercearia do Prato, trabalha-se com pequenos produtores que anteriormente não tinham para onde escoar os seus produtos. Segundo a responsável pela iniciativa, “isto é uma ponta de um iceberg do que toca ao desenvolvimento económico rural (...) havia necessidade de criar uma rede de pessoas interessadas em utilizar os campos abandonados para cultivar, (…) existe uma percentagem tão elevada de desempregados… (…) ”.
No caso do Cabaz do Mar, sendo a entidade promotora uma associação de desenvolvimento local, é expectável que exista uma grande ênfase neste domínio. “Isto é local, feito com os pescadores do concelho para os consumidores do concelho. Não é nossa intenção, nem
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comprar pescado fora do concelho, nem vender para fora do concelho (…) Garantimos é que o pescado é pescado por pescadores do nosso concelho, na nossa costa e isto contribui para a economia local ”.
Ambos os depoimentos sugerem uma maior retenção de valor para o território e população, a valorização das tradições, - visível nomeadamente na utilização de métodos de produção/pesca artesanais - dos produtos locais e sobretudo neste último caso, o reforço da coesão e identidade cultural da região. Estes benefícios para os territórios onde os CCA estão implementados, são também mencionados pelo Comité das Regiões (2011).