No trabalho efetuado por Kirner et al. (2009), os autores relacionaram a capacidade de inovação com as atividades de I&D das empresas e com os outputs da inovação em relação a novos produtos. Hirsch-Kreinsen (2008) constatou, na sua investigação, e em particular nas pequenas empresas, que para existir inovação não é necessário obrigatoriamente que exista investimento em I&D. Isto porque, segundo este autor, muitas vezes a inovação surge do
decorrer dos negócios do dia-a-dia, do feedback vindo dos clientes ou muito simplesmente da otimização dos processos internos. Ainda dentro deste tema, Jong e Marsili (2006) constataram, no seu trabalho, que apenas um terço das PME tornavam formais os seus procedimentos e os seus planos de inovação, reduzindo-os a escrito e apenas metade das empresas desse trabalho tinham o cuidado de reservar fundos financeiros para aplicarem especificamente em inovação. Assim, tal como Santamaría et al. (2009) referem, a inovação muitas vezes envolve atividades de I&D de uma maneira informal e que nem sempre é percetível. Estes autores dão como exemplo dessas situações a aprendizagem, a avaliação, a adaptação de tecnologias e a experimentação. Quando se observam estas situações, muitas vezes torna-se difícil distinguir o que é desenvolvimento do que é trabalho normal quotidiano e, como tal, nem sempre se distingue corretamente a situação no que à inovação diz respeito, sobretudo quando se fala de PME em que normalmente, dentro destas organizações, todos fazem um pouco de tudo (Forsman, 2008).
Dos trabalhos analisados sobre atividades de inovação, a grande maioria demonstrou que os investimentos têm sido restringidos aos gastos em I&D. Deve-se isso, e por esse motivo é necessário ter em conta o facto de as empresas, sobretudo as PME, muitas vezes fazerem investimento em atividades de inovação de forma informal, o que dificulta a sua estimativa, mas que, por outro lado, são de extrema importância, sobretudo em países desenvolvidos, bem como por as PME serem a base e a maioria das empresas mundiais (Chudnovsky et al., 2006; Forsman, 2008; Santamaría et al., 2009). Infelizmente muitos destes investimentos podem não ser percetíveis em base de dados tais como o CIS (Chudnovsky et al., 2006). No recente trabalho dos investigadores Lai et al. (2015), contata-se que o investimento em I&D é um fator importante na vantagem competitiva das empresas. Observaram também, em relação à variável relacionada com a autonomia financeira, que quanto mais baixa esta for melhor serão os investimentos em I&D; ou seja, este trabalho revela que existe uma correlação entre estas duas variáveis financeiras e, como tal, isso refletir-se-á nos resultados financeiros das empresas e, consequentemente, no desenvolvimento e crescimento das mesmas. Lewellyn e Bao (2015) concluíram da investigação que efetuaram que o investir em I&D depende de questões culturais e do ambiente onde a empresa se insere. Observaram também que, quando as empresas se deparam com situações ambíguas e que possam ter um certo grau de incerteza, isso leva a que o investimento em I&D seja reduzido. Em contrapartida, quando as empresas se sentem confiantes nas decisões que tomam e nas estratégias coletivas que têm, os investimentos em I&D aumentam.
Não obstante a parte positiva que a variável sobre investimento em I&D traz aos trabalhos académicos, existem autores que defendem alguns aspetos negativos destes gastos em I&D. Isto acontece sobretudo quando esta variável é usada como medida de atividade de inovação, pois não tem em conta as questões atrás referidas tais como o conhecimento adquirido pela aprendizagem, nem o conhecimento que advém do investimento em novos equipamentos e
em capital humano e, dessa forma, não informa em concreto o processo atual da inovação em curso (Kemp et al., 2003; OCDE/European Communities, 2005;). Outro aspeto importante é que o montante do investimento em inovação pode não refletir, por exemplo, a cooperação entre empresas; ou seja, não se percebe se um baixo investimento significa o não investir em I&D, ou se uma empresa tem parcerias com outra empresa (Kemp et al., 2003). Bessler e Bittelmeyer (2008) referem que, por vezes, um pequeno esforço das PME em inovarem pode traduzir uma inovação, porém os resultados dessa inovação e desse resultado criado apenas será visível e terá retorno financeiro a médio e longo prazo; ou seja, existem empresas que, embora invistam em I&D, podem estar vários anos sem obter frutos visíveis desse investimento.
Com base no exposto, pode-se dizer que os determinantes dos outputs da inovação consistem basicamente nos inputs de inovação e nos processos relacionados com as respetivas variáveis. Com isto, uma vez que como normalmente o principal investimento é em I&D, esta é a grande variável em termos de custos para as empresas que mais vezes é encontrada na literatura e que faz a ligação às atividades de inovação. Embora se possa dizer, numa perspetiva hipotética e académica de que os inputs da inovação influenciam positivamente os outputs da inovação, poucos são ainda os casos que o comprovam com fundamentação empírica (Klomp e Van Leeuwen, 2001; Lööf e Heshmati, 2002).
Como se sabe, as empresas existem para responder à procura dos seus clientes, vendendo os seus produtos e serviços (Grant, 1996a,b). Como se depreende do anteriormente exposto, apenas as empresas capazes de antecipar e identificar as necessidades que o mercado tem, adaptando-as ao consumo interno dos mesmos, podem desenvolver e garantir um crescimento, bem como maiores e melhores resultados (Teece et al., 1997; Langlois e Foss, 1999).
Assim, as empresas necessitam de analisar uma série de atividades preliminares, tais como I&D, o desenvolvimento ou o upgrade de produtos, a reorganização de linhas de produção e a aquisição de recursos humanos. Cada empresa é uma empresa e, como tal, cada uma terá as suas necessidades específicas e, no caso de estas atividades serem necessárias, requerem uma reconfiguração interna ao nível dos processos existentes, capacitando a empresa em termos externos, para que se possa modificar, permitindo evidenciar a sua postura e posicionamento no mercado, para, dessa forma, elevar os seus recursos a um patamar superior e responder positivamente ao que lhe for exigido (Teece et al., 1997; Eisenhardt e Martin, 2000; Zollo e Winter, 2002; Ho e Tsai, 2006).