1. Introduksjon
1.4 Listeria monocytogenes i oppdrettsnæringen
1.4.1 Listeria monocytogenes i sjøvann og slakteri
Figura 15
- É contra os homossexuais, pois sabe que dar o ânus dói; - É um varão formoso, viril e tem cara que ainda é reprodutivo;
- Se por acaso você sofrer uma recaída satânica, fornicar com ele e engravidar, ele assumirá o bebê, já que é contra o aborto!! ETA GOD;
- Tem cara de que vai te esbofetear em Cristo se você não limpar em cima da geladeira. ETA DELICIA;
- Ama os homossexuais assim como ama os bandidos. Isso que é ter amor no coração, gente; - Esta há 25 anos sem receber salário de Pastor, mas mesmo assim é rico em Cristo;
- Seus ensinamentos criarão seres humanos intolerantes e cheios de ódio, ou seja, um mundo muito mas lindo e ungido;
- Ajuda Jesus a ficar rico com as ofertas que recebe de seus fiéis, fazendo assim do céu um lugar muito mas chique;
- Não acredita no mesmo Deus que a apresentadoura Marilha Gabriela.
ANÁLISE
O humor nessa postagem é derramado, abundantemente, através da técnica da Ironia, que é a modalidade discursiva mediante a qual se espera perceber a diferença entre o que se diz e o que se quer dizer, disso decorrendo o efeito humorístico. É um jogo de contrários, em que se diz uma coisa e se pretende que a ideia a ser captada e considerada verdadeira é exatamente o seu oposto. A escritora canadense Linda Hutcheon (2000) define assim essa técnica: a ironia não é ironia até que seja interpretada como tal – pelo menos por quem teve a intenção de fazer ironia, se não pelo destinatário em mira. Alguém atribui à ironia; alguém faz a ironia ‘acontecer’ (ibidem, p. 22).
O humor que já se anuncia e se pretende no título dessa postagem, 10 motivos para amar o pastor Silas Malafaia, jaz especificamente nas polêmicas declarações (dentre elas, as de cunho homofóbico) pelas quais Silas tem se tornado assunto tão frequente nas redes sociais da Internet39. Uma rápida coleta dessas controversas declarações contidas, particularmente, nessa entrevista concedida à Marilia Gabriela, no programa De Frente com Gabi (SBT), que foi ao ar no dia 03 de fevereiro de 2013 (e que resultou num dos maiores picos de audiência desse programa de entrevista – só em São Paulo foram 6 pontos40), trará os seguintes enunciados que selecionamos:
39Fonte: http://odia.ig.com.br/portal/diversaoetv/entrevista-de-silas-malafaia-na-tv-causa-pol%C3%AAmica-nas- redes-sociais-1.544052. Acessado em 27 de outubro de 2013.
40Fonte: http://blog.jovempan.uol.com.br/parabolica/vannucci-responde-a-repercussao-da-entrevista-de-maria- gabriela-novelas-e-o-fim-do-zorra-total/. Acessado em 27 de outubro de 2013.
"Eu não acredito que dois homens e duas mulheres tenham a capacidade de criar um ser humano";
"Se tiver pastor homossexual, ele perde o cargo"; "Há 25 anos eu não tenho salário de pastor";
"Nos últimos cinco anos, eu vendi mais de um milhão de livros por ano"; "O homossexualismo é um comportamento";
"Eles (homossexuais) querem uma lei para atacar e atingir àqueles que querem"; "A autoridade da bíblia é condenar o pecado";
"Eu estou aqui para condenar o pecado";
"O que muda é a tecnologia, o homem é a mesma coisa"; "Eu não estou aqui para impedir ninguém de ser homossexual"; "Eu abdiquei do salário da minha igreja".
Essa postagem traz além do recurso irônico, uma forma de paródia bakhtiniana, na medida em que a linguagem do outro é adotada, mas seu sentido semântico, na voz do outro, é oposto ao do seu autor. Hutcheon (2000) estabelece que:
A paródia é, pois, repetição, mas repetição que inclui diferença; é imitação com distância crítica, cuja ironia pode beneficiar e prejudicar ao mesmo tempo. Versões irônicas de “transcontextualização” e inversão são os seus principais operadores formais, e o âmbito de ethos pragmático vai do ridículo desdenhoso à homenagem reverencial (HUTCHEON, 2000, p. 70). Cleycianne, ao parodizar o pastor Silas Malafaia, aponta muito mais do que apenas a possibilidade do riso, mas sua paródia tende a demonstrar que por trás das formas exteriores de uma manifestação espiritual não há nada, que por trás delas existe o vazio (PROPP, 1999, p. 85), representando um desvendamento da inconsistência interior do que é parodiado (ibidem).
