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Literature Review on different solvents and blends

2.4. Description of solvents and blends

2.4.3. Literature Review on different solvents and blends

Segundo Chanlat 1995, inicialmente, carreira estava relacionada a uma profissão ou ofício que se apresentava em etapas, era desenvolvida em progressão. Greenhaus, Callanan e Godshalk (2000), Hall e Mirvis (1995) e Chanlat (1995) divisam dois modelos de carreira, sendo um tradicional e outro moderno.

No formato tradicional, a carreira se associa ao percurso do sujeito no interior de uma organização, e três quesitos formam o conceito (MARTINS, 2001):

a. A noção de ganho de posições, com certa sequência, elevação de status quo e salário;

b. A noção de profissão, de acordo com funções e atributos exercidos nas instituições;

c. O pressuposto da estabilidade, sendo rara a saída, normalmente amparada em continuidade.

Com o passar do tempo e as mudanças sociais, os quesitos que sustentavam a antiga abordagem de carreira foram perdendo força. Chanlat (1995) aponta, como causas do declínio da carreira tradicional e consequente soerguimento da carreira moderna, os seguintes acontecimentos:

• Entrada e ascensão crescente das mulheres no mercado de trabalho; • Elevação dos graus de instrução;

Cosmopolitação (sic) do tecido social; • Afirmação dos direitos dos indivíduos;

• Globalização da economia, competitividade e turbulência social; • Flexibilidade e adequação do trabalho.

Balassiano e Costa (2006) afirmam que a antiga rigidez inerente às carreiras tradicionais em mercados flexíveis tornou-as insustentáveis. Chanlat (1995) explica que, na concepção moderna, as carreiras são menos estáveis e lineares do que antes.

As profundas transformações sociais das últimas décadas criaram uma sociedade com novas características, que refletiram no mundo do trabalho e nas carreiras (GRENHAUS, CALLANAN E GODSHALK, 2000). Dessa forma, os pressupostos do modelo tradicional, que se centravam na carreira com decisivas características de estabilidade e progressão linear vertical, já não se tornaram tão adequados; sobreveio o modelo moderno, trazendo como características principais a instabilidade e a progressão descontínua vertical e horizontal (CHANLAT, 1995). Para Bernardes (2006, p.25), no modelo contemporâneo, “a responsabilidade pelo desenvolvimento de carreira passa por uma perspectiva individual. Não é uma empresa quem determinará o percurso de trabalho da pessoa, apesar de influenciar na tomada de decisão”.

Diversos autores destacaram que as mudanças sociais e no mundo do trabalho resultaram na carreira em sua versão contemporânea. Esses cientistas – entre eles Arthur, Hall e Lawrence (1989), Arthur, Claman e DeFillippi (1995), Chanlat (1995), Grenhaus, Callanan e Godshalk(2000), Arthur e Rousseau (2001) e Hall (2002), Citrin e Smith (2003) –produziram os conceitos pertinentes aos novos contextos sob o predomínio da descontinuidade, da horizontalidade, da instabilidade, mas também da nova sociedade.

Entre esses conceitos, Hall (1996) desenvolveu o construto da Carreira Proteana, termo derivado do deus Proteus, da mitologia Grega, que possuía a capacidade de mudar de forma. O vocábulo é escolhido para reforçar o entendimento de que o indivíduo, na carreira moderna, deve adaptar-se às exigências do ambiente, gerindo sua própria trajetória (MARTINS, 2001).

Arthur e Rousseau (2001) propuseram as carreiras sem fronteiras, cujo título refere-se ao indivíduo e suas carreiras, que devem extrapolar as fronteiras de uma organização, emprego, atividade ou conhecimento. O tema ultrapassa as fronteiras, mas aproxima as ideias de mudança e superação das carreiras contemporâneas.

As carreiras inteligentes, de Arthur, Claman e DeFillippi (1995), propõem que os indivíduos acumulem competências e as desenvolvam de forma que, responsáveis pelos seus crescimentos, assemelhem-se às competências das organizações de que participam e por isso nelas estejam engajados.

A carreira caleidoscópica, de Mainiero e Sullivan (2006), afirma que o indivíduo cria sua carreira por meio de seus valores e escolhas de vida. Para as autoras, as pessoas que antes viviam para trabalhar agora trabalham para viver. Essa carreira se caracteriza por ser dinâmica e relacionada com as diversas esferas da vida de seus sujeitos.

Citrin e Smith (2003) investigaram as características das novas carreiras, demonstraram em seu estudo que a responsabilidade pelo gerenciamento da carreira deve ter como condutor o próprio indivíduo, e não a organização. Para os autores, já não existe mais aquela ascensão profissional linear; nos novos tempos, o sujeito escolherá as trilhas de carreira a seguir, suas decisões e escolhas serão definidoras de sua carreira.

A carreira empreendedora encontra-se no seio da moderna abordagem de carreira, assume diversas características das demais concepções; no entanto está imbuída dos aspectos fundamentais do empreendedorismo, como a inovação e a criatividade (CHANLAT, 1995).

Para Schein (1996), a criatividade é a essência da âncora de carreira empreendedora. Esse pesquisador conceituou as âncoras de carreira, que são autoimagens individuais elaboradas a partir dos seguintes aspectos: as competências pelas quais se distingue o indivíduo, os valores básicos e motivações relacionados à carreira de uma pessoa. A criatividade empreendedora diz respeito a uma das âncoras conceituadas por Schein. Os indivíduos identificados com essa forma de criatividade encontram facilidade e predisposição para obterem o próprio negócio. O mundo tornou- se mais dinâmico e complexo, daí a necessidade eminente de inovação, de produtos e

serviços satisfatórios para a nova realidade, essas carreiras e indivíduos são ancorados no empreendedorismo (SCHEIN, 1996).

A carreira empreendedora, para Chanlat (1995), tem como principais recursos a capacidade de criação e inovação, sua ascensão deve se dar pela criação de novos valores, de novos produtos e serviços. Pequenas e médias empresas, empresas artesanais, culturais e comunitárias são palcos propícios para empreendedores, que mais crescem em ambientes sociais que valorizam a iniciativa individual. Entretanto, empreendedores têm como limitadores a capacidade individual de seus atores e as exigências adversas do ambiente externo.

Para Bridges (1995), a nova abordagem de carreira tem em comum o fato de o indivíduo ser o sujeito de seu caminho, ele passa a ser o responsável pelo seu desenvolvimento profissional. Esses conceitos, presentes nessa atual responsabilidade do indivíduo pelo seu desenvolvimento profissional, tecem a relação entre a carreira e o perfil do novo trabalhador, seus pensamentos, comportamentos e competências. Esse especialista centra-se no estudo de características que implicam o desenvolvimento de carreira em relação com o “eu empreendedor” do indivíduo (BRIDGES, 1995).

Dessa forma, o indivíduo, na carreira empreendedora, além da estrita relação com a capacidade de empreender, deve investir seus recursos e tempo e deve, sobretudo, ser senhor de sua carreira, empreender e investir em seu desenvolvimento.