5.0 EMPIRI, ANALYSE OG DISKUSJON
5.4.4 Lite rapportering av hendelser, men mange eksemplifiserte avvik
Como se viu na Seção 2.3, não há ainda um paradigma dominante para o planejamento estratégico de ONGs. As concepções e os instrumentos largamente utilizados na gestão estratégica de empresas privadas geralmente precisam de adaptações para uso no terceiro setor e algumas dessas técnicas são mais úteis do que outras. As ONGs diferem de empresas privadas em pelo menos alguns aspectos fundamentais:
1. Elas não são motivadas pelo lucro e nem são organizadas para isso 2. Quem paga pelo serviço não é quem o recebe
3. Elas produzem bens públicos, isto é, pelo menos uma parte dos benefícios que elas geram atingem uma comunidade maior do que os beneficiários diretos
As estratégias de empresas privadas são formuladas para a criação e apropriação de valor privado, não público. Portanto, é natural que esquemas e instrumentos de atuação nessas empresas nem sempre sejam aplicáveis a uma ONG. Num estudo recente, Lindenberg (2001) mostra que um conceito desenvolvido para organizações públicas, o Triângulo de Moore, pode se bastante útil como guia estratégico para uma ONG.
O Triângulo de Moore (MOORE, 2002) é um arcabouço conceitual desenvolvido na Kennedy School of Government, de Harvard, para ajudar a gestão estratégica de uma organização pública. Nessa concepção, uma estratégia organizacional é uma idéia que, simultaneamente:
1. Estabelece a finalidade ou a missão da organização, em termos de valores públicos;
2. Oferece um levantamento das fontes de apoio e legitimidade que serão usadas para sustentar o compromisso da sociedade com a organização; e 3. Explica como a organização terá que se estruturar e operar para cumprir seus
Em outras palavras, a viabilidade e sustentabilidade de uma organização pública dependerão da capacidade de ela poder responder a três perguntas: se o seu objetivo tem valor público, se a organização goza de apoio político e legal, e se ela é factível administrativa e operacionalmente.
Usando esse modelo para uma ONG, vê-se que a organização deverá estruturar sua estratégia de maneira a buscar estes três objetivos (numa ONG, o apoio político e legal do esquema de Moore é substituído pelo apoio dos patrocinadores). Pode-se aplicar esse modelo à MM e observar como a banda ajuda crucialmente a organização MM a preencher esses três quesitos.
Como símbolo da organização, a banda transmite claramente o papel da organização na criação de valor público. Como escola que é, a organização (e a banda) já tem esse papel, porém, no caso de crianças carentes, muitas das quais com famílias precariamente estruturadas, a banda acena com algo mais do que mera instrução: ela comunica enfaticamente o benefício social que representam essas crianças resgatadas de um futuro ameaçador para elas próprias e para a sociedade ao largo. A banda é uma demonstração explícita da missão e dos objetivos da organização: ela está voltada à educação de crianças e jovens através de atividades artísticas, esportivas e de lazer, visando a integração social e o desenvolvimento da cidadania nesse público. Nesse aspecto, a banda, como símbolo da organização, é uma demonstração dos resultados que a organização consegue: união, disciplina, harmonia no contexto de uma atividade artística que, aos olhos do público, sugere uma possibilidade de redenção dos excluídos.
Estes mesmos efeitos simbólicos da banda também operam no reforço da legitimidade e no apoio externo dos patrocinadores, o segundo vértice do triângulo de Moore.
Quanto à capacidade de gestão operacional, a banda é, como vimos, uma fonte de identidade individual para seus membros e uma fonte de identidade para a
organização. Essa identidade é um forte elemento agregador que facilita a gestão da organização.
Como visão, a banda operou como guia para as sucessivas fases por que passou a instituição, como se mostrou acima. A sua função é principalmente a de servir de base para a gestão estratégica da organização.
Como expressão, a banda reforça os três vértices do triângulo de Moore. Ao fornecer um veículo de expressão para a organização, a banda permite que a mesma demonstre seu inegável valor público. Desta forma, também atinge os patrocinadores e fornece a estes, também, um meio de expressarem os seus próprios valores, através do aplauso e do apoio à organização. Do ponto de vista da capacidade de organização interna, a capacidade expressiva da banda também ajuda estrategicamente, uma vez que a vitalidade dos projetos artísticos já por si impõem requisitos estruturais e administrativos.
Como ritual, a banda também ajuda a preencher os requisitos que constituem os três vértices do triângulo de Moore. O ritual reforça a identificação e o compromisso dos meninos com a organização, aumentando sua eficácia e, portanto, alavancando seus esforços de gestão. O ritual também estabelece um uma trajetória para cada participante, um programa de aprendizado, e a necessidade de uma gestão desses programas individuais, o que contribui para uma cultura organizacional estruturada e programada no tempo. Além disso, como espetáculo ao mersmo tempo aprazível e edificante, a banda comunica, como já foi dito acima, seu inegável valor público e atrai o apoio de patrocinadores.
Finalmente, a banda, como objeto limítrofe (boundary object), é um poderoso instrumento de comunicação entre todos os envolvidos: meninos, suas famílias, instrutores, administradores, patrocinadores, autoridades e público em geral. Não só a banda estabelece formas de comunicação entre esses públicos, mas também serve como referência na consideração dos três vértices do triângulo de Moore, integrando conteúdo, política e gestão (MOORE, 2002, p.48)
Em síntese, de várias maneiras, a banda opera como uma referência e um instrumento para a formação contínua da estratégia emergente da organização MM. Pode-se dizer que a banda é uma âncora estratégica daquela organização.