A presença do que Bakhtin chamou de realismo grotesco é notória no enunciado: (Silas) é contra os homossexuais, pois sabe que dar o ânus dói. Para despir esse enunciado do aspecto elevado e religioso que o subjacente discurso homofóbico evoca do texto bíblico – aqui configurado como discurso centrípeto, unilinguista e fechado (FIORIN, 2008, p. 89), Cleycianne articula o cômico através do que Bakhtin chamou de rebaixamento:
O traço marcante do realismo grotesco é o rebaixamento, isto é, a transferência ao plano material e corporal, o da terra e do corpo na sua
indissolúvel unidade, de tudo que é elevado, espiritual, ideal e abstrato. É o caso, por exemplo, da Coena Cypriani (A Ceia de Ciprião) que já mencionamos e de várias outras comédias latinas da Idade Média, cujos autores extraíram em grande parte da Bíblia, dos Evangelhos e de outros textos sagrados todos os detalhes materiais e corporais degradantes e terra a terra. Em certos diálogos cômicos muito populares na Idade Média [...] há um contraponto entre as máximas salomônicas, expressas em um tom grave e elevado, e as máximas jocosas e pedestres do bufão Marcul que se referem todas premeditadamente ao mundo mundo material (bebida, comida, digestão, vida sexual) (BAKHTIN, 1999a, p. 17, grifo nosso).
É de se notar que no rebaixamento promovido por Cleycianne, o que antes apresentava um sentido espiritual elevado passa a ser vilanizado, pois se mostra como um discurso de poder e autoridade contrário ao riso, portanto, como algo que precisa ser dessacralizado para que a alegria se instaure novamente.
Uma declaração do pastor durante a entrevista parodiada e que causou grande comoção também nas redes sociais41 foi a seguinte: A mãe de um bandido ama profundamente o filho, mas pergunte se ela concorda com aquilo que ele faz? Amar a pessoa é uma coisa, concordar com a prática é outra. Eu amo os homossexuais, mas discordo 100% de suas práticas. Amo os homossexuais como amo os bandidos, os assassinos (grifo nosso)… O título dessa postagem dialoga com esse polêmico posicionamento do pastor (ao qual Cleycianne se reporta e parodia ao escrever: [Silas] ama os homossexuais assim como ama os bandidos. Isso que é ter amor no coração, gente), na medida em que ele próprio afirma amar bandidos e assassinos, tipos que se enquadram na categoria grotesca do teratológico, isto é, dos deformados morais/corporais, dos desviados da norma dominante (SODRÉ & PAIVA, 2002, p. 31).
Do ponto de vista da forma discursiva, temos um grotesco do gênero atuado (suporte escrito e imagístico), da espécie crítica, pois o efeito humorístico dá margem a um discernimento formativo do objeto visado (ibidem, p. 69). Essa postagem propõe o desvelamento público e reeducativo do que (na enunciação do pastor na entrevista) se tenta ocultar (ibidem, p. 69), isto é, do discurso incitador de ódio e intolerância ao qual Cleycianne se referirá como o oitavo motivo para amar o pastor Silas Malafaia: Seus ensinamentos
41 Alyson Freire, no site Carta Potiguar, publicou um artigo (http://www.cartapotiguar.com.br/2013/02/04/silas- malafaia-e-a-teologia-da-estupidez-homossexuais-e-bandidos/) analisando e criticando essa declaração, intitulado “Silas Malafaia e a Teologia da Estupidez: Homossexuais e Bandidos, no qual declara: “A correlação valorativa entre “homossexuais” e “bandidos” é odiosa. Ela objetiva reforçar o vínculo entre homossexualidade e desvio, sustentando, sorrateiramente, a ideia de que a homossexualidade assim como o fenômeno da delinquência atenta e prejudica a sociedade.”
criarão seres humanos intolerantes e cheios de ódio, ou seja, um mundo muito mas (grafia original) lindo e ungido.